Dicionário das tribos pathanes na fronteira noroeste da Índia

Pathanes ou pachtuns (também conhecidos como pachtos e pastós), são povos que habitavam a região ao longo da fronteira entre a Índia Britânica e Afeganistão. Atualmente, constituem o maior grupo étnico no Afeganistão e o segundo maior no Paquistão. Durante grande parte do século XIX e início do século XX, a Índia Britânica procurou controlar as áreas pastós, buscando proteger a fronteira noroeste da Índia com o Afeganistão. Dicionário das tribos pathanes na fronteira noroeste da Índia foi compilado por James Wolfe Murray (de 1853 a 1919), um oficial britânico que na época servia como intendente-geral adjunto da agência de inteligência na Índia. A obra foi publicada em Calcutá em 1899, e fornece um índice detalhado das tribos pastós e suas subdivisões, mas não traz detalhes sobre a história ou a genealogia pastó. O dicionário utiliza uma classificação hierárquica que, de cima para baixo, apresenta a seguinte ordem: tribo, clã, divisão do clã, subdivisão da divisão, seção da subdivisão, e outras frações menores da seção. As entradas estão em ordem alfabética e são apresentadas por entidade, da menor até a maior. O local da tribo, do clã ou da divisão é informado entre parênteses. Os números entre parêntesis que acompanham algumas entradas indicam a quantidade de guerreiros na divisão ou fração indicada. O dicionário conclui com uma nota explicativa sobre os vários títulos e denominações espirituais utilizados pelos pastós, e um mapa colorido que mostra as fronteiras tribais.

A Vida de Abdur Rahman, Emir do Afeganistão

ʻAbd al-Rahman Khan (de 1844 a 1901) governou o Afeganistão de 1880 a 1901. Ele era neto de Dost Mohammad Khan (no poder de 1826 a 1839 e de 1845 a 1863), fundador da dinastia Barakzai do Afeganistão após a queda da dinastia Durrani e o fim da Primeira Guerra Anglo-Afegã em 1842. Depois de vários anos exilado na Ásia Central, Rahman assumiu o poder no Afeganistão apoiado pelos britânicos, de quem mais tarde recebeu suporte financeiro, político e militar. A Vida de Abdur Rahman, Emir do Afeganistão é uma obra de dois volumes, editada e traduzida do original persa por Mir Munshi Sultan Mohamed Khan, ex-secretário de estado do emir. O volume um é composto por 12 capítulos, sendo os 11 primeiros uma narrativa autobiográfica da vida do emir até sua ascensão ao trono, no final da Segunda Guerra Anglo-Afegã, e de seus primeiros anos como governante, nos quais consolidou seu domínio sobre o país ao derrotar os hazaras e conquistar o Kafiristão. O último capítulo do primeiro volume e os oito capítulos do volume dois são observações e reflexões de ʻAbd al-Rahman Khan sobre vários assuntos, conforme transmitidas pelo sultão Mohamed Khan. Os títulos de alguns desses capítulos indicam a variedade dos tópicos abordados: “Meu sucessor ao trono de Cabul”; “Meios que usei para estimular o progresso comercial, industrial e artístico”; “Alguns detalhes da minha vida diária”; “Fronteiras do Afeganistão e missão Durand”; “O futuro do Afeganistão”; e “Inglaterra, Rússia e Afeganistão”. O livro inclui um prefácio do sultão Mohamed Khan, onde apresenta detalhes sobre a composição do livro, e acrescenta dizendo que “desde o tempo dos grandes imperadores mogóis, Tamerlão, Babur, Akbar etc., nenhum soberano muçulmano escreveu sua autobiografia de uma maneira tão explícita, interessante e lúcida como o emir o fez...”. O livro contém ilustrações, uma tabela genealógica dos Barakzais e vários mapas.

