15 de setembro de 2016

Delimitação do Afeganistão. Negociações entre Rússia e Grã-Bretanha, de 1872 a 1885

Afganskoe razgranichenie (Delimitação do Afeganistão) foi publicado pelo Ministério das Relações Exteriores russo em 1886 para informar o público nacional e internacional sobre as negociações entre os governos russo e britânico ocorridas entre 1872 e 1875 e entre 1883 e 1885 sobre a demarcação da fronteira norte do Afeganistão. O livro está em russo e em francês, com o texto idêntico em páginas opostas. A primeira parte traz uma introdução com um panorama histórico das negociações; a segunda parte apresenta os textos de 159 documentos produzidos pelas negociações ou referentes a elas. Os documentos estão em russo e em francês, e os documentos oficiais britânicos também são apresentados em seu texto original em inglês. Há três mapas no final da publicação. Os documentos tratam das negociações de 1869 a 1873 e da ocupação dos afegãos em 1883 dos territórios de Shugnan e Roshan (na fronteira dos atuais Afeganistão e Tadjiquistão); da conquista russa do território de Ahal Teke (na atual região sul do Turcomenistão) e das negociações entre Grã-Bretanha e Rússia de 1882; e da ocupação russa de Merv (atual Mary) e das negociações de 1884 a 1885 referentes à cidade e ao oásis. Entre os documentos reproduzidos no volume estão a correspondência do príncipe Gorchakov, ministro das Relações Exteriores da Rússia de 1856 a 1882, e do seu sucessor Nicholai Karlovich Girs; mensagens de São Petersburgo a Londres enviadas por Sir Edward Thornton, embaixador britânico na Rússia; e importantes documentos bilaterais como o protocolo que define a fronteira entre a Rússia e o Afeganistão assinado em 29 de agosto de 1885 por Lorde Salisbury, primeiro-ministro britânico, e Baron de Staal, embaixador russo em Londres.

Turcomenistão e os turcomanos

Turkmenistan i turkmeny (Turcomenistão e os turcomanos) é um livro sobre o Turcomenistão publicado em 1926, no início da era soviética. A primeira parte, em quatro capítulos, é dedicada ao Turquestão Central e também explica o contexto geográfico mais amplo do Turcomenistão. Os capítulos abordam a história do Turquestão e sua importância como ligação entre a Pérsia e a China; os 17 principais grupos étnicos no Turcomenistão (incluindo o povo turco-mongol de Altai, mongóis, árabes, judeus, taranchis, calmucos e outros); a tradição do clã e sua influência sobre a vida moderna nas repúblicas da Ásia Central; e uma visão geral das nacionalidades nas repúblicas soviéticas limítrofes com o Turcomenistão (uzbeques, tadjiques, quirguizes, kara-quirguizes e caracalpaques). A segunda parte, em 15 capítulos, fala sobre a República Socialista Soviética do Turcomenistão. Os capítulos abordam temas como história, geografia e topografia, divisões administrativas e centros populacionais, agricultura, irrigação, transporte, indústria, vegetação e vida selvagem, bem como o tamanho, a composição étnica e a distribuição da população da república. A terceira parte contém três capítulos e analisa a genealogia dos turcomanos e suas migrações, a divisão moderna dos clãs e os locais dos clãs no Turcomenistão, além das características nacionais dos turcomanos e sua vida no clã, incluindo o elevado status das mulheres.

Chave afegã

Kalīd-i Afghānī (Chave afegão) é um livro didático pachto originalmente publicado em 1872 em Lahore. O livro foi produzido para militares do exército da Índia Britânica e missionários instalados na Província da Fronteira Noroeste da Índia Britânica e que viviam entre os pachtuns. O objetivo do livro era familiarizar os falantes de inglês com as formas coloquial e padrão da língua pachto, bem como com a história do povo pachto. O compilador foi Thomas Patrick Hughes, padre da Missão de Peshawar entre 1865 e 1884. O livro é dedicado ao vice-governador de Punjab, Sir Robert Henry Davies (de 1824 a 1902). Aqui apresentamos a segunda edição da obra que data de 1893. O conteúdo é uma compilação de oito obras de prosa e verso da literatura, da língua e da história pachto. Ganj-i Puṣhto (Tesouro do pachto) escrito por Mawlawi Ahmad de Tangi, um poeta afegão, analisa 49 contos literários escritos em um pachto puramente coloquial, sem palavras persas ou árabes (páginas de 5 a 130). Tārīkh da Sult̤ān Maḥmūd Ghaznavī by Mawlawi Ahmad (uma tradução da obra Tārīkh-i Firishtah em persa) trata da vida e da carreira do sultão Mahmud de Gázni (de 971 a 1030; páginas de 131 a 204). Tārīkh-i Muraṣṣaʻ (História adornada com pedras preciosas) de Afzal Khan (falecido em 1748), um escritor local, é uma mistura de histórias regionais que começa discutindo a criação do mundo com base em dois pontos de vista: o bíblico e o corânico; e em seguida trata da migração e origem ancestral de algumas das tribos pachtos, como os khattaks, ghurids e outros povos que vivem entre o Afeganistão e o Vale de Peshawar (páginas de 205 a 240). Shahzādah Bahrām wa Gulandām(História do príncipe Bahram e Gul Andam) de Fayyaz é uma história mística de amor originalmente em persa (páginas de 241 a 296). Da Dīwān d ʻAbd al-Raḥman(Coleção de poesia de ʻAbd al-Rahman) é uma seleção de poemas do famoso místico e poeta pachto Rahman Baba (de 1651 a 1709; páginas de 297 a 328). Da Dīwān da Khūshḥāl Khān Kaṭak é também uma seleção de poemas do poeta-guerreiro pachto Khushal Khan Khatak (também conhecido como Khwushhal, de 1613 a 1689; páginas de 329 a 360). Chaman-i Bīnaẓīr (Jardim peculiar) é uma seleção de sonetos poéticos de 35 poetas pachtos, cuja maioria das obras não existe mais (páginas de 361 a 402). Inshaʼ da Puṣhto (Escrita em pachto) é uma compilação de 19 cartas em pachto que complementa o livro didático.

