31 de agosto de 2016

Atração dos corações à casa do amado

Jaz̲b al-qulūb ilá diyār al-maḥbūb (Atração dos corações à casa do amado) por ʻAbd al-Haqq ibn Sayf al-Din Dihlavi (de 1551 a 1642) é uma obra de 17 capítulos sobre a história e as tradições da cidade de Medina. Superada em importância para os muçulmanos apenas por Meca, Medina abriga os túmulos do profeta Maomé e alguns de seus companheiros mais próximos. Em 622 a hégira (migração de Maomé e seus seguidores de Meca para Medina, conhecida na época como Yathrib) marcou a história islâmica e representa a origem do calendário islâmico. Na introdução da obra, Sayf al-Din lista Wafā’ al-wafā’ bi akhbār dār al-muṣṭafā̄ (História completa da casa do Escolhido) de Nur al-Din Abu al-Hasan al-Samhudi (de 1440 a 1506) como sua principal referência. Ele também afirma que começou a escrever sua obra durante uma visita a Medina em 998 A.H. (1589-1590), concluindo-a em Deli em 1001 A.H. (1592-1593). Apesar de Sayf al-Din discutir os costumes envolvidos na peregrinação a Medina, o foco da maior parte de sua obra é a estrutura física da cidade e a arquitetura dos seus espaços religiosos e seculares (muitos dos quais deteriorados ou propositalmente demolidos com o passar dos séculos). O presente volume é a terceira edição desta obra, impressa e publicada em 1914 pela famosa gráfica Newal Kishore em Lucknow, na Índia.

O livro das sessenta ciências

Kitāb al-Sittinī (O livro das sessenta ciências) é uma enciclopédia científica escrita por um dos intelectuais mais importantes do século XII, o filósofo persa Fakhr al-Din Razi (de 1149 ou 1150 a 1210). Conhecida como Jāmiʻ al-ʻulūm (Enciclopédia das ciências), Razi dedicou sua obra a ʻAlaʼ ad-Din Tekish, pouco antes de Tekish se tornar governante (no poder de 1172 a 1200) de Khorramshahr. Conforme sugere o título, em sua obra Razi aborda 60 áreas distintas do conhecimento, desde al-kalam (teologia) até adab al-muluk (conduta dos reis). É lamentável que apenas algumas partes dessa importante obra tenham se tornado objeto de estudos críticos modernos. A edição que apresentamos aqui é uma cópia litográfica publicada pela gráfica Muzaffari em Bombaim (atual Mumbai, na Índia), no mês de Ramadã de 1323 A.H. (março-abril de 1905).

O governo independente do Afeganistão e os deveres dos cidadãos

Dawlat-i mustaqilah-ʼi Afghānistān va vaẓāyif-i millat-i Afghān (O governo independente do Afeganistão e os deveres dos cidadãos) é uma obra do início do século XX sobre os direitos e os deveres de cidadania para os povos do Afeganistão. O autor, Ghulam Muhyi al-Din, começa com uma discussão sobre o papel da sociedade na conduta dos cidadãos e em seguida enumera os deveres dos cidadãos para com o Estado. O livro fornece descrições das diferentes partes do sistema de governo do Estado, incluindo ministérios e tribunais. A obra também traz seções sobre a igualdade dos cidadãos perante a lei e a importância da lealdade ao Estado. Uma seção sobre o uso adequado de parques e espaços públicos apresenta um diálogo imaginário entre estudantes, sugerindo que Ghulam desejava manter sua obra acessível ao público jovem. O livro provavelmente teria sido uma ferramenta educacional muito útil para ensinar lei civil aos cidadãos de diferentes idades e origens num Afeganistão de modernização acelerada. A obra foi publicada postumamente no ano de 1307 (ou seja, 1928-1929) do calendário (solar) Jalali. A data coincide com a abdicação do trono do governante afegão Amanullah Khan (no poder de 1919 a 1929). Numa seção do livro sobre a importância do patriotismo, o nome de Amanullah Khan foi ocultado, dando-se a entender que mesmo após sua abdicação a obra permaneceu em uso.

