31 de agosto de 2016

História da poesia otomana

Elias John Wilkinson Gibb (de 1857 a 1901) foi um orientalista escocês nascido e educado em Glasgow. Após estudar árabe e persa, ele desenvolveu interesse na língua e na literatura turcas, especialmente a poesia, e em 1882 publicou Poemas otomanos traduzidos para versos em inglês nas formas originais. A obra foi precursora do clássico de seis volumes que apresentamos aqui: História da poesia otomana, publicada em Londres entre 1900 e 1909. Gibb morreu de escarlatina aos 44 anos em Londres, e antes de sua morte apenas o primeiro volume havia sido publicado. A família de Gibb confiou a tarefa de publicar os cinco volumes restantes ao seu amigo Edward Granville Browne (de 1862 a 1926), um célebre orientalista por mérito próprio que havia realizado um estudo especial sobre o babismo. Browne classifica a obra como “se não o maior, um dos mais importantes estudos críticos de qualquer literatura maometana produzido na Europa durante a segunda metade do século”. O primeiro volume contém uma longa e cativante introdução escrita por Gibb sobre todo o assunto, na qual ele argumenta que a poesia otomana muitas vezes ganhava ou perdia notoriedade de acordo com o poder otomano. Gibb divide a poesia otomana em duas grandes escolas: a Velha ou Asiática (por volta de 1300 a 1859), que quase sempre era conhecida por sua deferência para com influências persas; e a Nova ou Europeia (de 1859 em diante), que foi influenciada pela poesia francesa e outras ocidentais.  De acordo com Gibb, a Escola Velha ou Asiática passou por quatro períodos: um período de formação (de 1300 a 1450); um período (de 1450 a 1600) cujas obras seguiam o modelo das obras do poeta persa Jami; um período (de 1600 a 1700) dominado pelas influências dos poetas persas Urfi Shirazi e Saʼib Tabrizi; e um período de incerteza que durou até 1859. A Escola Europeia que surgiu logo em seguida foi inaugurada por Ibrahim Sinasi (de 1826 a 1871), que em 1859 produziu uma pequena, mas importante coleção de poesias francesas traduzidas para versos em turco. A influência da coleção foi tamanha que mais tarde mudou o curso da poesia otomana. Gibb é conhecido por suas traduções magistrais cujo inglês reflete com brilhantismo tanto o significado quanto a forma das poesias otomanas, persas e árabes. Durante quase um século após sua morte, uma fundação de família financiou o Gibb Memorial Series de edições e traduções de textos árabes, persas e turcos para o inglês.

Governo britânico na Índia: história dos vice-reis e das residências governamentais

George Nathaniel Curzon (de 1859 a 1925) foi um político, viajante e escritor britânico que serviu como vice-rei da Índia de 1899 a 1905 e como secretário de relações exteriores de 1919 a 1924. O título um tanto confuso Governo britânico na Índia: história dos vice-reis e das residências governamentais foi um dos últimos livros de Curzon, concluído depois que ele deixou o Ministério de Relações Exteriores, em janeiro de 1924, e publicado após sua morte. A obra de dois volumes é um estudo sobre Calcutá, capital da Índia Britânica no período entre 1772 e 1911 e lar dos governadores e vice-reis que representavam a Companhia Britânica das Índias Orientais e depois o governo britânico a partir do início do século XVIII até o início do século XX. Conforme Curzon declara no prefácio, o plano de escrever o livro remonta ao seu tempo na Índia, quando ele “resolveu escrever a história da Casa do Governo, aquele majestoso edifício, de longe o melhor palácio do governo no Império, projetada com base no modelo da minha própria casa de Kedleston, em Derbyshire, que havia abrigado os governantes da Índia por exatamente cem anos...”. Além de ser um estudo sobre a casa, o livro contém notas e observações sobre vice-reis e governadores, como Robert Clive, Warren Hastings e Lord William Bentinck. O último capítulo no volume um, intitulado “Formas, cerimônias e entretenimentos”, é uma visão geral particularmente interessante sobre a vida cerimonial na residência do vice-rei, que refletia uma mistura de tradições britânicas e indianas. Outros capítulos tratam do famoso Buraco Negro de Calcutá e falam um pouco sobre importantes eventos históricos, como a Revolta Indiana e as Guerras Anglo-Afegãs.

