Regiões polares da América do Norte, da Baía de Baffin até o Mar de Lincoln

Este mapa das regiões árticas, publicado em 1903 pelo Departamento Hidrográfico do Ministério da Marinha dos EUA, mostra as rotas das três expedições polares britânicas e americanas durante o século XIX: a Expedição U.S.S. Polaris de 1871 a 1872, comandada pelo capitão C. F. Hall; a Expedição Britânica no Ártico de 1875 a 1876, comandada pelo capitão G. S. Nares, da Marinha Real; e a Expedição Lady Franklin Bay de 1881 a 1884, comandada pelo tenente A. W. Greely, do Exército dos EUA. O mapa apresenta anotações em vermelho e azul para mostrar mais duas expedições recentes lideradas por Robert E. Peary em 1900 e 1902. Os relevos são representados por contornos, hachuras e pontos de elevação. As profundezas do oceano são dadas em braças, altura em pés. A ilustração no topo oferece uma imagem da costa norte da Groenlândia voltada para o sul, com montanhas retratadas em relevo. Peary (de 1856 a 1920), um oficial da Marinha dos EUA, realizou um total de oito viagens para o Ártico, todas partindo da costa oeste da Groenlândia. Em sua viagem de 1900, ele chegou e deu nome ao Cabo Morris Jesup na ponta norte da Groenlândia. O mapa inclui uma ilustração de Peary e um companheiro levantando a bandeira americana sobre um monte de pedras no cabo, que a 83° 39’ norte é identificada como “provavelmente a área mais ao norte no globo”. Nesta mesma viagem, Peary se aventurou pela primeira vez sobre o banco de gelo e viajou para o norte até as coordenadas 84° 17’ (o mapa mostra 83° 50’), antes de voltar. Em 1906, ele reivindicou uma área “ainda mais ao norte” da posição 87° 06’. Ainda em outra expedição, em 1909, Peary afirmou em 7 de abril ter finalmente chegado ao Polo Norte, a 90° norte. Ele foi acompanhado pelo explorador afro-americano Matthew Henson e por quatro esquimós da Groenlândia, que haviam deixado uma expedição maior composta por sete norte-americanos, 17 esquimós, 19 trenós e 133 cães. Mais tarde, análises de seu livro de registo pessoal e outras evidências da viagem, no entanto, questionam seu registro de navegação e levantam dúvidas sobre se ele e Henson realmente chegaram ao polo.

Ilhas Britânicas

Este mapa de 1842 das Ilhas Britânicas foi publicado “sob a superintendência” da Sociedade para a Difusão dos Conhecimentos Úteis, uma organização fundada em Londres em 1826 com a finalidade de melhorar o nível educacional das classes trabalhadora e média da Grã-Bretanha. O mapa foi gravado por J. & C. Walker, uma empresa de Londres de gravadores, desenhistas e editores que prosperou em meados do século XIX. Ele foi publicado por Chapman and Hall, uma empresa de publicação e venda de livros de Londres fundada em 1830 por William Hall (de 1800 a 1847) e Edward Chapman (de 1804 a 1880), mais conhecida pela publicação das obras de Charles Dickens e de outros importantes romancistas e poetas vitorianos. O mapa retrata condados, cidades e vilas, rios, pontes, fortes e outros recursos naturais e construídos pelo homem. O relevo é representado por hachuras. Linhas coloridas à mão destacam as fronteiras entre os condados, com diferentes cores para os condados da Inglaterra e de Gales, da Escócia e da Irlanda. As fronteiras entre Inglaterra e Escócia, e Inglaterra e Gales são marcadas com uma linha tracejada. Uma pequena parte da costa da França aparece no canto inferior direito. O mapa não apresenta escala de distância. Nas décadas de 1830 e 1840, a Sociedade para a Difusão dos Conhecimentos Úteis produziu numerosas publicações, incluindo a Biblioteca dos Conhecimentos Úteis, volumes destes vendidos por seis centavos, e uma série de dois volumes que ficaram conhecidos por sua alta qualidade. Foram produzidos mais de 200 mapas, também vendidos separadamente, e o número de cópias impressas passou de 3 milhões.

