17 de agosto de 2016

Visita ao Afeganistão

Visita ao Afeganistão relata uma viagem de dois meses ao Afeganistão realizada em 1909 por Dr. Walter Saise, especialista em mineração britânico. Saise havia sido convidado para ir ao Afeganistão pelo emir Habibullah Khan (1872 a 1919, no poder de 1901 a 1919, a quem Saise muitas vezes se refere como rei), que tinha interesse na exploração de fontes nacionais de carvão para fornecer energia às fábricas e oficinas reais. As oficinas, muitas das quais fundadas pelo pai de Habibullah, ‘Abd al-Rahman Khan, produziam botas, uniformes, armas, munição e outros suprimentos militares. Saise visitou as minas de carvão em Ghorband (atual Chahadah-ye Ghorband), as minas de chumbo em Ferengal (atual Koh-e Firingal), e as minas de rubi de Jagdallak (atual Jegdalek). Seu relato descreve as jazidas de minerais nesses locais e as técnicas de mineração utilizadas pelos afegãos. Saise também relata sua visita a madrassa Herbeia Serbajia (Faculdade Militar Real), suas observações sobre como os afegãos construíram e mantiveram suas estradas, e suas discussões com o emir. Como outros afegãos, Habibullah acreditava que o povo afegão descendia dos Bene Israel, as Dez Tribos Perdidas de Israel, que após a conquista árabe de Cabul em meados do século VII haviam se convertido do judaísmo para o islã, mais tarde convertidos novamente ao judaísmo e, por fim, reconvertidos ao Islã entre 690 e 700. Habibullah também descreveu para Saise a conquista dos káfires de Kafiristão por seu pai e seu próprio papel na integração dessa minoria anteriormente não muçulmana na sociedade afegã. O artigo de Saise foi lido na Sociedade da Ásia Central em Londres em 12 de abril de 1911, sendo originalmente publicado nas Atas da sociedade.

Algumas considerações sobre o estado político dos países intermediários entre a Pérsia e a Índia

Algumas considerações sobre o estado político dos países intermediários entre a Pérsia e a Índia é um breve trato escrito por Edward Hamilton Stirling (1797 a 1873), um explorador e funcionário britânico da Companhia das Índias Orientais. A obra se baseia numa viagem por terra de 1828 realizada por Stirling, partindo da Pérsia, passando pela atual região norte do Afeganistão, até chegar à Índia. Stirling entrou para a Companhia das Índias Orientais em 1816 e trabalhou como coletor na Divisão de Agra da Presidência de Bengala. Quando recebeu dispensa em 1828, decidiu usar seu tempo para explorar a Pérsia e a Ásia Central, com o objetivo principal de voltar à Índia por rota terrestre passando por Herat, Balkh e Cabul. Ele deixou a Índia em fevereiro de 1828 e um mês depois chegou a Bushire (atual Bushehr, no Irã). De lá, viajou por terra por Shiraz até Teerã, onde se encontrou com o emissário britânico na Pérsia, Sir John MacDonald, que lhe pediu para investigar “as condições, as capacidades e os recursos militares desses países por onde um exército europeu do norte ou oeste poderia penetrar na Índia...”. Stirling finalmente completou sua jornada, tornando-se assim o primeiro europeu a voltar vivo do norte do Afeganistão. Neste trato ele informou as condições sociais e políticas nas regiões que visitou, e identificou três possíveis rotas de invasão, além da “estrada principal pelo meio da Pérsia”. Ao retornar à Índia, descobriu que fora substituído e rebaixado, e que os comissários políticos da companhia haviam ignorado suas descobertas. Indignado com esse tratamento, em 1834 Stirling voltou para a Inglaterra. No ano seguinte ele publicou a obra Algumas considerações, em Londres.