Comentário do padre Monserrate, da Companhia de Jesus, sobre sua viagem à corte de Akbar

Antonio Monserrate (de 1536 a 1600) foi um sacerdote português que acompanhou outros dois sacerdotes, padre Rodolfo Acquaviva e padre Francisco Enriquez, na primeira missão jesuíta à corte do Imperador Akbar (de 1542 a 1605; no poder de 1556 a 1605), também conhecido como Akbar, o Grande. Monserrate deixou Goa em 17 de novembro de 1579, e chegou à capital mogol Fatehpur Sikri em 4 de março de 1580. Os missionários haviam sido convidados por Akbar e foram calorosamente recebidos na corte. Não demorou e padre Monserrate foi nomeado tutor de Murad, o segundo filho do imperador. Ele também acompanhou Akbar em sua expedição militar a Cabul em 1581, indo até Peshawar com o imperador e até Jalalabad com a retaguarda do exército mogol. Monserrate permaneceu na corte de Akbar até abril de 1582, quando retornou a Goa. Aqui apresentamos uma tradução inglesa da obra Commentarius de Monserrate, um relato sobre seu tempo na corte mogol que ele começou a escrever logo após regressar a Goa, concluindo-o em dezembro de 1590, enquanto esteve preso pelos turcos na Arábia. O texto da obra nunca foi enviado à Europa, mas de alguma forma chegou a Calcutá, onde foi descoberto no início do século XX. O texto em latim foi publicado em 1914 pela Sociedade Asiática de Bengala. O relato de Monserrate é uma importante fonte primária para estudos sobre Akbar e sua corte e império. Seu registro detalhado do exército mogol e sua composição e organização são especialmente valiosos. Ele descreve Akbar como uma pessoa fisicamente imponente, “de um rosto à altura de sua dignidade real, de modo que qualquer pessoa poderia reconhecer facilmente, mesmo à primeira vista, que ele é o rei”, acessível aos seus súditos, e grande defensor do ensino. Monserrate afirma que Akbar adquiriu conhecimento por meio de manuscritos que eram lidos para ele, pois o imperador mesmo não sabia ler nem escrever. O autor concluiu seu manuscrito com 23 páginas de informações sobre os antepassados de Akbar, remontando a Genghis Khan e a Tamerlão. Os editores consideraram essas passagens como não confiáveis e impertinentes ao tempo de Monserrate na corte, e acabaram transferindo-as para um apêndice.

Afeganistão: terra antiga com meios modernos

Afeganistão: terra antiga com meios modernos foi publicado pelo Ministério do Planejamento do Governo Real do Afeganistão em 1961 para fornecer, conforme declarado no prefácio, um “panorama da ‘Imagem Afegã’, passado e presente”. O livro retrata um Afeganistão dinâmico e em processo de modernização, cujo povo e governo estão “determinados a recuperar o tempo perdido” após um longo período, ao que dizem ter começado no início do século XIX, quando a “fortuna do país caiu em dias ruins” e “as esperanças e aspirações de seus povos se expressavam repetidamente apenas em contínuas guerras sangrentas e dispendiosas pela independência”. O livro está em inglês e em pastó, e inclui breves capítulos ricamente ilustrados sobre a geografia, a cultura, a história, os povos, o desenvolvimento social, a economia, o governo e os assuntos internacionais do país. A obra enfatiza o desenvolvimento, incluindo a construção de estradas, aeroportos, universidades, pontes e outras formas de infraestrutura, bem como a educação e o treinamento da força de trabalho. As mulheres são retratadas como ativas na sociedade e na economia, tanto como trabalhadoras quanto consumidoras. A seção sobre assuntos internacionais destaca o status do Afeganistão como membro do grupo não alinhado de nações, com fotografias mostrando o rei Mohammed Zahir Shah, o primeiro-ministro Mohammed Daoud, e o ministro de relações exteriores Sardar Mohammed Naim se reunindo com os líderes de China, Egito, Turquia, União Soviética, Estados Unidos e de outros países. O livro conclui: “O estresse e a tensão de eventos históricos forjaram o povo do Afeganistão numa massa unida com o único propósito de eliminar as deficiências do presente herdadas do passado. Com um otimismo cauteloso o Afeganistão olha para o seu futuro com confiança”.