Nova Guiné Britânica e Alemã

Este mapa de 1906 da Nova Guiné Britânica, da Nova Guiné Alemã (também conhecida como Kaiser-Wilhelms-land) e do Arquipélago de Bismarck foi produzido pelo Setor Geográfico do estado-maior geral do Ministério da Guerra da Grã-Bretanha. A Alemanha anexou a parte norte da ilha de Nova Guiné ao seu território em 1884, juntamente com as ilhas da Nova Bretanha e da Nova Irlanda. Os alemães renomearam a primeira ilha como Nova Pomerânia e a segunda como Nova Mecklenburg. O mapa também mostra a Ilha de Bougainville, que a Alemanha incorporou ao seu território em 1889. Com o estouro da Primeira Guerra Mundial em 1914, a Nova Guiné Alemã foi rapidamente ocupada por forças imperiais britânicas e toda a área passou a ser governada pelos australianos em outubro de 1914. No final da Primeira Guerra Mundial, a Nova Guiné Alemã se tornou um mandato australiano por meio da Liga das Nações, sendo a partir de então o território de Nova Guiné. Nova Guiné Britânica, Nova Guiné Alemã e o Arquipélago de Bismarck hoje fazem parte da Papua Nova Guiné, que alcançou independência em 1975. O mapa mostra uma pequena parte da Nova Guiné Holandesa (parte da atual Indonésia), e a ponta do extremo norte de Queensland, na Austrália. Os relevos são representados por linhas de nível e pontos de elevação. A escala é dada em milhas. Um carimbo na parte inferior indica que o mapa foi “Emprestado pela Sociedade Geográfica Americana para a Conferência de Paz de Versalhes, de 1918 a 1919”.

Carta náutica do Polo Sul mostrando os descobrimentos e a trajetória do H.M.S. Erebus e Terror durante os anos de 1840 a 1843

Esta carta náutica do Polo Sul e dos mares polares foi produzida em 1847 por Sir James Clark Ross (de 1800 a 1862), um explorador polar britânico e oficial da Marinha, também considerado uma das maiores autoridades da Grã-Bretanha em magnetismo terrestre. Após diversas viagens ao Ártico, de 1839 a 1843 Ross comandou a expedição da Marinha Real à Antártida. Ele realizou importantes observações geográficas e magnéticas e descobriu a Terra de Vitória, o Estreito de McMurdo, o Monte Erebus, a barreira de gelo Ross e outros recursos do continente. O mapa mostra a trajetória dos dois navios de Ross, H.M.S. Erebus e H.M.S. Terror, e documenta as medições e observações feitas pela expedição. O relevo é representado por hachuras. Localizado a mais de 2.800 quilômetros do polo sul geográfico, o polo sul magnético é o ponto na superfície da Terra onde a direção do campo magnético terrestre é verticalmente ascendente. A “inclinação magnética”, ângulo entre o plano horizontal e as linhas do campo magnético da Terra, é de 90° nos polos sul e norte magnéticos. As medidas da inclinação registrada no mapa mostram a tentativa de Ross de localizar o polo magnético de que ele se aproximou, mas nunca alcançou.

Doutor Hermann Haack: como é feito um mapa de parede escolar

Justus Perthes foi uma proeminente editora cartográfica alemã fundada em 1785 por Johann Georg Justus Perthes (de 1749 a 1816) e administrada por seus descendentes até o século XX. Com sede em Gota, a empresa publicou obras de importantes cartógrafos como August Heinrich Petermann (de 1822 a 1878). Esta cópia apresenta imagens de três prédios do Justus Perthes Geographisches Anstalt (Instituto Geográfico), que faziam parte da empresa e foram administrados durante certo tempo por Petermann. As ilustrações na parte inferior mostram o processo usado na criação e impressão dos mapas da Justus Perthes. Esta cópia também apareceu num pequeno volume publicado pela editora com o título “Wie eine Schulwandkarte entsteht: eine Führung durch die lithographischen Werkstätten von Justus Perthes’ Geographischer Anstalt” (Como é feito um mapa de parede escolar: guia para oficinas litográficas do Instituto Geográfico de Justus Perthes), que também continha um catálogo de mapas escolares vendidos pela empresa. O livro é uma obra do doutor Hermann Haack (de 1872 a 1966), um destacado cartógrafo alemão e amigo da família Perthes que trabalhou por muitos anos no instituto geográfico. Em 1912 ele fundou a Associação Alemã de Geógrafos Escolares.