Epístola da sabedoria principesca

Risālah-ʼi Khiradʹnāmah-ʼi Amīrī (Epístola da sabedoria principesca) é uma breve obra escrita na forma de comentário sobre o que parecem ser as meditações do governante afegão ‘Abd al-Rahman Khan (no poder de 1880 a 1901) acerca do ‘aql (intelecto). As observações de ‘Abd al-Rahman se referem tanto à variação na alocação da razão quanto ao intelecto na humanidade, bem como as razões divinas para essa distribuição desigual. ‘Abd al-Rahman termina seu breve tratado declarando que independentemente dos dons intelectuais de cada indivíduo, sempre haverá em cada época verdadeiros sábios cuja autoridade deverá ser reconhecida por todos. A obra apresenta um comentário amplo e lisonjeiro escrito por ʻAbd al-Ra’uf (falecido em 1915), que inclui ao seu comentário poemas em persa, hadiths e outras fontes árabes. O texto original de ‘Abd al-Rahman, ocupando não mais que duas páginas, está realçado em tinta vermelha, enquanto o comentário de ʻAbd al-Ra’uf está em preto. O livro foi concluído em Muharram de 1304 A.H. (outubro-novembro de 1886) e apresenta-se em forma manuscrita. O texto está escrito num papel creme-claro em escrita nasta‘liq com tinta preta. Alguns dos poemas estão em tinta vermelha.

A medida da medicina

Mīzān al-ṭibb (A medida da medicina) é uma obra médica popular escrita por Muhammad Akbar Arzani (falecido em 1772). Estudiosos divergem quanto ao local de nascimento de Arzani, se na Pérsia ou na Índia, mas todos concordam que ele foi o primeiro médico do Império Mogol a traduzir sistematicamente obras médicas árabes para o persa. Seus textos médicos gozavam de grande popularidade na Índia e na Pérsia e serviram de textos educacionais para estudantes de medicina em ambos os países. Sabe-se também que Arzani era sufi e pertencia à ordem Qadiriyya. Na introdução de Mīzān al-ṭibb, Arzani afirma que seu propósito em escrever a obra era ajudar estudantes carentes que desejavam estudar medicina como outros estudantes com mais recursos. É provável que a clareza e a natureza concisa, todavia completa, do texto de Arzani tenham sido aspectos que contribuíram para que o livro se tonasse a principal obra a ser totalmente estudada por estudantes iniciantes da medicina do século XVIII em diante. A obra está escrita em três seções: a primeira sobre kayfiyat-i chahar ganah (as quatro qualidades, ou seja, calor, frio, umidade e secura); a segunda sobre dar bayān adwīyah mufrada wa murakabba wa aghz̲īya (os medicamentos e alimentos simples e complexos); e a terceira sobre dar bayan amraz wa ‘alaj-i an (as doenças e suas curas). A maior parte do livro está na terceira seção, dividida em capítulos que abordam principalmente o tratamento das doenças de cada órgão. Essa seção também inclui doenças específicas às mulheres e aos homens, além de seções sobre febres e inchaços. O presente volume termina com tratados mais breves de outros autores sobre pulsação e urina. O livro foi publicado em 1884 pela famosa gráfica Newal Kishore em Lucknow, na Índia.

Jardim do unitarismo

Tauhid (a crença na unidade de Deus) é um princípio central do islã que também serve como uma das principais inspirações do Masnavi (Dísticos espirituais) de Maulana Jalal al-Din Muhammad Rumi (de 1207 a 1273). Esse princípio também aparece no título do livro Gulshan-i Tauḥīd (Jardim do unitarismo) de Ibrahim Shahidi Dadah, inspirado pela apreciada obra Masnavi de Rumi. Shahidi Dadah (falecido em 1550 ou 1551) nasceu em Mughlah (Muğla, na atual Turquia) e era um sufi da ordem Maulawi ou Mevlevi. Dos 25.000 versos encontrados em Masnavi, Dadah escolheu 600 para colocar em seu livro Gulshan-i Tauḥīd, e a cada um deles anexou cinco de sua autoria, os quais são inspirados no original e o ampliam. Ele concluiu essa obra em 937 A.H. (1530-1531). A obra teve pelo menos uma impressão moderna (em Istambul, em 1881). A cópia do manuscrito que apresentamos aqui foi concluída em 1233 A.H. (1817-1818), provavelmente no Afeganistão. Cada verso original de Rumi aparece em tinta vermelha, seguido pelos versos em preto de Shahidi Dadah. O copista registrou seu nome como Mir ʻAzim ibn Mulla Muhammad Rajab Balkhi. O manuscrito está em escrita nasta‘liq em um papel creme-claro.