Emissões postais de Hejaz, Jidá e Najd

Emissões postais de Hejaz, Jidá e Najdé um catálogo descritivo dos selos postais emitidos pelas jurisdições árabes citadas no título. A obra apresenta muitas fotografias e gravuras analíticas de detalhes caligráficos e ornamentais, incluindo impressões sobrepostas, impressões erradas, variações nas margens ornamentadas e na caligrafia, no papel e na perfuração, e comentários sobre falsificações. Segundo a autora, os selos foram produzidos no Cairo e a maioria também foi impressa lá, nas instalações do Serviço de Levantamento Topográfico do Egito. O catálogo é precedido por uma breve introdução à história política e postal, abrangendo os anos de 1916 a 1927, de três regiões do atual Reino da Arábia Saudita. Este livro parece ter sido um dos poucos projetos da autora na área da filatelia analítica. Ela também colaborou com o comerciante de selos David Field (falecido em 1926), seu empregador, na publicação de um catálogo de vendas intitulado Selos postais de Hejaz, Jidá e Najd: lista de preços completa e ilustrada dos selos provisórios de 1924, incluindo todas as emissões subsequentes até junho de 1926, também presente na Biblioteca Digital Mundial. O volume que apresentamos aqui contém impressões meticulosas e comentários sobre as emissões postais no curto Reino de Hejaz e de seu sucessor, o precoce reino saudita de ‘Abd al-‘Aziz ibn Sa’ud (1880 a 1953). Os desenhos de alguns selos dessa região são atribuídos a T. E. Lawrence (Lawrence da Arábia, 1888 a 1935), embora isso não tenha sido confirmado. Pouco se sabe sobre a autora, que morreu jovem. O livro foi publicado por Field numa edição limitada de 350 cópias e nunca foi reeditado para alcançar mais vendas. O ilustrador, John Calcott Gaskin, é identificado como um oficial colonial britânico que serviu em Bahrein e no Iraque, permanecendo preso em Alepo de 1915 a 1918. O mapa colorido e dobrável da Península Arábica foi produzido por Geographia, uma empresa de impressão de Londres. Até a década de 1950, quando então os estados embrionários da Península Arábica começaram a extrair quantidades comerciais de petróleo, a receita de selos postais era uma importante fonte de renda nessa região.

Formação do estado nos territórios árabes do antigo Império Otomano desde a Primeira Guerra Mundial, classificados por origem, significância e viabilidade

Die Staatenbildungen in den arabischen Teilen der Türkei seit dem Weltkriege nach Entstehung, Bedeutung und Lebensfähigkeit (Formação do estado nos territórios árabes do antigo Império Otomano desde a Primeira Guerra Mundial, classificados por origem, significância e viabilidade ) é um estudo sobre a formação dos estados árabes do Oriente Médio após a Primeira Guerra Mundial e a queda do Império Otomano. Antecipando o fim dos turcos otomanos na guerra e com medo do domínio russo, entre novembro de 1915 e março 1916, a Grã-Bretanha e a França firmaram secretamente o Acordo Sykes-Picot, que dividia as províncias árabes otomanas fora da Península Arábica em esferas de influência britânicas e francesas. No final da guerra, a Síria (que incluía o Líbano), tornou-se um mandato francês, enquanto a Palestina, a Transjordânia e o Iraque passaram a ser mandatos britânicos. O livro também discute os estados que não eram mandatos na Península Arábica, incluindo o Reino Mutawakkilita do Iêmen, o Reino Hachemita do Hejaz, e o reino da Casa de Saud (que na época também incluía o Emirado de Jabal Shammar, no norte, e o breve Emirado Idríssida de Asir, no sudoeste). A ressurgente Casa de Saud mais tarde anexou Hejaz ao seu território e em 1932 estabeleceu o Reino da Arábia Saudita. Além disso, o livro examina o movimento nacionalista árabe e a luta contra os turcos pela independência, e conclui apresentando uma longa bibliografia e uma lista de documentos que se referem aos vários acordos que moldaram o Oriente Médio. O autor, Erich Topf (1904 a 1983), era um jurista alemão ativo durante a era nazista. Ele nasceu em Magdeburgo e estudou nas universidades de Berlim e Göttingen. Em seu curto prefácio, ele salienta a importância da região para a política externa alemã. Embora reconhecendo as “consequências de uma guerra perdida”, Topf argumenta que “o dever óbvio” de reconstruir a Alemanha “não deve limitar nosso horizonte somente até a vizinha região da Europa Central”.

