31 de agosto de 2016

Candaar em 1879

Candaar em 1879 é o diário do major-brigadeiro Augusto Le Messurier (de 1837 a 1916), um engenheiro ferroviário da Índia Britânica que entrou para os Engenheiros de Bombaim em 1856 e alcançou o posto de engenheiro-chefe e secretário do governo de Punjab em 1889. Em novembro de 1878, pouco antes do início da Segunda Guerra Anglo-Afegã, Le Messurier foi enviado para trabalhar na Força de Campo de Quetta, que na época ficava em Mooltan (atual Multan, no Paquistão). Comandada pelo tenente-general Donald Stewart, a força era uma das três colunas que invadiram simultaneamente o Afeganistão durante a primeira fase da guerra. Incumbida de limpar o caminho pelo Passo de Bolan e pelos vales até Candaar, a Força de Campo de Quetta não experimentou tanta ação quanto as outras duas colunas, mas enfrentou uma severa escassez de suprimentos e encontrou terrenos e condições climáticas difíceis antes de alcançar e ocupar a cidade. O diário, que apresentamos aqui em forma de livro, mas sem introdução ou conclusão, narra os acontecimentos que acompanharam a marcha para Candaar e o tempo que Le Messurier serviu no Afeganistão antes de voltar para a Índia em outubro de 1879. Os registros estão divididos em 14 capítulos. Os três primeiros capítulos descrevem o avanço a Candaar e as dificuldades encontradas pela força. Os capítulos de quatro a 12 tratam da vida militar no acantonamento britânico em Candaar, além de descrever as fortificações da cidade, os recursos naturais, os bairros, os comércios, as antiguidades e os entretenimentos. Os dois últimos capítulos descrevem os preparativos iniciais feitos pelos soldados britânicos para se retirar para a Índia após o fim da primeira fase da guerra, bem como a retirada das tropas depois da insurreição afegã em Cabul e o assassinato do enviado britânico a Cabul, Sir Louis Cavagnari, eventos que desencadearam a segunda fase da guerra. Le Messurier não permaneceu no Afeganistão, sendo enviado de volta para a Índia, onde trabalhou como engenheiro-chefe e gerente da Ferrovia Estadual de Mysore. O diário foi publicado em Londres em 1880.

As crônicas de um viajante: ou, História das guerras afegãs com a Pérsia

Padre Tadeusz Judas Krusiński (também conhecido como Tadeusz Jan Krusiński, de 1675 a 1756) foi um padre jesuíta polonês que passou quase 20 anos na Pérsia (Irã) na corte da capital safávida de Isfahan. Em 1722 ele testemunhou pessoalmente o cerco e a conquista de Isfahan por uma força afegã invasora. Krusiński escreveu um relato em latim sobre a guerra e suas consequências imediatas, como o extermínio da família real persa pelo comandante afegão Mahmud Ghilji. Krusiński deixou a Pérsia em 1725. Durante seu retorno ao continente europeu, ele passou por Constantinopla (atual Istambul) e deu uma tradução turca de sua narrativa, que de acordo com as informações disponíveis ele mesmo havia traduzido, a Ibrahim Padshah, vizir do sultão Ahmed III. Em 1729 o vizir publicou a obra pela recém-criada gráfica otomana. John Christian Clodius, professor de árabe na Universidade de Leipzig, retraduziu essa obra do turco para o latim, publicando-a na Alemanha em 1731. O livro que apresentamos aqui é uma tradução inglesa da versão latina de Clodius. O tradutor inglês foi George Newnham Mitford, sobre quem pouco se sabe. Outra versão da narrativa, uma tradução para o francês do texto original em latim de Krusiński, foi feita por outro jesuíta, o padre Du Cerceau, publicada em Haia em 1725. O objetivo de Mitford em traduzir a versão de Clodius era apontar as grandes diferenças entre as passagens desse texto e as que descrevem os mesmos eventos na versão de Du Cerceau. Em sua introdução, Mitford alega que Du Cerceau introduziu grandes imprecisões na obra, repetidas pelos primeiros escritores britânicos sobre a Pérsia, como o comerciante Jonas Hanway. A tradução de Mitford apareceu em Londres em 1840, um momento de grande interesse público pelo Afeganistão por conta da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842).

