Projetos russos contra a Índia, do czar Pedro ao general Skobeleff

Henry Sutherland Edwards (de 1828 a 1906) foi um autor e jornalista britânico que, ao longo de uma extensa carreira trabalhou com diversos gêneros, produzindo peças de drama, obras de ficção e jornalismo sério. Em 1856 ele foi à Rússia como correspondente do Illustrated Times para cobrir a coroação do czar Alexandre II. Ele permaneceu em Moscou para estudar a língua e se casou com a filha de um engenheiro escocês que morava na Rússia. Sutherland desenvolveu um interesse permanente sobre assuntos relacionados à Rússia, escrevendo vários ensaios e artigos e diversos livros sobre temas russos. Projetos russos contra a Índia, do czar Pedro ao general Skobeleff é uma história sobre o interesse russo na Ásia Central e seus planos de expansão nesse território desde o tempo de Pedro, o Grande (de 1672 a 1725), até o final do século XIX. Reproduzindo o que na época já era uma opinião generalizada na Grã-Bretanha, Sutherland escreve no prefácio: “Os russos sempre realizaram expedições na Ásia Central (apoiadas, em momentos críticos, por intrigantes na Pérsia e no Afeganistão), não com objetivos de melhorar a fronteira, pois a fronteira russa no lado da Ásia Central nunca esteve sob ameaça, muito menos para fins comerciais, já que o valor gerado pelas exportações e importações entre a Rússia e os canatos é insignificante e muito aquém dos custos de ocupação e administração dos territórios russos na Ásia Central. Tais expedições, na verdade, visam apenas a fornecer aos russos uma posição estratégica para ameaçar e, na oportunidade certa, atacar a Índia”. Entre outras expedições russas registradas em detalhe, Sutherland apresenta a expedição de 1839 em Khiva do general Vasily Alexseevich Perovsky; a missão de 1858 à Khiva e à Bucara do coronel Nikolai Pavlovich Ignatiev; e a expedição de 1872 a 1873 em Khiva do general Konstantin Petrovich von Kaufman. O capítulo final, “Projetos para a invasão da Índia”, discute vários esquemas diferentes apresentados por escritores militares russos na segunda metade do século XIX para os avanços russos na Índia pelo Afeganistão. O livro contém um mapa desdobrável colorido da fronteira russo-afegã.

História dos Afegãos

Joseph Philippe Ferrier (de 1811 a 1886) foi um soldado francês que serviu como instrutor militar no exército da Pérsia (atual Irã) de 1839 a 1842 e depois de 1846 a 1850. Foi enviado à Europa numa missão diplomática pelo governante qajar Muhammad Shah (1808 a 1848, no poder de 1834 a 1848), mas caiu no desgosto do xá e teve que deixar a Pérsia. Ferrier voltou para o serviço persa em 1846, após realizar uma perigosa viagem por terra de 1844 a 1846 pelo Afeganistão e pela Pérsia. Enquanto trabalhava para o exército persa, enviava relatos ao governo francês e buscava promover os interesses franceses na rivalidade com a Grã-Bretanha e a Rússia pela influência no país. Ferrier produziu duas importantes obras baseadas em pesquisas históricas e em observações pessoais. Andanças e Caravanas na Pérsia, no Afeganistão, no Turquestão e no Baluquistão foi publicada em Londres em 1857; a edição francesa, Voyages et aventures en Perse, dans l’Afghanistan, le Beloutchistan et le Turkestan apareceu somente em 1870. O livro que apresentamos aqui, História dos Afegãos, foi publicado em Londres em 1858 e é uma tradução inglesa, produzida pelo capitão William Jesse, um oficial britânico, dos manuscritos de Ferrier. O livro não teve edições publicadas em francês. A obra conta a história dos afegãos desde a antiguidade até 1850. Ferrier narra a ascensão do poder britânico no sul da Ásia, fato que, do ponto de vista francês, ele lamenta. Na passagem final do livro, ele observa que os territórios de Peshawar, no norte, e de Shikarpur, no sul, proporcionavam aos britânicos o controle do rio Indo, e conclui: “Estes são as têtes-de-pont [cabeças de pontes], que comandam a passagem daquele rio, e fornecem ao governo anglo-indiano o poder de exercer o nível mais alto de influência sobre a política dos chefes de Candaar e Cabul. Que a Europa jamais tenha motivos para se arrepender de ter permitido a realização de tais conquistas, que darão à Grã-Bretanha e à Rússia todo o poder sobre este planeta”. O livro contém um mapa desdobrável detalhado.

