Fazendo minha parte para a Irlanda

Margaret Skinnider (por volta de 1893 a 1971) nasceu na Escócia de pais irlandeses. Ela tinha formação de professora e lecionou matemática em Glasgow, na Escócia, antes de deixar o trabalho para ir a Dublin a fim de participar da Revolta da Páscoa de abril de 1916. A obra Fazendo minha parte para a Irlanda, de Skinnider, foi publicada nos Estados Unidos em 1917 e apresenta relatos de suas atividades revolucionárias em 1915 e 1916. Ela começa contando a história de sua primeira viagem a Dublin, em 1915, quando contrabandeou detonadores de bombas para a Irlanda para serem usados pelos nacionalistas. O caso é seguido por uma narrativa mais extensa que fala do seu papel na Revolta da Páscoa. Skinnider carregou munição, serviu como mensageira e foi franco-atiradora. Depois de passar sete semanas no hospital se recuperando de três tiros sofridos durante a revolta, ela conseguiu evitar sua prisão e voltou para Glasgow. Durante um breve retorno à Irlanda em agosto de 1916, foi seguida por um detetive e fugiu para os Estados Unidos, onde em 1917 e 1918 realizou campanhas pela causa da independência irlandesa. O livro está ilustrado e contém, além da narrativa de Skinnider, cópias fac-símile de documentos importantes relacionados com os acontecimentos de abril de 1916, incluindo a proclamação de uma república irlandesa pelo governo provisório, selos emitidos pela República durante sua breve existência, a última proclamação emitida por Padraic Pearse, presidente da República, e documento de rendição de Pearse de 29 de abril de 1916. O livro conclui com as letras das músicas cantadas por voluntários irlandeses antes e depois da Revolta da Páscoa. Após morar nos Estados Unidos, Skinnider retornou para a Irlanda e participou ativamente do Cummann na mBan, uma associação de mulheres formada para auxiliar o Exército Republicano Irlandês.

Insurreição em Dublin

A Revolta da Páscoa de abril de 1916 foi uma tentativa dos nacionalistas irlandeses de provocarem uma rebelião em todo o país e, assim, garantir a independência da Irlanda do domínio britânico. A luta ficou basicamente confinada a Dublin, matando 60 rebeldes e 130 soldados e policiais, além de 300 civis atingidos pelo fogo cruzado. Depois da revolta, os britânicos executaram outros 15 conspiradores. Entre eles estava Sir Roger Casement, um protestante irlandês que se tornara um fervoroso nacionalista e havia tentado adquirir armas da Alemanha para os insurgentes, inimiga da Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial, em andamento na época. The Insurrection in Dublin (Insurreição em Dublin) é um relato da Revolta da Páscoa escrito pelo poeta e romancista James Stephens (de 1882 a 1950), importante figura no renascimento literário irlandês do início do século XX e defensor da independência irlandesa. Stephens testemunhou de primeira mão os acontecimentos descritos no livro, e muitos daqueles que morreram eram seus amigos e colegas. O livro começa com um relato estritamente cronológico, com sete capítulos sucessivos dedicados aos acontecimentos de segunda-feira, 24 de abril a domingo, 30 de abril. Os cinco capítulos restantes lidam com o fim da insurreição, os voluntários participantes, seus líderes, o papel do trabalho durante a insurreição e as “Questões Irlandesas”. Neste capítulo final, Stephens argumenta que há duas questões irlandesas: uma questão internacional sobre a independência do país, e outra nacional referente às relações entre católicos e protestantes na ilha. A Revolta da Páscoa se tornou um ponto de convergência para os nacionalistas irlandeses e mais tarde resultou no Tratado Anglo-Irlandês de dezembro de 1921, seguido logo depois pelo estabelecimento do Estado Livre Irlandês e a divisão da Irlanda. A edição da Revolta em Dublin que apresentamos aqui foi publicada em Nova York em 1916.

