27 de julho de 2016

Narrativa pessoal das campanhas em Afeganistão, Sind, Baluquistão etc., detalhada numa série de cartas do falecido coronel William H. Dennie

William Henry Dennie (de 1789 a 1842) foi um oficial do exército britânico que lutou na Primeira Guerra Anglo-Afegã de 1839 a 1842. Durante a ocupação anglo-indiana de Cabul em 1840, ele foi enviado com uma pequena tropa para combater o exército de Dost Mohammad Khan (de 1793 a 1863), ex-emir afegão destronado pelos britânicos, derrotando-o num combate travado em 18 de setembro em Bamiyan. Mais tarde Dennie assumiu o comando no lugar de Sir Robert Sale (de 1782 a 1845), que em outubro de 1841 acabou sendo ferido num combate contra insurgentes afegãos. Em 7 de abril de 1842 Dennie também se feriu em combate, morrendo pouco tempo depois. Narrativa pessoal das campanhas em Afeganistão, Sind, Baluquistão etc., detalhada numa série de cartas do falecido coronel William H. Dennie é uma obra que reúne cartas escritas por Dennie entre 11 de novembro de 1838 e 5 de dezembro de 1841, publicada após sua morte. Ele era um soldado combatente, conhecido por sua coragem e suas habilidades militares, e as cartas apresentam informações interessantes por conta dos relatos em primeira mão sobre as batalhas que ele liderou com tropas britânicas e indianas. Os apêndices apresentam textos de mensagens oficiais escritas por Dennie e correspondências com o governo da Índia, incluindo cartas sobre a vitória contra Dost Muhammad. O livro foi editado por William Steele, um parente de Dennie, e inclui um prefácio e uma introdução que traça a história dos afegãos desde os tempos bíblicos até o início do século XIX. O livro contém um mapa desdobrável, cujas rotas de marcha das unidades comandadas por Dennie estão coloridas à mão.

Diário dos desastres no Afeganistão, de 1841 a 1842

Lady Florentia Wynch Sale (de 1790 a 1853) era esposa de Sir Robert Henry Sale (de 1782 a 1845), um oficial do exército britânico que serviu na Índia e na Birmânia, e participou da infeliz invasão anglo-indiana no Afeganistão que desencadeou a Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). O objetivo da invasão era destronar o emir do Afeganistão, Dost Mohammad Khan, e substituí-lo por Shah Shuja‘, um ex-governante considerado mais pró-britânico. A tropa anglo-indiana que entrou no país superou rapidamente a resistência e ocupou Cabul e outras cidades importantes. Acreditando que os afegãos haviam sido pacificados, Sale, assim como outros oficiais britânicos e autoridades civis, mandou buscar sua esposa para se juntar a ele, primeiro em Jalalabad e depois em Cabul. Depois de um violento motim iniciado em 2 de novembro de 1841, os governos britânico e afegão firmaram um tratado em que os ocupantes anglo-indianos concordavam em evacuar o país e receberiam passagem segura durante seu retorno à Índia Britânica. O novo emir, Akbar Khan (de 1816 a 1845, no poder de 1842 a 1845), filho de Dost Muhammad, não respeitou os termos do tratado, e em janeiro de 1842 Lady Sale e sua filha, Alexandrina, foram capturadas como reféns, além de oficiais e soldados britânicos e outras mulheres e crianças. No total foram feitos 63 reféns, vários dos quais morreram em cativeiro. Depois de nove meses os reféns foram finalmente libertados, após subornarem o carcereiro afegão com uma grande quantia em dinheiro. Lady Sale, ferida na primeira luta e com uma bala em seu pulso, conseguiu carregar o diário que havia começado a escrever em setembro de 1841 em Cabul, realizando frequentes registros até a sua libertação em setembro do ano seguinte. Além da obra Operações militares em Cabul, encerradas com a retirada e o extermínio do exército britânico em janeiro de 1842, do tenente Vincent Eyre, o Diário dos desastres no Afeganistão, de 1841 a 1842, de Lady Sale, é um dos dois relatos em primeira mão do tormento vivido pelos reféns britânicos. Ambos os livros foram publicados em Londres em 1843. A autora relata as dificuldades enfrentadas pelos presos, os encontros tanto com afegãos amigáveis quanto hostis, as batalhas que ela testemunhou, e as negociações para libertar os prisioneiros. O livro contém um glossário de “Palavras persas, hindustâni [hindi] e outras orientais” usadas no texto e um plano desdobrável dos acantonamentos em torno de Cabul. O apêndice contém o texto do tratado entre as autoridades britânicas e afegãs, assinado em 11 de dezembro de 1841, referente à evacuação e à passagem segura. Após a publicação de seu diário, Lady Sale foi amplamente aclamada como heroína na Grã-Bretanha.

