31 de agosto de 2016

Estatutos reguladores de operações referentes ao Canal de Razzāq, parte norte

Niẓāmnāmah-ʼi mu‘āmilāt-i nahr-i razzāq-i samt-i shumālī (Estatutos reguladores de operações referentes ao Canal de Razzāq, parte norte) é um conjunto de decretos referentes à construção de um canal ao nordeste de Cabul, atual província de Kapisa do Afeganistão. Em 14 de fevereiro de 1924 o Majlis-i ‘ali-yi vuzara (Departamento de Publicações do Ministério) publicou 500 cópias do conjunto de decretos. As ideias religiosas associadas ao termo razzaq (provedor) são realçadas pela invocação de Deus como provedor no início desse documento. Na introdução, lemos que a construção do canal buscava desviar a água dos rios Panjshir, Shutul, Salang e Ghorband para fins agrícolas, e que a despesa estimada de todo o projeto foi de 1,1 milhões de rúpias de Cabul. O canal irrigava uma área estimada em 1.000 jarīb (202 hectares), e a terra deveria ser fornecida a um baixo custo ou de graça aos moradores carentes da região, bem como a outros cidadãos pobres do Afeganistão.

“Pequena geografia” e “História resumida dos profetas”

Jughrāfīyah-ʼi kūchak (Pequena geografia) é um texto de geografia para estudantes. Ela começa com uma definição de geografia (“ciência que nos revela cidades, montanhas e rios na terra”) e uma discussão sobre os pontos cardeais. A obra define as características básicas da superfície terrestre e esclarece alguns pontos (como continentes e oceanos), por meio de uma lista de exemplos. Em seguida há uma discussão sobre as fronteiras, as serras e os rios afegãos, e também breves informações sobre a população, a capital, as divisões políticas e governamentais, as cidades influentes e as renomadas escolas de ensino médio do Afeganistão. Depois dessa parte o livro apresenta os continentes, com uma lista dos principais rios, montanhas, países e cidades famosas de cada continente. Entre os recursos do livro vale mencionar um pequeno guia que auxilia os professores no ensino dos pontos cardinais. A obra está encadernada com outro livro intitulado Khulāṣah-ʼi tarīkh-i anbiyā (História resumida dos profetas). Esse livro começa definindo a história como “uma ciência que nos ensina sobre a vida de pessoas famosas, como os profetas... e sobre as circunstâncias de nações e povos do passado e as razões de seu avanço e declínio”. A obra apresenta uma série de pequenas biografias de mais de 20 profetas e figuras religiosas reverenciadas no Islã, incluindo os profetas Adão, Hud, Abraão e Moisés. A seção final fala sobre a Virgem Maria e o prenúncio que seu filho Jesus supostamente teria feito sobre o profeta Maomé. Ambas as obras foram publicadas em 1922 sob os auspícios do ministro da Educação, Hayatullah Khan (de 1888 a 1929), irmão do rei afegão Amanullah Khan (de 1892 a 1960, no poder de 1919 a 1929). Após servir como ministro da educação, em 1925 Hayatullah Khan foi ministro da Justiça. Mais tarde foi morto na insurreição que destronou seu irmão em 1929. Ambos os livros tiveram uma edição de 10.000 cópias publicadas.

Estudo militar da geografia, história e política do Afeganistão

Étude militaire géographique, historique et politique sur l’Afghanistan (Estudo militar da geografia, história e política do Afeganistão) é uma análise da situação militar e estratégica no Afeganistão, escrita por um oficial francês no início da Segunda Guerra Anglo-Afegã de 1878 a 1880, que tenta explicar o conflito a um público francês. O livro está dividido em oito partes, abrangendo 1) Fatos preliminares; 2) Dados gerais sobre o país e sua população; 3) Fronteiras; 4) Orografia e hidrografia; 5) Rotas e vias públicas, incluindo passagens e desfiladeiros, cidades e pontos estratégicos; 6) Infraestrutura nacional (política e social, bem como militar); 7) História; e 8) “Relações políticas entre Inglaterra e Afeganistão, do início do século XIX até os eventos que resultaram no conflito atual”. A parte sobre rotas e transporte foi especialmente bem-desenvolvida, e inclui análises tanto das rotas internas quanto das que oferecem acesso ao Afeganistão, classificadas pelo autor como “do leste” (estrada de Peshawar a Cabul pelo Passo Khyber; estrada do Indo a Cabul pelo Vale de Kurram; e estrada do Indo a Gázni pelo Vale do Gumal); “do sul” (de Jacobabad a Candaar por Dadar, pelo Passo de Bolan, por Quetta e pelos desfiladeiros de Khojak e Khwaja); “centrais” (de Candaar a Cabul por Gázni); “do oeste e noroeste” (estrada de Candaar a Herat, e estradas de Herat para a Pérsia e que passam dentro do Turquestão); e “do norte e nordeste” (estrada de Murghab a Cabul por Balkh, rotas do nordeste e rotas que levam ao Turquestão Oriental e à China). Três mapas de importantes rotas militares ilustram a discussão, além de uma pequena lista de termos em francês e seus equivalentes afegãos ou persas que servem para ajudar o leitor a compreender a etimologia e os elementos dos nomes geográficos. O livro é composto de extratos de edições de fevereiro, março e abril de 1879 do Journal des Sciences militaires (Diário da ciência militar).