Cenas no Afeganistão, etc., com base em esboços produzidos durante a campanha do Exército do Indo

Sir Keith Alexander Jackson serviu como capitão no 4º Regimento Leve dos Dragões no exército britânico, parte da força anglo-indiana que saiu da Índia Britânica e marchou em direção ao Afeganistão em dezembro de 1838, acelerando o início da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). O objetivo dos britânicos era destronar o emir do Afeganistão, Dost Mohammed Khan, e substituí-lo por Shah Shujaʻ, visto como mais amigável à Grã-Bretanha e menos sujeito à influência russa do que o emir. O Exército do Indo, como a força era chamada, chegou a Quetta no final de março de 1839, seguindo para o Afeganistão pelo Passo de Bolan (no atual Paquistão). Os britânicos capturaram Candaar em 25 de abril de 1839, e a grande fortaleza de Gázni em 23 de julho do mesmo ano. Cenas no Afeganistão é uma coleção de 25 placas litográficas coloridas à mão baseadas em esboços produzidos por Jackson durante a campanha. Cada ilustração é acompanhada por um texto, escrito por Jackson, que identifica o assunto e apresenta informações históricas e topográficas. O livro inclui imagens de várias cidades e vilas no Afeganistão e no atual Paquistão, incluindo Quetta, Cabul e Candaar. A obra também retrata o Passo de Bolan; fortes e fortalezas; paisagens; ruínas; povos locais; e oficiais britânicos. O frontispício é um retrato colorido à mão de um homem afegão, identificado como um fac-símile de um desenho colorido encontrado em uma das salas na fortaleza de Gázni, após a invasão da cidadela. Um mapa apresenta a rota percorrida pelo Exército do Indo, desde seu ponto de partida, em Thatta (no atual Paquistão), até o rio Indo, e finalmente a Candaar e Cabul. O livro é dedicado “Ao presidente e aos diretores da honorável Companhia das Índias Orientais”, por Joseph Fowell Walton, provavelmente um dos litógrafos. Jackson faleceu em Cabul em 1843.

Coleção geral das melhores e mais interessantes viagens em todo o mundo, Volume 7

Coleção geral das melhores e mais interessantes viagens em todo o mundo é uma compilação de 17 volumes de narrativas de viagem reunidas pelo historiador e poeta escocês John Pinkerton (de 1758 a 1826), publicada pela primeira vez na Grã-Bretanha de 1808 a 1814. Contemporâneo e conhecido do historiador Edward Gibbon e do romancista Sir Walter Scott, Pinkerton escreveu livros sobre a história e a poesia da Escócia, numismática e outros assuntos, bem como peças e poemas de sua autoria. Boa parte das narrativas havia sido recentemente traduzida para o inglês de idiomas como francês, alemão, holandês, latim, italiano, espanhol, entre outros. Cada volume é ilustrado com placas. Uma edição americana em seis volumes da coleção de viagens de Pinkerton foi publicada na Filadélfia de 1810 a 1812. Aqui apresentamos o sétimo volume da edição original de Londres, que inclui principalmente narrativas de viagem de europeus para muitos países da Ásia, incluindo China, Japão, Coreia, Pérsia (Irã) e Turquestão. As narrativas incluem “viagens de dois muçulmanos pela China e Índia no século IX”, e relatos das viagens de Marco Polo, de embaixadores e de missionários de países como Itália, Alemanha, França, Espanha e Rússia.