História do movimento Sinn Fein e a Rebelião Irlandesa de 1916

Sinn Fein (“Nós mesmos”, em gaélico) foi fundado para promover a revitalização cultural e a independência política da Irlanda. History of the Sinn Fein Movement and the Irish Rebellion of 1916 (História do movimento Sinn Fein e a Rebelião Irlandesa de 1916) é uma história detalhada do movimento escrita por Francis P. Jones, ex-integrante do movimento e que havia deixado a Irlanda e migrado para os Estados Unidos. O livro abrange o período desde a fundação do movimento Sinn Fein em Dublin em 1905 até a Revolta da Páscoa de abril de 1916. A obra lida com aspectos econômicos, culturais, religiosos e políticos da independência da Irlanda, bem como as reviravoltas da política britânica e os debates no Parlamento sobre o Home Rule (Governo autônomo). Mais da metade do livro é um relato detalhado da Revolta da Páscoa, com base em fontes documentadas e em relatos de primeira mão de homens que haviam lutado e depois fugido para os Estados Unidos. Os capítulos finais falam das consequências da revolta, incluindo o julgamento e a execução de seus líderes. Um capítulo sobre as “Mulheres da Nação” foi escrito pela esposa do autor, a quem o livro é dedicado. A introdução é de John W. Goff (de 1848 a 1924), um imigrante da Irlanda que se destacou em Nova York como advogado e juiz. O apêndice, “Lista de Honra da Irlanda”, contém uma lista completa com o nome dos homens mortos nas lutas de abril de 1916 e dos condenados à prisão, ao trabalho forçado ou à prisão com trabalho forçado. O apêndice conclui com detalhes do número de homens deportados e presos sem julgamento.

Província de Terra Firme e Novo Reino de Granada e Popayán

Este mapa de 1631 produzido por Willem Janszoon Blaeu (de 1571 a 1638) mostra a América Central e a parte do noroeste da América do Sul, incluindo todo ou partes do território da Colômbia, do Equador e da Venezuela. Um texto em holandês no verso do mapa explica a geografia das regiões retratadas, que abrange o vice-reinado espanhol de Nova Granada e a província de Popayán, cujo nome vem da cidade colonial localizada no sopé do vulcão Puracé na Cordilheira Central dos Andes. O mapa mostra rios e outras características geográficas, além de cidades e missões. O mapa retrata os relevos de forma ilustrada, e apresenta duas escalas de distância: léguas espanholas e milhas alemãs. Blaeu coloca uma rosa dos ventos colorida à mão no Mar do Caribe (intitulado Oceano do Norte, como o Atlântico era chamado na época), e outra, ligeiramente maior, no Pacífico (intitulado Oceano do Sul). O título, as escalas, a assinatura de Blaeu e outras informações no mapa estão em latim, mas os topônimos são registrados em espanhol. Blaeu foi um destacado cartógrafo e editor de mapas e patriarca de uma família de notáveis cartógrafos, como seus filhos Joan e Cornelis. Nascido nos Países Baixos em 1571, entre 1594 e 1596 ele estudou na Dinamarca com o astrônomo Tycho Brahe, onde aprendeu a fabricar instrumentos e globos. De volta a Amsterdã, Blaeu fundou a empresa de mapas da família. Em 1680 foi nomeado hidrógrafo-chefe da Vereenigde Oost-Indische Compagnie (Companhia Holandesa das Índias Orientais), permanecendo nesse cargo até sua morte. O uso da rosa dos ventos e da cuidadosa marcação de cabos, ilhas e baixios ao longo das costas reflete seu interesse pela cartografia marítima.

Imagem comparativa da extensão e população das possessões coloniais da Grã-Bretanha e de outras potências

Este mapa mostra a extensão do império britânico e de outros impérios europeus na época de sua publicação, em 1829. As diferentes cores são usadas para indicar as possessões coloniais da Grã-Bretanha, da França, da Espanha, de Portugal, dos Países Baixos, da Dinamarca e da Suécia. Uma tabela na parte inferior lista todos os territórios dessas sete potências, seu tamanho em milhas quadradas, populações, e as exportações e importações entre as colônias e seus respectivos países colonizadores (em libras esterlinas). Em geral, o comércio da Grã-Bretanha com suas possessões se mantinha mais ou menos equilibrado, mas isso só era possível porque o alto déficit com as Índias Ocidentais (devido principalmente às importações de açúcar), era compensado pelos altos superávits provenientes das outras colônias. A tabela no canto inferior direito apresenta as populações das colônias da Grã-Bretanha e das grandes potências estrangeiras, juntamente com as exportações britânicas para suas colônias e os níveis de consumo per capita. A população dos EUA é registrada com 12 milhões, e a da Rússia, o maior país da Europa, com 56,5 milhões. O próprio mapa mostra o tamanho da expansão imperial europeia em 1829. A corrida pela África ainda não havia começado, e as colônias europeias na África, com exceção ao Cabo da Boa Esperança (na atual África do Sul), eram pouco mais do que postos avançados costeiros. O território da Baía de Hudson (grande parte do atual Canadá) aparece estendido por vários estados do noroeste do Pacífico americano, refletindo as reivindicações britânicas por esse território que só foi renunciado em 1846, quando a fronteira entre os EUA e o Canadá foi estabelecida por tratado a 49° norte. O mapa foi produzido por James Wyld (de 1790 a 1836), geógrafo do rei e fundador de uma editora de mapas, empresa continuada por seu filho, o jovem James Wyld (de 1812 a 1887).