Sul do Afeganistão e Fronteira Noroeste da Índia

Sul do Afeganistão e Fronteira Noroeste da Índia é um panfleto com duas obras separadas: “Sul do Afeganistão. Rota Tal-Chotiali”, e um artigo intitulado “Fronteira Noroeste da Índia”. A primeira obra é uma reedição de dois artigos que apareceram pela primeira vez na Army and Navy Magazine, discutindo a importância da rota Tal-Chotiali como uma conexão entre o sul do Afeganistão e a Índia Britânica. O autor, Griffin W. Vyse, defende a permanência de tropas britânicas em Tal (no atual Paquistão), a fim de controlar o terminal leste dessa rota que vai da Índia até Candaar via Pishin. Vyse serviu como engenheiro de campo em parte da Força de Campo de Tal-Chotiali, no sul do Afeganistão, durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880), e baseia seu argumento em informações obtidas de seu serviço no campo. Ele começa com uma discussão geral sobre as passagens da Índia para o Afeganistão e observa que, até bem recentemente, escritores europeus conheciam apenas três dessas passagens: Khyber, Gulairi (ou Gomal), e Bolan, e aponta a existência de muitas outras, incluindo 92 passagens só no território afegão na fronteira com o Baluquistão, dos quais argumenta que a rota Tal-Chotiali é a mais importante. A obra contém uma discussão detalhada da geografia da região, com muitas referências históricas para as rotas utilizadas por líderes militares, citando o imperador Babur em 1505, para atravessar as montanhas que separam o Afeganistão e da Índia. O segundo artigo é um severo ataque sobre a importância atribuída pela política britânica aos distritos da Fronteira Noroeste, que Vyse comenta serem muito mais pobres e difíceis de controlar do que o Baluquistão e o sul do Afeganistão. O panfleto traz o subtítulo “Refutação dos erros cometidos no Parlamento”, e é dedicado ao marquês de Hartington, secretário de estado na Índia. O documento contém o esboço de um grande mapa desdobrável do sul do Afeganistão e do norte do Baluquistão desenhado por Vyse, mostrando a rota Tal-Chotiali.

Inglaterra e Rússia na Ásia Central

Demetrius Charles Boulger (de 1853 a 1928) foi um orientalista britânico que escreveu bastante sobre temas voltados principalmente para o Império Britânico. Em parceria com Sir Lepel Henry Griffin (de 1838 a 1908), administrador britânico na Índia, ele fundou a Asiatic Quarterly Review, onde por um tempo trabalhou como editor. Aqui apresentamos a obra Inglaterra e Rússia na Ásia Central em dois volumes de Boulger, publicada em 1879, durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). Boulger era um imperialista impenitente com fortes visões antirrussas. Neste livro, ele prevê uma “iminente” guerra anglo-russa, argumentando que a Grã-Bretanha deveria agir enquanto ainda é “forte suficiente para resolver totalmente a Questão da Ásia Central em nosso próprio favor”. O volume um é em grande parte dedicado a assuntos referentes à Rússia. Seus 11 capítulos abordam temas como as mais recentes explorações russas na Ásia Central, o rio Amu Dária, governo russo do Turquestão, a força militar russa na Ásia Central, e as relações da Rússia com Khiva e Kokand, Bucara e Pérsia. Este volume contém sete anexos com documentos oficiais, incluindo os textos dos tratados assinados entre a Rússia e os canatos de Khiva e Bucara. Um “mais recente” mapa oficial russo da Ásia Central também acompanha o volume um, encontrado no final da obra. O volume dois trata de assuntos relacionados principalmente à Grã-Bretanha e à Índia Britânica, e contém dez capítulos, abordando tópicos como recentes explorações britânicas na Ásia Central, exército anglo-indiano, Afeganistão, e Inglaterra e Pérsia. O capítulo final, “A rivalidade entre Inglaterra e Rússia”, resume os principais argumentos e adverte sobre as intenções russas. Dois apêndices exibem os textos dos tratados de Gulistan e Turcomanchai, impostos pela Rússia sobre a Pérsia da dinastia Qajar em 1813 e 1828, respectivamente. Um terceiro apêndice, intitulado “Opinião pública francesa sobre a Inglaterra e a Rússia na Ásia Central”, contém uma avaliação da situação estratégica na região publicada na primavera de 1878 pelo influente jornal francês Le Journal des Débats. No início do volume dois também há um mapa desdobrável da Pérsia e do Afeganistão. No fim, a guerra anglo-russa predita por Boulger jamais ocorreu, pois a Rússia nunca ameaçou seriamente a Índia e eventos posteriores, como a Guerra Russo-Japonesa (de 1904 a 1905), a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa, mudaram o foco de ambas as potências para outras regiões.

