27 de julho de 2016

Poesia Afegã do Século XVII

Khushal Khan Khatak (também conhecido como Khwushhal, de 1613 a 1689) foi um célebre poeta-guerreiro, com frequência chamado de o poeta nacional do Afeganistão. Ele nasceu perto de Peshawar, e era filho de Shahbaz Khatak, chefe da tribo khatak. Por designação do imperador mogol Shah Jahan, em 1641 Khushal sucedeu seu pai como chefe da tribo, mas foi preso com a chegada do poderoso e cruel sucessor de Shah Jahan, o imperador Aurangzeb (no poder de 1658 a 1707). Mais tarde recebeu autorização para voltar a Peshawar, onde incitou os pashtuns a se unirem e rebelarem-se contra o domínio mogol. Poesia Afegã do Século XVII é uma seleção de poemas de Khatak, editados e compilados por C. E. Biddulph do Trinity College, em Cambridge. O livro contém uma introdução sobre a história do Afeganistão e do poeta Khatak, uma introdução gramatical que explica os fundamentos da linguagem pastó, traduções inglesas de uma seleção de poemas de Khatak, e os textos originais em pastó escritos em caligrafia persa. As traduções são de Biddulph ou reproduzidas com base nas Seleções da Poesia Afegã do Século XVI ao XIX (1862), de H. G. Raverty. Na introdução, Biddulph escreve que os poemas de Khatak “são peculiares ao caráter nacional e às circunstâncias de sua vida; eles contêm a mistura mais extraordinária de sentimentos bélicos, para não dizer sanguinários, e os de natureza filosófica, religiosa ou emocional. Num mesmo poema podemos encontrar as expressões simples e mais encantadoras de seu apreço pelas belezas da natureza e pelos benefícios do Criador, os júbilos mais sangrentos sobre a derrota de seus inimigos, mesmo quando estes são seus próprios compatriotas, e reflexões de uma descrição moralizante que demostra o quanto pensou sobre tais assuntos”.

Táticas agressivas: Inglaterra - Afeganistão

Táticas agressivas: Inglaterra - Afeganistão é um ensaio de 50 páginas de um autor não identificado sobre a política externa britânica, em específico a política sobre o Afeganistão, publicado durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). A guerra começou durante o governo conservador de Benjamin Disraeli (Lord Beaconsfield), que foi primeiro-ministro entre fevereiro de 1874 e abril de 1880. Disraeli foi precedido pelo liberal William Gladstone (no cargo de dezembro de 1868 a fevereiro de 1874). Escrito do ponto de vista liberal, o ensaio faz um ataque às políticas de Disraeli e defende as políticas de Gladstone. A obra começa discutindo as relações anglo-russas e a Questão Oriental, ou seja, o destino do Império Otomano, lembrando que a “política conservadora no Afeganistão tem sido dirigida pelos desejos dos Tories e pelas vigilâncias na Turquia na Europa”. O restante do conteúdo defende a política britânica de Gladstone no Afeganistão e critica a política de Disraeli, que, segundo o panfleto, alienou sem necessidade o emir do Afeganistão, Sher Ali (no poder de 1863 a 1866 e de 1868 a 1879), e culminou numa guerra inútil e dispendiosa. Os argumentos apresentados refletem as calorosas discussões na imprensa e no parlamento da Grã-Bretanha durante a década de 1870, enquanto os partidos debatiam sobre como reagir ao expansionismo russo na Ásia Central e se os movimentos russos representavam uma ameaça à Índia Britânica pelo Afeganistão. O autor acusa o governo de Disraeli de ferir a Constituição tácita inglesa ao submeter “o país a uma nova linha de ação política sem consultar o Parlamento”. O ensaio conclui com pedidos pela reforma do sistema político britânico, que precisa garantir que a política externa e interna sejam conduzidas para o “bem geral de todas as pessoas”, e não para o benefício de interesses privados.

A questão russo-afegã e a invasão da Índia

George Bruce Malleson foi um historiador militar e oficial do exército britânico que serviu na Índia e escreveu bastante sobre a história da Índia e do Afeganistão. Uma de suas principais obras foi a História do Afeganistão, de seus Primórdios até a Eclosão da Guerra de 1878, uma história política e militar do Afeganistão publicada em Londres em 1879, pouco tempo depois do início da Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). A questão russo-afegã e a invasão da Índia, publicada seis anos mais tarde, apresenta o mesmo tema que o livro anterior, ou seja, a importância estratégica do Afeganistão para o Império Britânico como barreira contra o expansionismo russo e a crescente ameaça russa ao Afeganistão e, consequentemente, à Índia. O estímulo imediato para Malleson escrever o segundo livro foi a anexação russa de Merv (no atual Turcomenistão) e a formação de uma comissão de fronteira anglo-russa conjunta para estabelecer a fronteira norte do Afeganistão. O autor argumenta que os territórios recém-tomados pela Rússia pertenciam historicamente ao emir do Afeganistão e deveriam ser devolvidos a ele. O principal ponto estratégico, analisa Malleson, é Herat, “o reduto afastado da Índia” e em sua opinião o próximo alvo da campanha expansionista russa. Malleson exige uma resposta enfática contra a ameaça da Rússia e principalmente a concentração de “todas as nossas tropas disponíveis no Vale Pishin, prontas para avançar imediatamente” em direção a Herat. O capítulo nove, “Os exércitos de ambos os lados”, apresenta um relato detalhado do tamanho, da composição e da força das unidades militares russas instaladas na Ásia Central, e das tropas britânicas e indianas dispostas a protegerem a Índia. O livro que apresentamos aqui é a segunda edição de A Questão Afegã-Russa e a Invasão da Índia, publicada em 1885.