História do governo indiano de Lord Lytton, de 1876 a 1880

Edward Robert Bulwer-Lytton (1831 a 1891), um poeta e diplomata britânico, serviu como vice-rei da Índia entre 1876 e 1880. Ele foi apontado pelo primeiro-ministro conservador Benjamin Disraeli num momento de intensa rivalidade entre Grã-Bretanha e Rússia pelo controle da Ásia Central. Durante o seu vice-reinado, Lytton trabalhou para melhorar a administração indiana e supervisionou a resposta muito criticada de seu governo à Grande Fome de 1876 a 1878. Ele também foi amplamente criticado por sua política assertiva e “vanguardista” em relação ao Afeganistão, que, na opinião de seus detratores, foi responsável por provocar a Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878 a 1880). Aqui apresentamos História do governo indiano de Lord Lytton, de 1876 a 1880, uma narrativa do vice-reinado de Lytton compilada por sua filha, Lady Betty Balfour, com base em documentos privados e oficiais. Em seu testamento Lytton havia solicitado à sua esposa que “se esforçasse para obter o apoio de algum estadista ou escritor” para produzir um registro completo do seu governo. Primeiro a família escolheu um amigo e colega próximo de Lytton, Sir John Strachey, mas quando a saúde de Strachey o impediu de continuar a compilação, a tarefa ficou para a filha de Lytton. Publicado em 1899, o livro é um relato objetivo dos eventos do governo de Lytton, apresentados em ordem cronológica. A obra é composta de 12 capítulos, e abrange questões como o Delhi Durbar de 1877, que proclamou a rainha Vitória como imperatriz da Índia, as negociações de fronteira de 1877, a fome de 1876 a 1878, a missão russa de 1878 a Cabul, e as negociações realizadas e os tratados assinados com os governantes do Afeganistão. Um capítulo é dedicado à controversa Lei da Imprensa Vernácula de Lytton, que restringiu a liberdade de expressão de jornais da Índia que não eram escritos em inglês. O livro conclui com um mapa desdobrável da Índia e de áreas vizinhas, mostrando o território que a Índia Britânica adquiriu do Afeganistão depois de 1786. Lady Betty Balfour mais tarde ganhou fama por seu apoio ao movimento sufragista e à educação feminina.

Gramática da língua pachto ou pastó

Henry Walter Bellew (1834 a 1892), foi um oficial médico e cirurgião do exército indiano que ao longo de sua extensa carreira realizou várias missões políticas no Afeganistão e escreveu vários livros sobre temas indianos e afegãos. Sua obra Gramática da língua pachto ou pastó é um livro em pastó escrito durante seu tempo de serviço em Peshawar. O livro era destinado a administradores britânico-indianos na Fronteira Noroeste da Índia Britânica (no atual Paquistão). Assim, o livro supõe que o aluno já tenha certo conhecimento do hindustani (urdu). Parte do livro de Bellew se baseou em obras anteriores, como Gramática e vocabulário da língua pachto (1854), de Sir John L. Vaughan, e Gramática do pachto, pastó ou língua dos afegãos (1855), de Henry G. Raverty. Bellew organizou sua obra de acordo com o esquema usado por Duncan Forbes em sua Gramática da língua hindustani (1846). Composto por cinco seções e diversos exercícios, o livro começa com informações gerais sobre as características da língua pachto e seu alfabeto, antes de se aprofundar em fonética, construções gramaticais, vocabulário e diálogos curtos, terminando com “conversas familiares”, diálogos de cunho prático que imitam situações cotidianas. Em sua discussão sobre as características gerais do pachto, Bellew sugere que a língua tenha sofrido mais influencia do hindustani e do persa do que do árabe, e que assumiu sua forma atual antes da chegada do árabe com a conquista muçulmana. A obra foi publicada pela primeira vez em 1867.