A Questão Afegã

A Questão Afegã é um panfleto que registra o texto de um discurso proferido em 11 de novembro de 1878 por Thomas George Baring, primeiro conde de Northbrook (de 1826 a 1904), em Winchester, no Reino Unido. Northbrook foi um político liberal de destaque que serviu como vice-rei da Índia de 1872 a 1876. Durante seu governo, foi contra as sugestões, cada vez mais fortes em Londres, de combater a expansão russa na Ásia Central mediante esforços britânicos para proteger as fronteiras do noroeste da Índia, talvez até expandindo para o Afeganistão. Em seu discurso, Northbrook analisa a história da política britânica sobre o Afeganistão desde 1840 e o fim da Primeira Guerra Anglo-Afegã em 1842, e em especial sua própria política, como vice-rei, de não pressionar a realização de uma missão residente britânica em Cabul ou insistir que o governante do Afeganistão recebesse oficiais britânicos em sua corte. Em seguida ele analisa a polêmica surgida no verão de 1878, quando em Londres chegaram as notícias de que em 22 de julho a missão russa havia alcançado Cabul. As autoridades britânicas imediatamente decidiram enviar uma missão própria à capital afegã, que em 21 de setembro foi impedida de entrar no país por autoridades afegãs no Passo Khyber. Os britânicos então enviaram um ultimato ao governante do Afeganistão, o emir sher Ali Khan, apresentando certas exigências que caso não fossem atendidas resultariam numa guerra marcada para começar em 20 de novembro. Northbrook repreende o governo pela falta de interesse em averiguar as intenções tanto dos russos quanto dos afegãos, por se comunicar com o emir de forma inadequada, e por usar a controvérsia resultante das missões como pretexto para iniciar uma guerra. Ele encerra o discurso perguntando “se a guerra é justa, e se é necessária”, e conclui dizendo que “em relação a essas duas questões essenciais, lamento dizer que é impossível para mim, no estado atual das informações diante do público, pronunciar uma opinião decisiva ou positiva”. Northbrook se manteve crítico da guerra e em abril de 1880, quando os liberais retornaram ao poder sob a liderança de William Gladstone, defendeu a retirada total e rápida das tropas britânicas do Afeganistão.

História da guerra no Afeganistão, do início ao fim

História da guerra no Afeganistão, do início ao fim é uma narrativa da Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). O livro se baseia no jornal e nas cartas de um oficial britânico anônimo de alta patente que supostamente serviu por muitos anos no exército britânico na Índia. Publicado em Londres em 1843, o livro foi editado por Charles Barnes Nash (de 1815 a 1892), um advogado britânico bastante envolvido nos assuntos de empresas públicas na Grã-Bretanha. O livro é formado por 14 capítulos e começa com uma descrição geral do país e seu povo, seguida de uma história do Império Durrani (de 1747 até o início do século XIX), o Estado predecessor ao atual Afeganistão. A guerra iniciou quando os britânicos lançaram uma invasão com o objetivo de derrubar o governante afegão, emir Dost Mohammad Khan, e substituí-lo por Shah Shuja‘, um ex-governante supostamente pró-britânico. No início os invasores tiveram sucesso, entronizando Shah Shuja‘ em Jalalabad e forçando Dost Mohammad a fugir do país. Mas em 1841 Dost Mohammad retornou ao Afeganistão para liderar uma revolta contra Shah Shuja‘ e os invasores. A rebelião forçou os britânicos a recuarem para a Índia, sendo mais tarde aniquilados por tribos afegãs. Em última análise, a guerra se mostrou inútil, pois Dost Mohammad voltou a governar o Afeganistão finalmente. História da guerra no Afeganistão, do início ao fim narra os estágios da guerra em ordem cronológica, começando com a declaração de guerra em Simla, na Índia Britânica, e concluindo com a total retirada britânica do Afeganistão em outubro de 1842.