Criação do universo

Āfarīnish-i Dunyā (Criação do universo) é um livro sobre cosmogonia. A obra descreve e compara várias narrativas culturais, religiosas e científicas sobre as origens do universo. O livro é uma tradução do tártaro túrquico (provavelmente de Azari) para o tadjique persa, e publicado pela imprensa do governo tadjique em Tashkent e Stalinabad (atual Duchambé) em 1929. O tradutor é identificado como ʻAbd Allah Shinasi, sobre quem nada se conhece. O livro está organizado em três seções. A seção um discute e critica descrições da criação do universo inspiradas durante a antiguidade e a idade média pelo judaísmo, islamismo e outras religiões. O autor (ou possivelmente o tradutor) ridiculariza tais narrativas, como histórias judaicas, islâmicas e mesopotâmicas em que Deus criou o mundo em seis dias ou que a Terra repousa sobre dois chifres de uma vaca que vive em cima de um peixe que nada nas águas. Após esboçar as várias histórias da criação dos mesopotâmicos, judeus e islâmicos, na segunda seção o autor apresenta a explicação científica da criação do universo, incluindo temas como a rotação da Terra e outros planetas no sistema solar. A terceira seção conclui o livro criticando os versos corânicos usados pelos muçulmanos como evidências da criação do universo. O livro é típico das obras produzidas na Ásia Central durante o início do século XX, quando os modernistas muçulmanos, conhecidos como jadidistas, questionavam o papel da religião na sociedade.

A forma da língua pachto ou gramática pachto

Da Puṣhto da Zhabe Liyārah Liyā Puṣhto Ṣarf aw Naḥo (A forma da língua pachto ou gramática pachto) é um livro didático de idioma. O autor, Muhammad Gul Momand, foi um famoso (e controverso) nacionalista literário e político pachto. É provável que ele tenha escrito o livro em Balkh, no Afeganistão, onde atuou como governador em 1920. A obra foi publicada em Lahore em 1938 pela gráfica Feroz, na época em que escritores nacionalistas pachtos defendiam a institucionalização da língua pachto em todo o território do Afeganistão e do Paquistão. O conteúdo do livro inclui um prefácio de 11 páginas, duas seções principais e uma seção complementar no final. Em seu longo prefácio, Momand enfatiza a importância da linguagem para o desenvolvimento de cada país. Ele afirma que a formalização e a nacionalização da língua pachto está diretamente ligada ao bem-estar dos indivíduos, da sociedade, da cultura e da identidade do povo pachto. A primeira seção fala sobre a morfologia, e contém três subseções: sobre as partes do discurso; sobre lexicologia, negação, pluralização, gênero e gerúndios; e sobre preposições. A segunda seção é dedicada à sintaxe e discute a estrutura e a formação da sentença. A seção complementar no final foi preparada por outro autor, Abdul Azim Safi, e apresenta uma lista de infinitivos. As páginas são numeradas. Momand menciona no prefácio dois outros indivíduos que ajudaram na compilação do livro: Mohammad Qasim Khan Ibrahim Khele e o mulá Obaidullah Khan Safi. O livro provavelmente foi produzido tanto para falantes da língua pachto como para não falantes interessados em aprender o idioma.

Dicionário Pachto-Urdu de Khairullah

Kitāb K̲h̲airullug̲h̲āt y aʻnī Pushto Urdū Lugh̲āt (Dicionário Pachto-Urdu de Khairullah) foi publicado numa versão litográfica em Lahore em 1906. O autor, Qazi Khairullah, levou seis anos para produzir a obra. Khairullah, retratado num modesto desenho no início do livro, era um missionário da igreja e professor de pachto. O livro apresenta um prefácio em urdu (páginas de 1 a 3), em que o autor discute a importância de ter um dicionário pachto-urdu e seu uso como um livro complementar para as escolas sendo construídas nas regiões fronteiriças da Província da Fronteira Noroeste da Índia Britânica. Em seguida a obra traz um breve ensaio (páginas de 3 a 6) em urdu, “Tārīkh-i Zabān-i Pushto” (História da língua pachto), em que o autor classifica o pachto como um idioma indo-europeu (da mesma forma que o persa, o latim e o sânscrito). Ele afirma que não há evidências textuais antes da chegada do islã que apoiam a existência de um alfabeto pachto antigo. A maior parte da obra (páginas de 7 a 192) é composta pelo vocabulário pachto-urdu. O dicionário não registra muitas palavras pachtos iniciadas com a letra ya, a última letra do alfabeto pachto. O volume que apresentamos aqui é o primeiro dicionário pachto-urdu já compilado. A obra foi produzida na Província da Fronteira Noroeste num momento em que os povos falantes das línguas pachto e urdu interagiam cada vez mais por meio de contatos com o Exército da Índia Britânica e em escolas na região.