Hejaz na Primeira Guerra Mundial

Le Hedjaz dans la guerre mondiale (Hejaz na Primeira Guerra Mundial) é um relato do general francês Édouard Brémond sobre a contribuição do exército francês na derrota das forças otomanas pelos aliados britânicos, árabes e franceses. Brémond descreve seu papel como líder da missão política e militar francesa em Hejaz, cujo objetivo era derrotar os otomanos e colocar o Xarife de Meca, Husayn ibn ‘Ali (por volta de 1853 a 1931), no trono do novo Reino de Hejaz. Brémond foi enviado à Arábia em 1916 para liderar um exército composto principalmente por tropas africanas muçulmanas. Durante sua missão ele coordenou ações militares com o exército e a força aérea da Grã-Bretanha, envolvida em negociações com as tribos, e realizou operações de paz dentro e em torno das cidades sagradas de Meca e Medina. A história é escrita na terceira pessoa. Juntamente com seu relato estão cronologias de eventos militares e diplomáticos no local de batalha da Arábia ocidental em 1916 e 1917, bem como transcrições das principais correspondências com seus colegas britânicos e árabes e com o Ministério da Guerra francês em Paris. Brémond não faz questão de esconder suas relações espinhosas com o Ministério ou com o exército britânico, alegando que em muitos momentos da campanha ambos foram obstrucionistas. Ele achou que o comando francês em Paris considerava a frente de batalha árabe de importância secundária para o progresso da guerra na Europa. Ao descrever os britânicos, Brémond compara sua própria forma de tratar as tropas árabes e africanas com a arrogância dos britânicos. Ele se refere principalmente a T. E. Lawrence (Lawrence da Arábia, 1888 a 1935), dizendo que o capitão Lawrence se referiu a oficiais e soldados muçulmanos com “termos desagradáveis”, e observa que os soldados muçulmanos e africanos da tropa francesa tinham acesso até mesmo ao refeitório dos oficiais. Brémond se orgulhava em delegar o planejamento e a execução de operações militares e civis a oficiais africanos, alguns dos quais ele treinou durante serviços anteriores, principalmente no Marrocos. O livro apresenta muitos detalhes sobre operações de desenvolvimento econômico, de segurança e militar após os conflitos, que incluíam assegurar o hajj (peregrinação) em 1917, estabelecer um banco central, e garantir o cumprimento das censuras contra a produção de cerveja e a prostituição em Meca. O livro narra eventos na Arábia e o Levante até 1920, mesmo Brémond já tendo deixado a região naquele período. A obra contém cinco esboços de mapas do local de batalha árabe ocidental, marcando fronteiras políticas, rotas de transporte e territórios tribais próximos.

Guia para o Golfo Pérsico: compreendendo o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e a Costa de Makran

Guia para o Golfo Pérsico: compreendendo o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e a Costa de Makran é um guia de navegação para o Golfo Pérsico e as águas adjacentes. O guia apresenta descrições detalhadas e precisas dos recursos existentes nas margens e nas águas costeiras da Península Arábica, do Irã, do Iraque, de Makran (nas atuais regiões do Paquistão e do Irã), e do Golfo de Omã. A obra foi publicada pelo Departamento Hidrográfico da Marinha dos Estados Unidos em 1920 como parte de seu programa de produção de guias de navegação de todas as partes do mundo. Grande parte das informações foi extraída do Guia para o Golfo Pérsico, britânico, que, ao contrário da versão americana, é atualizado e publicado até hoje. Guias hidrográficos são instruções de navegação que descrevem as características de portos e vias navegáveis. São muitas vezes complementados com gráficos atualizados, listas de faróis, informações sobre condições meteorológicas predominantes, regulamentos dos portos, e outras informações pertinentes à navegação. Os usuários são alertados de que “exceto em portos bem frequentados e em seus acessos, ainda não foi realizada uma pesquisa completa que aponte todos os perigos existentes na região”. Na verdade, apenas nove portos ou ancoradouros são citados como os principais portos da região tratada neste volume. O livro inclui um glossário com palavras persas, árabes e turcas, um mapa indicando a área coberta, e um índice detalhado com nomes geográficos. Intercalados com as observações gerais de navegação no primeiro capítulo estão breves comentários culturais sobre, por exemplo: os beduínos, considerados perigosos; a pirataria (que dizem ser bem controlada); e o costume de oferecer presentes aos chefes locais, recomendado como uma boa ideia. Além dessas poucas observações, o guia oferece pouca orientação sobre condições em terra firme.

