Arábia e o Alcorão. (A origem e a natureza do islã). Um estudo histórico

Este livro é um estudo da Arábia, do Alcorão e do islã feito pelo estudioso russo Nikolaĭ Petrovich Ostroumov (de 1846 a 1930). O texto principal é precedido por lembranças de Ostroumov de suas experiências durante as décadas de 1860 e 1870 como estudante no departamento antimuçulmano do Seminário Kazan, onde estudou os idiomas tártaro e árabe e a cultura muçulmana. Na época, o governo da região de Kazan, que era povoada por tártaros e outros grupos étnicos muçulmanos, permitiu o ensino da língua tártara nas escolas para tártaros batizados e seu uso em igrejas ortodoxas. Uma das missões do seminário era gerar funcionários do governo para trabalharem como administradores em regiões da Ásia Central russa, onde uma elevada porcentagem da população era muçulmana. Muitos muçulmanos batizados permaneceram atraídos pelo islã e na realidade conheciam bem pouco os ensinamentos cristãos. A língua tártara formal não era muito conhecida pela população tártara local. No seminário, as aulas traduziam textos religiosos cristãos para o tártaro vernáculo e os estudantes aprendiam a linguagem coloquial. O corpo principal do texto consiste em nove capítulos, incluindo uma introdução e capítulos sobre a geografia da Arábia; a história da antiga Arábia; os antigos habitantes da Arábia; a vida doméstica e social dos antigos árabes; o caráter e a moral dos árabes antigos; as crenças religiosas dos árabes antigos; seitas judaicas e cristãs que influenciaram os ensinamentos do Alcorão; árabe como idioma do Alcorão; e a personalidade do profeta Maomé. Ostroumov vê a hostilidade para com os não muçulmanos como uma característica do islã, opinião que se refletiu nos primeiros ensinamentos e se manifestou em acontecimentos então recentes, como o massacre de milhares de armênios por turcos otomanos na década de 1890.

Tratado sobre a poesia árabe

Tratado de la Poesía Arabe (Tratado sobre a poesia árabe) é uma obra de Emilio Álvarez Sanz y Tubau, um tradutor e intérprete que foi contratado pela alta comissão que exercia autoridade administrativa no protetorado de Marrocos Espanhol. Durante sua juventude, Alvarez Sanz viveu em Tânger, onde foi reconhecido como ilustre estudante de árabe. Mais tarde aperfeiçoou seu conhecimento da lei muçulmana e da língua árabe no seminário universitário da Ordem Maronita em Beirute. Em junho de 1912 foi certificado como tradutor e intérprete, dando-lhe condições de buscar uma carreira no departamento de relações externas espanhol. Tratado de la Poesía Arabe foi publicado em Tétouan em 1919 e dedicado pelo autor ao príncipe Mulay al-Mahdi Bin Ismail. O livro começa com um relato geral das origens e da história da poesia árabe. Alvarez Sanz apresenta a evolução da poesia árabe começando pela prosa original de rima simples e pelos rayes (poemas que cada dois versos se rimam), até as elevadas formas de poesia clássica em quatro períodos distintos: Yahilium (pré-islamismo); Mujdramun (primeiro período ou islâmico); Mualidun (segundo período após o islã); e Muhadazun (terceiro período até sua própria época). Ele descreve a importância de zocos (feiras de poesia realizadas em diferentes épocas do ano, como Ukaz); explora por que a poesia recitada ou cantada é preferida à forma escrita; e discute o amor como um motivo constante na poesia árabe. O livro está dividido em cinco partes: 1. composição dos versos e arte métrica (com 16 formas apresentadas); 2. métricas modernas (nove formas); 3. folclore ou músicas e cantos populares; 4. enigmas e logogrifos (Composições poéticas especiais feitas com palavras complexas ou sentenças entrelaçadas); e 5. uma seleção de exemplos de “poesia oriental”, com poemas completos que mostram o virtuosismo dos artistas árabes.

Cavalos e costumes do deserto do Saara

Les chevaux du Sahara et les mœurs du désert (Cavalos do Saara e caminhos do deserto) é um estudo dos cavalos do Norte de África, acompanhado por comentários etnográficos baseados na vivência do autor na Argélia e nas reflexões de ‘Abd al-Qadir al-Jaza’iri, emir de Mascara (de 1808 a 1883). O livro foi escrito pelo general Eugène Daumas (de 1803 a 1871), um soldado francês que participou na conquista da Argélia pela França. A primeira metade do volume trata do cavalo saariano, suas diferenças entre o cavalo árabe, e os detalhes de sua serventia, cuidados e procriação. Como Daumas foi antes de tudo um oficial da cavalaria, ele discute detalhadamente as virtudes do cavalo saariano na montagem militar. A segunda metade do volume é dedicada aos modos e costumes dos habitantes do Norte da África, ou seja, os berberes, ou como Daumas os chama: “povo da tenda”. Essa seção não é uma etnografia abrangente ou acadêmica, mas sim uma coleção de observações, folclore, provérbios e tradições equestres que abrangem guerra e paz entre as tribos, caça, e criação de cavalos, camelos e ovelhas. Durante todo o volume, Daumas complementa suas próprias observações com o testemunho de ‘Abd al-Qadir al-Jaza’iri, a quem consultou por meio de correspondência. ‘Abd al-Qadir al-Jaza’iri lutou contra a ocupação francesa no seu país. Ele foi capturado e mais tarde libertado, passando o restante de sua vida em Bursa, na Turquia, e em Damasco, na Síria. Através de seus escritos, seu carisma pessoal e, especialmente, sua defesa da população cristã nas revoltas de 1860, ele consolidou uma reputação de tolerância que persiste até os dias de hoje na Europa e no Oriente Médio. O livro apareceu pela primeira vez em 1851, sendo seguido por várias outras edições em francês e em alemão. A obra que apresentamos aqui foi publicada em 1862.