Ásia Central Russa

Henry Lansdell (de 1841 a 1919) foi um clérigo da Igreja da Inglaterra que em 1879 e 1882 realizou duas longas e árduas viagens: uma para a Sibéria e outra para a Ásia Central Russa, região até então conhecida como Rússia Asiática. Seu propósito era distribuir panfletos religiosos e Bíblias nos lugares que visitasse, especialmente em prisões, e coletar informações de interesse tanto para especialistas como para o público em geral. Ásia Central Russa narra a segunda viagem de Lansdell, realizada durante 179 dias entre junho e dezembro de 1882. Por conta própria cobriu uma área de 12.145 milhas (19.545 quilômetros) no total, viajando por ferrovia, água, a cavalo ou a camelo, ou por meios de transporte sobre rodas, e visitou cidades como Semipalatinsk (no atual Cazaquistão); Kulja (China); Tashkent, Kokand, Samarcanda, Qarshi, Bucara e Khiva (no atual Uzbequistão), Merv (no atual Turcomenistão), entre outras. Ele complementou suas próprias observações com pesquisas detalhadas e consultas a especialistas. Outro interesse de Landsell era a Bíblia, e seu livro apresenta inúmeras referências às maneiras pelas quais, em sua opinião, as tradições e os costumes observados na Ásia Central refletiam os exemplos descritos na Bíblia, principalmente no Antigo Testamento. Seu relato de dois volumes foi elogiado pelos críticos devido às análises e descrições detalhadas de lugares até então pouco conhecidos pelo mundo de língua inglesa, mas Landsell foi bastante criticado por oferecer uma visão demasiadamente otimista das prisões da Ásia Central Russa e por justificar a política externa expansionista dos russos, principalmente em relação à recente anexação de Merv. O livro contém ilustrações e um mapa desdobrável. O final do volume dois apresenta três longos apêndices: listas da fauna e flora da Ásia Central Russa e uma bibliografia de 702 obras consagradas, em inglês, francês, alemão e russo, sobre a região.

Viagens nas Províncias Himalaias de Hindustão e Panjab; em Ladakh e Caxemira; em Peshawar, Cabul, Kunduz e Bucara

William Moorcroft (de 1767 a 1825) foi um cirurgião veterinário que, depois de administrar por algum tempo uma clínica veterinária em Londres, em 1807 foi contratado pela Companhia das Índias Orientais para cuidar de sua criação de cavalos. Ele chegou à Índia em 1808 e assumiu o comando das operações do haras da companhia em Pusa, Bengala. Em 1811 e 1812 realizou viagens ao noroeste em busca de garanhões maiores e melhores do que os encontrados na Índia. Em julho de 1812, Moorcroft cruzou o Himalaia, tornando-se um dos primeiros europeus a entrar no Tibete por esse caminho. A esta altura, além da procura de cavalos, seus interesses passaram a incluir o início de relações comerciais entre Ásia Central e Grã-Bretanha e a expansão da influência britânica em territórios além do noroeste da Índia Britânica, a fim de combater o que considerou uma crescente presença da Rússia na região. Em maio de 1819 Moorcroft recebeu permissão da Companhia das Índias Orientais para viajar a Bucara (no atual Uzbequistão). Ele chegou à cidade em fevereiro de 1825, após viajar por mais de cinco anos e passar por Ladakh, Caxemira, Rawalpindi, Peshawar, entrando no Afeganistão pelo Passo Khyber, e depois por Cabul e Kunduz, até alcançar seu destino final. Em julho de 1825 Moorcroft iniciou sua viagem de volta à Índia, mas acabou morrendo de febre em 27 de agosto em Balkh, no Afeganistão. Viagens nas Províncias Himalaias de Hindustão e Panjab é o relato de Moorcroft sobre sua viagem de 1819 a 1825. A obra foi editada e publicada postumamente por Horace Wilson, professor de sânscrito na Universidade de Oxford e membro da Sociedade Asiática Real, com base nos volumosos cadernos e correspondências de Moorcroft. O volume um é inteiramente dedicado à viagem de Moorcroft a Ladakh, bem como ao tempo que morou na cidade. O volume dois completa o relato de Moorcroft sobre o tempo que passou em Ladakh e narra sua viagem a Caxemira, Cabul e Bucara. O livro apresenta um mapa detalhado da Ásia Central compilado e desenhado pelo cartógrafo londrino John Arrowsmith, com base principalmente nas anotações de campo de George Trebeck, um jovem inglês que acompanhou Moorcroft durante as viagens e que registrou detalhes geográficos medidos em passos combinados com orientações da bússola.