Diário de uma marcha de Deli a Peshawar, e de lá para Cabul

Diário de uma marcha de Deli a Peshawar, e de lá para Cabul é um relato em primeira mão de um oficial britânico, o tenente William Barr, sobre uma operação liderada pelo tenente-coronel Claude Martine Wade durante o primeiro ano da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). A guerra começou quando a principal força anglo-indiana, o Exército do Indo, avançou em direção a Cabul pelo Passo de Bolan e pelo sul do Afeganistão, com o objetivo de derrubar o governante afegão, emir Dost Mohammed Khan. Wade recebeu a tarefa de realizar um ataque convergente através de Punjab e do Passo Khyber, para forçar Dost Mohammed Khan a dividir seu exército. Barr fez parte de uma força de cerca de 10.000 soldados, formada por 5.000 muçulmanos de Punjab, 4.000 soldados afegãos recrutados por Shah Shujaʻ, o rival de Dost Mohammed apoiado pelos britânicos, e 380 tropas britânicas regulares. O relato de Barr, publicado em Londres em 1844, consiste em registros de diário, escritos entre 21 de janeiro e 25 de julho de 1839, e em narrativas escritas mais tarde. A parte mais dramática do livro é a descrição do ataque em 22 de julho contra Ali Masjid, o forte que cuidava da entrada para o Passo Khyber. Após quatro dias de luta intensa os invasores prevaleceram contra os defensores locais afridis, e de lá marcharam para Cabul. Além de relatar as ações militares, Barr descreve os territórios pelos quais o exército de Wade marchou, incluindo uma descrição especialmente detalhada de Lahore (no atual Paquistão). A obra termina com a marcha de retorno de Cabul a Fiozpur, na Índia Britânica, concluída em 31 de dezembro de 1839. O livro traz seis ilustrações coloridas à mão de cenas no Afeganistão.

Diário sobre os três anos de um diplomata na Pérsia

Edward Backhouse Eastwick (de 1814 a 1883) foi um estudioso orientalista e diplomata britânico, mais conhecido por suas traduções de clássicos da literatura persa. Depois de estudar nas faculdades de Balliol e Merton, em Oxford, Eastwick foi para a Índia, onde entrou para a infantaria de Bombaim como cadete. Logo entrou para a Companhia das Índias Orientais, e mais tarde passou a trabalhar para o serviço público britânico, principalmente por causa de sua proficiência em línguas. Além de vários cargos administrativos ocupados na Índia, Eastwick trabalhou como diplomata britânico na Pérsia (atual Irã) e na Venezuela. Diário sobre os três anos de um diplomata na Pérsia é o relato de Eastwick sobre suas atividades na Pérsia entre 1860 e 1863, período de alguns anos críticos depois da Guerra Anglo-Persa de 1856 a 1857. Eastwick deixou Londres em 1º de julho de 1860, e viajando por Paris, Marselha, Atenas, Istambul, Sinope, Tbilisi e Tabriz chegou a Teerã em 20 de outubro, onde assumiu o cargo de secretário da legação britânica da corte da Pérsia. Mais tarde foi encarregado da missão britânica em Coração, e chegou a Mashhad em agosto de 1862, onde serviu de mediador entre os governos persa e afegão. Eastwick retornou a Teerã em dezembro de 1862, onde era agente diplomático da missão britânica, mas foi chamado de volta a Londres em fevereiro do ano seguinte. O Diário sobre os três anos de um diplomata na Pérsia está em dois volumes. O primeiro contém um relato detalhado da viagem de Eastwick a Teerã, além de registros de suas visitas a diversas províncias e descrições do trabalho da missão britânica e suas relações com as missões francesas e russas. O segundo volume traz informações sobre o tempo de Eastwick em Mashhad, relatando as atividades do emir afegão Dost Mohammad Khan (no poder de 1826 a 1839 e de 1842 a 1863), e seu ataque em 1855 a Herat, na época controlada pelos persas e governada pelo governante de Coração. O livro apresenta vários apêndices, incluindo uma tabela que lista os estágios na rota de Trebizonda (na Turquia) até Tabriz com a distância entre os trechos em horas e milhas (tempo e distância totais: 173 horas; 490 milhas), e uma tabela genealógica desdobrável do xá governante da Pérsia.