31 de agosto de 2016

Memórias de quarenta e três anos na Índia

George Saint Patrick Lawrence (de 1804 a 1884) foi um oficial do exército da Índia Britânica que serviu na Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842), na Segunda Guerra Anglo-Sikh (de 1848 a 1849), e na Revolta Indiana (também conhecida como Rebelião dos Sipais), de 1857 a 1858. Durante a fase inicial da Primeira Guerra Anglo-Afegã, Lawrence foi assistente político e mais tarde secretário militar de Sir William Macnaghten, enviado britânico ao Afeganistão. Quando o emir afegão Dost Mohammed Khan se rendeu a Macnaghten em novembro de 1840, Lawrence ficou responsável pelo governante afegão até este ser exilado na Índia. Lawrence também foi um dos três oficiais que acompanharam Macnaghten ao seu encontro malfadado com o general afegão Akbar Khan. Após a morte de Macnaghten em dezembro de 1841, Lawrence foi levado como refém, permanecendo em cativeiro por oito meses e meio. Problemas de saúde o obrigaram a voltar para a Inglaterra em 1843, mas depois de três anos ele retornou à Índia. Ele foi nomeado agente político assistente em Punjab, responsável pelo importante distrito de Peshawar. Durante a Segunda Guerra Anglo-Sikh, as tropas de Lawrence, formadas principalmente por soldados sikhs, mudaram de lado e Lawrence acabou sendo preso pelo general sikh Chattar Singh. Ele ficou preso por cinco meses e meio. Memórias de quarenta e três anos na Índia é o relato de Lawrence sobre esses eventos, compilado com base em suas cartas e seus diários por William Edwards, juiz do serviço público bengalês. O livro é composto de 21 capítulos, dos quais os primeiros 16 enfocam os acontecimentos da Primeira Guerra Anglo-Afegã. Os capítulos de 17 a 19 recontam os acontecimentos da Segunda Guerra Anglo-Sikh. Os últimos dois capítulos são dedicados à Rebelião dos Sipais e terminam com a descrição da retomada, em março de 1858, da cidade de Kotah (atual Kota, na Índia) pelos insurgentes. A obra foi publicada em Londres em 1874.

Viagem para o Turcomenistão e para Khiva em 1819 e 1820

Nikolai Nikolaevich Murav’ev (de 1794 a 1866) foi um oficial militar e estadista russo que em 1819 e 1820 liderou uma missão imperial até a costa oriental do Mar Cáspio e do canato de Khiva. Naquela época ele era capitão na equipe geral do exército russo imperial, e foi acompanhado pelo major Ponomarev, comandante de Ganja (no Azerbaijão). O objetivo da missão era proteger as rotas de comércio da região com a Rússia. O general Aleksiei Petrovich Ermolov, o poderoso comandante do Cáucaso que ordenou a missão, planejava estabelecer um porto comercial russo na costa oriental do Mar Cáspio. A missão deixou Tiflis (atual Tbilisi, na Geórgia) em 17 de junho de 1819, e viajou por terra até Baku, na costa ocidental do Mar Cáspio, onde uma corveta, um navio mercante e mais tropas aguardavam. As embarcações chegaram à Baía de Balkan (atual Baía de Kara Bogaz, no Turcomenistão) em setembro. De lá, Murav’ev viajou por terra até Khiva (no atual Uzbequistão) para se encontrar com o khan Muhammad Rahim. No entanto, Murav’ev não conseguiu autorização para entrar na cidade e ficou detido por 48 dias. Mais tarde ele foi liberado e voltou para sua embarcação. Acompanhado por dois enviados de Khiva, Murav’ev navegou de volta com seus homens e chegou a Baku em dezembro. Eles foram recebidos pelo general Ermolov em 17 de janeiro de 1820. Voyage en Turcomanie et à Khiva (Viagem para o Turcomenistão e para Khiva) é o relato de Murav’ev sobre sua missão. O livro está dividido em duas partes. Na primeira, Murav’ev relata a viagem para Baía de Balkan, a viagem seguinte por terra para Khiva e a viagem de retorno para Tiflis. Essa parte inclui cópias de cartas do general Ermolov e do major Ponomarev ao khan de Khiva. A segunda parte do livro é uma descrição geral do território de Khiva, sua economia e suas forças militares, além de um relato sobre a guerra civil no canato. A obra também apresenta um catálogo em latim dos animais da Ásia Central, descrições dos habitantes da região e um mapa da rota de Tiflis a Khiva desenhado por Murav’ev. O livro foi traduzido do russo por G. Lecointe de Laveau e publicado em Paris em 1823.

Novo relato da Índia Oriental e da Pérsia, em oito cartas. Nove anos de viagens no total, com início em 1672. Término em 1681

John Fryer (por volta de 1650 a 1733) era um viajante e escritor britânico. Depois de estudar medicina na Universidade de Cambridge, ele foi para a Índia, onde trabalhou pela primeira vez como cirurgião a serviço da Companhia das Índias Orientais, com a qual sua família provavelmente tinha algum tipo de ligação. Ele deixou a Inglaterra em dezembro de 1672 e só retornou em agosto de 1682. Novo relato da Índia Oriental e da Pérsia, em oito cartas. Nove anos de viagens no total, com início em 1672. Término em 1681 é o relato de Fryer sobre seu tempo no Oriente. O livro está organizado em oito cartas, a maioria das quais dividida em capítulos. A carta um abrange a passagem para a Índia. As cartas dois, três e quatro registram o tempo de Fryer na Índia. A carta cinco é sem dúvida a mais longa do livro, e relata o tempo que o autor passou na Pérsia, com descrições detalhadas da capital safávida de Isfahan, de Shiraz e das ruínas da antiga cidade de Persépolis. A carta seis conta como foi o retorno de Fryer à Índia e sua estadia nas cidades de Bharuch, Baharampur e Surat, na atual região oeste da Índia. A carta sete é formada por “Ocorrências e observações gerais”; e a carta oito trata de sua volta para a Inglaterra, viagem que passou por Cabo da Boa Esperança, Ilha de Ascensão, Santa Helena e Açores. O livro é rico em detalhes da história natural e é um valioso relato sobre como a medicina era praticada na Pérsia e na Índia, refletindo a formação de Fryer como médico. Os escritos de Fryer são conhecidos pela grande curiosidade do autor e suas observações sobre geologia, meteorologia e outros campos científicos. Ele também descreve a vida e os costumes dos povos minoritários da Pérsia, incluindo gabrs (zoroastristas), armênios, georgianos e judeus, e oferece informações sobre as atividades de potências europeias rivais — Portugal, Holanda e França — nos países que visitou.