Castelos da Arábia do Sul segundo Iklīl de Hamdānī

O orientalista austríaco David Heinrich Müller (1846 a 1912) nasceu em Buczacz (Buchach, na atual Ucrânia), até então parte do Império Austríaco, e foi educado em Viena, Leipzig e Estrasburgo. No início, Müller estudou hebraico e assuntos bíblicos, mas depois se voltou para a filologia árabe, escrevendo sua tese de doutorado sobre a obra Kitāb al-Farq (Livro de animais raros) do filólogo, antologista e zoólogo ʻAbd al-Malik ibn Qurayb al-Asmaʻi (740 a aproximadamente 828). Em 1881 ele se tornou professor de filologia semítica na Universidade de Viena. Ele é conhecido principalmente por seus trabalhos arqueológicos, geográficos, epigráficos e linguísticos sobre a Arábia do Sul e por liderar a expedição de 1898 a 1899 do Kaiserliche Akademie der Wissenschaften (Academia Imperial de Ciências) da região. Através de sua própria pesquisa e da pesquisa de seus alunos (entre eles: Eduard Glaser, Maximilian Bittner, Rudolf Geyer e Nikolaus Rhodokanakis), Müller deixou uma marca significativa nos estudos da Arábia do Sul. Aqui apresentamos o texto original em árabe, com a tradução para o alemão e o comentário editorial de Müller, da parte oito do al-Iklīl (A coroa), uma história de dez capítulos do Iêmen pré-islâmico escrita pelo enciclopedista e geógrafo iemenita Abu Muhammad al-Hasan ibn Ahmad al-Hamdani (por volta de 893 a 945). Essa parte do al-Iklīl trata de palácios, castelos, túmulos e outros monumentos antigos da Arábia do Sul, especialmente os que datam do Reino Himiarita e do Reino de Sabá. Os sabeus eram um povo da Arábia do Sul nos tempos pré-islâmicos, fundadores do reino de Sabá, o reino bíblico de Sabá. O Reino Himiarita prosperou entre 110 a.C. e 525 d.C. Inicialmente, era um reino pagão, depois foi judaico por mais de um século, até ser derrubado pela Etiópia cristã. Conhecido pelo apelido Lisān al-yaman (Língua do Iêmen) e em fontes árabes como Ibn al-Ha’ik, al-Hamdani escreveu muitas outras obras, incluindo sua ifat jazīrat al-ʻArab (Geografia da Península Arábica), uma edição que Müller também traduziu e editou. Atualmente existem apenas as partes oito e dez do al-Iklīl. As outras oito partes estão perdidas.

Sultanato de Omã: a questão de Mascate

Le Sultanat d’Oman: la question de Mascate (Sultanato de Omã: a questão de Mascate) é uma análise de tratados e outros acordos entre a França, a Grã-Bretanha e o Omã em relação ao comércio no Oceano Índico de meados do século XIX até o momento em que a obra foi escrita, às vésperas da Primeira Guerra Mundial I. O estudo diplomático é precedido por uma história política do sultanato e uma discussão sobre a influência europeia no Omã do século XVI em diante. O autor, o príncipe Firuz Kajari (1889 a 1937), é mais conhecido na história iraniana como Firouz Nosrat-ed-Dowleh III, também com nomes e grafias variantes. A obra é a tese acadêmica do autor na Universidade de Paris. Nesta pesquisa, Kajari conta com os escritos de estudiosos europeus e usa fontes árabes somente quando há tradução disponível. Ele se concentra na variação da influência francesa no Oceano Índico ao longo da costa leste da África. O ponto central de sua tese é uma análise das negociações e dos acordos sucessivos, começando com o Tratado Franco-Mascate de 1844, que definiu um padrão para a futura regulamentação da escravidão e do comércio e a bandeira de conveniência da frota comercial de Omã. Os franceses realizaram manobras diplomáticas para impedir a ação de uma política britânica criada para maximizar a influência da Grã-Bretanha e as vantagens comerciais no Oceano Índico. Apesar dos esforços britânicos, esses anos testemunharam o aumento do francisation des boutres (Controle francês dos dhows de Omã). Além de sua contribuição para a história diplomática, a tese de Kajari fornece um vislumbre do histórico escolar e da formação intelectual do futuro ministro iraniano das Relações Exteriores e político que serviu num momento turbulento da história de seu país. Apesar de Kajari pertencer à deposta dinastia Qajar (1794 a 1925), ele se tornou um conselheiro de confiança no regime sucessor de Reza Khan (Reza Shah, 1878 a 1944), que chegou ao poder no golpe de 1921. Kajari ocupou cargos muito importantes durante o governo de Reza Shah, mas depois o governante o achou suspeito e ele acabou sendo preso e assassinado.

