17 de agosto de 2016

Viagens do capitão Billings por Chukotka, do Estreito de Bering até o reduto de Kolyma Inferior, e a viagem do capitão Hall a bordo do navio Black Eagle no Oceano Nordeste em 1791. Inclui um glossário em doze dialetos dos autóctones, observações sobre o mau tempo no reduto de Kolyma Inferior, e instruções fornecidas ao capitão Billings pelo Conselho do Almirantado do Estado

Em 1785, no final de seu reinado, a imperatriz Catarina, a Grande, encomendou uma pesquisa naval russa sob o comando do capitão Joseph Billings que ficou conhecida como Expedição Geográfica e Astronômica ao Nordeste. Billings, um inglês a serviço do Estado russo, partiu naquele ano com dois capitães assistentes, Gavriil Sarychev e Robert Hall (Roman Gall, em russo). Este volume narra as explorações de Billings em 1791 a bordo do navio Glory of Russia, acompanhado por Sarychev ao longo da Península de Chukotka, partindo do Estreito de Bering em direção oeste até o reduto do rio Kolyma Inferior, na passagem nordeste acima da Sibéria. A obra também registra as viagens do capitão Hall, no Pacífico Norte a bordo do navio Black Eagle, por Kamchatka, Ilhas Curilas, Mar de Bering e Ilhas Aleutas. Além do texto baseado nos relevantes diários do navio, o livro apresenta gravuras elaboradas das regiões pesquisadas em vários mapas adicionais. A Expedição de Billings produziu algumas das primeiras e mais completas cartografias russas de ambos os lados da região do Estreito de Bering e das costas próximas ao Oceano Ártico e ao Mar de Bering. As tripulações dos navios também realizaram extensas observações zoológicas, botânicas e etnográficas, e receberam instruções do Almirantado russo para nomear terras e ilhas não identificadas anteriormente. Essa ampla expedição também ganhou notoriedade pelo fato de Catarina, a Grande, ter solicitado a Billings que investigasse as operações do comércio de peles de Grigorii Ivanovich Shelikhov na Ilha Kodiak e em outros lugares do Alasca. Há tempos Shelikhov era uma figura controversa. Até em São Petersburgo, capital da Rússia Imperial, havia muitas histórias do abuso que ele exercia sobre trabalhadores autóctones e seu desrespeito às leis russas no Alasca. Várias partes deste livro tratam da análise de Billings e de seus assistentes sobre as condições de trabalho dos locais autóctones e da aplicação das leis russas no Alasca. Embora a empresa de Shelikhov tenha sobrevivido, tornando-se mais tarde a Companhia Russo-Americana, o governo russo exigiu mudanças no tratamento das populações autóctones no Alasca, e em 1794 enviou um grupo de monges ortodoxos russos a Kodiak, numa tentativa de melhorar a situação.

História genealógica dos tártaros, traduzida para o francês do manuscrito tártaro escrito em mogol por Abu al-Ghazi Bahadur, khan de Khowarazm, acompanhada por várias anotações curiosas e confiáveis sobre o atual estado do norte da Ásia com os requeridos mapas geográficos, e do francês para o russo na Academia de Ciências

Abu al-Ghazi Bahadur (ou Ebulgazi Bahadir Han, de 1603 a 1663) foi o governante do canato de Khiva (no atual Uzbequistão) e um proeminente historiador dos povos turcos que escreveu no idioma turco antigo (chagatai). Filho de ʻArab Muhammad Khan, Abu al-Ghazi se viu numa luta dinástica com seus irmãos após a morte de seu pai, e teve que fugir para a corte safávida em Isfahan (no atual Irã), onde viveu de 1629 até 1639. Mais tarde, em 1644 ou 1645, assumiu o trono do canato de Khiva, reinando até sua morte. Ele foi autor de duas obras consideradas importantes fontes para a história da Ásia Central: Shajare-i Tarākime ou Şecere-i Terakime (Árvore genealógica dos turcomenos), concluída em 1659, e Shajare-i Turk (Árvore genealógica dos povos túrquicos), que deixou incompleta, mas que foi concluída em 1665 por seu filho, Abu al-Muzaffar Anusha Muhammad Bahadur. Shajare-i Turk foi traduzida para o francês e publicada em Leiden em 1726 com o título Histoire genéalogique des Tatars. A obra contém uma história genealógica dos turcos desde os tempos de Adão bíblico até 1663. A maior parte do livro conta a história da dinastia Shaybanid, que governou o canato de Bucara de 1500 a 1598. Aqui apresentamos uma edição russa da Shajare-i Turk, publicada em São Petersburgo em 1768 pela Academia Russa de Ciências, com base na tradução francesa de 1726. O livro contém dois volumes e apresenta diferentes mapas da “Ásia do Norte” no início de cada volume. A obra é mantida pelo Departamento de Livros Raros da Biblioteca Estatal da Rússia, em Moscou.

