3 de março de 2016

A Haftará

Este códice iluminado e sem data, que provavelmente remonta do século XVIII, consiste em uma Haftará (também chamada de Haftorá), feita com 263 folhas de pergaminho costuradas em uma encadernação de couro. Na tradição judaica, a haftará é a leitura do texto dos profetas feita no sabá, nos festivais e nos dias santos. Este exemplar contém os cinco livros de Moisés (também conhecido como Pentateuco); partes dos livros dos profetas; transcrições de cinco livros curtos da Bíblia hebraica (Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester), que formam um grupo conhecido como Hamesh Megillot (Cinco Rolos); o Livro dos Provérbios; e orações para o dia a dia, para o sabá e para os dias santos (de acordo com as práticas asquenazes). O escriba e provável ilustrador deste manuscrito foi Abraham bar Chizkija ha Lévi. Anteriormente, o manuscrito pertenceu a Samuel Gráf de Csakatorn e a Anton Kohn de Zagreb, que o manteve em seu poder até meados de 1858. Um terceiro dono foi Moisés Issachar, filho de Isaac de Schleining. Ele hoje pertence às coleções da Biblioteca Nacional da Eslováquia.

Carta de Robert William Seton-Watson para Svetozar Hurban-Vajanský, 1908

Aqui é mostrada uma carta de 15 de junho de 1908, escrita pelo historiador e jornalista britânico R.W. [Robert William] Seton-Watson (1879 a 1951) para Svetozár Hurban-Vajanský (1847 a 1916), escritor, jornalista, crítico literário e político eslovaco. Seton-Watson tinha grande interesse e escreveu bastante sobre a história dos povos eslavos e a situação étnica na Hungria. Ele se preocupava particularmente com o status dos eslovacos na Hungria. Ao longo do tempo, tornou-se simpatizante e amigo dos eslovacos, e escreveu artigos sobre os conflitos étnicos na Hungria. Visitou várias vezes o território da atual Eslováquia (que, na época, era parte da Hungria) antes da Primeira Guerra Mundial, onde travou contato com políticos eslovacos e personalidades culturais da região. A carta trata de Problemas Raciais na Hungria e foi publicada por Seton-Watson em 1908 sob o pseudônimo de Scotus Viator. O livro faz um estudo detalhado, com mais de 500 páginas, sobre a Hungria e sua história, particularmente no que tange à situação da minoria eslovaca. Seton-Watson escreveu quase o livro inteiro, mas três capítulos sobre a cultura popular eslovaca foram contribuições de autores eslovacos. Hurban-Vajanský escreveu o capítulo chamado “Poesia Popular Eslovaca”. Na carta, redigida em alemão, Seton-Watson implora para que seu colaborador envie o capítulo imediatamente, para que ele possa traduzi-lo e enviá-lo à editora, de modo que o livro possa ser publicado até o fim de setembro.

Anúncio de recompensa pela captura dos organizadores do Movimento Nacionalista Eslovaco

Aqui, apresenta-se um anúncio, divulgado pelas autoridades húngaras locais, exigindo a prisão dos líderes da revolta eslovaca de 1848 e 1849: Ľudovít Štúr (1815 a 1856), Michal Miloslav Hodža (1811 a 1870) e Jozef Miloslav Hurban (1817 a 1888). O anúncio está escrito em três idiomas: húngaro, alemão e eslovaco. Contém descrições dos três procurados e anuncia uma recompensa de 100 florins pela captura. Nessa época, a Eslováquia fazia parte da Hungria, que, por sua vez, fazia parte do Império Austro-Húngaro. Quando a revolução de 1848 eclodiu na Hungria, os líderes da minoria eslovaca emitiram a “Petição da Nação Eslovaca”, reivindicando direitos nacionais e individuais. O movimento revolucionário húngaro de Lajos Kossuth recusou-se a garantir os direitos das minorias eslovacas. Isso levou o Conselho Nacional Eslovaco, sob o comando de Hurban, Štúr e Hodža, a declarar independência nacional em 19 de setembro de 1848. O levante foi reprimido pelas autoridades húngaras, mas Hurban, Štúr e Hodža se tornaram heróis nacionais.

Harmonia Pastoral

Quando jovem, o compositor, organista e copista Georgius (também conhecido como Jozef) Juraj Zrunek (1736 a 1789) se tornou membro da ordem franciscana, onde se destacou como professor de música. Trabalhou especialmente na atual Eslováquia, em Hlohovec, como organista, junto a Paulin Bajan (1721 a 1792), e em Žilina, com Edmund Pascha (1714 a 1772), também conhecido como Claudianus Ostern, um irmão franciscano que era compositor, poeta e organista. As atividades de Zrunek como compositor foram objeto de pesquisa, pois alguns de seus trabalhos foram anteriormente atribuídos a Pascha. Zrunek foi um importante criador de hinos e missas natalinas. Entre seus trabalhos, temos a Harmonia pastoralis (Harmonia Pastoral), um compêndio de três obras compostas na década de 1760, e aqui apresentamos a partitura que ele fez à mão. A composição mais famosa da Harmonia pastoralis é a Missa de Natal em Fá Maior para órgão, voz solo e coro, que combina, de maneira original, o texto em latim do Ordinário da Missa com inserções de origem popular da Eslováquia (correspondendo ao espírito da peça de natividade tradicional). A segunda missa deste volume foi escrita no mesmo estilo bilíngue. O terceiro trabalho é a antífona em latim Tota pulchra (Toda Bela Sois). A página de rosto de outro compêndio de Zrunek, Prosae Pastorales (Canções pastorais) conclui este volume, mas o resto da obra não está presente. Outro manuscrito da Biblioteca Nacional da Eslováquia que contém a Harmonia pastoralis, a Prosae Pastorales e outras composições de Zrunek também está na Biblioteca Digital Mundial.

Fragmento do Picatrix

O documento apresentado aqui é um fragmento de duas páginas da obra conhecida na Europa medieval como Picatrix. Trata-se de um livro de astronomia, astrologia, conhecimentos místicos e ocultos, alquimia e magia, composto na língua árabe, na Espanha moura, algum tempo antes da metade do século XI. A versão conhecida na Europa era uma tradução para o latim do original árabe perdido, datada de cerca de 1250. Quase sempre, o trabalho original era atribuído ao astrônomo e matemático Maslama ibn Ahmad al-Majriti (falecido por volta de 1004), mas estudos modernos refutam essa autoria. Acredita-se que o título “Picatrix” seja uma distorção do nome do grande físico grego Hipócrates. O fragmento mostrado aqui data do século XIV e foi preservado por muito tempo na biblioteca Piarista em Podolínec, ao norte da Eslováquia. Ele hoje pertence às coleções da Biblioteca Nacional da Eslováquia. Wilhelm Printz, estudioso alemão da língua árabe, descobriu o original em árabe do Picatrix em torno de 1920, cujo título (Ghāyat al-Ḥakīm) havia sido traduzido como “A Meta do Sábio” ou “O Objetivo do Sábio”.