História da Índia Britânica

James Mill (de 1773 a 1836) foi um escritor e filósofo político escocês, também conhecido por ser pai do filósofo e economista John Stuart Mill (de 1806 a 1873). Ele estudou na Universidade de Edimburgo, recebeu licença para atuar como pastor presbiteriano, e trabalhou por um tempo como pregador itinerante. Em 1802 Mill se mudou para Londres, onde começou sua carreira como escritor de panfletos, artigos e, mais tarde, livros. Em 1806 ele começou a escrever sua grandiosa obra: História da Índia Britânica, publicada em 1817. Mill jamais tinha viajado à Índia e desconhecia as línguas indianas. Seu objetivo era reunir, ler e avaliar a grande quantidade de documentos escritos sobre a Índia existentes em línguas europeias, a fim de produzir uma “história crítica” abrangente, uma obra que renderia julgamentos tanto sobre os eventos tratados como sobre a evidência que embasou o conhecimento de tais eventos. A obra de três volumes está organizada em seis livros. O livro um trata das primeiras interações britânicas com a Índia, abrangendo desde a viagem do comerciante Robert Thorne à Índia em 1527 até o estado da Companhia das Índias Orientais no início da década de 1700. O livro dois fala da história, religião, literatura e cultura da Índia antiga, especialmente da civilização hindu. O livro três se dedica à conquista e ao governo islâmicos, começando com incursões no século IX e concluindo com o Império Mogol. Este livro termina com um capítulo intitulado “Comparação do estado de civilização entre os conquistadores maometanos da Índia com o estado de civilização entre os hindus”. Os livros quatro, cinco e seis cobrem a expansão e a consolidação do poder britânico na Índia e o governo da Companhia das Índias Orientais. A obra contém um glossário de termos, um grande mapa desdobrável intitulado “Mapa do lado leste da Pérsia com Afeganistão, Bactriana, Transoxiana etc.” no início do volume um, e outro mapa desdobrável intitulado “Mapa de Hindustão” no início do volume dois. O último mapa foi compilado e gravado pelo cartógrafo londrino John Arrowsmith. A “história crítica” de Mill é conhecida por suas duras críticas à cultura e civilização hindu, descritas por Mill como “rude” e “retrógrada”. Apesar de suas muitas limitações, a História da Índia Britânica de Mill serviu como obra de referência padrão sobre a história da Índia durante grande parte do século XIX.

Turquestão: Anotações de uma Viagem para Turquestão Russo, Kokand, Bucara e Kulja

Eugene Schuyler (de 1840 a 1890) foi um diplomata, explorador, escritor e estudioso americano, sendo um dos primeiros estrangeiros convidados pelo governo russo para ver os territórios recém-conquistados da Rússia na Ásia Central. Em 1873, enquanto servia como secretário da missão diplomática americana em São Petersburgo, Schuyler realizou uma viagem de oito meses por territórios até então pouco conhecidos pelos estrangeiros. Ele reuniu informações geográficas abrangentes e escreveu relatos de suas viagens para a Sociedade Geográfica Nacional, além de produzir um enorme relatório confidencial para o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ele criticava o tratamento russo em relação aos tártaros, mas por outro lado considerava a presença russa na Ásia Central como benigna. Turquestão: Anotações de uma Viagem para Turquestão Russo, Kokand, Bucara e Kulja é o relato em dois volumes de Schuyler sobre suas viagens. O volume um começa na estepe russa e no rio Volga, antes de prosseguir para a Ásia Central propriamente dita, com capítulos sobre Sir Dária, Tashkent, a vida dos muçulmanos em Tashkent, bazares e comércio, Samarcanda, Vale de Zarafshan e Hodjent (atual Khujand, no Tajiquistão) e Kurama (uma cadeia de montanhas nos atuais territórios do Tajiquistão e Uzbequistão). O volume dois complementa a pesquisa geográfica da região com capítulos sobre Kokand, Bucara, Issyk-Kul (no atual Quirguistão), Semiretch (atual Semirech’e, no Cazaquistão), e Kulja (na atual China), e conclui com capítulos sobre a administração russa, a política externa da Rússia na Ásia, e a campanha de Khivan de 1873, em que os russos conquistaram o canato de Khivan. Ambos os volumes apresentam apêndices com materiais suplementares e traduções de documentos primários, como por exemplo, no final de volume um, um resumo dos primeiros viajantes chineses e europeus medievais à Ásia Central e os relatos de suas viagens. Publicado em 1876 nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, o livro inclui ilustrações, três mapas, e um índice detalhado.

