Mapa geográfico da Nova França feito pelo Sr. de Champlain de Saintonge, capitão ordinário da Marinha do Rei

A Nova França surgiu há mais de quatro séculos como resultado da determinação e do talento de Samuel de Champlain (de 1574 a 1635), um nativo de Saintonge, na França. Saindo de Honfleur, Champlain embarcou para o Canadá em 15 de março de 1603, chegando a Tadoussac após uma travessia pelo Atlântico que durou 40 dias. Primeiro ele reconheceu uma área de 50 a 60 quilômetros de extensão a montante do rio Saguenay. Depois, viajando pelo rio São Lourenço, chegou a um local perto da atual cidade de Montreal, coletando informações com os índios sobre a geografia da terra que procurava explorar. No verão de 1608, ele começou a construir a Habitação de Quebec, o posto comercial que se transformou na cidade de Quebec. Isso criou uma base para os franceses se estabelecerem no continente e explorar o interior. Após seu retorno à França, Champlain foi à corte real apresentar seus planos de fundar uma colônia norte-americana. Ele ofereceu ao rei algumas lembranças do período que permaneceu no Canadá: um cinto com pelo de porco-espinho, dois pequenos pássaros e uma cabeça de peixe. Aqui apresentamos o esplêndido mapa do país que Champlain mostrou ao rei. Ele exibiu o mesmo mapa ao conde de Soissons, a fim de obter aprovação para seus planos. Em 1612 Champlain mandou gravar o mapa para incluí-lo no relato de suas viagens, publicado por Jean Berjon no ano seguinte. Usando o norte magnético (da bússola), em vez do norte geográfico (indicado pela linha oblíqua ao longo do mapa), o mapa destaca os lugares que Champlain visitou, incluindo as costas de Terra Nova e Acádia (atual Nova Escócia) e o rio São Lourenço e seus principais afluentes. Ao oeste, o mapa retrata o rio Ottawa, também conhecido como Rivière des Algonquins (rio Algonquino). O rio foi percorrido por um jovem explorador e intérprete francês chamado Nicolas de Vignau. No extremo oeste há dois lagos, desenhados com base em informações coletadas dos índios, unidos por uma sault de au (francês antigo para “cascata”), ou seja, as Cataratas do Niágara. As primeiras menções conhecidas de alguns nomes aparecem no mapa, como por exemplo Percé, Cap-Chat (intitulado Cap de Chate, em homenagem a Aymar de Casto, tenente-general da Nova França em 1603), rio Batiscan, Lago Champlain e Lago Saint-Pierre. O mapa também indica as áreas habitadas por diferentes tribos nativas americanas na época: iroqueses, ao sul do Lago Champlain; montagnais, na margem sul do rio São Lourenço; algonquins, às margens do rio Ottawa; etchemin e souriquois, na costa atlântica; e huronianos, na região dos Grandes Lagos. Na parte inferior, bem como em outros pontos do mapa, encontram-se representações de plantas, frutas, vegetais e animais marinhos, apresentando as riquezas inexploradas dessa terra que os franceses reivindicavam. Dois casais americanos nativos também são retratados em poses típicas da época.

História da Nação Métis no oeste do Canadá

Histoire de la nation métisse dans l'Ouest canadien (História da Nação Métis no oeste do Canadá) apresenta a história de um povo que nasceu de uma excepcional mistura cultural e de uma violenta luta pela sobrevivência. Os métis do Canadá se desenvolveram como descendentes mestiços de mulheres indígenas e colonos europeus que viajaram para o Canadá vindos da França, e mais tarde da Grã-Bretanha, com o objetivo de explorar a região e fazer negócios. Os europeus estavam ansiosos para descobrir as riquezas do grande oeste canadense, e grande parte da obra se concentra nas tensões causadas pela frenética expansão dos brancos em direção ao oeste e a integração das províncias das pradarias dentro da confederação canadense. Tais tensões resultaram nas revoltas organizadas por Louis Riel (de 1844 a 1885), um rebelde métis que mais tarde se tornou um dos fundadores do atual Canadá. A obra se divide em três partes e uma conclusão. A primeira parte trata da formação da Nação Métis a partir de povos brancos e indígenas. A segunda parte relata a vida e a história da Nação Métis. A terceira parte é a mais comprida, e abrange o “martírio” da Nação Métis na insurreição de 1885. O autor, Auguste-Henri de Trémaudan (de 1874 a 1929), era um advogado, jornalista, editor e homem letrado canadense que produziu biografias, histórias e obras sobre temas históricos canadenses. Ele morreu antes de concluir esta obra. A Union Nationale Métisse Saint-Joseph du Manitoba escreveu um capítulo final com base em anotações e rascunhos deixados por Trémaudan, publicado como um apêndice. O livro contém uma extensa bibliografia.

