17 de agosto de 2016

Afeganistão: o estado tampão. Grã-Bretanha e Rússia na Ásia Central

Afeganistão: o estado tampão. Grã-Bretanha e Rússia na Ásia Central é uma visão geral sobre a rivalidade anglo-russa e a percepção da ameaça russa à Índia Britânica, escrita por um ex-oficial e intérprete de russo no exército indiano. O objetivo do texto é apresentar uma introdução sucinta de um assunto complexo e fornecer compreensão sobre um determinado pensamento imperial britânico que prevaleceu até a Primeira Guerra Mundial. O capítulo um discute a importância da Índia para o Império Britânico. O livro argumenta que os objetivos britânicos deveriam ser proteger “todas as linhas de comunicação ligando a Índia à Pátria Mãe”, bem como a própria Índia. Para isso, a Grã-Bretanha “deverá então indicar uma política em que Pérsia, Afeganistão e China Ocidental se mantenham independentes e não divididos, e se possível mais propensos à influência britânica do que a de qualquer outra potência”. Também seria essencial manter Bósforo e Dardanelos “sempre fechados para a Rússia” e evitar que os russos consigam um porto no Golfo Pérsico. O capítulo dois apresenta uma visão geral de invasões passadas da Índia, desde o tempo dos antigos assírios e persas até Nadir Shah no século XVIII. Os capítulos três e quatro falam da presença e das políticas russas na Ásia Central. O capítulo cinco discorre sobre o campo de batalha em que possivelmente haveria um conflito anglo-russo. O capítulo seis lida com o papel dos estados ou principados que influenciariam o curso de qualquer conflito, sendo o Afeganistão o mais importante, mas também Baluquistão, Tibete, Caxemira e China. O capítulo final discute o acordo anglo-russo de 1907, que reafirmou a predominante influência da Grã-Bretanha sobre o Afeganistão. Publicado em Londres e em Madras (atual Chennai, na Índia), o livro contém dois mapas desdobráveis detalhados que ilustram o “avanço” da Rússia na Ásia Central. O livro tem pouco a dizer sobre a Alemanha, com a qual, ironicamente, dentro de alguns anos a Grã-Bretanha estaria em guerra (em aliança com a Rússia).

Rússia na Ásia: um registro e estudo, de 1558 a 1899

Alexis Sidney Krausse (1859 a 1904) foi um jornalista e autor britânico que escreveu para muitos periódicos britânicos e produziu livros sobre vários assuntos, incluindo pobreza na cidade de Londres, China e Extremo Oriente, e Império Russo. Rússia na Ásia: um registro e estudo, de 1558 a 1899 é uma história da expansão russa na Ásia, começando em 1558, ano em que Grigorii Stroganov recebeu uma carta de Ivan, o Terrível, para colonizar terras no rio Kama na margem ocidental dos Montes Urais. O livro abrange a anexação da Sibéria, a conquista russa dos canatos de Khiva e Bucara, sua expansão no final do século XIX para o território do Turquestão, a anexação de terras anteriormente pertencentes à Pérsia e à China, a construção de ferrovias e a política russa sobre o Afeganistão. No prefácio, Krausse escreve que seu livro “não pretende ser mais do que uma história, completa porém concisa, da Rússia asiática. Ao criticar as políticas concorrentes da Rússia e da Inglaterra, meu esforço busca apresentar a dedução clara e imparcial resultante de um estudo cuidadoso dessas políticas”. Na verdade, o livro apresenta fortes tendências contra a Rússia, que na obra é retratada como inexoravelmente expansionista e “inimigo natural” da Grã-Bretanha. Rússia na Ásia teve várias edições, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos. Aqui apresentamos a edição original publicada em Londres em 1899. Ela contém 12 mapas e três anexos: uma cronologia dos “Marcos na história da Rússia asiática”; um compêndio dos mais importantes tratados e convenções entre Rússia e China, Pérsia, Afeganistão e outras organizações políticas na fronteira sul do Império Russo; e uma bibliografia de autoridades na Rússia asiática e em países vizinhos.