Pérsia e a Questão Persa

George Nathaniel Curzon (de 1859 a 1925) foi um político, viajante e escritor britânico que serviu como vice-rei da Índia de 1899 a 1905 e como secretário de relações exteriores de 1919 a 1924. Quando jovem, realizou diversas viagens e escreveu vários livros inspirados em suas jornadas, como Rússia na Ásia Central (1889), Pérsia e a Questão Persa (1892), e Problemas do Extremo Oriente (1894). Pérsia e a Questão Persa, que apresentamos aqui, é uma obra de dois volumes baseada na estadia de seis meses de Curzon no Irã a partir do final de 1899, onde ele trabalhou como correspondente do jornal londrino The Times. A intenção do autor, como ele mesmo diz no prefácio, é produzir “uma obra clássica em inglês” sobre o assunto. Após dois capítulos introdutórios, os capítulos de três a 12 documentam as visitas de Curzon, bem como suas observações, a diferentes partes do país, incluindo a viagem de Ashkabad (atual Ashgabat, no Turcomenistão) ao Irã, e estadias em Kuchan, Meshed, Coração, Seistão, Teerã e em outros lugares. O volume um conclui com capítulos individuais dedicados ao xá e à família real, tratando também de assuntos sobre governo; instituições e reformas; noroeste e províncias do noroeste; exército; e ferrovias. O volume dois começa com mais sete capítulos (do 19 ao 25), relatando viagens a diferentes partes do país, incluindo Isfahan, Shiraz, Bushir (atual Bushehr), e as províncias do leste, sudeste e sudoeste. Os capítulos restantes (do 26 ao 30) abordam tópicos como marinha; Golfo Pérsico; renda, recursos e fabricações; comércio e negócio; e políticas britânica e russa na Pérsia. Para Curzon, a essência da “Questão Persa” é a rivalidade entre os impérios russos e britânicos pela influência na Pérsia, tema discutido em detalhe pelo autor no último capítulo. Esse capítulo também discorre sobre os “dois vizinhos asiáticos” da Pérsia: Afeganistão e Império Otomano, sendo que ambos “mantinham grandes extensões de territórios que um dia pertenceram aos domínios persas”. Curzon termina com um comentário de esperança em relação ao desenvolvimento futuro do país, mas pede paciência e adverte que “esquemas colossais para a regeneração rápida da Pérsia... só acabarão em fiasco”. Ele também adverte contra um papel dominante para concessões estrangeiras: “O capital persa deve estar voltado para a exploração de recursos persas, pois um monopólio do financiamento controlado por estrangeiros atiça inveja, e transmite a ideia de usurpação”. O livro inclui ilustrações e mapas.

Dezoito Anos no Khyber, de 1879 a 1898

Sir Robert Warburton (de 1842 a 1899) foi um oficial do exército britânico que serviu durante 18 anos como comissário político, ou encarregado, do Passo Khyber, a passagem pelas montanhas mais importante ligando o Afeganistão ao atual Paquistão. Ele nasceu no Afeganistão e era filho de um oficial britânico e sua esposa, uma nobre mulher afegã, era sobrinha do emir Dost Mohammad Khan. Warburton foi educado na Inglaterra, recebeu patente de oficial, e serviu em postos na Índia Britânica e na Abissínia (atual Etiópia), e em 1879 foi enviado ao seu posto no Khyber. Lar do povo afridi pachto, ferozes defensores de sua liberdade e resistentes ao controle externo, a passagem era frequentemente bloqueada por esse povo ou por lutas entre outras tribos habitantes das montanhas. Warburton é reconhecido por manter a fronteira tranquila e a passagem aberta, principalmente por meio da diplomacia, em vez da força. Ele usou seus conhecimentos sobre o povo afegão e sua fluência nos idiomas persa e pachto para ganhar aos poucos a confiança de membros das tribos cuja desconfiança de estrangeiros era de tradição. Em agosto de 1897, um mês após Warburton se aposentar, agitações eclodiram entre os afridis, que tomaram e controlaram a passagem durante vários meses. Warburton foi chamado de volta e participou da expedição Tirah de 1897 a 1898, em que as forças anglo-indianas reabriram a passagem. Warburton ficou muito orgulhoso do papel desempenhado na expedição pelos Rifles Khyber, uma força paramilitar recrutada de membros da tribo afridi que ele mesmo havia formado e comandado. Dezoito Anos no Khyber, de 1879 a 1898 é o relato de Warburton sobre sua educação e carreira. A obra fala praticamente sobre todos os indivíduos e eventos que desempenharam um papel nas relações entre o Afeganistão e a Índia Britânica durante o último trimestre do século XIX. Com a saúde debilitada por bastante tempo, Warburton voltou para a Inglaterra e faleceu antes da conclusão do livro. Publicado postumamente, a obra é ilustrada com uma série de fotografias marcantes e inclui um mapa detalhado desdobrável do Khyber.

