Viagem para o Turcomenistão e para Khiva em 1819 e 1820

Nikolai Nikolaevich Murav’ev (de 1794 a 1866) foi um oficial militar e estadista russo que em 1819 e 1820 liderou uma missão imperial até a costa oriental do Mar Cáspio e do canato de Khiva. Naquela época ele era capitão na equipe geral do exército russo imperial, e foi acompanhado pelo major Ponomarev, comandante de Ganja (no Azerbaijão). O objetivo da missão era proteger as rotas de comércio da região com a Rússia. O general Aleksiei Petrovich Ermolov, o poderoso comandante do Cáucaso que ordenou a missão, planejava estabelecer um porto comercial russo na costa oriental do Mar Cáspio. A missão deixou Tiflis (atual Tbilisi, na Geórgia) em 17 de junho de 1819, e viajou por terra até Baku, na costa ocidental do Mar Cáspio, onde uma corveta, um navio mercante e mais tropas aguardavam. As embarcações chegaram à Baía de Balkan (atual Baía de Kara Bogaz, no Turcomenistão) em setembro. De lá, Murav’ev viajou por terra até Khiva (no atual Uzbequistão) para se encontrar com o khan Muhammad Rahim. No entanto, Murav’ev não conseguiu autorização para entrar na cidade e ficou detido por 48 dias. Mais tarde ele foi liberado e voltou para sua embarcação. Acompanhado por dois enviados de Khiva, Murav’ev navegou de volta com seus homens e chegou a Baku em dezembro. Eles foram recebidos pelo general Ermolov em 17 de janeiro de 1820. Voyage en Turcomanie et à Khiva (Viagem para o Turcomenistão e para Khiva) é o relato de Murav’ev sobre sua missão. O livro está dividido em duas partes. Na primeira, Murav’ev relata a viagem para Baía de Balkan, a viagem seguinte por terra para Khiva e a viagem de retorno para Tiflis. Essa parte inclui cópias de cartas do general Ermolov e do major Ponomarev ao khan de Khiva. A segunda parte do livro é uma descrição geral do território de Khiva, sua economia e suas forças militares, além de um relato sobre a guerra civil no canato. A obra também apresenta um catálogo em latim dos animais da Ásia Central, descrições dos habitantes da região e um mapa da rota de Tiflis a Khiva desenhado por Murav’ev. O livro foi traduzido do russo por G. Lecointe de Laveau e publicado em Paris em 1823.

Novo relato da Índia Oriental e da Pérsia, em oito cartas. Nove anos de viagens no total, com início em 1672. Término em 1681

John Fryer (por volta de 1650 a 1733) era um viajante e escritor britânico. Depois de estudar medicina na Universidade de Cambridge, ele foi para a Índia, onde trabalhou pela primeira vez como cirurgião a serviço da Companhia das Índias Orientais, com a qual sua família provavelmente tinha algum tipo de ligação. Ele deixou a Inglaterra em dezembro de 1672 e só retornou em agosto de 1682. Novo relato da Índia Oriental e da Pérsia, em oito cartas. Nove anos de viagens no total, com início em 1672. Término em 1681 é o relato de Fryer sobre seu tempo no Oriente. O livro está organizado em oito cartas, a maioria das quais dividida em capítulos. A carta um abrange a passagem para a Índia. As cartas dois, três e quatro registram o tempo de Fryer na Índia. A carta cinco é sem dúvida a mais longa do livro, e relata o tempo que o autor passou na Pérsia, com descrições detalhadas da capital safávida de Isfahan, de Shiraz e das ruínas da antiga cidade de Persépolis. A carta seis conta como foi o retorno de Fryer à Índia e sua estadia nas cidades de Bharuch, Baharampur e Surat, na atual região oeste da Índia. A carta sete é formada por “Ocorrências e observações gerais”; e a carta oito trata de sua volta para a Inglaterra, viagem que passou por Cabo da Boa Esperança, Ilha de Ascensão, Santa Helena e Açores. O livro é rico em detalhes da história natural e é um valioso relato sobre como a medicina era praticada na Pérsia e na Índia, refletindo a formação de Fryer como médico. Os escritos de Fryer são conhecidos pela grande curiosidade do autor e suas observações sobre geologia, meteorologia e outros campos científicos. Ele também descreve a vida e os costumes dos povos minoritários da Pérsia, incluindo gabrs (zoroastristas), armênios, georgianos e judeus, e oferece informações sobre as atividades de potências europeias rivais — Portugal, Holanda e França — nos países que visitou.