Projetos russos contra a Índia, do czar Pedro ao general Skobeleff

Henry Sutherland Edwards (de 1828 a 1906) foi um autor e jornalista britânico que, ao longo de uma extensa carreira trabalhou com diversos gêneros, produzindo peças de drama, obras de ficção e jornalismo sério. Em 1856 ele foi à Rússia como correspondente do Illustrated Times para cobrir a coroação do czar Alexandre II. Ele permaneceu em Moscou para estudar a língua e se casou com a filha de um engenheiro escocês que morava na Rússia. Sutherland desenvolveu um interesse permanente sobre assuntos relacionados à Rússia, escrevendo vários ensaios e artigos e diversos livros sobre temas russos. Projetos russos contra a Índia, do czar Pedro ao general Skobeleff é uma história sobre o interesse russo na Ásia Central e seus planos de expansão nesse território desde o tempo de Pedro, o Grande (de 1672 a 1725), até o final do século XIX. Reproduzindo o que na época já era uma opinião generalizada na Grã-Bretanha, Sutherland escreve no prefácio: “Os russos sempre realizaram expedições na Ásia Central (apoiadas, em momentos críticos, por intrigantes na Pérsia e no Afeganistão), não com objetivos de melhorar a fronteira, pois a fronteira russa no lado da Ásia Central nunca esteve sob ameaça, muito menos para fins comerciais, já que o valor gerado pelas exportações e importações entre a Rússia e os canatos é insignificante e muito aquém dos custos de ocupação e administração dos territórios russos na Ásia Central. Tais expedições, na verdade, visam apenas a fornecer aos russos uma posição estratégica para ameaçar e, na oportunidade certa, atacar a Índia”. Entre outras expedições russas registradas em detalhe, Sutherland apresenta a expedição de 1839 em Khiva do general Vasily Alexseevich Perovsky; a missão de 1858 à Khiva e à Bucara do coronel Nikolai Pavlovich Ignatiev; e a expedição de 1872 a 1873 em Khiva do general Konstantin Petrovich von Kaufman. O capítulo final, “Projetos para a invasão da Índia”, discute vários esquemas diferentes apresentados por escritores militares russos na segunda metade do século XIX para os avanços russos na Índia pelo Afeganistão. O livro contém um mapa desdobrável colorido da fronteira russo-afegã.

História dos Afegãos

Joseph Philippe Ferrier (de 1811 a 1886) foi um soldado francês que serviu como instrutor militar no exército da Pérsia (atual Irã) de 1839 a 1842 e depois de 1846 a 1850. Foi enviado à Europa numa missão diplomática pelo governante qajar Muhammad Shah (1808 a 1848, no poder de 1834 a 1848), mas caiu no desgosto do xá e teve que deixar a Pérsia. Ferrier voltou para o serviço persa em 1846, após realizar uma perigosa viagem por terra de 1844 a 1846 pelo Afeganistão e pela Pérsia. Enquanto trabalhava para o exército persa, enviava relatos ao governo francês e buscava promover os interesses franceses na rivalidade com a Grã-Bretanha e a Rússia pela influência no país. Ferrier produziu duas importantes obras baseadas em pesquisas históricas e em observações pessoais. Andanças e Caravanas na Pérsia, no Afeganistão, no Turquestão e no Baluquistão foi publicada em Londres em 1857; a edição francesa, Voyages et aventures en Perse, dans l’Afghanistan, le Beloutchistan et le Turkestan apareceu somente em 1870. O livro que apresentamos aqui, História dos Afegãos, foi publicado em Londres em 1858 e é uma tradução inglesa, produzida pelo capitão William Jesse, um oficial britânico, dos manuscritos de Ferrier. O livro não teve edições publicadas em francês. A obra conta a história dos afegãos desde a antiguidade até 1850. Ferrier narra a ascensão do poder britânico no sul da Ásia, fato que, do ponto de vista francês, ele lamenta. Na passagem final do livro, ele observa que os territórios de Peshawar, no norte, e de Shikarpur, no sul, proporcionavam aos britânicos o controle do rio Indo, e conclui: “Estes são as têtes-de-pont [cabeças de pontes], que comandam a passagem daquele rio, e fornecem ao governo anglo-indiano o poder de exercer o nível mais alto de influência sobre a política dos chefes de Candaar e Cabul. Que a Europa jamais tenha motivos para se arrepender de ter permitido a realização de tais conquistas, que darão à Grã-Bretanha e à Rússia todo o poder sobre este planeta”. O livro contém um mapa desdobrável detalhado.