Narrativa de uma Viagem a Kalat

Charles Masson (pseudônimo de James Lewis) foi um viajante, explorador e o primeiro europeu a reconhecer o patrimônio arqueológico do Afeganistão. Pouco se conhece sobre o início de sua vida. Ele nasceu em Londres em 1800 e tudo indica que recebeu uma boa educação, estudando disciplinas como latim, grego e francês. Após uma discussão com seu pai, em 1821 ele se alistou como soldado de infantaria no exército da Companhia das Índias Orientais. No início de 1822 viajou para Bengala, e em julho de 1827 abandonou seu regimento, mudou de nome e viajou para o oeste a fim de escapar da jurisdição britânica. Depois de vaguear por Rajasthan e pelo território independente dos sikh, Masson atravessou o Afeganistão pelo Passo Khyber. Ao longo da década seguinte viajou extensivamente por todo o Afeganistão. Ele também passou tempo na Pérsia (atual Irã) e em Sind (no atual Paquistão). Em outubro de 1838 ele deixou o Afeganistão. Enquanto vivia em Karachi Masson escreveu um relato de suas investigações arqueológicas e concluiu sua obra de três volumes: Narrativa de Várias Viagens em Baluquistão, Afeganistão e Panjab , publicada em Londres em 1842. Com a primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842) a caminho, no início de 1840 ele tentou retornar a Cabul, mas foi capturado durante o cerco de uma revolta no canato de Kalat (no atual Paquistão), onde permaneceu preso por um tempo como espião. Depois de ser solto em janeiro de 1841, Masson escreveu Narrativa de uma Viagem a Kalat, obra publicada em 1843 e que, embora em volume único, considerou como o quarto volume de sua obra anterior. Ele era crítico das políticas que resultaram na Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842), e em seu prefácio descreve o motim em Kalat como “o precursor da catástrofe desencadeada logo em seguida” em Cabul. A primeira parte do livro é um relato detalhado da insurreição, de sua opressão e do próprio suplício de Masson. A segunda parte é intitulada “Memória sobre o Baluquistão Oriental ou territórios do khan brahui de Kalat”, e contém seções sobre geografia, tribos, governo e história, antiguidades e dialetos, economia, modos e costumes, e história natural e mineralogia da região. A obra também apresenta um mapa detalhado desdobrável.

Avanço da Ferrovia Russa na Ásia Central: Notas de uma Viagem de São Petersburgo a Samarcanda

George Dobson (de 1850 a 1938) foi o correspondente na Rússia para a Times de Londres por mais de 25 anos. Na primavera de 1888 ele se tornou o primeiro inglês a viajar para Samarcanda pela recém-inaugurada Ferrovia da Ásia Central. Ele registrou sua viagem numa série de longas cartas publicadas na Times no outono do mesmo ano. Avanço da Ferrovia Russa na Ásia Central: Notas de uma Viagem de São Petersburgo a Samarcanda apresenta os textos dessas cartas, ampliadas e reescritas, bem como novos conteúdos. Dobson tece o relato de sua viagem com descrições detalhadas das vilas e cidades ao longo da rota e com discussões sobre terreno e clima, história e povos da região, e política e objetivos russos. O capítulo final fornece muitos detalhes interessantes sobre a ferrovia vista como façanha da engenharia, envolvendo o transporte de materiais de construção em massa pelo Mar Cáspio por navios a vapor, o transporte terrestre de materiais por camelo, e a superação de desafios como a barreira linguística e as dificuldades na comunicação com os operários autóctones recrutados, clima quente, doenças entre os operários, morte de trabalhadores por sede e insolação, ventos fortes e formações de areia, e a ameaça de ataques de saqueadores contra as equipes de construção. Esse capítulo também inclui bastante informação sobre os custos da construção e como foram financiados. O livro contém três mapas no primeiro terço do volume da obra, algumas fotografias, e um apêndice mostrando as diferentes vias ferroviárias para Samarcanda partindo de São Petersburgo e de outras cidades russas, bem como de cidades europeias como Paris, Colônia e Berlim. A rota mais rápida de Paris a Samarcanda era pegar o trem até Odessa, passando por Viena, depois de Odessa a Batumi a bordo de navio a vapor pelo Mar Negro, e por fim viajar pela ferrovia de Batumi a Baku até chegar a Samarcanda. Viagens por essa via eram realizadas em 10 dias, 10 horas e 9 minutos; outras rotas demoravam até 13 dias.