Complemento à história geral dos hunos, turcos e mongóis

Muhammad Yusuf ibn Khawajah Baqa foi um historiador e munshi (secretário da corte) ativo em meados do século XVII e início do século XVIII na corte de Muqim Khan, o khan de Balkh (no poder de aproximadamente 1702 a 1707), no norte do atual Afeganistão. Munshi Muhammad Yusuf é conhecido por sua obra Taz̲kirah-ʼi muqīmʹkhānī (História de Muqim Khan), um relato que narra a história política, cultural e social da Transoxiana durante os reinados dos shaybanidas (por volta de 1500 a 1599) e de seus sucessores, os astracãs (por volta de 1599 a 1747), ambas as dinastias turco-mongóis. Conhecida pelos gregos e romanos como Transoxiana (Terra além do Oxus) e pelos árabes como Ma waraʼ al-nahr (Terra além do rio), essa área corresponde aproximadamente aos atuais territórios do Tadjiquistão, Uzbequistão, sudoeste do Cazaquistão e sul do Quirguistão. Supplément à l'histoire générale des Huns, des Turks et des Mogols (Complemento à história geral dos hunos, turcos e mongóis) é composta por dois comentários baseados no abra Taz̲kirah de Munshi Muhammad Yusuf. O primeiro, em francês, é um comentário sobre Taz̲kirah formado por uma introdução e três partes. O segundo, intitulado Tuḥfat azhār al-tadhkirat al-muqīmiyah li ṭullāb ʻilm al-lughati al-fārisiyah (Oferta de buquê com base na história de Muqim Khan aos alunos da disciplina de língua persa), está em persa (apesar do título árabe) e resume as fontes históricas usadas no primeiro comentário. O autor de ambos os comentários é o orientalista russo-polonês Joseph Senkowski (de 1800 a 1858). Mais conhecido como Osip Ivanovich Senkovskii, Senkowski foi um professor na Universidade Imperial de São Petersburgo conhecido por suas paródias referentes a outros orientalistas e pelos fantásticos contos que escreveu e publicou sob o pseudônimo Baron Brambeus. A introdução ao primeiro comentário discute a obra Taz̲kirah e o método de Senkowski, enquanto as três partes são dedicadas, respectivamente, aos shaybanidas, aos astracãs e ao governante bucarano ‘Ubaydullah Khan (no poder de 1702 a 1711). O segundo comentário é um resumo compilado por Senkowski das biografias de vários governantes. Não está claro se os “estudantes” a quem o autor se refere no título são seus próprios alunos. Caso fossem, o comentário seria um livro didático. O Complemento foi publicado pela Academia Imperial de Ciências de São Petersburgo em 1824.

Candaar em 1879

Candaar em 1879 é o diário do major-brigadeiro Augusto Le Messurier (de 1837 a 1916), um engenheiro ferroviário da Índia Britânica que entrou para os Engenheiros de Bombaim em 1856 e alcançou o posto de engenheiro-chefe e secretário do governo de Punjab em 1889. Em novembro de 1878, pouco antes do início da Segunda Guerra Anglo-Afegã, Le Messurier foi enviado para trabalhar na Força de Campo de Quetta, que na época ficava em Mooltan (atual Multan, no Paquistão). Comandada pelo tenente-general Donald Stewart, a força era uma das três colunas que invadiram simultaneamente o Afeganistão durante a primeira fase da guerra. Incumbida de limpar o caminho pelo Passo de Bolan e pelos vales até Candaar, a Força de Campo de Quetta não experimentou tanta ação quanto as outras duas colunas, mas enfrentou uma severa escassez de suprimentos e encontrou terrenos e condições climáticas difíceis antes de alcançar e ocupar a cidade. O diário, que apresentamos aqui em forma de livro, mas sem introdução ou conclusão, narra os acontecimentos que acompanharam a marcha para Candaar e o tempo que Le Messurier serviu no Afeganistão antes de voltar para a Índia em outubro de 1879. Os registros estão divididos em 14 capítulos. Os três primeiros capítulos descrevem o avanço a Candaar e as dificuldades encontradas pela força. Os capítulos de quatro a 12 tratam da vida militar no acantonamento britânico em Candaar, além de descrever as fortificações da cidade, os recursos naturais, os bairros, os comércios, as antiguidades e os entretenimentos. Os dois últimos capítulos descrevem os preparativos iniciais feitos pelos soldados britânicos para se retirar para a Índia após o fim da primeira fase da guerra, bem como a retirada das tropas depois da insurreição afegã em Cabul e o assassinato do enviado britânico a Cabul, Sir Louis Cavagnari, eventos que desencadearam a segunda fase da guerra. Le Messurier não permaneceu no Afeganistão, sendo enviado de volta para a Índia, onde trabalhou como engenheiro-chefe e gerente da Ferrovia Estadual de Mysore. O diário foi publicado em Londres em 1880.