História da Guerra no Afeganistão

Em 1851, Sir John William Kaye (1814 a 1876) publicou uma História da Guerra no Afeganistão, uma obra em dois volumes. Aqui presentamos a edição “revista e corrigida” da mesma obra, publicada em três volumes entre 1857 e 1858. Conforme explicado pelo autor no prefácio, a segunda edição apresenta basicamente o mesmo conteúdo da primeira, mas traz correções e melhor organização com base em pesquisas adicionais e em informações enviadas pelos leitores da primeira edição. Kaye também comenta que, em sua opinião, a apresentação do mesmo material em três volumes, em vez de dois, é uma grande melhoria: “Duvido que exista uma série de eventos em toda a história que se enquadre com mais naturalidade [que a Primeira Guerra Anglo-Afegã] em três grupos distintos, oferecendo a épica integralidade de um começo, um meio e um fim para toda a Obra”. Kaye foi um ex-oficial do exército da Companhia das Índias Orientais que em 1841 abriu mão de seu cargo para se dedicar exclusivamente à atividade literária de história militar. Entre outras obras de sua autoria temos um romance baseado na guerra, Longas Batalhas: um Conto da Rebelião Afegã (1846), e várias outras grandes obras históricas, como Vida e Correspondências do major-general Sir John Malcolm (1856), e sua grandiosa obra História da Guerra dos Sipais na Índia, de 1857 a 1858 (entre 1864 e 1876), em três volumes.

Akbar e os Jesuítas, um Relato das Missões Jesuíticas à Corte de Akbar

Akbar e os Jesuítas, um Relato das Missões Jesuíticas à Corte de Akbar é uma tradução parcial de uma obra escrita e compilada pelo padre jesuíta Pierre Du Jarric, publicada na França entre 1608 e 1614. O título completo da grandiosa obra de Du Jarric é Histoire des choses plus memorables advenves tant ez Index Orientales, que autres païs de la descouverte des Portugais, en l’establissement et progrez de la foy Chrestienne at Catholique: et principalement de ce que les Religieux de la Compagnie de Iésus y ont faict, & endure pour la mesme fin;depuis qu’ils y sont entrez iusqu’à l’an 1600. Du Jarric não era viajante nem missionário; a obra é compilada com base em outras fontes, como livros, cartas e relatórios em português, espanhol, latim e francês. A Histoire de Du Jarric é apresentada em três partes (volumes), com dois livros em cada parte, e aborda as missões jesuíticas à Índia e ao sudeste da Ásia, à África, ao Brasil e ao Império Mogol. Aqui apresentamos a tradução dos textos originais do Livro IV da Parte II e do Livro V da Parte III, que tratam do Império Mogol, e especificamente dos eventos durante a vida do imperador Akbar, incluindo as três missões jesuíticas à sua corte realizadas antes de 1600. Jalal al-Din Muhammad Akbar (de 1542 a 1605), também conhecido como Akbar, o Grande, foi o imperador mogol que governou a Índia de 1556 a 1605. Akbar nasceu e foi criado como sunita ortodoxo; no entanto, exerceu tolerância religiosa, limitou o poder do clero islâmico em assuntos políticos e legais, e deu início a discussões sobre religião com uma variedade de muçulmanos, incluindo estudiosos xiitas e dervixes sufis, e com o tempo incluiu hindus, jainistas, pársis e cristãos. Du Jarric relata várias conversas entre Akbar e padres jesuítas, e também a esperança que os padres, no final desapontados, tinham de ver o imperador se converter ao cristianismo. O livro contém anotações detalhadas nos capítulos e apresenta ilustrações com pinturas em preto e branco do Museu Britânico e do Victoria and Albert Museum em Londres. O livro fazia parte de Os viajantes do mundo, uma série de relatos de viagem clássicos publicada entre 1926 e 1937 por George Routledge & Sons, em Londres. Esta edição americana foi publicada em Nova York por Harper & Brothers.

Esboços da Prisão, Incluindo Retratos dos Prisioneiros de Cabul, e Outros Assuntos

