27 de julho de 2016

A Oferta Generosa

Tuḥfah-i Amīrī (A Oferta Generosa) é um livro sobre pólvora publicado no final do século XIX no Afeganistão. O autor, Gul Muhammad Khan Barakzayi, dedica a obra ao governante afegão Amir ʻAbd al-Rahman Khan (no poder de 1880 a 1901). A introdução informa as proporções dos componentes da pólvora (salitre, carvão vegetal e enxofre), utilizada em países europeus, como Grã-Bretanha, França, Alemanha, Áustria e Suécia. O corpo principal do livro se restringe a dois capítulos, cada um dividido em seções. O primeiro capítulo aborda temas relacionados às características físicas e químicas da pólvora, como composição, teor de água e dureza. O segundo capítulo trata da fabricação industrial da pólvora, mas Barakzayi conclui esse capítulo com seções sobre a fabricação e o armazenamento de dinamite, invenção que antecede o livro por aproximadamente três décadas. O livro apresenta uma lista de possíveis elementos que seriam usados como agentes estabilizadores para a dinamite: diatomito, conhecido como Kieselguhr (extraído em Hanôver, na Alemanha, conforme observa o autor), serragem e papel. Em sua introdução, Barakzayi associa a pólvora ao progresso europeu, mas escreve um breve relato afirmando que o composto se originou no Oriente. Numa interpretação bem confusa, ele escreve que a pólvora, no entanto, já era usada pelos árabes antes do nascimento de Cristo, sendo só mais tarde levada à Europa, durante a era sassânida (de 224 a 651). O livro foi publicado em 1315 A.H. (de 1897 a 1898) em Cabul pela gráfica Dar al-Saltana.

Memorial de Calígrafos

Taz̲kirat al-khaṭṭāṭīn (Memorial de Calígrafos) é um livro de versos na forma mathnawi. Esse tipo de poesia se baseia num esquema de dísticos individualmente rimados e aparece em muitas obras importantes da literatura persa. O autor, Muhammad Idris Khvajah Raji Bukhari (falecido em 1919 ou 1920), foi um erudito da lendária cidade de Bucara (no atual Uzbequistão), capital do emirado de Bucara. Conforme revela o título do livro, a obra é do gênero tazkira (memorial), e Raji Bukhari também inclui o nome e breves relatos da vida e da obra dos calígrafos bucaranos de sua época. Esses esboços biográficos resumidos sucedem uma descrição extensa e extravagante sobre a arte da caligrafia propriamente dita, e as diversas proporções e formas do alfabeto persa. Raji Bukhari conclui sua obra com uma lista de curtas referências a vários ramos do conhecimento, incluindo lógica e gramática. O manuscrito, em escrita nasta‘liq, foi copiado em 1908 e 1909, possivelmente no Afeganistão. O escriba, Katib Kuchak Bukhari, comenta que baseou seu texto no divã (ou coletânea de obras) de Raji Bukhari. Bucara ficou sob o controle do Império Russo durante a segunda metade do século XIX. Em 1920, após a Revolução Russa de 1917, o país foi declarado República Popular Soviética de Bucara, passando logo depois a fazer parte da República Socialista Soviética do Uzbequistão.

Espelho do Mundo

Mirʼāt al-arz̤ (Espelho do Mundo) é um texto sobre geografia, escrito para estudantes afegãos. A obra começa com uma discussão sobre temas gerais, como a forma da Terra e seu movimento de rotação e translação, os grandes círculos e a longitude geográfica. Em seguida, apresenta informações sobre cada continente, listando suas áreas e as cidades e os países “bem-conhecidos” de cada continente. Mais à frente, o autor apresenta e discute a fronteira nas direções cardeais, a capital, o nome do governante, os comentários sobre o método de governo, sua riqueza econômica e o tamanho do exército de cada país listado. O livro termina com um glossário de termos geográficos comuns, como golfo, península e assim por diante. A obra não contém mapas ou ilustrações, e foi publicada em 1905 e 1906, durante o reinado de Habibullah Khan (no poder de 1901 a 1919). Não há registros do autor.

O Deleite das Assembleias

Ṭarab al-majālis (O Deleite das Assembleias) é um livro de aconselhamento moral escrito no século XIII por Husayn ibn ʻAlim, também conhecido como Mir Husayni Haravi (de 1272 ou 1273 a aproximadamente 1317), um sufi de renome. Nascido em Ghor (no atual Afeganistão), o autor aparentemente passou grande parte de sua vida adulta nas proximidades de Herat, o que explica a origem do nome Haravi. A obra está dividida em cinco seções: criação; várias classes de seres humanos; a superioridade do homem aos animais; comportamento ético; e vícios. A edição que apresentamos aqui é uma impressão litográfica produzida em 1914 e 1915 em Tashkent, no Turquestão Russo (atual Uzbequistão), durante os últimos anos do império czarista. A obra foi publicada na gráfica Yakovlev, conhecida por imprimir obras em persa e em outras línguas não europeias durante as primeiras décadas do século XX. O livro sofreu danos consideráveis em várias de suas páginas iniciais e finais, e foi parcialmente reparado.