Causas da Guerra Afegã

Causas da Guerra Afegã é uma compilação de documentos reunidos pelo Comitê Afegão do Parlamento Britânico para examinar os eventos que antecederam a Segunda Guerra Anglo-Afegã, que iniciou em novembro de 1878 e foi até setembro de 1880. O comitê era formado por membros do Parlamento de todos os partidos que criticaram o sigilo com que o governo britânico iniciou a guerra e suas razões para o conflito, conforme declarado no prefácio: “Acreditamos que esta guerra seja injusta; e é certo que a injustiça, mais cedo ou mais tarde, traz consigo a destruição. Acreditamos que mesmo que fosse por uma causa justa, ainda assim a guerra seria desaconselhável; pois a política que a originou é imprudente, e ameaçará nosso governo na Índia”. O propósito do livro é ajudar o público britânico em geral a entender a guerra, disponibilizando ao povo os mesmos documentos (“papéis”) apresentados pelo Governo ao Parlamento ou reunidos pelo Comitê Afegão no decorrer de suas próprias investigações. A obra se divide em três partes. A primeira lida com as causas da Guerra Anglo-Afegã, começando com eventos em 1855 e momentos que antecederam o conflito em 1878. A segunda parte trata da ocupação anglo-indiana em Quetta (no atual Paquistão) em 1876 e sua incorporação na Índia Britânica. A terceira parte, intitulada “Inglaterra e Rússia na Ásia Central”, fala sobre o acordo entre os governos britânico e russo em 1876 em relação às suas respectivas esferas de influência na Ásia, e a quebra desse acordo como consequência da disputa pela influência no Afeganistão. Os textos aqui reproduzidos incluem mensagens diplomáticas, correspondências entre as autoridades britânicas e indiano-britânicas e suas homólogas afegãs e russas, artigos ou relatórios de jornais e revistas, e outros documentos extraídos de uma série de “Livros azuis” (assim chamados porque eram impressos com capas de papel azul) do Parlamento sobre o Afeganistão e a Ásia Central. Os textos são elucidados e comentados numa forma de narrativa escrita anonimamente.

Gramática e Vocabulário de Pastó Waziri

Gramática e Vocabulário de Pastó Waziri é um livro destinado a oficiais britânicos conhecedores de pastó de Peshawar e com interesse em aprender o pastó falado no distrito de Bannu e no Waziristão (no atual Paquistão). O autor, um comissário político no exército da Índia Britânica, menciona a notável diferença na forma como a língua é falada nas duas localidades, arriscando-se ao dizer que a diferença “não é menor do que a que separa o scots do cockney, e essa variedade está presente tanto na gramática e nas expressões quanto no vocabulário”. Após um resumo da gramática waziri, a maior parte do livro é composta por um vocabulário, que apresenta uma lista de palavras waziris transliteradas em ordem alfabética com seus equivalentes em inglês. O livro se limita a ensinar o aluno a falar e a compreender a fala, descartando estudos do alfabeto pastó e da língua escrita. Dois apêndices fornecem exemplos de um texto em inglês traduzido para o pastó waziri, e um texto pastó waziri traduzido para o inglês. Um terceiro apêndice, intitulado “Algumas características importantes dos waziris”, discute as qualidades do povo do Waziristão de acordo com a opinião do autor, que acredita terem sido formados pela natureza acidentada e intransitável do território em que vivem. Entre os temas discutidos neste ensaio estão a prática religiosa islâmica e o papel das mulheres na sociedade waziri. Atualmente o pastó waziri é falado no Waziristão, em Bannu, no Paquistão e partes adjacentes do Afeganistão. O livro foi publicado em Calcutá, na Índia, pelo governo da Índia.

Fronteiras do Baluquistão

George Passman Tate foi um superintendente assistente do Serviço de Levantamento Topográfico da Índia que liderou as pesquisas realizadas por duas missões que definiram grande parte das fronteiras do Afeganistão: a Comissão de Fronteiras Baluque-Afegã de 1895 a 1896 e a Missão de Arbitragem ao Seistão de 1903 a 1905. A primeira dessas pesquisas tinha como objetivo delimitar a chamada Linha Durand, a fronteira entre o Afeganistão e a Índia Britânica (no atual Paquistão), que foi negociada durante a missão de 1893 a Cabul empreendida por Sir Mortimer Durand, do governo indiano, e representada por um acordo assinado por Durand e pelo governante do Afeganistão, emir ‘Abd al-Rahman Khan. A segunda pesquisa ocorreu em Seistão ou Sistão, uma região que abrange o leste do Irã e o sul do Afeganistão (e partes do Paquistão). Essa missão ocorreu após os governos de Cabul e Teerã solicitarem que a Grã-Bretanha arbitrasse a fronteira entre os dois países nesta área. O livro apresenta uma introdução escrita pelo coronel Sir Henry McMahon, o comissário britânico em ambas as missões. O relato de Tate sobre a missão ao Seistão compõe a maior parte do livro. Ele descreve a viagem por terra de Quetta (no atual Paquistão) ao leste do Irã e a região do pantanoso Hamun-i Helmand (atual Daryacheh-ye Hamun), alimentado pelo rio Helmand. Tate fornece descrições vívidas do clima severo e hostil, do famoso “Vento de 120 dias”, e do povo, da economia e das condições sociais da região. O último capítulo é dedicado ao rio Helmand. O livro inclui ilustrações e dois mapas desdobráveis, um da rota das viagens de Tate e outro da região de Daryacheh-ye Hamun. Tate descreve o trabalho dos grupos de levantamento topográfico, mas apresenta poucas informações sobre a política que envolve a delimitação das fronteiras, um assunto que, como exprimiu Sir Henry McMahon em sua introdução, o autor “se sentiu impedido de tocar”. Tate apresentou uma série de relatórios oficiais nos quais esses temas foram discutidos.