31 de agosto de 2016

O islã e as raças

Pierre Jean Daniel André foi um oficial militar francês que estudou idiomas orientais em Paris antes de servir a Infantaria Colonial francesa em vários territórios do Império Francês, incluindo Argélia e Marrocos, e em postos ao longo das costas africanas e árabes do Oceano Índico. Em 1919 e 1920 André foi governador do sanjak (distrito administrativo) de Djebel-i-Bereket na Cilícia, uma região do sudeste da Turquia que passou a ser administrada pelos franceses após a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial. Com base em suas experiências na Turquia, em 1921 André publicou La Cilicie et le problème Ottoman (Cilícia e o problema otomano), sob o pseudônimo Pierre André Redan. O livro que apresentamos aqui, L’islam et les Races (O islã e as raças), foi publicado no ano seguinte com o nome verdadeiro de André. O livro é uma obra ambiciosa de dois volumes em que André apresenta sua própria teoria sobre o mundo do islã. No volume um, ele descreve as principais doutrinas e instituições do islã, e traça suas origens na Arábia, sua expansão para o norte da África e o Médio Oriente passando pela Península Arábica, e sua conquista e dispersão na região descrita pelo autor como turco-mongol. A tese de André defende que as pessoas podem entender melhor o islã através da metáfora de uma árvore: como um tronco árabe sobre o qual enxertou-se um vasto crescimento turco-mongol. O volume dois descreve as principais divisões e seitas encontradas dentro do islã e como a fé é expressada no Egito e na Tripolitânia (na atual Líbia); em outros lugares no norte da África; na África subsaariana; nos sultanatos ao longo da costa do Oceano Índico; no Extremo Oriente; na Rússia e no Cáucaso; na Índia; no sudeste Asiático (Indonésia); e na Pérsia, no Afeganistão e no Baluquistão. No início do primeiro volume a obra traz uma tabela que informa a estimativa da população muçulmana global em 1917 (aproximadamente 247 milhões), e sua distribuição geográfica.

Nossa política afegã e a ocupação de Candaar

Nossa política afegã e a ocupação de Candaar é um panfleto publicado em Londres em 1880 no auge do debate na Grã-Bretanha sobre a Segunda Guerra Anglo-Afegã de 1878 a 1880. O autor, identificado apenas pelas iniciais “D. B.”, foi Sir David Miller Barbour (de 1841 a 1928), um administrador sênior britânico na Índia e especialista em assuntos monetários indianos. Ele afirma que não houve justificativa moral para a invasão anglo-indiana ao Afeganistão e que qualquer argumento a favor da invasão ou da permanência da ocupação britânica em qualquer parte do país se apoiou na “expediência” e na necessidade de manter o controle sobre todos ou alguns territórios do Afeganistão para defender a Índia. Ele analisa dois possíveis tipos de perigo contra a Índia: “o decorrente da ação dos afegãos”, e “o decorrente da ação da Rússia, sobre, por meio ou em conjunto com os afegãos”. Mais a frente o autor defende a ideia de que ambos os perigos são irreais, e que seus “argumentos parecem convincentes contra a ocupação de Candaar, ou de qualquer parte do território afegão que seja”. O foco do assunto é a possível interação de uma ameaça militar vinda do Afeganistão, seja pelos russos ou por uma ação conjunta de russos e afegãos, através de um motim no exército indiano, realizado principalmente por soldados muçulmanos. Para o autor, um dos principais argumentos para não se ocupar permanentemente Candaar é que tal ação faria com que o governo indiano perdesse o apoio de soldados de confiança cujos serviços poderiam ser necessários para reprimir uma rebelião na Índia. Em abril de 1880 o liberal William Gladstone substituiu o conservador Benjamin Disraeli como primeiro-ministro, assumindo o cargo comprometido com um plano de retirada total. As últimas tropas anglo-indianas deixaram o Afeganistão na primavera de 1881.

Retenção de Candaar

Retenção de Candaar, publicada em Londres em 1881, é um exemplo típico dos muitos panfletos produzidos na Grã-Bretanha enquanto o Parlamento e o povo britânico discutiam a política a ser aplicada no Afeganistão depois da Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). A guerra começou em novembro de 1878, depois que a Grã-Bretanha enviou uma tropa anglo-indiana ao Afeganistão com o objetivo de substituir o emir do Afeganistão, sher Ali Khan, que supostamente mantinha opiniões pró-russas, por um governante mais favorável à Grã-Bretanha. Após uma série de batalhas com vitórias de ambos os lados, em setembro de 1880 a guerra finalmente chegou ao fim depois de uma vitória decisiva dos britânicos na Batalha de Candaar. William Ewart Gladstone, que em abril de 1880 se tornou primeiro-ministro pela segunda vez, assumiu o cargo seriamente comprometido com um plano de retirada total do Afeganistão. Essa medida foi contrariada por muitos oficiais ativos e aposentados na Grã-Bretanha e na Índia Britânica, que argumentavam que as tropas indo-britânicas deveriam ocupar permanentemente Candaar para controlar possíveis expansões russas em direção à Índia. Um desses ex-funcionários foi o conde de Lytton, que, como vice-rei da Índia, era um ávido entusiasta pela guerra. Este panfleto contém o texto de um discurso proferido na Câmara dos Lordes pelo conde de Derby (Edward Henry Stanley, de 1826 a 1893), um estadista e influente intelectual liberal britânico ativo durante e depois da era vitoriana, refutando o argumento de Lytton a favor da retenção. O panfleto defende a desocupação, e apresenta os argumentos militares, políticos e financeiros contra a retenção. Lorde Derby resume seu ponto de vista no final do discurso declarando: “Votarei contra a retenção de Candaar porque acredito que isso será um fardo e não um benefício, uma fonte de fraqueza, não de força”. Seu argumento foi bem-sucedido, e no final os governos britânicos e indianos executaram o plano de Gladstone para retirada total. As últimas tropas indo-britânicas deixaram o Afeganistão na primavera de 1881. O novo governante afegão, ‘Abd-al-Rahman, permitiu que os britânicos supervisionassem suas relações externas, e em troca a Grã-Bretanha prometeu um subsídio e ajuda na resistência à agressão sem motivo por potências exteriores. Através desse acordo o Afeganistão conseguiu manter sua independência e evitar ocupação estrangeira.