Disfarçado pela Pérsia, com lembranças da Revolta Indiana

Disfarçado pela Pérsia, com lembranças da Revolta Indiana é uma obra formada por registros do diário de Charles Edward Stewart, um oficial do exército indiano e mais tarde cônsul geral britânico em Tabriz e Odessa, editada e publicada postumamente por seus familiares. A primeira parte do livro relata o papel de Stewart na supressão da Revolta Indiana de 1857 (também conhecida como Rebelião dos Sipais), uma revolta dos sipais (soldados autóctones) contra o exército da Companhia Britânica das Índias Orientais. A maior parte da ação descrita ocorre em Peshawar (no atual Paquistão). Stewart também participou do evento e descreve a Campanha de Umbeylah (também conhecida como Ambala) de 1863, em que uma força anglo-indiana marchou contra tribos pachtun (também conhecidos como pachtos e pastós) contrárias ao governo colonial britânico. A segunda parte trata de várias missões realizadas por Stewart no início da década de 1880, em que viajou pela Pérsia até a fronteira persa-afegã e depois entrou no Afeganistão. O propósito de suas viagens era coletar informações para o governo britânico, e por boa parte do tempo viajava disfarçado de negociante de cavalos armênio de Calcutá. Em 1884 Stewart foi nomeado segundo comissário assistente na Comissão de Fronteiras do Afeganistão, dirigida por Sir Peter Lumsden, e o livro apresenta um capítulo sobre o trabalho da comissão na cidade de Herat e em seus arredores. O livro também inclui ilustrações e um mapa da região fronteiriça entre o Afeganistão e a Pérsia, além de quatro apêndices: o texto de um documento lido na Sociedade Geográfica Real em junho de 1887, “O País dos turcomanos tekke e dos rios Tejend e Murgab”, baseado na missão de Stewart de 1880; um artigo sobre o uso do petróleo como combustível para locomotivas e navios a vapor (baseado na observação de Stewart sobre essa nova tecnologia usada pelos russos na região do Mar Cáspio); um artigo sobre uma possível extensão ferroviária para ligar a Ferrovia Centro-Asiática da Rússia e o Sistema Ferroviário Indiano; e um pequeno artigo intitulado “Trabalho bíblico na Pérsia”, em que Stewart apresenta diversas observações sobre os diferentes grupos religiosos na Pérsia, incluindo muçulmanos xiitas, cristãos armênios e nestorianos, e babís.

Contos de viagem

George Nathaniel Curzon (1859 a 1925) foi um político, viajante e escritor britânico que serviu como vice-rei da Índia de 1899 a 1905 e como secretário de relações exteriores de 1919 a 1924. Quando jovem, realizou diversas viagens e escreveu vários livros de viagem, ou livros inspirados em suas viagens, como Rússia na Ásia Central (1889), Pérsia e a questão persa (1892), e Problemas do extremo oriente (1894). Contos de viagem (1923), que apresentamos aqui, é um de seus últimos livros. A obra consiste de memórias e ensaios inéditos baseados em viagens realizadas durante a juventude de Curzon. O livro reflete o percurso das viagens de Curzon, sua curiosidade e capacidade de observação, e seu talento literário. Um ensaio, “As grandes cachoeiras do mundo”, descreve e compara as cachoeiras na América do Norte, América do Sul, África, Índia e Nova Zelândia. Outro ensaio, intitulado “As areias cantantes”, fala dos estranhos sons de cantos ou ruídos que se acredita ouvir no deserto, e discute esse fenômeno manifestado nos desertos da Ásia Central, do Afeganistão, da Pérsia, do Sinai, da Arábia, da África do Norte e das Américas. Outro artigo discorre sobre a luta de sumô no Japão. Um dos ensaios mais notáveis do livro, “O emir do Afeganistão”, relata as reuniões de Curzon em 1894 e 1895 com ‘Abd al-Rahman Khan (por volta de 1844 a 1901), governante do Afeganistão. Curzon considera o emir tão brilhante quanto eficaz, mas também cruel e impiedoso. “Ele uniu as tribos afegãs numa unidade que elas nunca haviam apreciado antes, e preparou o caminho para a total independência alcançada por seus sucessores. Ele e somente ele era o Governo do Afeganistão”. O livro traz ilustrações e contém um grande mapa fac-símile desdobrável do Afeganistão, produzido e distribuído por ‘Abd al-Rahman Khan.