Residências e migrações de tribos árabes

Heinrich Ferdinand Wüstenfeld (1808 a 1899) foi um orientalista alemão que se especializou em literatura e história árabes. Ele estudou nas universidades de Göttingen e Berlim, lecionando na universidade de Göttingen de 1842 a 1890. Die Wohnsitze und Wanderungen der arabischen Stämme (Residências e migrações de tribos árabes) é uma tradução alemã de Wüstenfeld do preâmbulo Muʻjam mā istaʻjama min asmā’ al-bilād wa-al-mawāḍiʻ (Dicionário de nomes corrompidos de regiões e lugares), um dicionário geográfico de Abu ʻUbayd al-Bakri (1040 a 1094), geógrafo, historiador e botânico muçulmano de Andaluzia. O preâmbulo identifica nomes de lugares na Península Arábica, descrevendo mais ou menos a localização de cada área e relacionando cada região aos seus tradicionais habitantes tribais. O restante do dicionário de al-Bakri, que inclui 784 entradas de lugares na Arábia e nas regiões vizinhas, não está presente nesta edição. O preâmbulo contém uma riqueza de informações literárias, históricas, geográficas e genealógicas que Wüstenfeld também usou em suas Genealogische Tabellen der arabischen Stämme und Familien (Tabelas genealógicas das tribos e famílias árabes). Ao contrário de outros dicionários geográficos, como o Muʻjam al-Buldān (Dicionário de países), de Yaqut al-Hamawi, as entradas de al-Bakri apresentam poucos detalhes. Isso ocorre porque o objetivo da obra é autenticar os nomes de lugares através da confirmação de sua ortografia e pronúncia corretas. É provável que Al-Bakri seja mais conhecido por seu Kitāb al-Masālik wa-al-Mamālik (Livro de rotas e reinos), uma das mais importantes fontes para a história da África Ocidental e do Saara, incluindo informações cruciais sobre o Império de Gana (por volta de 300 a 1200). A cratera Al-Bakri, na lua, foi nomeada em homenagem a esse grande erudito do século XI. 

Bāz-nāma-yi Nāṣirī, tratado persa sobre falcoaria

Bāz-nāma-yi Nāṣirī, tratado persa sobre falcoaria é um manual do século XIX sobre a arte e o esporte de caçar com aves de rapina. O livro é de Taymur Mirza (falecido em 1874 ou 1875; mirza significa “príncipe” em persa, quando se segue ao nome de uma pessoa), membro da dinastia Qajar (1785 a 1925) e neto de Fath ʻAli Shah, xá do Irã. A introdução do tradutor descreve como Taymur Mirza foi exilado da Pérsia, mas eventualmente perdoado mediante a benevolência de Nasir al-Din Shah (1831 a 1896). A falcoaria é um esporte tradicional da Ásia e da Europa, apreciado pela realeza desde os tempos antigos. As aves de rapina especialmente treinadas para a caça eram chamadas de “queridinhas do rei”. Em suas descrições, Taymur Mirza agrupa as aves em duas taxonomias tradicionais: “pássaros de olhos escuros“ e “pássaros de olhos amarelos”. Como exemplos do primeiro grupo estão águias e abutres; e fazem parte do segundo várias espécies de falcão, corujas e a águia-pescadora (“que recusaram qualquer alimento, exceto peixe”). Num texto meticulosamente detalhado e reforçado por fotografias e notas do tradutor, Taymur Mirza aborda a criação de aves de rapina, sua captura, treinamento e dieta, e o tratamento de doenças, com exemplos ilustrados a partir de sua própria experiência. O livro foi traduzido pelo tenente-coronel Douglas Craven Phillott (1860 a 1930), um oficial do exército britânico que também foi linguista, professor e prolífico escritor de manuais estudantis de hindi, urdu e persa. Phillott traduziu inúmeras obras literárias, incluindo outros tratados sobre as tradicionais atividades da realeza, como caça e equitação. Esta edição de Bāz-nāma-yi Nāṣirī traduzida por Phillott foi publicada em Londres em 1908 numa edição limitada de 500 cópias.