Vida e correspondências do major-general Sir John Malcolm

Sir John Malcolm (1769 a 1833) foi um soldado, administrador colonial, diplomata, linguista e historiador britânico. Ele nasceu na Escócia, deixou a escola aos 12 anos e por meio de um tio teve acesso a uma posição na Companhia das Índias Orientais. Durante o tempo que permaneceu em várias partes da Índia como oficial das forças militares da companhia, adquiriu interesse em línguas estrangeiras, estudando-as com afinco. Tornou-se fluente em persa e ao longo dos anos serviu como intérprete e enviado britânico à Pérsia em várias posições. Malcolm escreveu vários livros no período em que viveu na Pérsia e durante várias estadias prolongadas na Inglaterra, incluindo Esboço da história política da Índia (1811), Observações sobre os distúrbios no exército de Madras em 1809 (1812), Esboço dos sikhs (1812), e sua obra mais famosa, a História da Pérsia: dos primórdios aos dias de hoje, publicada em 1815. Seu último cargo oficial foi de governador de Bombaim entre 1827 e 1830. Ele voltou à Inglaterra em 1831, e concluiu duas outras obras: Governo da Índia (1833), e Vida de Clive (publicada postumamente em 1836). Vida e correspondências do major-general Sir John Malcolm é uma biografia em dois volumes escrita por Sir John William Kaye (1814 a 1876), um ex-oficial do exército da Companhia das Índias Orientais que em 1841 abriu mão de seu cargo para se dedicar exclusivamente à atividade literária da história militar. Entre outras obras de Kaye estão História da guerra no Afeganistão (1851), em dois volumes, e História da Guerra dos Sipais na Índia, em 1857 e 1858 (entre 1864 e 1876), em três volumes.

O coração de um continente: narrativa de viagens na Manchúria, pelo deserto de Gobi, através das montanhas do Himalaia, de Pamir e de Chitral, de 1884 a 1894

Francis Younghusband foi um explorador e soldado mais conhecido por liderar em 1903 e 1904 a controversa missão militar britânica a Lhasa, no Tibet. Em 1886 Younghusband foi liberado de seu posto militar na Índia Britânica para acompanhar o explorador H. E. M. James numa viagem de sete meses ao redor da Manchúria. Após concluir essa expedição, em março de 1887 Younghusband recebeu permissão para realizar uma viagem por terra de Pequim (Beijing) até a Índia. Viajando apenas com guias contratados, Younghusband cruzou o deserto de Gobi até chegar a Hami (na China), e de lá seguiu para as montanhas do Himalaia por Kashgar (atual Kashi, na China), e pelo Passo Muztagh até Caxemira. Ele chegou a Srinagar em 2 de novembro e ao seu posto em Rawalpindi em 4 de novembro, exatamente sete meses após deixar Pequim. Younghusand registrou essa viagem nos oito primeiros capítulos de seu livro O coração de um continente. Entre 1890 e 1891 Younghusband realizou viagens adicionais às Montanhas Pamir (principalmente no atual Tadjiquistão, com partes no Afeganistão, na China e no Quirguistão) e a cordilheira Caracórum, o corredor não reivindicado entre o Afeganistão e a China. Ele e seus superiores no governo indiano suspeitaram que os russos talvez estivessem procurando uma rota de invasão para a Índia através dessas montanhas, e um dos objetivos das viagens era buscar sinais de atividades russas. Younghusband fala sobre essas expedições nos últimos capítulos do livro. A obra fornece descrições de paisagens espetaculares e de vários povos, como chineses, calmucos (calmuques), quirguizes, tadjiques, hunzas e outros povos que Younghusband encontrou durante as viagens. Ele também relata vários encontros com grupos de reconhecimento russos, incluindo um encontro nas montanhas Pamir em agosto de 1891 com um destacamento russo de mais de 30 soldados cossacos, que resultou num confronto diplomático entre Grã-Bretanha e Rússia. Após um inicial encontro amigável, o oficial de estado-maior russo no comando do grupo, coronel Yonoff, afirmou que Younghusband estava em território reivindicado pela Rússia e que como intruso britânico deveria ser escoltado até a fronteira da China. Esse evento resultou num protesto diplomático da embaixada britânica em São Petersburgo, e no pedido de desculpas pelo governo russo e no reconhecimento de que Yonoff estava operando fora da esfera de influência russa. O livro contém ilustrações e vários mapas, incluindo um grande mapa desdobrável intitulado “Mapa da fronteira norte da Índia”. Amplamente elogiado por suas explorações, em 1890 Younghusband foi eleito o membro mais jovem da Sociedade Geográfica Real e em 1891 nomeado Companheiro do Império Indiano (CIE).

