27 de julho de 2016

Sul do Afeganistão e Fronteira Noroeste da Índia

Sul do Afeganistão e Fronteira Noroeste da Índia é um panfleto com duas obras separadas: “Sul do Afeganistão. Rota Tal-Chotiali”, e um artigo intitulado “Fronteira Noroeste da Índia”. A primeira obra é uma reedição de dois artigos que apareceram pela primeira vez na Army and Navy Magazine, discutindo a importância da rota Tal-Chotiali como uma conexão entre o sul do Afeganistão e a Índia Britânica. O autor, Griffin W. Vyse, defende a permanência de tropas britânicas em Tal (no atual Paquistão), a fim de controlar o terminal leste dessa rota que vai da Índia até Candaar via Pishin. Vyse serviu como engenheiro de campo em parte da Força de Campo de Tal-Chotiali, no sul do Afeganistão, durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880), e baseia seu argumento em informações obtidas de seu serviço no campo. Ele começa com uma discussão geral sobre as passagens da Índia para o Afeganistão e observa que, até bem recentemente, escritores europeus conheciam apenas três dessas passagens: Khyber, Gulairi (ou Gomal), e Bolan, e aponta a existência de muitas outras, incluindo 92 passagens só no território afegão na fronteira com o Baluquistão, dos quais argumenta que a rota Tal-Chotiali é a mais importante. A obra contém uma discussão detalhada da geografia da região, com muitas referências históricas para as rotas utilizadas por líderes militares, citando o imperador Babur em 1505, para atravessar as montanhas que separam o Afeganistão e da Índia. O segundo artigo é um severo ataque sobre a importância atribuída pela política britânica aos distritos da Fronteira Noroeste, que Vyse comenta serem muito mais pobres e difíceis de controlar do que o Baluquistão e o sul do Afeganistão. O panfleto traz o subtítulo “Refutação dos erros cometidos no Parlamento”, e é dedicado ao marquês de Hartington, secretário de estado na Índia. O documento contém o esboço de um grande mapa desdobrável do sul do Afeganistão e do norte do Baluquistão desenhado por Vyse, mostrando a rota Tal-Chotiali.

Inglaterra e Rússia na Ásia Central

Demetrius Charles Boulger (de 1853 a 1928) foi um orientalista britânico que escreveu bastante sobre temas voltados principalmente para o Império Britânico. Em parceria com Sir Lepel Henry Griffin (de 1838 a 1908), administrador britânico na Índia, ele fundou a Asiatic Quarterly Review, onde por um tempo trabalhou como editor. Aqui apresentamos a obra Inglaterra e Rússia na Ásia Central em dois volumes de Boulger, publicada em 1879, durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). Boulger era um imperialista impenitente com fortes visões antirrussas. Neste livro, ele prevê uma “iminente” guerra anglo-russa, argumentando que a Grã-Bretanha deveria agir enquanto ainda é “forte suficiente para resolver totalmente a Questão da Ásia Central em nosso próprio favor”. O volume um é em grande parte dedicado a assuntos referentes à Rússia. Seus 11 capítulos abordam temas como as mais recentes explorações russas na Ásia Central, o rio Amu Dária, governo russo do Turquestão, a força militar russa na Ásia Central, e as relações da Rússia com Khiva e Kokand, Bucara e Pérsia. Este volume contém sete anexos com documentos oficiais, incluindo os textos dos tratados assinados entre a Rússia e os canatos de Khiva e Bucara. Um “mais recente” mapa oficial russo da Ásia Central também acompanha o volume um, encontrado no final da obra. O volume dois trata de assuntos relacionados principalmente à Grã-Bretanha e à Índia Britânica, e contém dez capítulos, abordando tópicos como recentes explorações britânicas na Ásia Central, exército anglo-indiano, Afeganistão, e Inglaterra e Pérsia. O capítulo final, “A rivalidade entre Inglaterra e Rússia”, resume os principais argumentos e adverte sobre as intenções russas. Dois apêndices exibem os textos dos tratados de Gulistan e Turcomanchai, impostos pela Rússia sobre a Pérsia da dinastia Qajar em 1813 e 1828, respectivamente. Um terceiro apêndice, intitulado “Opinião pública francesa sobre a Inglaterra e a Rússia na Ásia Central”, contém uma avaliação da situação estratégica na região publicada na primavera de 1878 pelo influente jornal francês Le Journal des Débats. No início do volume dois também há um mapa desdobrável da Pérsia e do Afeganistão. No fim, a guerra anglo-russa predita por Boulger jamais ocorreu, pois a Rússia nunca ameaçou seriamente a Índia e eventos posteriores, como a Guerra Russo-Japonesa (de 1904 a 1905), a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa, mudaram o foco de ambas as potências para outras regiões.