As crônicas de um viajante: ou, História das guerras afegãs com a Pérsia

Padre Tadeusz Judas Krusiński (também conhecido como Tadeusz Jan Krusiński, de 1675 a 1756) foi um padre jesuíta polonês que passou quase 20 anos na Pérsia (Irã) na corte da capital safávida de Isfahan. Em 1722 ele testemunhou pessoalmente o cerco e a conquista de Isfahan por uma força afegã invasora. Krusiński escreveu um relato em latim sobre a guerra e suas consequências imediatas, como o extermínio da família real persa pelo comandante afegão Mahmud Ghilji. Krusiński deixou a Pérsia em 1725. Durante seu retorno ao continente europeu, ele passou por Constantinopla (atual Istambul) e deu uma tradução turca de sua narrativa, que de acordo com as informações disponíveis ele mesmo havia traduzido, a Ibrahim Padshah, vizir do sultão Ahmed III. Em 1729 o vizir publicou a obra pela recém-criada gráfica otomana. John Christian Clodius, professor de árabe na Universidade de Leipzig, retraduziu essa obra do turco para o latim, publicando-a na Alemanha em 1731. O livro que apresentamos aqui é uma tradução inglesa da versão latina de Clodius. O tradutor inglês foi George Newnham Mitford, sobre quem pouco se sabe. Outra versão da narrativa, uma tradução para o francês do texto original em latim de Krusiński, foi feita por outro jesuíta, o padre Du Cerceau, publicada em Haia em 1725. O objetivo de Mitford em traduzir a versão de Clodius era apontar as grandes diferenças entre as passagens desse texto e as que descrevem os mesmos eventos na versão de Du Cerceau. Em sua introdução, Mitford alega que Du Cerceau introduziu grandes imprecisões na obra, repetidas pelos primeiros escritores britânicos sobre a Pérsia, como o comerciante Jonas Hanway. A tradução de Mitford apareceu em Londres em 1840, um momento de grande interesse público pelo Afeganistão por conta da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842).

Cenas no Afeganistão, etc., com base em esboços produzidos durante a campanha do Exército do Indo

Sir Keith Alexander Jackson serviu como capitão no 4º Regimento Leve dos Dragões no exército britânico, parte da força anglo-indiana que saiu da Índia Britânica e marchou em direção ao Afeganistão em dezembro de 1838, acelerando o início da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). O objetivo dos britânicos era destronar o emir do Afeganistão, Dost Mohammed Khan, e substituí-lo por Shah Shujaʻ, visto como mais amigável à Grã-Bretanha e menos sujeito à influência russa do que o emir. O Exército do Indo, como a força era chamada, chegou a Quetta no final de março de 1839, seguindo para o Afeganistão pelo Passo de Bolan (no atual Paquistão). Os britânicos capturaram Candaar em 25 de abril de 1839, e a grande fortaleza de Gázni em 23 de julho do mesmo ano. Cenas no Afeganistão é uma coleção de 25 placas litográficas coloridas à mão baseadas em esboços produzidos por Jackson durante a campanha. Cada ilustração é acompanhada por um texto, escrito por Jackson, que identifica o assunto e apresenta informações históricas e topográficas. O livro inclui imagens de várias cidades e vilas no Afeganistão e no atual Paquistão, incluindo Quetta, Cabul e Candaar. A obra também retrata o Passo de Bolan; fortes e fortalezas; paisagens; ruínas; povos locais; e oficiais britânicos. O frontispício é um retrato colorido à mão de um homem afegão, identificado como um fac-símile de um desenho colorido encontrado em uma das salas na fortaleza de Gázni, após a invasão da cidadela. Um mapa apresenta a rota percorrida pelo Exército do Indo, desde seu ponto de partida, em Thatta (no atual Paquistão), até o rio Indo, e finalmente a Candaar e Cabul. O livro é dedicado “Ao presidente e aos diretores da honorável Companhia das Índias Orientais”, por Joseph Fowell Walton, provavelmente um dos litógrafos. Jackson faleceu em Cabul em 1843.