Viagem por terra ao norte da Índia, partindo da Inglaterra e passando por Rússia, Pérsia e Afeganistão

Capitão Arthur Conolly (de 1807 a 1842?) foi um agente do serviço de inteligência da Companhia Britânica das Índias Orientais. Após estudar brevemente na Rugby School e no Seminário Militar de Addiscombe na Inglaterra, em 1823 ele foi para a Índia e se alistou como cadete no 6º Regimento Leve Nativo de Bengala. Em 1829 Conolly recebeu permissão para voltar à Índia depois de uma licença médica na Inglaterra por uma rota terrestre que passava pela Rússia e pela Ásia Central. Viagem por terra ao norte da Índia, partindo da Inglaterra e passando por Rússia, Pérsia e Afeganistão que apresentamos aqui é o relato em dois volumes de Conolly sobre essa viagem. Após deixar a Inglaterra de navio, Conolly chegou a São Petersburgo e viajou por terra por toda a Rússia e pelo Cáucaso. Ele chegou a Herat, no Afeganistão, em setembro de 1830, alcançando a Índia em janeiro de 1831. Conolly descreve tais acontecimentos como uma tentativa fracassada de viajar disfarçado pelo canato de Khiva, e fornece impressões sobre as populações sunitas e xiitas da região. A viagem de Conolly era uma missão de reconhecimento, realizada como parte da crescente rivalidade geopolítica entre os impérios britânico e russo pelo controle da Ásia Central. Na verdade foi Conolly que cunhou a expressão “o Grande Jogo” para descrever tal rivalidade. Mais tarde ele tentou reunir os canatos beligerantes de Bucara, Khiva e Kokand para combater a invasão russa na Índia Britânica. Em 1841 Conolly partiu numa missão para resgatar o coronel Charles Stoddart, um oficial britânico que havia sido preso pelo emir de Bucara. Conolly também acabou sendo preso e cerca de um ano depois ambos foram decapitados em praça pública em frente à Fortaleza da Arca de Bucara.

Complemento à história geral dos hunos, turcos e mongóis

Muhammad Yusuf ibn Khawajah Baqa foi um historiador e munshi (secretário da corte) ativo em meados do século XVII e início do século XVIII na corte de Muqim Khan, o khan de Balkh (no poder de aproximadamente 1702 a 1707), no norte do atual Afeganistão. Munshi Muhammad Yusuf é conhecido por sua obra Taz̲kirah-ʼi muqīmʹkhānī (História de Muqim Khan), um relato que narra a história política, cultural e social da Transoxiana durante os reinados dos shaybanidas (por volta de 1500 a 1599) e de seus sucessores, os astracãs (por volta de 1599 a 1747), ambas as dinastias turco-mongóis. Conhecida pelos gregos e romanos como Transoxiana (Terra além do Oxus) e pelos árabes como Ma waraʼ al-nahr (Terra além do rio), essa área corresponde aproximadamente aos atuais territórios do Tadjiquistão, Uzbequistão, sudoeste do Cazaquistão e sul do Quirguistão. Supplément à l'histoire générale des Huns, des Turks et des Mogols (Complemento à história geral dos hunos, turcos e mongóis) é composta por dois comentários baseados no abra Taz̲kirah de Munshi Muhammad Yusuf. O primeiro, em francês, é um comentário sobre Taz̲kirah formado por uma introdução e três partes. O segundo, intitulado Tuḥfat azhār al-tadhkirat al-muqīmiyah li ṭullāb ʻilm al-lughati al-fārisiyah (Oferta de buquê com base na história de Muqim Khan aos alunos da disciplina de língua persa), está em persa (apesar do título árabe) e resume as fontes históricas usadas no primeiro comentário. O autor de ambos os comentários é o orientalista russo-polonês Joseph Senkowski (de 1800 a 1858). Mais conhecido como Osip Ivanovich Senkovskii, Senkowski foi um professor na Universidade Imperial de São Petersburgo conhecido por suas paródias referentes a outros orientalistas e pelos fantásticos contos que escreveu e publicou sob o pseudônimo Baron Brambeus. A introdução ao primeiro comentário discute a obra Taz̲kirah e o método de Senkowski, enquanto as três partes são dedicadas, respectivamente, aos shaybanidas, aos astracãs e ao governante bucarano ‘Ubaydullah Khan (no poder de 1702 a 1711). O segundo comentário é um resumo compilado por Senkowski das biografias de vários governantes. Não está claro se os “estudantes” a quem o autor se refere no título são seus próprios alunos. Caso fossem, o comentário seria um livro didático. O Complemento foi publicado pela Academia Imperial de Ciências de São Petersburgo em 1824.