Labrador e Anticosti. Diário de viagem, história, topografia, pescadores canadenses e acadianos, índios montagnais

Labrador et Anticosti. Journal de voyage, histoire, topographie, pêcheurs canadiens et acadiens, indiens montagnais (Labrador e Anticosti. Diário de viagem, história, topografia, pescadores canadenses e acadianos, índios montagnais) é o relato, ilustrado com muitas fotografias, de uma viagem de dois meses na região hoje conhecida como Côte-Nord, realizada em 1895 pelo clérigo e naturalista Victor-Alphonse Huard (de 1853 a 1929). Esta vasta área está localizada em Quebec, a algumas centenas de quilômetros a nordeste da cidade de Quebec. Durante suas viagens, Huard criou relacionamentos com pessoas idosas, faroleiros, missionários e outras que lhe permitiram escrever as histórias das comunidades com as quais teve contato. Ele também dedicou grande parte do seu livro à vida dos innus, um povo nativo americano também conhecido como montagnais e que vivia na região há milhares de anos. O livro oferece descrições de técnicas para a pesca de bacalhau, salmão, arenque e perca, bem como da caça de animais selvagens, e oferece uma perspectiva exclusiva sobre as populações e as atividades econômicas dessa região periférica. O livro contém um índice detalhado e um mapa dobrável da região de Labrador e Anticosti. Huard era um padre católico romano, professor, administrador escolar, naturalista, autor, editor e curador de museu. Como acadêmico, era conhecido principalmente como um cientista naturalista autor de vários livros e artigos na área da entomologia e em outros campos.

Carnaval de Inverno de Montreal, fevereiro de 1887

Aqui apresentamos o cronograma oficial do Carnaval de Inverno de Montreal de 1887. Adornado com o primeiro brasão de armas da cidade de Montreal, o cronograma é um belo exemplo da cultura visual vitoriana com seu design que, mesmo um pouco carregado, não perde a elegância, enfeites dourados e motivos florais, e uma imagem sombreada de pessoas usando raquetes de neve com o Palácio de Gelo ao fundo. O cronograma é uma evidência da expansão dos esportes de inverno em Montreal, do curling ao tobogã e ao ainda relativamente novo jogo de hóquei no gelo. O primeiro carnaval de inverno em Montreal ocorreu em 1883. O sucesso dessa comemoração esportiva de inverno também foi inspiração para iniciativas semelhantes em outras cidades norte-americanas, como Saint Paul, em Minnesota, que começou seu carnaval de inverno em 1886, e a cidade de Quebec, que começou em 1894. Em inglês, o cronograma de quatro páginas lista o calendário de eventos nos períodos da manhã, tarde e noite durante seis dias, de segunda-feira a sábado, de 7 a 12 de fevereiro. Entre as atividades listadas estão a abertura dos tobogãs, os torneios de patinação, a presença de uma equipe de cães esquimós e seu guia, um grande baile no Hotel Windsor e um jantar anual de encerramento com entrega de prêmios, seguido por um “grandioso espetáculo pirotécnico” no Castelo de Gelo. O cronograma menciona a presença de “iluminação elétrica”, na época ainda uma novidade.