Coleção geral das melhores e mais interessantes viagens em todo o mundo, Volume 7

Coleção geral das melhores e mais interessantes viagens em todo o mundo é uma compilação de 17 volumes de narrativas de viagem reunidas pelo historiador e poeta escocês John Pinkerton (de 1758 a 1826), publicada pela primeira vez na Grã-Bretanha de 1808 a 1814. Contemporâneo e conhecido do historiador Edward Gibbon e do romancista Sir Walter Scott, Pinkerton escreveu livros sobre a história e a poesia da Escócia, numismática e outros assuntos, bem como peças e poemas de sua autoria. Boa parte das narrativas havia sido recentemente traduzida para o inglês de idiomas como francês, alemão, holandês, latim, italiano, espanhol, entre outros. Cada volume é ilustrado com placas. Uma edição americana em seis volumes da coleção de viagens de Pinkerton foi publicada na Filadélfia de 1810 a 1812. Aqui apresentamos o sétimo volume da edição original de Londres, que inclui principalmente narrativas de viagem de europeus para muitos países da Ásia, incluindo China, Japão, Coreia, Pérsia (Irã) e Turquestão. As narrativas incluem “viagens de dois muçulmanos pela China e Índia no século IX”, e relatos das viagens de Marco Polo, de embaixadores e de missionários de países como Itália, Alemanha, França, Espanha e Rússia.

Diário de uma marcha de Deli a Peshawar, e de lá para Cabul

Diário de uma marcha de Deli a Peshawar, e de lá para Cabul é um relato em primeira mão de um oficial britânico, o tenente William Barr, sobre uma operação liderada pelo tenente-coronel Claude Martine Wade durante o primeiro ano da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). A guerra começou quando a principal força anglo-indiana, o Exército do Indo, avançou em direção a Cabul pelo Passo de Bolan e pelo sul do Afeganistão, com o objetivo de derrubar o governante afegão, emir Dost Mohammed Khan. Wade recebeu a tarefa de realizar um ataque convergente através de Punjab e do Passo Khyber, para forçar Dost Mohammed Khan a dividir seu exército. Barr fez parte de uma força de cerca de 10.000 soldados, formada por 5.000 muçulmanos de Punjab, 4.000 soldados afegãos recrutados por Shah Shujaʻ, o rival de Dost Mohammed apoiado pelos britânicos, e 380 tropas britânicas regulares. O relato de Barr, publicado em Londres em 1844, consiste em registros de diário, escritos entre 21 de janeiro e 25 de julho de 1839, e em narrativas escritas mais tarde. A parte mais dramática do livro é a descrição do ataque em 22 de julho contra Ali Masjid, o forte que cuidava da entrada para o Passo Khyber. Após quatro dias de luta intensa os invasores prevaleceram contra os defensores locais afridis, e de lá marcharam para Cabul. Além de relatar as ações militares, Barr descreve os territórios pelos quais o exército de Wade marchou, incluindo uma descrição especialmente detalhada de Lahore (no atual Paquistão). A obra termina com a marcha de retorno de Cabul a Fiozpur, na Índia Britânica, concluída em 31 de dezembro de 1839. O livro traz seis ilustrações coloridas à mão de cenas no Afeganistão.