Reino da Irlanda, grande parte dividido entre as principais regiões de Ulster, Connacht, Leinster e Munster

Este mapa colorido à mão da Irlanda foi publicado em 1715 pela empresa de Johann Baptist Homann (de 1663 a 1724), gravador e editor de Nurembergue. O mapa se baseia em obras anteriores de Nicolaes Visscher (de 1649 a 1702), da segunda de três gerações da família Visscher, comerciantes de arte e editores de mapas em Amsterdã, e em obras do inglês Sir William Petty (de 1623 a 1687), economista político pioneiro que liderou o levantamento cadastral nacional da Irlanda realizado de 1656 a 1658 durante o governo de Oliver Cromwell. O mapa está em latim, mas os topônimos e as versões celtas originais são registrados em inglês. A obra traz duas cártulas decorativas, uma no título e outra na escala, e fornece quatro escalas de distância: milhas alemãs, francesas, inglesas e irlandesas. Cores diferentes são usadas para mostrar as quatro províncias históricas da Irlanda: Connaught, Leinster, Munster e Ulster. O mapa mostra os condados e as baronias dentro das províncias, arcebispados, cidades e vilas, estradas principais e outras características geográficas. A cártula decorativa no canto inferior direito com as escalas de distância mostra homens realizando duas formas de atividade econômica: pesca e agricultura. O ornato está coroado com o brasão real britânico, formado por um escudo apoiado por um leão e um unicórnio, rodeados por uma liga com a máxima anglo-normanda: honi soit qui mal y pense (Envergonhe-se quem nisto vê malícia).

Província de Ulster com levantamento de Sir William Petty

Este mapa de Ulster (na atual Irlanda do Norte), publicado em Londres em 1689, baseia-se no Levantamento Down da Irlanda, realizado entre 1656 e 1658. Conforme indicado no subtítulo, são mostrados condados e baronias da província, arcebispados, cidades, estradas e pontes, e a distribuição de cadeiras no parlamento. O mapa retrata os relevos de forma ilustrada, e apresenta duas escalas de distância: milhas irlandesas e milhas inglesas. O Levantamento Down foi o primeiro levantamento topográfico detalhado do mundo que abrangeu todo um território nacional. Seu objetivo era mensurar terras que, após a calamitosa Guerra Civil inglesa, em que grande parte foi travada em solo irlandês, deveriam ser tomadas de proprietários irlandeses católicos e entregues a protestantes ingleses, muitos dos quais soldados que lutaram na guerra sob o comando de Oliver Cromwell (de 1599 a 1658). A pesquisa foi liderada por Sir William Petty (de 1623 a 1687), um cirurgião-geral do exército inglês. Filho de um pobre tecelão em Hampshire, Petty trabalhou como camareiro, vendedor ambulante, marinheiro e comerciante de roupas, antes de se tornar médico, professor de anatomia na Universidade de Oxford, professor de música em Londres, inventor, fazendeiro e membro do Parlamento. Ele escreveu vários livros, incluindo Tratado de Impostos e Contribuições (1662), Levantamento Político ou Anatomia da Irlanda (1672), e Cinco Ensaios em Aritmética Política (1687), em que, parcialmente inspirado no seu trabalho com o levantamento topográfico, chegou a conclusões profundamente originais sobre trabalho, emprego, salários, aluguéis, preço da terra e dinheiro. Por essas descobertas ele foi chamado, por Karl Marx e outros, de o “pai da economia política”. Ao coletar estatísticas detalhadas sobre preços, produção e outras variáveis econômicas, Petty também foi o primeiro a usar o empirismo na economia. Como todos os seus resultados eram registrados (“set down”) em mapas, ele chamou o levantamento da Irlanda de Levantamento Down.