História da Guerra no Afeganistão

Em 1851, Sir John William Kaye (1814 a 1876) publicou uma História da Guerra no Afeganistão, uma obra em dois volumes. Aqui presentamos a edição “revista e corrigida” da mesma obra, publicada em três volumes entre 1857 e 1858. Conforme explicado pelo autor no prefácio, a segunda edição apresenta basicamente o mesmo conteúdo da primeira, mas traz correções e melhor organização com base em pesquisas adicionais e em informações enviadas pelos leitores da primeira edição. Kaye também comenta que, em sua opinião, a apresentação do mesmo material em três volumes, em vez de dois, é uma grande melhoria: “Duvido que exista uma série de eventos em toda a história que se enquadre com mais naturalidade [que a Primeira Guerra Anglo-Afegã] em três grupos distintos, oferecendo a épica integralidade de um começo, um meio e um fim para toda a Obra”. Kaye foi um ex-oficial do exército da Companhia das Índias Orientais que em 1841 abriu mão de seu cargo para se dedicar exclusivamente à atividade literária de história militar. Entre outras obras de sua autoria temos um romance baseado na guerra, Longas Batalhas: um Conto da Rebelião Afegã (1846), e várias outras grandes obras históricas, como Vida e Correspondências do major-general Sir John Malcolm (1856), e sua grandiosa obra História da Guerra dos Sipais na Índia, de 1857 a 1858 (entre 1864 e 1876), em três volumes.

Akbar e os Jesuítas, um Relato das Missões Jesuíticas à Corte de Akbar

Akbar e os Jesuítas, um Relato das Missões Jesuíticas à Corte de Akbar é uma tradução parcial de uma obra escrita e compilada pelo padre jesuíta Pierre Du Jarric, publicada na França entre 1608 e 1614. O título completo da grandiosa obra de Du Jarric é Histoire des choses plus memorables advenves tant ez Index Orientales, que autres païs de la descouverte des Portugais, en l’establissement et progrez de la foy Chrestienne at Catholique: et principalement de ce que les Religieux de la Compagnie de Iésus y ont faict, & endure pour la mesme fin;depuis qu’ils y sont entrez iusqu’à l’an 1600. Du Jarric não era viajante nem missionário; a obra é compilada com base em outras fontes, como livros, cartas e relatórios em português, espanhol, latim e francês. A Histoire de Du Jarric é apresentada em três partes (volumes), com dois livros em cada parte, e aborda as missões jesuíticas à Índia e ao sudeste da Ásia, à África, ao Brasil e ao Império Mogol. Aqui apresentamos a tradução dos textos originais do Livro IV da Parte II e do Livro V da Parte III, que tratam do Império Mogol, e especificamente dos eventos durante a vida do imperador Akbar, incluindo as três missões jesuíticas à sua corte realizadas antes de 1600. Jalal al-Din Muhammad Akbar (de 1542 a 1605), também conhecido como Akbar, o Grande, foi o imperador mogol que governou a Índia de 1556 a 1605. Akbar nasceu e foi criado como sunita ortodoxo; no entanto, exerceu tolerância religiosa, limitou o poder do clero islâmico em assuntos políticos e legais, e deu início a discussões sobre religião com uma variedade de muçulmanos, incluindo estudiosos xiitas e dervixes sufis, e com o tempo incluiu hindus, jainistas, pársis e cristãos. Du Jarric relata várias conversas entre Akbar e padres jesuítas, e também a esperança que os padres, no final desapontados, tinham de ver o imperador se converter ao cristianismo. O livro contém anotações detalhadas nos capítulos e apresenta ilustrações com pinturas em preto e branco do Museu Britânico e do Victoria and Albert Museum em Londres. O livro fazia parte de Os viajantes do mundo, uma série de relatos de viagem clássicos publicada entre 1926 e 1937 por George Routledge & Sons, em Londres. Esta edição americana foi publicada em Nova York por Harper & Brothers.