Inglaterra e Rússia no Oriente

Henry Creswicke Rawlinson (de 1810 a 1895) foi um estudioso e diplomata britânico, mais conhecido por suas contribuições para o campo da assiriologia. Em 1827 ele entrou para o serviço da Companhia das Índias Orientais, onde ocupou diversos cargos. Trabalhou na reorganização do exército persa entre 1833 e 1839, e em 1843 foi nomeado agente político da Companhia das Índias Orientais na Arábia turca. Mais tarde Rawlinson serviu como cônsul-geral em Bagdá, onde além de suas funções oficiais participou de expedições arqueológicas e trabalhou na decodificação de tabuletas cuneiformes acadianas. Em 1856 ele voltou para a Inglaterra, e em 1858 foi eleito para integrar o Parlamento como membro do Partido Conservador. Rawlinson trabalhou brevemente como ministro britânico na Pérsia, onde era conhecido por sua atitude firme em relação à Rússia, que considerava uma ameaça crescente à segurança da Índia Britânica e aos interesses britânicos na região. Inglaterra e Rússia no Oriente, publicada em 1875, é uma coleção de cinco ensaios de Rawlinson sobre assuntos concernentes à Pérsia, ao Afeganistão e à Ásia Central, três dos quais são reimpressões de artigos apresentados na Calcutta Review e na Quarterly Review, e os outros dois escritos para este volume. Rawlinson se concentra na percepção da ameaça russa e argumenta que “caso a Rússia se aproxime de Herat, será indispensável para a segurança da Índia que retomemos a ocupação militar do oeste do Afeganistão...”.  O capítulo quatro da obra, “Ásia Central”, é a parte mais acadêmica e menos polêmica do livro, oferecendo uma visão abrangente da geografia de toda a região, que Rawlinson define como situada “entre o império russo, ao norte, e o império indiano-britânico, ao sul, incluindo, talvez, uma parte da província persa de Coração, ao oeste, e do Turquestão Oriental, ao leste”. Rawlinson oferece uma riqueza de detalhes sobre a região, extraída de todas as principais autoridades britânicas, russas, alemãs e francesas, bem como do conhecimento adquirido com suas próprias viagens e observações. O apêndice inclui textos inteiros ou extratos de tratados regionais que datam de 1853 a 1874.

Retenção de Candaar

Retenção de Candaar, publicada em Londres em 1881, é um exemplo típico dos muitos panfletos produzidos na Grã-Bretanha enquanto o Parlamento e o povo britânico discutiam a política a ser aplicada no Afeganistão depois da Segunda Guerra Anglo-Afegã (de 1878 a 1880). A guerra começou em novembro de 1878, depois que a Grã-Bretanha enviou uma tropa anglo-indiana ao Afeganistão com o objetivo de substituir o emir do Afeganistão, sher Ali Khan, que supostamente mantinha opiniões pró-russas, por um governante mais favorável à Grã-Bretanha. Após uma série de batalhas com vitórias de ambos os lados, em setembro de 1880 a guerra finalmente chegou ao fim depois de uma vitória decisiva dos britânicos na Batalha de Candaar. William Ewart Gladstone, que em abril de 1880 se tornou primeiro-ministro pela segunda vez, e assumiu o cargo seriamente comprometido com um plano de retirada total do Afeganistão. Essa medida foi contrariada por muitos oficiais ativos e aposentados na Grã-Bretanha e na Índia Britânica, que argumentavam que as tropas índia-britânicas deveriam ocupar permanentemente Candaar para controlar possíveis expansões russas em direção à Índia. Este panfleto, escrito por um general aposentado que havia servido como superintendente político e comandante na fronteira de Sind e no Baluquistão, argumenta a favor da retenção. O documento apresenta o caso militar, político e financeiro que justifica a contínua presença militar britânica no Afeganistão e questiona os “argumentos do governo para a deserção”. O panfleto exagera bastante a ameaça ao Afeganistão apresentada pela Rússia, e conclui com um aviso de que “com o tempo o Afeganistão ficará sob influência russa ou inglesa. Temos agora que decidir qual das duas será”. Este argumento não deu certo, e no final os governos britânicos e indianos executaram o plano de Gladstone para retirada total. As últimas tropas indo-britâncas deixaram o Afeganistão na primavera de 1881. O novo governante afegão, ʿAbd-al-Rahman, permitiu que os britânicos supervisionassem suas relações externas, e em troca a Grã-Bretanha prometeu um subsídio e ajuda na resistência à agressão sem motivo por potências exteriores, mas o Afeganistão conseguiu manter sua independência e evitou ocupação estrangeira.