Chile, 1816

Este mapa de 1816 colorido à mão mostra a maior parte do Chile de sua fronteira norte a aproximadamente 44° sul. O relevo é representado por hachuras. Um mapa adicional retrata a Isola de Tierra, a ilha mais distante no sentido leste do Arquipélago Juan Fernández. Esse arquipélago no Oceano Pacífico aparece na extremidade esquerda do mapa. O mapa apresenta duas escalas de distância, milhas geográficas espanholas e milhas estatutárias britânicas. A cor amarela é usada para destacar as fronteiras do Vice-Reino de La Plata, uma unidade administrativa do Império Espanhol fundada em 1776 com os territórios que anteriormente faziam parte do Vice-Reino do Peru (formado por todo ou parte do território onde hoje se encontram Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia). O mapa foi incluído no Atlas moderno de Pinkerton, publicado em Londres entre 1808 e 1815, e numa edição especial americana em 1818. John Pinkerton (de 1758 a 1826) foi um estudioso e autor escocês escritor de livros sobre a história da Escócia e poesia, numismática e outros tópicos. Entre 1808 e 1814, ele publicou a Coleção geral das melhores e mais interessantes viagens em todo o mundo, com 17 volumes. Uma edição de seis volumes da compilação de Pinkerton foi publicada em Filadélfia em 1810-1812. O mapa foi gravado por Samuel John Neele (de 1758 a 1824), que vinha de uma importante família de gravadores britânicos com escritórios na rua Strand, em Londres.

Mapa detalhado do país de Chōsen

Este mapa japonês da Coreia, publicado em Tóquio em 1873, é um dos primeiros mapas completos da península produzido no Japão durante o período Meiji (de 1868 a 1912). Sua produção foi inspirada em mapas anteriores e a edição realizada por Nobufusa Somezaki (de 1818 a 1886), também conhecido como Shunsui Tamenaga, Junior, um gesakusha (escritor de ficção de entretenimento) e jornalista. Ao que parece o mapa foi incluído na obra Chōsen jijō (Assuntos coreanos) de dois volumes de Tamenaga, publicada em 1874, pela qual Neisai Ishizuka é reconhecido como coautor. Chōsen e Chosŏn são os nomes da Coreia em japonês e em coreano, respectivamente. O livro inclui mais detalhes do que aparece no mapa, como por exemplo o número de casas e a quantidade populacional, informações sobre a história coreana, sistema de governo, leis, tipos de armas produzidos na Coreia e vida quotidiana do povo. A obra também cita referências para essas informações. No mapa, os pequenos escritos ao lado das frases do texto indicam como os caracteres chineses podem ser facilmente lidos. A escala no mapa é apresentada em ri, uma unidade de medida que variou com o tempo e que era usada na China, no Japão e na Coreia. A forma de diamante vermelho faz referência à Keijō, nome japonês para a atual cidade de Seul, e o círculo vermelho denota P’yongyang. O grande rio situado no norte da península se chama Yalu (ou Amnok, como também é conhecido).