A Questão Afegã

A Questão Afegã é um panfleto que registra o texto de um discurso proferido em 11 de novembro de 1878 por Thomas George Baring, primeiro conde de Northbrook (de 1826 a 1904), em Winchester, no Reino Unido. Northbrook foi um político liberal de destaque que serviu como vice-rei da Índia de 1872 a 1876. Durante seu governo, foi contra as sugestões, cada vez mais fortes em Londres, de combater a expansão russa na Ásia Central mediante esforços britânicos para proteger as fronteiras do noroeste da Índia, talvez até expandindo para o Afeganistão. Em seu discurso, Northbrook analisa a história da política britânica sobre o Afeganistão desde 1840 e o fim da Primeira Guerra Anglo-Afegã em 1842, e em especial sua própria política, como vice-rei, de não pressionar a realização de uma missão residente britânica em Cabul ou insistir que o governante do Afeganistão recebesse oficiais britânicos em sua corte. Em seguida ele analisa a polêmica surgida no verão de 1878, quando em Londres chegaram as notícias de que em 22 de julho a missão russa havia alcançado Cabul. As autoridades britânicas imediatamente decidiram enviar uma missão própria à capital afegã, que em 21 de setembro foi impedida de entrar no país por autoridades afegãs no Passo Khyber. Os britânicos então enviaram um ultimato ao governante do Afeganistão, o emir sher Ali Khan, apresentando certas exigências que caso não fossem atendidas resultariam numa guerra marcada para começar em 20 de novembro. Northbrook repreende o governo pela falta de interesse em averiguar as intenções tanto dos russos quanto dos afegãos, por se comunicar com o emir de forma inadequada, e por usar a controvérsia resultante das missões como pretexto para iniciar uma guerra. Ele encerra o discurso perguntando “se a guerra é justa, e se é necessária”, e conclui dizendo que “em relação a essas duas questões essenciais, lamento dizer que é impossível para mim, no estado atual das informações diante do público, pronunciar uma opinião decisiva ou positiva”. Northbrook se manteve crítico da guerra e em abril de 1880, quando os liberais retornaram ao poder sob a liderança de William Gladstone, defendeu a retirada total e rápida das tropas britânicas do Afeganistão.

História da guerra no Afeganistão, do início ao fim

História da guerra no Afeganistão, do início ao fim é uma narrativa da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). O livro se baseia no jornal e nas cartas de um oficial britânico anônimo de alta patente que supostamente serviu por muitos anos no exército britânico na Índia. Publicado em Londres em 1843, o livro foi editado por Charles Barnes Nash (de 1815 a 1892), um advogado britânico bastante envolvido nos assuntos de empresas públicas na Grã-Bretanha. O livro é formado por 14 capítulos e começa com uma descrição geral do país e seu povo, seguida de uma história do Império Durrani (de 1747 até o início do século XIX), o Estado predecessor ao atual Afeganistão. A guerra iniciou quando os britânicos lançaram uma invasão com o objetivo de derrubar o governante afegão, emir Dost Mohammad Khan, e substituí-lo por Shah Shuja‘, um ex-governante supostamente pró-britânico. No início os invasores tiveram sucesso, entronizando Shah Shuja‘ em Jalalabad e forçando Dost Mohammad a fugir do país. Mas em 1841 Dost Mohammad retornou ao Afeganistão para liderar uma revolta contra Shah Shuja‘ e os invasores. A rebelião forçou os britânicos a recuarem para a Índia, sendo mais tarde aniquilados por tribos afegãs. Em última análise, a guerra se mostrou inútil, pois Dost Mohammad voltou a governar o Afeganistão finalmente. História da guerra no Afeganistão, do início ao fim narra os estágios da guerra em ordem cronológica, começando com a declaração de guerra em Simla, na Índia Britânica, e concluindo com a total retirada britânica do Afeganistão em outubro de 1842.