Pan-islamismo

George Wyman Bury (de 1874 a 1920) foi um naturalista e explorador britânico que passou 25 anos em diferentes partes do mundo árabe, incluindo Marrocos, Áden, Somália e Egito. Ele escreveu vários livros, incluindo A terra de Uz, sobre a Península Arábica, publicado em 1911 sob o pseudônimo Abdullah Mansur, e Arabia Infelix, ou, Os Turcos no Iêmen, publicado em 1915. Durante a Primeira Guerra Mundial, Bury serviu com a inteligência britânica no Egito, onde foi acusado de se opor à propaganda pan-islâmica turca e alemã (e aos seus infiltrados), que visava despertar um sentimento de revolta popular contra os britânicos e induzir as tropas muçulmanas comandadas pelos britânicos ao deserto. Pan-islamismo se baseia em parte nas experiências de Bury durante a guerra, e foi escrito quando ele estava morrendo de uma doença pulmonar. Ele escreve que o pan-islamismo “é um movimento com objetivo de unir os muçulmanos em todo o mundo, independentemente da nacionalidade”, e que é “o protesto prático dos muçulmanos contra a exploração de seus recursos espirituais e materiais por estrangeiros”. Apesar de reconhecer essas causas tribais, Bury argumenta que o crescimento do pan-islamismo como movimento político no período antes e durante a Primeira Guerra Mundial foi em grande medida produto do apoio político, financeiro e logístico da Alemanha, apoiada pela Turquia Otomana após sua entrada na guerra do lado alemão. Ele afirma que a tentativa alemã de usar o pan-islamismo como arma política foi muito mal sucedida, devido à animosidade entre turcos e árabes e a falta de “sutileza psicológica” por parte dos alemães. Bury conclui com um “Apelo por tolerância”, onde pede que Europa e Estados Unidos busquem compreender melhor o mundo islâmico. O livro inclui um mapa desdobrável que mostra as áreas do mundo islâmico.

Narrativa de Várias Viagens em Baluquistão, Afeganistão, Panjab e Kalat

Charles Masson (pseudônimo de James Lewis) foi um viajante, explorador e o primeiro europeu a reconhecer o patrimônio arqueológico do Afeganistão. Pouco se conhece sobre o início de sua vida. Ele nasceu em Londres em 1800 e tudo indica que recebeu uma boa educação, estudando matérias como latim, grego e francês. Após uma discussão com seu pai, em 1821 ele se alistou como soldado de infantaria no exército da Companhia das Índias Orientais. No início de 1822 viajou para Bengala, e em julho de 1827 abandonou seu regimento, mudou de nome e viajou para o oeste a fim de escapar da jurisdição britânica. Depois de vaguear por Rajasthan e pelo território independente dos sikh, Masson atravessou o Afeganistão pelo Passo Khyber. Ao longo da década seguinte viajou extensivamente por todo o Afeganistão. Ele também passou tempo na Pérsia (atual Irã) e em Sind (no atual Paquistão). Masson começou suas explorações arqueológicas em 1832 com uma pesquisa das cavernas budistas em Bamiyan. Em 1833 descobriu as ruínas da antiga cidade de Alexandria no Cáucaso, fundada por Alexandre, o Grande. Ele coletou mais de 80.000 moedas de prata, ouro e bronze e contribuiu de forma especial para a ciência ao perceber a importância de moedas de bronze bilíngues, cujas inscrições gregas puderam ser utilizadas para decodificar escritas desconhecidas exibidas no verso. As autoridades britânicas descobriram a verdadeira identidade de Masson, mas ele foi perdoado, em reconhecimento de seu trabalho arqueológico e pelas valiosas informações fornecidas sobre o Afeganistão. Em outubro de 1838 ele deixou o Afeganistão. Vivendo em Karachi, Masson escreveu um relato de suas investigações arqueológicas e concluiu sua obra de três volumes: Narrativa de Várias Viagens em Baluquistão, Afeganistão e Panjab, publicada em Londres em 1842. Com a primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842) a caminho, no início de 1840 ele tentou retornar a Cabul, mas foi capturado durante o cerco de uma revolta no canato de Kalat (no atual Paquistão), onde permaneceu preso por um tempo como espião. Em janeiro de 1841, logo após ser libertado Masson escreveu Narrativa de uma Viagem para Kalat, publicada em Londres em 1843. Em 1844, sua editora relançou Narrativa de Várias Viagens, com Narrativa de uma Viagem para Kalat adicionada como um quarto volume da edição original. O volume quatro inicia com um grande mapa desdobrável que mostra as viagens de Masson. Aqui apresentamos a edição completa de 1844.