Mapa geral da República da Nicarágua, 1858

Maximilian von Sonnenstern foi um engenheiro civil alemão que trabalhou por muitos anos para o governo da Nicarágua e realizou levantamentos detalhados do país. O Mapa general de la republica Nicaragua (Mapa geral da República da Nicarágua) de Sonnenstern é o primeiro mapa oficial da Nicarágua, feito a pedido das autoridades do país. O mapa contém quatro seções transversais, que mostram as alturas das montanhas e dos vulcões. Três mapas adicionais retratam as cidades de León, Granada e Viejo León (antiga cidade de León, abandonada por seus habitantes após o terremoto de 1610 e realocada para o local da atual cidade de León). O mapa mostra as fronteiras internacionais com Honduras e Costa Rica, fronteiras de departamentos, estradas, linhas ferroviárias planejadas, rios, minas, ruínas e os oceanos Atlântico e Pacífico. O relevo é representado por hachuras e as escalas de distância são dadas em: léguas castelhanas (uma légua = 4,18 quilômetros), e milhas inglesas (uma milha = 1,61 quilômetros). Por muito tempo se acreditou que a Nicarágua poderia abrigar um canal ístmico. Em 1874 Sonnenstern publicou o Relatório da rota de Nicarágua de um canal interoceânico para a passagem de navios, encomendado pelo ministro nicaraguense de obras públicas, e publicado nos EUA pelo Serviço Costeiro e Geodésico dos Estados Unidos.

Mapa geral da República de El Salvador, 1858

Maximilian von Sonnenstern foi um engenheiro civil alemão que trabalhou por muitos anos para o governo da Nicarágua e realizou levantamentos detalhados do país. Sonnenstern também produziu mapas de outros países da América Central. Seu Mapa general de la republica de Salvador (Mapa geral da República de El Salvador), criado em 1858 e publicado em 1859, foi encomendado por Rafael Campo (de 1813 a 1890), presidente de El Salvador entre 1856 e 1858. O mapa contém nove seções transversais, que mostram as alturas das montanhas e dos vulcões. Um mapa adicional retrata Nueva San Salvador, hoje popularmente conhecida como Santa Tecla, fundada em 1854 e brevemente capital nacional quando San Salvador (localizada a 11 quilômetros para o nordeste) foi devastada por um terremoto. O mapa mostra as fronteiras internacionais com Guatemala e Honduras, fronteiras de departamentos, cidades e vilas, rios, estradas, linhas ferroviárias planejadas, minas, moinhos e o Oceano Pacífico. O relevo é representado por hachuras e as escalas de distância são dadas em: léguas castelhanas (uma légua = 4,18 quilômetros), e milhas inglesas (uma milha = 1,61 quilômetros).

Parte superior da curva do Níger, região dos lagos, conforme observado durante a Missão Gironcourt

Este mapa mostra uma parte da grande curva do rio Níger, a parte do rio que fica ao leste de Tombuctu (também conhecido como Timbuktu, no atual Mali), onde o rio Níger segue para o nordeste em direção ao deserto do Saara, antes de seguir para o sul perto da cidade de Bourem e retomar seu curso em direção ao Oceano Atlântico. O mapa foi produzido pela Missão Gironcourt de 1908 a 1909, uma expedição para a região patrocinada pelo governo francês e liderada pelo agrônomo e engenheiro francês Georges de Gironcourt (de 1878 a 1960). Na época, Mali fazia parte do território da Senegâmbia-Níger, administrada pelos franceses como parte do governo-geral da África Ocidental. Gironcourt publicou um relato de sua missão em Missions de Gironcourt en Afrique occidentale (1920). O mapa inclui descrições do terreno, da flora e da geologia da região, e mostra as planícies inundáveis na seção do rio Níger entre Tombuctu e Dounzou (também conhecido como Doulsou, no atual Níger). Os relevos são representados por linhas de nível. O mapa registra cursos d’água que correm para o rio Níger e lagos e lagoas que marcam essa região do deserto, muitos dos quais com água durante apenas parte do ano. Os principais habitantes dessa região são os povos nômades tuaregues. Os nomes das diferentes confederações tuaregues e seus territórios aparecem em vermelho. No sul são mostradas as áreas habitadas pelo sedentário povo sonrai (também chamados de songhai). Um carimbo na parte inferior indica que o mapa foi “Emprestado pela Sociedade Geográfica Americana para a Conferência de Paz de Versalhes, de 1918 a 1919”.