O oásis de Merv, viagens e aventuras ao leste do Cáspio durante os anos de 1879, 1880 e 1881

Edmund O’Donovan (1844 a 1883) foi um correspondente de guerra britânico que cobriu conflitos e revoltas na França, Espanha, Bósnia e Herzegovina e Ásia Central. Nascido em Dublin, ele escreveu para o Irish Times e para outros jornais de Dublin, e mais tarde para o jornal britânico Daily News. Em 1879 O’Donovan viajou para Merv (no atual Turcomenistão), onde os turcomanos o prenderam por suspeitarem ser um espião russo. Foi solto após vários meses na prisão, e permaneceu por quase três anos na região. O oásis de Merv é o relato das aventuras e observações de O’Donovan. O volume dois trata de sua viagem de Trebizonda, na Turquia, passando por Geórgia e Cáucaso, até Baku (no atual Azerbaijão), sua travessia do Mar Cáspio, e suas viagens nas regiões ao leste do Mar Cáspio, no Turcomenistão e no Irã. O volume dois é dedicado quase exclusivamente a um relato detalhado de Merv, onde o autor ficou por cinco meses. O livro abrange tópicos como geografia, história, governantes e sistema de governo, práticas religiosas, economia, comida e costumes do oásis. O’Donovan também descreve a campanha militar russa na região e a queda da fortaleza de Geok-Tepe no início de 1881, mas se concentra principalmente nos povos e nas culturas da região. O apêndice inclui uma coleção de documentos relevantes para a narrativa, com traduções de persa e russo, e fac-símiles de vários documentos persas e russos. A capa reproduz seu passaporte russo (laissez-passer), emitido em nome do czar Alexandre II, concedendo permissão O’Donovan para viajar de Tíflis (Tbilisi, na Geórgia) a Baku.

Viagens na Índia

Jean-Baptiste Tavernier (1605 a 1689) foi um dos viajantes mais renomados na Europa do século XVII. Filho de um protestante francês que havia fugido de Antuérpia para escapar da perseguição religiosa, Tavernier era um comerciante de joias que entre 1632 e 1668 realizou seis viagens ao Oriente. Entre os países que visitou (a maioria mais de uma vez) estão os atuais Chipre, Malta, Turquia, Síria, Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia, Sri Lanka e Indonésia. Em 1676 ele publicou seu livro Les six voyages de Jean Baptiste Tavernier (As seis viagens de Jean Baptiste Tavernier), em dois volumes. Em 1677 apareceu uma tradução resumida e com muitas imperfeições da obra para o inglês. A primeira edição acadêmica moderna em inglês, que apresentamos aqui, foi publicada em 1889, com tradução, notas e um esboço biográfico de Tavernier escritos por Dr. Valentine Ball (1843 a 1895), um funcionário britânico do Departamento de Serviços Geológicos indiano. Entre os capítulos mais memoráveis do livro estão os que narram as visitas de Tavernier às minas de diamantes da Índia e a inspeção das joias do Grande Mogol. Tavernier não era um estudioso ou linguista qualificado, e apesar da sua popularidade inicial durante o século XVII, sua credibilidade diminuiu depois que historiadores e outros interessados questionaram a precisão de suas observações. No século XX, no entanto, sua reputação aumentou depois que importantes historiadores como Lucien Febvre e Fernand Braudel usaram informações detalhadas registradas por Tavernier sobre os preços e as qualidades dos produtos e sobre as práticas comerciais e de negócios em seus estudos pioneiros da história social e econômica. O livro contém vários apêndices escritos por Ball sobre famosos diamantes (incluindo o histórico diamante Koh-i-Noor, atualmente propriedade da família real britânica), minas de diamantes na Índia e em Bornéu, minas de rubi na Birmânia, e limpeza de safira no Ceilão (Sri Lanka). Um mapa desdobrável mostra as viagens de Tavernier na Índia e as minas que visitou.