27 de janeiro de 2016

Recebedores da Cruz de São Jorge, premiados com a mais alta condecoração militar. Pela captura de Tashkent em 18 de junho de 1865: alferes V.F. Aleksandrov

Esta fotografia faz parte da Seção Histórica do Álbum do Turquestão, um abrangente levantamento visual da Ásia Central realizado após a Rússia imperial assumir controle da região na década de 1860. Encomendado pelo general Konstantin Petrovich von Kaufman (de 1818 a 1882), primeiro governador-geral do Turquestão Russo, o álbum é dividido em quatro seções, totalizando seis volumes: “Seção Arqueológica” (dois volumes); “Seção Etnográfica” (dois volumes); “Seção sobre o Comércio” (um volume) e “Seção Histórica” (um volume). O compilador das três primeiras seções foi o orientalista russo Aleksandr L. Kun, auxiliado por Nikolai V. Bogaevskii. A produção do ábum foi concluída em 1871 e 1872. A quarta seção foi compilada por Mikhail Afrikanovich Terent’ev (nascido em 1837), um oficial militar, orientalista, linguista e autor russo que participou da expedição russa à Samarcanda de 1867 a 1868. A “Seção Histórica” registra as atividades militares russas entre 1853 e 1871 com fotografias e mapas em aquarela dos cercos e das batalhas mais importantes. As fotografias incluem retratos individuais e em grupo de soldados e oficiais militares. Dos homens retratados, a maioria foi condecorada com a Cruz de São Jorge, uma medalha conferida a soldados e marinheiros pela bravura em combate. Algumas fotografias no início do álbum registram oficiais condecorados com a Ordem de São Jorge, reconhecimento conferido aos oficiais seniores russos por alto mérito na condução de operações militares. O álbum também mostra vistas de cidadelas, fortificações, cidades e aldeias, igrejas, ruínas e monumentos em memória aos soldados mortos em batalha. O álbum contém 211 imagens em 79 placas.

Descrição da Ucrânia, ou regiões do Reino da Polônia entre Moscóvia e Transilvânia

Aqui apresentamos uma antiga tradução para o russo da Description d'Ukranie, uma influente obra publicada em francês em 1651. O autor, Guillaume Le Vasseur de Beauplan, foi um engenheiro francês que trabalhou na Polônia entre 1630 e 1647. Ele construiu fortificações na Ucrânia, cuja maior parte de seu território estava sob o controle polonês na época, participou de batalhas com cossacos e tártaros e, em 1639, desceu o rio Dnieper de barco. Beauplan produziu dois importantes mapas da Ucrânia com base em suas próprias observações e em suas minuciosas medições astronômicas e topográficas. O livro contém um prefácio do autor e sua dedicação da obra a Jan II Kazimierz, rei da Polônia. O texto principal é apresentado em sete capítulos: “Descrição da Ucrânia”, “Descrição da Crimeia”, “Sobre os tártaros da Crimeia”, “Sobre os cossacos ucranianos”, “Sobre a eleição dos reis poloneses”, “Sobre a liberdade dos nobres poloneses” e “Sobre os costumes dos nobres poloneses”. O livro contém descrições detalhadas de Kiev e outras cidades que continuam sendo importantes fontes de informação sobre a Ucrânia do século XVII. Ele descreve os tártaros como um povo cruel e belicoso, que usou sua base na Crimeia para organizar ataques contra Moscóvia e Polônia. O capítulo sobre os cossacos discute como o hetman (chefe) cossaco era escolhido e os poderes dados a ele, e menciona que se o hetman mostrasse fraqueza ele era morto por seus subordinados. O capítulo também descreve como os cossacos construíram os navios usados nos ataques ao litoral da Ásia Menor, onde capturaram embarcações turcas e realizaram saques, além de temas como costumes dos cossacos para o casamento, doenças e medicamentos entre eles, seus hábitos de consumir bebidas e o rigoroso inverno na Ucrânia. A edição de Description d'Ukranie apresentada aqui é uma tradução em russo publicada em 1832 em São Petersburgo. O livro contém índice e uma dedicação e prefácio do tradutor.

Canção da campanha de Igor: texto em tradução com explicações das regras de sotaques e rima no idioma russo antigo

Aqui apresentamos uma tradução para o ucraniano de Slovo o polku Igoreve (Canção da campanha de Igor), o poema heroico do final do século XII e que é um dos grandes marcos da literatura em russo antigo. A tradução foi publicada em 1884 pela gráfica da Sociedade Científica Shevchenko em Lvov (atual L’viv), naquela época parte da província austro-húngaro de Galícia (na parte sudeste onde predominavam os ucranianos). Ela usa a ortografia desenvolvida para os ucranianos em Galícia a partir na década de 1860 (publicações em ucraniano eram proibidas no Império Russo até o fim da revolução de 1905). O livro inclui um texto reconstruído do Slovo em russo antigo em letras eslavo eclesiástico (nas páginas de 11 a 32); uma tradução para o ucraniano moderno com ortografia galega (nas páginas de 33 a 48); anotações sobre acentuação e prosódia (nas páginas de 51 a 106); um antigo dicionário do russo para o ucraniano (das páginas de 119 a 145); e o texto do Slovo originalmente publicado pelo conde Aleksei Ivanovich Musin-Pushkin em russo (nas páginas de 147 a 157) com letras civis (não eslavo eclesiástico). O Slovo reconta a história do príncipe Igor Sviatoslavich (por volta de 1151 a 1202), um dos quatro príncipes territoriais de Rus’ de Kiev de cidades-trono nos rios Desna e Seym que, em 23 de abril de 1185, partiu para as pradarias além do rio Donets para lutar contra os cumanos. Em 12 de maio, o exército dos quatro príncipes foi aniquilado pelo inimigo. Igor foi capturado e mantido prisioneiro por um ano ou mais antes de escapar e voltar para sua casa. O Slovo conta a história da campanha malsucedida, mas que mesmo assim foi elogiada como um empreendimento heroico: “Salve, príncipes e cavaleiros / lutando pelos cristãos / contra as tropas pagãs! / Para a glória dos príncipes, e dos cavaleiros / glória. Amém”. O Slovo foi perdido e esquecido por séculos até aproximadamente 1790, quando Musin, um colecionador de antiguidades e um membro leigo de destaque do sínodo da igreja russa, obteve uma cópia manuscrita da obra que possivelmente foi criada no século XVI. Musin comprou o manuscrito de um intermediário que acredita-se o ter adquirido de um mosteiro dissolvido em 1788. Musin publicou o texto em 1800. No século XX, o romancista russo-americano Vladimir Nabokov traduziu o poema épico para o inglês.