Guia para visitas de condolência no Afeganistão

Uṣūlnāmah-ʼi taʼziyahʹdāri dar Afghānistān (Guia para visitas de condolência no Afeganistão) é um breve tratado formado por 13 restrições referentes ao luto público no Afeganistão, especialmente em relação às visitas de condolência. No texto predomina o tom proscritor. Ele proíbe visitas repetidas aos sobreviventes do falecido, e exige que tais visitas sejam realizadas dentro de três dias após a morte da pessoa sendo velada. A obra também traz restrições contra exposições excessivas de dor e visitas de condolência de jovens mulheres quando a pessoa falecida não for mulher ou um parente próximo do sexo masculino. O texto é apresentado em colunas paralelas nas duas principais línguas do Afeganistão, pastó e dari. O livro foi publicado com 300 cópias em 9 de abril de 1939, correspondendo ao reinado precoce de Mohammed Zahir Shah (no poder de 1933 a 1973). Uṣūlnāmah-ʼi taʼziyahʹdāri dar Afghānistān oferece uma rara perspectiva da intromissão do Estado afegão, que passava por uma rápida modernização, em áreas cuja responsabilidade era exclusivamente da religião e dos sistemas de crenças tradicionais.  

Código Penal Afegão de 1924, com emendas de 1925. Traduzido do persa e com uma introdução geral à legislação penal afegã

Afghanische Strafgesetzbuch vom Jahre 1924 (Código Penal Afegão de 1924) é uma tradução do persa do Código Penal Afegão de 1924 com as emendas de 1925. A tradução é de Sebastian Beck (de 1878 a 1951), um estudioso alemão sobre assuntos do Oriente Próximo ativo durante a era nazista e autor de livros didáticos da língua persa para alemães. O livreto é composto de três partes: uma introdução geral escrita por Beck sobre a sociedade e o processo legislativo no Afeganistão; um apêndice que abrange 19 assuntos contestados pela loya jirga (grande assembleia) do país; e a tradução alemã do texto da lei. Beck menciona na introdução que o uso da expressão nezam-nama (decreto) em vez de qanun (lei) não foi arbitrária, mas sim cuidadosamente escolhida para denotar a preferência dos afegãos pelo termo canônico sharia à palavra secular lei. Entre os assuntos discutidos estão as alterações à lei e as medidas para proteger a cultura e os valores tradicionais afegãos contra influências seculares e ocidentais. A lei em si é formada por 295 artigos. A gráfica oficial do governo e do tribunal publicou 1.000 cópias do texto original persa. O livro foi publicado em Berlim em 1928, e é uma impressão da revista acadêmica Die Welt des Islams (O mundo do islã), conhecido em inglês como International Journal for the Study of Modern Islam (Revista internacional de estudos sobre o islã moderno). A revista foi criada em 1913 e é publicada pela editora Brill. Esta cópia faz parte da Biblioteca de Direito da Biblioteca do Congresso.

Guia para a condução de carroças e veículos automotores no Afeganistão

Uṣūlnāmah-ʼi mūtur rānī va gādī rānī (Guia para a condução de carroças e veículos automotores no Afeganistão) é um manual para motoristas no Afeganistão. O livro foi publicado com 1.000 cópias em 26 de dezembro de 1939, correspondendo ao reinado precoce de Mohammed Zahir Shah (no poder de 1933 a 1973). O texto é apresentado em colunas paralelas nas duas principais línguas do Afeganistão, pastó e dari. As condições versam sobre a direção de veículos por estrangeiros (tanto para diplomatas como não diplomatas), e cidadãos afegãos. Outras condições se referem a placas, limites de idade e outras qualificações para os motoristas, além dos animais de tração usados em carroças. A obra é semelhante ao Uṣūlnāmah-ʼi taʼziyahʹdāri dar Afghānistān (Guia para visitas de condolência no Afeganistão), também publicado em 1939, em que ambos os livros refletem a modernização e a expansão do Estado afegão nesse período.