Esboços da Prisão, Incluindo Retratos dos Prisioneiros de Cabul, e Outros Assuntos é um conjunto de litografias produzidas com base em desenhos feitos pelo tenente Vincent Eyre (de 1811 a 1881), quando foi mantido prisioneiro durante a Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). Nomeado comissário de artilharia da Força de Campo de Cabul que no outono de 1839 marchou para o Afeganistão, Eyre chegou a Cabul em abril de 1840, levando consigo grandes estoques de material bélico. Em 2 de novembro de 1841 os afegãos começaram um motim contra a força anglo-indiana. Os soldados ocupantes foram cercados em seus acantonamentos, e em 13 de novembro Eyre foi gravemente ferido. Sob um tratado com o governo afegão, no início de 1842 a força anglo-indiana recebeu passagem segura para evacuar o país. Acompanhado por sua esposa e filho, Eyre se juntou à coluna que seguia em direção ao leste, mas foram levados, junto com outros soldados e civis britânicos, como reféns pelo emir Akbar Khan (de 1816 a 1845, no poder de 1842 a 1845). Os reféns britânicos passaram quase nove meses em cativeiro e sofreram muitas privações, incluindo frio severo e consequências de um terremoto e seus abalos secundários. Em agosto de 1842, os cativos foram levados para o norte em direção a Bamiyan, em Indocuche, sob ameaça de serem vendidos como escravos aos uzbeques. Em 20 de setembro foram finalmente libertados, depois que um dos prisioneiros, o major Pottinger, conseguiu subornar o comandante afegão do seu comboio. Antes de ser liberto Eyre havia conseguido contrabandear o manuscrito de seu diário em partes a um amigo na Índia, que o enviou à Inglaterra, onde, com a ajuda dos parentes de Eyre, foi publicado no ano seguinte sob o título Operações militares em Cabul, encerradas com a retirada e o extermínio do exército britânico em janeiro de 1842. Os esboços de Eyre sobre seus companheiros de prisão e de várias cenas do cativeiro também foram contrabandeados para fora do Afeganistão e enviados à Inglaterra. Após o sucesso de Operações Militares em Cabul, a papelaria e editora litográfica Lowes Dickinson, na Bond Street, produziu litografias com base nos esboços, que foram publicadas separadamente. Dickinson juntou os desenhos de Eyre com desenhos de vários outros artistas, a fim de ter um conjunto de desenhos “que sem dúvida interessaria àqueles que leram sobre os desastres de Cabul”. A ideia era juntar e encadernar as litografias com as Operações Militares em Cabul de Eyre, ou com outra obra de uma companheira de prisão, Diário dos Desastres no Afeganistão, de 1841 a 1842 (1843), de Lady Florentia Wynch Sale. Esta coleção encadernada da Biblioteca do Congresso contém 30 das 32 litografias produzidas por Dickinson.

Operações Militares em Cabul

Operações Militares em Cabul é uma obra produzida principalmente com base no diário mantido pelo tenente Vincent Eyre (de 1811 a 1881), antes e durante o tempo em que foi prisioneiro na Primeira Guerra Anglo-Afegã (de 1839 a 1842). Nomeado comissário de artilharia da Força de Campo de Cabul que no outono de 1839 marchou para o Afeganistão, Eyre chegou a Cabul em abril de 1840, levando consigo grandes estoques de material bélico. Eyre começou a escrever seu diário em 2 de novembro de 1841, o primeiro dia de levante dos afegãos contra a força anglo-indiana, em que Sir Alexander Burnes foi morto. Os soldados ocupantes foram cercados em seus acantonamentos, e em 13 de novembro Eyre foi gravemente ferido. Sob um tratado com o governo afegão, no início de 1842 a força anglo-indiana recebeu passagem segura para evacuar o país. Acompanhado por sua esposa e filho, Eyre se juntou à coluna que seguia em direção ao leste, mas foram levados, junto com outros soldados e civis britânicos, como reféns pelo emir Akbar Khan (de 1816 a 1845, no poder de 1842 a 1845). Os reféns britânicos passaram quase nove meses em cativeiro e sofreram muitas privações, incluindo frio severo e consequências de um terremoto e seus abalos secundários. Em agosto de 1842, os cativos foram levados para o norte em direção a Bamiyan, em Indocuche, sob ameaça de serem vendidos como escravos aos uzbeques. Em 20 de setembro foram finalmente libertados, depois que um dos prisioneiros, o major Pottinger, conseguiu subornar o comandante afegão do seu comboio. Antes de ser liberto Eyre havia conseguido contrabandear o manuscrito de seu diário em partes a um amigo na Índia, que o enviou à Inglaterra, onde, com a ajuda dos parentes de Eyre, foi publicado no ano seguinte. O livro apresenta um capítulo introdutório, um mapa desdobrável do acantonamento em Cabul e a região circunvizinha desenhada por Eyre, um glossário de termos afegãos, uma lista dos prisioneiros detidos e libertados em setembro de 1842, e uma lista dos civis e oficiais militares mortos durante o motim de novembro de 1841. Eyre era um artista talentoso e também produziu a maior parte dos desenhos contidos na obra Esboços da Prisão, uma coleção de retratos de alguns dos homens e das mulheres colegas de cativeiro, também publicada em Londres em 1843.