Inglaterra e Rússia no Oriente

Henry Creswicke Rawlinson (de 1810 a 1895) foi um estudioso e diplomata britânico, mais conhecido por suas contribuições para o campo da assiriologia. Em 1827 ele entrou para o serviço da Companhia das Índias Orientais, onde ocupou diversos cargos. Trabalhou na reorganização do exército persa entre 1833 e 1839, e em 1843 foi nomeado agente político da Companhia das Índias Orientais na Arábia turca. Mais tarde Rawlinson serviu como cônsul-geral em Bagdá, onde além de suas funções oficiais participou de expedições arqueológicas e trabalhou na decodificação de tabuletas cuneiformes acadianas. Em 1856 ele voltou para a Inglaterra, e em 1858 foi eleito para integrar o Parlamento como membro do Partido Conservador. Rawlinson trabalhou brevemente como ministro britânico na Pérsia, onde era conhecido por sua atitude firme em relação à Rússia, que considerava uma ameaça crescente à segurança da Índia Britânica e aos interesses britânicos na região. Inglaterra e Rússia no Oriente, publicada em 1875, é uma coleção de cinco ensaios de Rawlinson sobre assuntos concernentes à Pérsia, ao Afeganistão e à Ásia Central, três dos quais são reimpressões de artigos apresentados na Calcutta Review e na Quarterly Review, e os outros dois escritos para este volume. Rawlinson se concentra na percepção da ameaça russa e argumenta que “caso a Rússia se aproxime de Herat, será indispensável para a segurança da Índia que retomemos a ocupação militar do oeste do Afeganistão...”.  O capítulo quatro da obra, “Ásia Central”, é a parte mais acadêmica e menos polêmica do livro, oferecendo uma visão abrangente da geografia de toda a região, que Rawlinson define como situada “entre o império russo, ao norte, e o império indiano-britânico, ao sul, incluindo, talvez, uma parte da província persa de Coração, ao oeste, e do Turquestão Oriental, ao leste”. Rawlinson oferece uma riqueza de detalhes sobre a região, extraída de todas as principais autoridades britânicas, russas, alemãs e francesas, bem como do conhecimento adquirido com suas próprias viagens e observações. O apêndice inclui textos inteiros ou extratos de tratados regionais que datam de 1853 a 1874.

Lembranças da campanha de Cabul, em 1879 e 1880

Lembranças da campanha de Cabul, em 1879 e 1880 é um relato em primeira mão da Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). O autor, Joshua Duke, foi um oficial britânico do Serviço Médico de Bengala, ligado ao “nosso exército autóctone na Índia”. A guerra começou em novembro de 1878, quando a Grã-Bretanha, temendo o que considerava ser uma crescente influência russa sobre o Afeganistão, invadiu o país partindo com suas tropas da Índia Britânica. A primeira fase do conflito terminou em maio de 1879, com o Tratado de Gandamak, que permitiu aos afegãos manterem sua soberania interna, mas os forçou a conceder o controle de sua política externa aos britânicos. Os confrontos recomeçaram em setembro de 1879, depois de uma revolta contra os britânicos em Cabul, que resultou na morte de Sir Louis Cavagnari, o residente britânico em Cabul, de um negociador do Tratado de Gandamak, e de quase todos os soldados britânicos na residência que ocupavam. A Força de Campo de Cabul, comandada pelo general Sir Frederick Roberts e composta por regimentos dos exércitos britânico e indiano, foi enviada a Cabul para restaurar a ordem e buscar vingança. Lembranças da Campanha de Cabul oferece um vívido relato de uma testemunha ocular sobre os principais incidentes da guerra, incluindo o sangrento cerco do Acantonamento de Sherpur em dezembro de 1879, em que as forças afegãs lançaram um ataque quase bem-sucedido sobre as forças anglo-indianas; a marcha de libertação de Cabul a Candaar em agosto de 1880; e a culminante Batalha de Candaar em setembro 1880, que pôs fim à guerra. Além de descrever as operações militares, Duke apresenta compreensões baseadas em sua perspectiva como médico oficial sobre, por exemplo, o tratamento de feridas por métodos tradicionais realizado pelas forças afegãs. O livro traz uma fotografia de Roberts como frontispício, e está ilustrado com mapas e desenhos de fortalezas e batalhas importantes. O apêndice contém uma explicação resumida das causas de ambas as guerras anglo-afegãs, o texto completo do Tratado de Gandamak e cópias das correspondências entre as autoridades russas e afegãs, encontradas pelos britânicos durante sua ocupação em Cabul.