Bessarábia, o mapa etnográfico

Na primavera de 1919 o capitão John Kaba do Exército dos EUA concluiu um levantamento de dois meses sobre as condições políticas e econômicas na Bessarábia (na atual Moldávia), para a Administração de Assistência Americana, organização criada pelo Congresso dos EUA para fornecer assistência humanitária e combater a fome em massa na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Kaba publicou suas descobertas num relatório intitulado Comentário político-econômica de Bessarábia, publicado em 30 de junho de 1919. Este mapa acompanhou o relatório. Ele usa círculos coloridos para representar o tamanho e a composição étnica das populações de vilas e cidades da província. O gráfico de barras colorido à esquerda do mapa fornece uma legenda para os círculos, e separa por grupo étnico os 3 milhões de habitantes do país. Os principais grupos por tamanho da população são listados como: romenos (na Rússia conhecidos como moldávios), judeus, ucranianos, russos, “romenos que se tornaram russos ou russianos”, alemães (colonos), ciganos, búlgaros (colonos), lipovenos (antigos crentes russos), cossacos, turcos búlgaros, poloneses, armênios e várias outras nacionalidades. A tabela no canto inferior esquerdo do mapa fornece estatísticas sobre produção agrícola; instituições religiosas; populações das cidades, vilas e condados; profissões dos habitantes da província; orçamentos do governo; imprensa; escolas, saúde pública e outros diversos tópicos. O mapa retrata as fronteiras internas entre voloste e distritos, mosteiros, linhas ferroviárias, estações e pontes. A escala é dada em quilômetros.

Mapa econômico da Geórgia

Este mapa econômico, em francês, da República Democrática da Geórgia foi produzido em 1918, ano em que a Geórgia declarou sua independência do Império Russo sob um governo social-democrata. O mapa mostra as fronteiras da nova república com Circássia (República Montanhosa do Cáucaso do Norte), no norte, da Turquia e da República da Armênia, no sul, e do Azerbaijão no sudeste. Também são retratados pontos como cidades e vilas, portos, ferrovias e as balsas que ligam o porto de Batoum (atual Batumi), no Mar Negro, até Odessa (na atual Ucrânia) e Novorossiysk (na atual Federação Russa). Cores e sombreados são usados para mostrar as diferentes regiões agrícolas no país, que incluem pastagens, florestas, regiões de vinicultura e pomares, áreas de produção de grãos e áreas de cultivo especializado. Esta última (apresentada na tabela da parte inferior esquerda e identificada por região), inclui uma grande variedade de culturas, como tabaco, chá, amoras (para produção de seda), nozes, plantas decorativas e muitas outras. Os símbolos indicam minas e pedreiras exploradoras de diferentes minerais, incluindo cobre, chumbo, zinco, antimônio, ferro, ouro, carvão, nafta e outros produtos. O relevo é representado por pontos de elevação em metros. As escalas de distância são dadas em verstas e em quilômetros. Em 1921 o Exército Vermelho invadiu a Geórgia, transformando-a numa república socialista soviética, novamente sob o domínio russo. Geórgia passou a ser um estado independente em 1991, após a dissolução da União Soviética.

Lago Titicaca

Este mapa do Lago Titicaca, produzido por Rafael E. Baluarte, cartógrafo da Sociedade Geográfica de Lima, foi feito para a monografia sobre o lago realizada pelo Dr. Ignacio La Puente e apresentada para a sociedade em dezembro de 1891. O mapa se baseia em pesquisas e explorações do lago e de seus arredores conduzidas pelo diplomata e explorador britânico Joseph Barclay Pentland (de 1797 a 1873), pelo geógrafo e naturalista peruano de origem italiana Antonio Raimondi (de 1826 a 1890), pelo suíço Louis Agassiz (de 1807 a 1873), entre outros. O mapa retrata ruínas antigas, minas, locais de importantes batalhas, estradas e ferrovias. As profundezas do lago são dadas em metros. O relevo é representado por hachuras. O meridiano de origem fica em Paris, onde o mapa foi gravado. Com uma parte localizada no Peru e outra na Bolívia, Titicaca é o maior lago de água doce da América do Sul. A 3.810 metros acima do nível do mar, é também o mais elevado dos grandes lagos do mundo. Ele abrange 8.300 quilômetros quadrados e estende-se do noroeste ao sudeste num raio de 190 quilômetros. O lago tem 80 quilômetros de diâmetro no seu ponto mais extenso. Sua profundidade média varia entre 140 e 180 metros, sendo o ponto mais profundo registrado com 280 metros, próximo a Isla Soto, na parte nordeste do lago. (Este mapa mostra uma profundidade de 256,49 metros exatamente no leste da ilha). Mais de 25 rios desaguam no Lago Titicaca. Ruínas e outras evidências arqueológicas indicam que as áreas circunvizinhas do lago têm sido habitadas por diferentes povos desde 10.000 a.C. Entres esses povos estão: os pukaras, os tiwanakus, os colla lupakas e os incas.