5º Festival Anual do Carnaval de Inverno e Palácio de Gelo de Montreal de 1889

Esta cromolitografia anuncia o Carnaval de Inverno de Montreal de 1889, e exibe um homem usando raquetes de neve e segurando uma bandeira. O carnaval é anunciado como “uma brincadeira gelada”. Ao fundo vemos o Palácio de Gelo, uma característica proeminente dos carnavais, com fogos de artifício no céu e as pessoas brincando de tobogã, esqui e patinação no primeiro plano. Comprado em 2007 pela Biblioteca Nacional e Arquivos de Quebec num leilão em Nova York, este notável cartaz é um testemunho gráfico do grande esforço publicitário que acontecia antes do carnaval de inverno. Empresas de transporte e meios de comunicação norte-americanos ficavam ansiosas para ganhar notoriedade e lucrar com o evento, como também conhecidas figuras, empresários, funcionários municipais e clubes desportivos locais. Um ótimo exemplo das habilidades técnicas pertencentes ao American Bank Note Company, o cartaz anuncia a pequena estrada de ferro de 56 quilômetros de Concord, em New Hampshire. O Carnaval de Inverno de Montreal mudou a maneira como o inverno era visto em Quebec. Este festival buscava atrair visitantes à cidade em pleno inverno, uma estação que, em geral, era evitada. De 1883 a 1889 foram organizados cinco desses carnavais. Uma epidemia de varíola impossibilitou a realização do evento em 1886 e a retirada de financiamento das empresas ferroviárias fez com que em 1888 o carnaval fosse cancelado. Altamente divulgado, o evento contava com a presença de um grande número de turistas norte-americanos. Trens especiais eram fretados para ir ao evento e as pessoas podiam comprar passagens com desconto.

Peixe de água doce do Canadá

André-Napoléon Montpetit (de 1840 a 1898) foi um escritor, jornalista e pai do economista e professor Édouard Montpetit. Um ávido entusiasta de pesca, Montpetit mostrou um excepcional talento na observação de peixes, seus comportamentos e seus habitats. Esta obra, específica para Quebec, ilustra o rico conhecimento empírico do autor, bem como sua familiaridade com as obras sobre peixes de naturalistas europeus e norte-americanos. Com um elegante estilo, o livro foi elogiado tanto por pescadores como por naturalistas. O livro inclui finas impressões, várias delas coloridas, e um índice. A obra começa com um capítulo introdutório que discute temas como tamanho e forma, desova e reprodução, as diferentes partes do corpo, respiração e circulação do sangue, e até mesmo temas como a possível reprodução de sons pelos peixes e seu nível de inteligência. Essa parte é seguida por capítulos sobre os vários peixes de água doce do Canadá, incluindo brema, carpa, enguia, perca, esturjão, salmão, truta e muitos outros. Ao longo de seu conteúdo o livro oferece conselhos sobre como capturar vários tipos de peixes, incluindo informações sobre isca, chamariz, linhas, anzóis, redes e métodos a serem utilizados.

Canadense errante

Gravado num cilindro de cera por volta de 1905, esta gravação de Joseph Saucier (de 1869 a 1941) e uma orquestra acompanhante é uma das mais antigas gravações conhecidas de Un Canadien errant (Canadense errante), uma canção popular escrita em 1842 por Antoine Gérin-Lajoie e cantada na melodia de J’ai fait une maîtresse (Encontrei uma amante). Tendo como tema a Rebelião do Baixo Canadá de 1837 a 1838, a canção se tornou uma das mais populares do final de 1800 no Canadá francês. Desde então essa canção foi gravada em diversas ocasiões. Este cilindro fonográfico faz parte da coleção de Jean-Jacques Schira. Precursor do disco de vinil, o cilindro fonográfico foi a primeira mídia para gravação e reprodução de áudio. Nascido em Montreal, Saucier foi um barítono e maestro de coro canadense que estudou piano com seu pai antes de escolher a carreira de cantor.  Ele cantou como solista em diferentes igrejas no Canadá e com a Orquestra Sinfônica de Montreal, estudou canto em Paris, e se apresentou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Saucier foi organista e maestro na igreja St.-Louis du Mile-End, em Montreal, e mais tarde maestro de coro na igreja St.-Louis-de-France. Acredita-se que ele tenha sido o primeiro cantor canadense-francês a realizar uma gravação no Canadá, fato ocorrido por volta de 1904, mais ou menos quando esta gravação foi produzida.