Afeganistão e seus vizinhos

Afghanistan und seine Nachbarländer (Afeganistão e seus vizinhos), de Hermann Roskoschny (de 1845 a 1898), foi considerada na Alemanha no final do século XIX a obra de referência padrão sobre temas afegãos. Roskoschny foi autor e editor, estudou em Praga e em Munique, e lecionou brevemente em São Petersburgo. Ele escreveu livros sobre a Rússia e as colônias europeias na África subsaariana. Afghanistan und seine Nachbarländer foi publicada em dois volumes em 1885, cinco anos após o fim da Segunda Guerra Anglo-Afegã, um conflito enfatizado na obra. Roskoschny analisa a disputa pela influência na Ásia Central entre Rússia e Império Britânico, que proporcionou o contexto para a guerra, gerou o medo dos britânicos de que os russos usassem o Afeganistão como base para ameaçar a Índia Britânica, e provocou a guerra em si, que indispôs a Índia Britânica contra a dinastia Barakzai do Afeganistão durante o governo de Sher Ali Khan (no poder de 1863 a 1866 e de 1868 a 1879). Entre outros tópicos discutidos por Roskoschny estão as origens do povo afegão, a antiga história do país, e as disputas de fronteira com a Índia Britânica. Um capítulo separado no primeiro volume se dedica ao “interessantíssimo” Kafiristão, ou “Terra dos Infiéis”, uma região no leste do Afeganistão onde os habitantes mantiveram sua cultura e religião tradicionais, rejeitando a conversão ao Islã. Os volumes incluem quatro mapas explicativos e um total de 103 desenhos, que retratam lugares, pessoas e a vida cotidiana no Afeganistão daquela época.

Afeganistão: russos nas portas da Índia

L’Afghanistan: les Russes aux portes de l’Inde (Afeganistão: russos nas portas da Índia) é uma análise completa da rivalidade anglo-russa na Ásia Central durante o século XIX. O livro tem como objetivo ajudar a explicar essa rivalidade ao público francês. O autor é Charles Simond, cognome de Paul Adolphe van Cleemputte (de 1837 a 1916), um publicitário, jornalista e romancista franco-belga. O livro foi publicado em Paris em maio de 1885, dois meses após o Incidente de Panjdeh, cuja referência é apresentada na introdução. O incidente envolveu o ataque de forças russas ao território afegão no sul do rio Oxus (atual Amu Dária), que resultou num confronto com tropas afegãs e numa crise diplomática com a Grã-Bretanha. A obra é dividida em três livros, cada um dos quais dividido em capítulos. No Livro I, Les clefs de l'Indie (As chaves para a Índia), Van Cleemputte retrata o Afeganistão como a provável rota por onde a Rússia invadiria a Índia. Ele discute vários aspectos da posição estratégica do Afeganistão, como geografia, rotas estratégicas e passagens, população, força militar e história. O Livro II, L’intrigue russe (A intriga russa), fala da expansão russa na Ásia Central, incluindo a recente anexação de Merv (atual Mary, no Turcomenistão) em 1884, bem como os planos russos para a região de acordo com o general Mikhail Skobelev, o arquiteto da expansão. No Livro III, L’intrigue anglaise (A intriga inglesa), Van Cleemputte discute o Império Indiano da Grã-Bretanha e o envolvimento britânico no Afeganistão, incluindo a política afegã de William Gladstone, o primeiro-ministro na época. O livro também apresenta um mapa colorido do Afeganistão, mostrando a localização do país entre a Rússia e os impérios britânico-indianos. Na introdução Van Cleemputte afirma que a guerra entre a Inglaterra e a Rússia é inevitável, e recomenda que a França permaneça total e sinceramente neutra em qualquer conflito entre os dois rivais.

Viagem da embaixada russa pelo Afeganistão e pelo canato de Bucara nos anos 1878 e 1879

Ivan Lavrovich Iavorskii (de 1853 a aproximadamente 1920) foi um médico russo que em 1878 e 1879 acompanhou uma viagem da embaixada russa imperial ao Afeganistão, cujo objetivo era colocar um embaixador russo na corte do governante afegão Sher Ali Khan (de 1825 a 1879, no poder de 1863 a 1866 e de 1868 a 1879), a fim de estender o controle russo sobre a política externa do Afeganistão. O sucesso da missão foi a faísca que deu início à Segunda Guerra Anglo-Afegã de 1878 a 1880. Liderada pelo general Nikolai Stoletov (de 1834 a 1912), a missão deixou Tashkent em 13 de junho de 1878. Iavorskii se uniu à missão mais tarde, em Samarcanda. Sher Ali queria permanecer neutro na rivalidade entre Rússia e Grã-Bretanha pela influência na Ásia Central, e no começo tentou impedir a missão de prosseguir até Cabul. Para pressionar Sher Ali, os russos usaram ‘Abd al-Rahman, sobrinho e rival de Sher Ali e que estava exilado em Samarcanda, na época controlada pela Rússia. Depois de ser forçado a esperar por várias semanas em Mazar-i-Sharif, Stoletov finalmente recebeu autorização para prosseguir, chegando à capital afegã em 9 de julho. Embora relutante, Sher Ali aceitou a presença da embaixada russa em Cabul, fato considerado por Lorde Lytton, vice-rei britânico na Índia, como uma ofensa que não poderia ser ignorada. Quando Sher Ali se recusou a aceitar uma missão britânica semelhante, Lytton ordenou a invasão, dando início à Segunda Guerra Anglo-Afegã. Os britânicos marcharam para Cabul com uma tropa, destituíram Sher Ali e entronizaram ‘Abd al-Rahman. Este livro é o relato de Iavorskii sobre a missão, escrito em russo e traduzido para o alemão por Eduard Iul’evich Petri, professor da Universidade de Berna.