Livro de Regras para Padrões de Medição

Niẓāmnāmah-ʼi miqyāsāt (Livro de Regras para Padrões de Medição) trata da padronização de sistemas de medição referentes ao comprimento, ao peso e à moeda. A obra foi publicada no Afeganistão durante o reinado de Amanullah Khan (de 1919 a 1929), em cujo governo o Afeganistão conquistou sua plena independência da Grã-Bretanha. O livro fornece nomes para subdivisões e múltiplos das unidades de comprimento e peso do sistema métrico (ou seja, o metro e o grama), mas não dá informações sobre a conversão dessas novas unidades para as unidades de medida tradicionais, como o dharʻ, de comprimento, e o mithqal, de peso. A introdução dos novos padrões, por sua vez, tomou como base protótipos oficiais enviados a vários locais no Afeganistão e usados como pontos de referência. Em relação à moeda, porém, o livro apresenta taxas de conversão para a nova unidade monetária, o afegane, uma moeda de prata pesando dez gramas que substituiu a rupia afegã (a uma cotação de 11 rupias afegãs para 10 afeganes). Também aparecem na lista duas moedas de ouro, o amani e o meio amani, nomeados em homenagem ao governante afegão, valendo 20 afeganes e 10 afeganes, respectivamente. A obra inclui um calendário de implementação, exigindo que o projeto de conversão seja concluído até a primavera de 1929, e adverte que as sanções não especificadas serão impostas àqueles que não realizarem a conversão para o novo sistema. Em março de 1926 a gráfica Rafiq em Cabul publicou 50 cópias da obra. Não se sabe quem é o autor, mas o livro está carimbado com o selo oficial de Amanullah Khan. Niẓāmnāmah-i albisah-i ʼaskarīyah (Livro de Regulamento do Uniforme Militar), uma obra um pouco mais antiga sobre regulamentos de uniformes militares durante o reinado de Amanullah Khan, parece demonstrar uma preocupação semelhante em torno da padronização como peça-chave para o progresso.

Narrativa de Várias Viagens em Baluquistão, Afeganistão, Panjab e Kalat

Charles Masson (pseudônimo de James Lewis) foi um viajante, explorador e o primeiro europeu a reconhecer o patrimônio arqueológico do Afeganistão. Pouco se conhece sobre o início de sua vida. Ele nasceu em Londres em 1800 e tudo indica que recebeu uma boa educação, estudando matérias como latim, grego e francês. Após uma discussão com seu pai, em 1821 ele se alistou como soldado de infantaria no exército da Companhia das Índias Orientais. No início de 1822 viajou para Bengala, e em julho de 1827 abandonou seu regimento, mudou de nome e viajou para o oeste a fim de escapar da jurisdição britânica. Depois de vaguear por Rajasthan e pelo território independente dos sikh, Masson atravessou o Afeganistão pelo Passo Khyber. Ao longo da década seguinte viajou extensivamente por todo o Afeganistão. Ele também passou tempo na Pérsia (atual Irã) e em Sind (no atual Paquistão). Masson começou suas explorações arqueológicas em 1832 com uma pesquisa das cavernas budistas em Bamiyan. Em 1833 descobriu as ruínas da antiga cidade de Alexandria no Cáucaso, fundada por Alexandre, o Grande. Ele coletou mais de 80.000 moedas de prata, ouro e bronze e contribuiu de forma especial para a ciência ao perceber a importância de moedas de bronze bilíngues, cujas inscrições gregas puderam ser utilizadas para decodificar escritas desconhecidas exibidas no verso. As autoridades britânicas descobriram a verdadeira identidade de Masson, mas ele foi perdoado, em reconhecimento de seu trabalho arqueológico e pelas valiosas informações fornecidas sobre o Afeganistão. Em outubro de 1838 ele deixou o Afeganistão. Vivendo em Karachi, Masson escreveu um relato de suas investigações arqueológicas e concluiu sua obra de três volumes: Narrativa de Várias Viagens em Baluquistão, Afeganistão e Panjab, publicada em Londres em 1842. Com a primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842) a caminho, no início de 1840 ele tentou retornar a Cabul, mas foi capturado durante o cerco de uma revolta no canato de Kalat (no atual Paquistão), onde permaneceu preso por um tempo como espião. Em janeiro de 1841, logo após ser libertado Masson escreveu Narrativa de uma Viagem para Kalat, publicada em Londres em 1843. Em 1844, sua editora relançou Narrativa de Várias Viagens, com Narrativa de uma Viagem para Kalat adicionada como um quarto volume da edição original. O volume quatro inicia com um grande mapa desdobrável que mostra as viagens de Masson. Aqui apresentamos a edição completa de 1844.