13 de abril de 2016

Trieste

Este pôster de filme é uma obra do artista italiano Tito Corbella (nascido em Pontremoli em 1885 e falecido em Roma em 1966), mais conhecido como designer de cartões postais de mulheres glamorosas. Ele também produziu ilustrações e pôsteres de filmes, como este que apresentamos aqui. O pôster retrata uma mulher de vestido vermelho enfeitado com lírios brancos; ela aparece joelhada, com os braços levantados e correntes nos pulsos. A mulher simboliza a cidade de Trieste, historicamente parte do Império Austro-Húngaro e seu principal ponto de acesso ao mar durante a Primeira Guerra Mundial. O movimento irredentista italiano vinha realizando campanhas pela anexação da cidade desde as duas últimas décadas do século XIX pelo menos. No final da guerra, em novembro de 1918, o Exército Real italiano entrou em Trieste aplaudido por parte da população que era a favor da causa italiana. O exército declarou a captura da cidade e estabeleceu um toque de recolher. Do ponto de vista político, a anexação de Trieste e da região circunvizinha de Venezia Giulia pela Itália era inevitável, mas havia certa oposição do recém-estabelecido Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que também queria se apossar da cidade e de suas áreas do interior. O status de Trieste como cidade italiana foi confirmado pelo Tratado de Rapallo de 1920. A anexação deteriorou as relações entre as populações italianas e eslovenas, que às vezes travavam furiosas lutas armadas.

Autores da catástrofe europeia diante da Civilização

Este pôster, publicado em Florença por volta de 1915, retrata duas mulheres, que personificam a Civilização e História, amaldiçoando os governantes da Alemanha, da Áustria-Hungria, da Bulgária e do Império Otomano (Guilherme II, Francisco José I, Fernando I e Mehmed V, respectivamente), e culpando-os pela Primeira Guerra Mundial. Os governantes se mostram intimidados pelos olhares das mulheres. O fundo mostra soldados mortos num campo de batalha e uma cidade em chamas. A legenda com fortes palavras abaixo da imagem diz: “Sobre as ruínas, provocadas pela insanidade de um velho tirano – Da câmara de restos mortais humanos, desejada por um homem ambicioso e arrogante – O maldito grito da eterna condenação dos quatro executores da humanidade ressoa com mais intensidade – Um grito de mães e filhos – Choro de viúvas e órfãos – A clamada vitória dos defensores da Liberdade chegou – Justiça prevalece – A história registra o nome dos bárbaros, amaldiçoando-os para a posteridade”.

Ladainha decrépita (Para ser cantada em dias chuvosos, enquanto se aperta o nariz com dois dedos)

Aqui apresentamos um desenho satírico de um barco chamado Quistione Italiana (Problema italiano), navegando no “Mar da Conferência” e transportando o primeiro-ministro italiano Vittorio Emanuele Orlando, o primeiro-ministro britânico David Lloyd George, o Presidente Woodrow Wilson, dos Estados Unidos, e o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, conhecidos como Os Quatro Grandes da Conferência de Paz de Paris de 1919. No leme, Orlando implora para que os outros acordem. O camaroteiro no mastro simboliza os “Eslavos Estúpidos” e aponta para Fiume, o porto adriático reivindicado tanto pela Itália quanto pelo recém-estabelecido Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Abaixo da imagem vemos a letra de uma canção de ninar: “Era uma vez um pequeno navio / Era uma vez um pequeno navio / Era uma vez um pequeno navio / Que não podia, não podia mais navegar. / 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 semanas se passaram... / 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 semanas se passaram... / 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 semanas se passaram ... / E até o mar estava começando a... secar”. Uma anotação abaixo da canção sugere que os versos podiam ser repetidos à vontade, dependendo da resistência do cantor, e sempre segurando o nariz. O pôster e a letra refletem a frustração e a indignação nacionais sentidas na Itália durante a primavera de 1919, quando ficou claro para os italianos que não seria possível conseguir o território ao longo do mar Adriático como resultado de sacrifícios na Primeira Guerra Mundial. Essa situação foi explorada pelos crescentes movimentos nacionalistas na Itália com discursos sobre uma “vitória aleijada” e, por fim, culminada na captura de Fiume em 12 de setembro de 1919 por uma tropa de soldados irregulares italianos liderados pelo escritor nacionalista Gabriele D’Annunzio (de 1863 a 1938).

Tão firme como o legionário romano

Esta ilustração em aquarela retrata um legionário romano armado segurando um estandarte com as cores da bandeira italiana diante de um bárbaro alemão usando um capacete com asas. A imagem sugere abertamente um paralelo entre os italianos lutando contra os alemães durante a Primeira Guerra Mundial e as legiões da Roma antiga que lutaram contra as tribos germânicas bárbaras no tempo de Júlio César. O estandarte contém as letras “S.P.Q.R.” (Senatus Populusque Romanus; Senado Romano e o Povo), lema da Roma antiga estampada nos estandartes das legiões romanas. A Itália entrou na guerra em 1915 ao lado dos aliados, França e Grã-Bretanha, e lutou principalmente contra o Império Austro-Húngaro, que tinha apoio de outra grande potência germânica da Europa, a Alemanha Imperial.

É impossível todo mundo tomar banho aqui!

Esta aquarela satírica do artista italiano Raffaello Jonni faz parte de uma série de 79 desenhos originais de Jonni mantidos na Biblioteca de Alexandrina em Roma. A obra mostra soldados de quatro países interessados no mar Adriático ao redor de uma pequena bacia com água rotulada “Adriático” com a legenda abaixo dizendo: “É impossível todo mundo tomar banho aqui!”. A imagem e as palavras se referem às rivalidades entre os países limítrofes com o mar Adriático: a Itália, o recém-estabelecido Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, a Albânia e a Grécia; pela influência sobre as regiões que fazem fronteira com o mar. A Questão Adriática estava entre os problemas mais difíceis abordados na Conferência de Paz de Paris, realizada depois da Primeira Guerra Mundial. Seu principal ponto era o futuro dos territórios ao longo da costa oriental do mar Adriático, que anteriormente pertenciam ao Império Austro-Húngaro, alguns dos quais a Itália tentou incorporar ao seu território após a derrota e dissolução do império no final da guerra.

É claro que são necessários oito pés para lidar com um otomano

Esta aquarela satírica do artista italiano Raffaello Jonni faz parte de uma série de 79 desenhos originais de Jonni mantidos na Biblioteca de Alexandrina em Roma. A obra retrata um turco de oito mãos sendo atacado por quatro soldados: um russo, um inglês, um francês e um italiano. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Russo, o Reino Unido, a República Francesa e o Reino da Itália eram aliados contra uma coalizão que incluía o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro, o Reino da Bulgária e o Império Otomano. Os soldados aliados estão fazendo o turco recuar com quatro de seus oito pés coletivos. A ilustração é portanto um trocadilho com a palavra italiana Ottomano, cuja pronúncia se semelhante a otto mani, ou seja, “oito mãos”.