Narrativa pessoal das campanhas em Afeganistão, Sind, Baluquistão etc., detalhada numa série de cartas do falecido coronel William H. Dennie

William Henry Dennie (de 1789 a 1842) foi um oficial do exército britânico que lutou na Primeira Guerra Anglo-Afegã de 1839 a 1842. Durante a ocupação anglo-indiana de Cabul em 1840, ele foi enviado com uma pequena tropa para combater o exército de Dost Mohammad Khan (de 1793 a 1863), ex-emir afegão destronado pelos britânicos, derrotando-o num combate travado em 18 de setembro em Bamiyan. Mais tarde Dennie assumiu o comando no lugar de Sir Robert Sale (de 1782 a 1845), que em outubro de 1841 acabou sendo ferido num combate contra insurgentes afegãos. Em 7 de abril de 1842 Dennie também se feriu em combate, morrendo pouco tempo depois. Narrativa pessoal das campanhas em Afeganistão, Sind, Baluquistão etc., detalhada numa série de cartas do falecido coronel William H. Dennie é uma obra que reúne cartas escritas por Dennie entre 11 de novembro de 1838 e 5 de dezembro de 1841, publicada após sua morte. Ele era um soldado combatente, conhecido por sua coragem e suas habilidades militares, e as cartas apresentam informações interessantes por conta dos relatos em primeira mão sobre as batalhas que ele liderou com tropas britânicas e indianas. Os apêndices apresentam textos de mensagens oficiais escritas por Dennie e correspondências com o governo da Índia, incluindo cartas sobre a vitória contra Dost Muhammad. O livro foi editado por William Steele, um parente de Dennie, e inclui um prefácio e uma introdução que traça a história dos afegãos desde os tempos bíblicos até o início do século XIX. O livro contém um mapa desdobrável, cujas rotas de marcha das unidades comandadas por Dennie estão coloridas à mão.

Diário dos desastres no Afeganistão, de 1841 a 1842

Lady Florentia Wynch Sale (de 1790 a 1853) era esposa de Sir Robert Henry Sale (de 1782 a 1845), um oficial do exército britânico que serviu na Índia e na Birmânia, e participou da infeliz invasão anglo-indiana no Afeganistão que desencadeou a Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). O objetivo da invasão era destronar o emir do Afeganistão, Dost Mohammad Khan, e substituí-lo por Shah Shuja‘, um ex-governante considerado mais pró-britânico. A tropa anglo-indiana que entrou no país superou rapidamente a resistência e ocupou Cabul e outras cidades importantes. Acreditando que os afegãos haviam sido pacificados, Sale, assim como outros oficiais britânicos e autoridades civis, mandou buscar sua esposa para se juntar a ele, primeiro em Jalalabad e depois em Cabul. Depois de um violento motim iniciado em 2 de novembro de 1841, os governos britânico e afegão firmaram um tratado em que os ocupantes anglo-indianos concordavam em evacuar o país e receberiam passagem segura durante seu retorno à Índia Britânica. O novo emir, Akbar Khan (de 1816 a 1845, no poder de 1842 a 1845), filho de Dost Muhammad, não respeitou os termos do tratado, e em janeiro de 1842 Lady Sale e sua filha, Alexandrina, foram capturadas como reféns, além de oficiais e soldados britânicos e outras mulheres e crianças. No total foram feitos 63 reféns, vários dos quais morreram em cativeiro. Depois de nove meses os reféns foram finalmente libertados, após subornarem o carcereiro afegão com uma grande quantia em dinheiro. Lady Sale, ferida na primeira luta e com uma bala em seu pulso, conseguiu carregar o diário que havia começado a escrever em setembro de 1841 em Cabul, realizando frequentes registros até a sua libertação em setembro do ano seguinte. Além da obra Operações militares em Cabul, encerradas com a retirada e o extermínio do exército britânico em janeiro de 1842, do tenente Vincent Eyre, o Diário dos desastres no Afeganistão, de 1841 a 1842, de Lady Sale, é um dos dois relatos em primeira mão do tormento vivido pelos reféns britânicos. Ambos os livros foram publicados em Londres em 1843. A autora relata as dificuldades enfrentadas pelos presos, os encontros tanto com afegãos amigáveis quanto hostis, as batalhas que ela testemunhou, e as negociações para libertar os prisioneiros. O livro contém um glossário de “Palavras persas, hindustâni [hindi] e outras orientais” usadas no texto e um plano desdobrável dos acantonamentos em torno de Cabul. O apêndice contém o texto do tratado entre as autoridades britânicas e afegãs, assinado em 11 de dezembro de 1841, referente à evacuação e à passagem segura. Após a publicação de seu diário, Lady Sale foi amplamente aclamada como heroína na Grã-Bretanha.