Diário sobre os três anos de um diplomata na Pérsia

Edward Backhouse Eastwick (de 1814 a 1883) foi um estudioso orientalista e diplomata britânico, mais conhecido por suas traduções de clássicos da literatura persa. Depois de estudar nas faculdades de Balliol e Merton, em Oxford, Eastwick foi para a Índia, onde entrou para a infantaria de Bombaim como cadete. Logo entrou para a Companhia das Índias Orientais, e mais tarde passou a trabalhar para o serviço público britânico, principalmente por causa de sua proficiência em línguas. Além de vários cargos administrativos ocupados na Índia, Eastwick trabalhou como diplomata britânico na Pérsia (atual Irã) e na Venezuela. Diário sobre os três anos de um diplomata na Pérsia é o relato de Eastwick sobre suas atividades na Pérsia entre 1860 e 1863, período de alguns anos críticos depois da Guerra Anglo-Persa de 1856 a 1857. Eastwick deixou Londres em 1º de julho de 1860, e viajando por Paris, Marselha, Atenas, Istambul, Sinope, Tbilisi e Tabriz chegou a Teerã em 20 de outubro, onde assumiu o cargo de secretário da legação britânica da corte da Pérsia. Mais tarde foi encarregado da missão britânica em Coração, e chegou a Mashhad em agosto de 1862, onde serviu de mediador entre os governos persa e afegão. Eastwick retornou a Teerã em dezembro de 1862, onde era agente diplomático da missão britânica, mas foi chamado de volta a Londres em fevereiro do ano seguinte. O Diário sobre os três anos de um diplomata na Pérsia está em dois volumes. O primeiro contém um relato detalhado da viagem de Eastwick a Teerã, além de registros de suas visitas a diversas províncias e descrições do trabalho da missão britânica e suas relações com as missões francesas e russas. O segundo volume traz informações sobre o tempo de Eastwick em Mashhad, relatando as atividades do emir afegão Dost Mohammad Khan (no poder de 1826 a 1839 e de 1842 a 1863), e seu ataque em 1855 a Herat, na época controlada pelos persas e governada pelo governante de Coração. O livro apresenta vários apêndices, incluindo uma tabela que lista os estágios na rota de Trebizonda (na Turquia) até Tabriz com a distância entre os trechos em horas e milhas (tempo e distância totais: 173 horas; 490 milhas), e uma tabela genealógica desdobrável do xá governante da Pérsia.

Memórias de quarenta e três anos na Índia

George Saint Patrick Lawrence (de 1804 a 1884) foi um oficial do exército da Índia Britânica que serviu na Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842), na Segunda Guerra Anglo-Sikh (de 1848 a 1849), e na Revolta Indiana (também conhecida como Rebelião dos Sipais), de 1857 a 1858. Durante a fase inicial da Primeira Guerra Anglo-Afegã, Lawrence foi assistente político e mais tarde secretário militar de Sir William Macnaghten, enviado britânico ao Afeganistão. Quando o emir afegão Dost Mohammed Khan se rendeu a Macnaghten em novembro de 1840, Lawrence ficou responsável pelo governante afegão até este ser exilado na Índia. Lawrence também foi um dos três oficiais que acompanharam Macnaghten ao seu encontro malfadado com o general afegão Akbar Khan. Após a morte de Macnaghten em dezembro de 1841, Lawrence foi levado como refém, permanecendo em cativeiro por oito meses e meio. Problemas de saúde o obrigaram a voltar para a Inglaterra em 1843, mas depois de três anos ele retornou à Índia. Ele foi nomeado agente político assistente em Punjab, responsável pelo importante distrito de Peshawar. Durante a Segunda Guerra Anglo-Sikh, as tropas de Lawrence, formadas principalmente por soldados sikhs, mudaram de lado e Lawrence acabou sendo preso pelo general sikh Chattar Singh. Ele ficou preso por cinco meses e meio. Memórias de quarenta e três anos na Índia é o relato de Lawrence sobre esses eventos, compilado com base em suas cartas e seus diários por William Edwards, juiz do serviço público bengalês. O livro é composto de 21 capítulos, dos quais os primeiros 16 enfocam os acontecimentos da Primeira Guerra Anglo-Afegã. Os capítulos de 17 a 19 recontam os acontecimentos da Segunda Guerra Anglo-Sikh. Os últimos dois capítulos são dedicados à Rebelião dos Sipais e terminam com a descrição da retomada, em março de 1858, da cidade de Kotah (atual Kota, na Índia) pelos insurgentes. A obra foi publicada em Londres em 1874.