Montreal, antigo e novo: divertido, convincente, fascinante. Um guia exclusivo para o editor-geral

Montreal, antigo e novo: divertido, convincente, fascinante. Um guia exclusivo para o editor-chefe é uma homenagem à cidade de Montreal, que em 1915, quando o livro foi publicado, era a sexta maior cidade no continente norte-americano. Uma grande sequência de projetos de construção havia acabado de ser concluída naquele ano na área da cidade que hoje é conhecida como Vieux-Montréal (Antiga Montreal). Os novos e impressionantes edifícios administrativos deram à cidade uma aparência bem moderna. A obra apresenta mais de 1.000 impressões e fotografias dos edifícios de Montreal e de figuras públicas, o é composta principalmente por fotografias e pequenas biografias dos cidadãos mais importantes da cidade. O livro contém dez capítulos, que cobrem temas como a fundação e o início da história da cidade; Montreal como uma cidade “imperial” de grande importância econômica e comercial para o Canadá; a história das importantes ruas e avenidas da cidade; o desenvolvimento comercial da cidade; Montreal de 100 anos atrás; vida social e religiosa; sistema educacional de Montreal; cidade de Maisonneuve (um município relativamente novo localizado ao leste da cidade); vida musical e teatral; e as profissões de especialistas na cidade.

Assinatura de Hergé no livro de visitas da La Compagnie Paquet

Aqui apresentamos a assinatura de Hergé no livro de visitas da La Compagnie Paquet. Hergé é o pseudônimo de Georges Rémi (de 1907 a 1983), cartunista belga que criou o personagem Tintim e autor de Les Aventures de Tintin (As Aventuras de Tintim), série de revistas em quadrinhos. Fundada em 1850 por Zéphirin Paquet, La Compagnie Paquet foi uma das mais bem-sucedidas empresas varejistas de Quebec do século XX. Durante seus 131 anos de operação, a empresa foi administrada por quatro gerações de Paquet e Laurin. Na década de 1950, a companhia empregava mais de 800 pessoas em sua loja em Saint-Joseph Street, no bairro de Saint-Roch, em seu local de transporte e em seus diversos ramos. A empresa vendia um pouco de tudo: tecidos, roupas de cama, roupas e acessórios, móveis, mantimentos, artigos domésticos e assim por diante. Como em outras empresas, La Compagnie Paquet mantinha um livro de visitas para visitantes que participavam de eventos especiais. A presença de Hergé numa sessão de autógrafos, na primavera de 1965, foi sem dúvida um dos eventos mais memoráveis.

Mapa da cidade de Quebec

Plan de la ville de Québec (Mapa da cidade de Quebec) é um mapa desenhado à mão feito em 1727, que mostra a Cidade Alta de Quebec, dentro e fora dos muros da cidade, e a Cidade Baixa, perto da confluência do rio São Lourenço e do rio Saint Charles com suas zonas de entremarés. O mapa traz uma rosa dos ventos como bússola, desenhada sobre o rio São Lourenço, à esquerda, e está orientado com o norte para a direita. O autor foi Gaspard-Joseph Chaussegros de Léry (de 1682 a 1756), que, como engenheiro-chefe do rei, havia sido contratado para desenvolver a cidade e construir fortificações ao seu redor. O mapa mostra uma cidadela futura e um novo muro ao oeste, bem como planos de expansão da Cidade Baixa. A legenda identifica por letras e números as estruturas existentes e as propostas pelo engenheiro, como o castelo e o Forte de Saint-Louis, além das baterias de artilharia Royale, Dauphine e Vaudreuil. O mapa também mostra os redutos Royale, Dauphine e Cap Diamant, a colina de potassa (atual Costa de la Potasse), os armazéns do rei, os armazéns de pólvora, o palácio do intendente, o palácio do bispo, a Catedral de Notre-Dame, a igreja dos recoletos, a escola e igreja jesuíta, o seminário, o mosteiro das ursulinas, e o Hotel-Dieu (hospital) com o mosteiro agostiniano. Também são indicados a igreja na Cidade Baixa (Notre-Dame-des-Victoires), e um local chamado “filles de la congrégation” (que abrigava jovens imigrantes francesas até se casarem), a cidadela proposta, o muro e a fortificação existentes da cidadela e o novo muro proposto. As obras de construção existentes e futuras estão desenhadas com cores distintas, vermelho para as construções existentes e amarelo para as futuras. Fundada em 1608 pelo explorador francês Samuel de Champlain no mesmo local de um forte construído por Jacques Cartier em 1535, a cidade de Quebec se tornou a capital da Nova França. A cidade é uma das mais antigas não apenas do Canadá, mas de toda a América do Norte. É a única cidade norte-americana que conseguiu manter todas as suas fortificações, inclusive seu muro externo. A escala é dada em toises, uma antiga unidade francesa que media aproximadamente 1,95 metros.