31 de agosto de 2016

Inauguração dos mistérios

Kashf al-asrār (Inauguração dos mistérios) é um livro de comentário corânico que data do início do século XX. O autor, Shir Ahmad, era de Cabul, no Afeganistão. Na obra Kashf al-asrār, Shir Ahmad faz constantes referências a um comentário mais antigo e abrangente, mas afirma que devido ao grande volume da obra anterior ele foi forçado a escrever um texto conciso sobre vários tópicos essenciais. Kashf al-asrār possui uma introdução e 13 capítulos, cada um tratando de uma coleção de versos afins do Alcorão. Shir Ahmad escreve a introdução em persa, na qual faz um apelo habitual sobre as possíveis falhas de sua obra. No capítulo subsequente o comentário está em árabe. Os versos do Alcorão de que falamos estão escritos na mesma cor e na mesma caligrafia naskh que o comentário, mas realçados através de uma escrita maior. Na metade do capítulo seguinte, Shir Ahmad muda repentinamente o idioma do comentário para o persa (escrito no estilo de caligrafia nasta‘liq). A obra é finalizada com um índice. O nome Kashf al-asrār do livro de Shir Ahmad também intitula várias outras obras, incluindo um célebre comentário do Alcorão do século XII escrito por Rashid al-Din Maybudi. O livro foi impresso e publicado em 1910 ou 1911, em Cabul por Matbaʻah-i ʻUmumi.

Epístola sobre a ciência da música

Risālah dar ʻilm-i mūsīqī (Epístola sobre a ciência da música) é um breve tratado sobre a música da Índia e da Pérsia publicado em 1906. Em sua introdução, o autor, Muhammad ʻUsman Qays, cita fontes mais antigas sobre esse tema, como Tuḥfat al-Hind (O presente da Índia) de Mirza Khan (prosperou no século XVII). Após discutir os conceitos básicos como lahn (tom) e iqa’ (ritmo), o autor mapeia a proliferação histórica dos maqamat (modos) da música persa. Dentre outros motivos, aqui a discussão ganha reconhecimento pela forma como o texto evidencia as afinidades e as diferenças dentro do sistema modal atualmente canonizado conhecido como dastgah. A segunda metade da obra apresenta uma breve, mas profunda análise dos ragas da música indiana. Os seis primeiros ragas da música clássica indiana são apresentados com suas respectivas ragini (esposas) e putras (filhos). A obra também traz as correspondências entre os sistemas modais indianos e persas. Um poema de Badr-i Chach (falecido em 1346), arrola os momentos adequados para a apresentação de cada um dos modos persas, recordando o sistema indiano e o momento ou estação específicos associados a cada raga. Este livro litográfico é a segunda edição da obra de Qays. Ele foi publicado na famosa gráfica Newal Kishore em Lucknow, na Índia, administrada por Prag Narayan, filho e sucessor do fundador da gráfica, Munshi Newal Kishore (de 1836 a 1895).