Nova visita a Sind

O explorador e autor inglês Sir Richard Francis Burton (1821 a 1890) começou sua longa e ousada carreira na Índia, aonde chegou em 1842 para se juntar ao 18º Regimento da Infantaria de Bombaim como um jovem oficial de carreira. Em 1844, o regimento de Burton foi enviado a Sind, província localizada no atual sudeste do Paquistão, naquela época recentemente anexada pelos britânicos. Burton viveu em Sind por alguns anos e publicou seus três primeiros livros com base em suas experiências e observações: Sind, ou O vale infeliz (dois volumes, 1851), Sind, e as raças habitantes do Vale do Indo (1851), e Falcoaria no Vale do Indo (1852). O “vale infeliz”, mencionado no título do seu primeiro livro, refere-se ao Vale do Indo, que com o delta do rio Indo basicamente delimita a geografia de Sind. Mais de duas décadas depois, em 1875 e 1876, Burton e sua esposa, Isabel, fizeram uma nova visita à província. Nova visita a Sind, publicado em Londres em 1877, é resultado dessa última viagem. O livro contém observações de Burton sobre as cidades de Karachi e Hyderabad; o estado do exército anglo-indiano; as relações entre muçulmanos e hindus, e em especial a implacável pressão sobre os hindus para se converterem ao islamismo; homens e mulheres de Sind; a ferrovia do Vale do Indo; e muitos outros assuntos. Ao longo de toda a obra Burton usa o artifício literário de um companheiro de viagem fictício, “Sr. John Bull”, a quem dirige comentários e apartes. Ele também inclui traduções de poemas e resumos de lendas e contos locais animados, como por exemplo “os sete profetas sem cabeça”. Nas considerações finais, Burton considera que o governo britânico influenciou positivamente a região, melhorando a saúde e fornecendo educação ao povo sind. O livro contém índice, mas não apresenta mapas ou ilustrações.

Viagens na Índia

Jean-Baptiste Tavernier (1605 a 1689) foi um dos viajantes mais renomados na Europa do século XVII. Filho de um protestante francês que havia fugido de Antuérpia para escapar da perseguição religiosa, Tavernier era um comerciante de joias que entre 1632 e 1668 realizou seis viagens ao Oriente. Entre os países que visitou (a maioria mais de uma vez) estão os atuais Chipre, Malta, Turquia, Síria, Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia, Sri Lanka e Indonésia. Em 1676 ele publicou seu livro Les six voyages de Jean Baptiste Tavernier (As seis viagens de Jean Baptiste Tavernier), em dois volumes. Em 1677 apareceu uma tradução resumida e com muitas imperfeições da obra para o inglês. A primeira edição acadêmica moderna em inglês, que apresentamos aqui, foi publicada em 1889, com tradução, notas e um esboço biográfico de Tavernier escritos por Dr. Valentine Ball (1843 a 1895), um funcionário britânico do Departamento de Serviços Geológicos indiano. Aqui apresentamos a segunda edição, publicada em 1925 e editada por William Crooke, com base em traduções originais de Ball e correções inspiradas em conhecimentos desenvolvidos no campo de estudos indianos após 1889. Entre os capítulos mais memoráveis do livro estão os que narram as visitas de Tavernier às minas de diamantes da Índia e a inspeção das joias do Grande Mogol. Tavernier não era um estudioso ou linguista qualificado, e apesar da sua popularidade inicial durante o século XVII, sua credibilidade diminuiu depois que historiadores e outros interessados questionaram a precisão de suas observações. No século XX, no entanto, sua reputação aumentou depois que importantes historiadores como Lucien Febvre e Fernand Braudel usaram informações detalhadas registradas por Tavernier sobre os preços e as qualidades dos produtos e sobre as práticas comerciais e de negócios em seus estudos pioneiros da história social e econômica. O livro contém vários apêndices escritos por Ball sobre famosos diamantes (incluindo o histórico diamante Koh-i-Noor, atualmente propriedade da família real britânica), minas de diamantes na Índia e em Bornéu, minas de rubi na Birmânia, e limpeza de safira no Ceilão (Sri Lanka). Um mapa desdobrável mostra as viagens de Tavernier na Índia e as minas que visitou.