Retrato de três jovens de Túquerres, província de Túquerres

Esta aquarela de Manuel María Paz (1820 a 1902) mostra três jovens rapazes usando ruanas (ponchos). Produzidas localmente com lã de alpaca, vicunha ou lhama, essas vestes são conhecidas por serem quentes e por suas cores vibrantes. A cena se dá na fronteira da cidade de Túquerres, na província de Túquerres (atual região de Nariño), no sudoeste da Colômbia. A cidade fica em um planalto andino a cerca de 3.000 metros acima do nível do mar. A aquarela é comum nas obras de Paz, que capturavam a diversidade da população da Colômbia e representavam as atividades diárias e os hábitos tradicionais dos diferentes grupos étnicos, raciais e sociais do país. Paz nasceu em Almaguer, na província de Cauca. Ele entrou no exército colombiano ainda jovem e demonstrou possuir habilidades excepcionais como cartógrafo e pintor. Em 1853, ele assumiu o cargo de desenhista da Comisión Corográfica (Comissão Corográfica), antes ocupado por Henry Price (1819 a 1863). A comissão, que começou seus trabalhos em 1850, foi encarregada de estudar a geografia, a cartografia, os recursos naturais, a história natural, a cultura regional e a agricultura da República da Nova Granada (atuais Colômbia e Panamá). Paz trabalhou sob a liderança de Agustín Codazzi (1793 a 1859), geógrafo e engenheiro nascido na Itália que foi cofundador e diretor da comissão. Em 1859, quando Codazzi faleceu, Paz foi um dos colaboradores que assumiram a tarefa de revisar, concluir e publicar o trabalho que a Comisión Corográfica havia desenvolvido desde 1850. Como desenhista, Paz produziu aquarelas e desenhos muito precisos, tentando representar os locais e o povo da Colômbia com um estilo naturalista e objetivo. Essas imagens constituem registros documentais inestimáveis para a história e a cultura da Colômbia. Também, fornecem informações pertinentes ao desenho de mapas, que era um dos principais objetivos da Comisión Corográfica. Mais de 90 pinturas de Paz estão preservadas na Biblioteca Nacional da Colômbia.

História do xá Abas, o Grande

Este manuscrito dos primórdios do século XIX contém uma história do xá ʻAbas (de 1571 a 1629, reinou de 1588 a 1629) e de seus antecessores, redigido no final do XVI ou início do século XVII por um contemporâneo. Provavelmente o manuscrito foi escrito no Irã. O papel é acetinado, avergoado, de cor creme clara. O texto é escrito na escrita nastaliq, 23 linhas para cada página, em tinta preta, utilizando-se tinta vermelha para os títulos, palavras-chave e algumas pontuações. As chamadas aparecem nas páginas de verso. ʿAbbās I, também conhecido como ʿAbbās, o Grande, foi um dos mais bem-sucedidos governantes da dinastia Safávida (de 1502 a 1736). Ele expulsou os invasores otomanos e os uzbeques do solo persa e transferiu a capital do Império de Kazvin para Isfahan, que ele então transformou em uma das mais belas cidades do mundo. Ele introduziu reformas que melhoraram as vidas de seus súditos e cultivou novas relações comerciais e diplomáticas com as potências europeias. As realizações artísticas persas também alcançaram seu ápice durante seu reinado, como a tecelagem de tapetes, as cerâmicas, a pintura e a produção de manuscritos iluminados, todos floresceram sob seu mecenato.

Súplica atribuída ao califa Ali

O califa ‘Alī ibn Abī Ṭālib (entre 601 e 61) é uma das mais reverenciadas figuras religiosas e sagradas do Islã. Seu nome honorário, Amīr al-Mu'minīn, é traduzido do persa como o “príncipe dos crentes”. As obras escritas por ‘Alī ibn Abī Ṭālib e ditos a ele atribuídos são sagrados para os fiéis xiitas, sobretudo entre os falantes do persa. Mostramos aqui uma cópia do manuscrito iluminado do século XVIII do Munājāt (Súplica) de ʻAli ibn Abī Ṭālib. Estão incluídos tanto o original em árabe com uma tradução em persa. O texto está escrito em um papel de cor creme de gramagem média em tinta dourada (fólios 1b e 2a) e em tinta preta (folio 2b até o fim) dentro de cinco bordas. As bordas são coloridas, da parte mais externa para a mais interna, em azul, vermelho, ouro, vermelho e verde. As páginas são divididas em quatro caixas para acomodar o texto principal e a tradução, três contendo duas linhas e uma contendo uma linha ou sete linhas para cada página. O texto em árabe, na escrita naskhi, fica nas caixas maiores com decoração elaborada interlinear; a tradução persa, escrita nastaʻlīq, fica nas caixas mais estreitas com painéis de decoração floral em ambos os lados. Um texto persa desconhecido aparece no fólio 1a, parte do qual está faltando ao longo da margem esquerda, devido ao corte e na margem superior direita, devido a danos no primeiro fólio (emendado com alguma parte perdida deste texto mas sem danos ao texto principal). O nome e a data “Vahīd Ḥusaynī 1209” (1794 ou 1795) aparecem no canto inferior esquerdo da área escrita do fólio 7b; um texto persa desconhecido em uma caligrafia posterior aparece nas abas.

Coleção de poesia e prosa persa

Este manuscrito em persa é um texto Sufi sem título sobre meditação, contendo poesia e prosa. Foi concluído no início de 1520, provavelmente em Herat (atual Afeganistão) ou Mashhad (atual Irã). O colofão, que está em árabe, fornece o nome do escriba, Mīr 'Alī Ḥusaynī Haravī (entre 1476 e 1543). O manuscrito é um papel de cor creme firme, incrustado em papel com margem creme clara (fólios 1-8) ou azul-esverdeada pálida, com a escrita fechada dentro de bandas alternando-se entre o ouro e o creme (ou verde) com pautação preta. O papel com margem é profusamente decorado com motivos florais e animais. O texto está na escrita nastalīq, oito linhas para cada página. A encadernação é de couro contemporâneo com medalhões. O selo do antigo proprietário aparece no fólio 1a. O sufismo, uma interpretação mística e introspectiva do Islã que surgiu após a expansão inicial da religião, combina os ensinamentos islâmicos com o gnosticismo. A prática abraçou a ideia da iluminação por meio do conhecimento espiritual, instruído por práticas espirituais gregas, zoroastristas e indianas pré-islâmicas. Por volta do século XIII, o pensamento sufista no mundo de língua persa foi expresso principalmente por meio da poesia ou em obras poéticas de prosa, tais como este tratado.

A joia da coroa

Este manuscrito de Durrat al-tāj (A joia da coroa) é um livro de orações xiitas, consistindo de orações a serem proferidas ao se visitar o túmulo do califa ʻAlī ibn Abī Ṭālib (entre 601 e 61). ʻAlī ibn Abī Ṭālib é uma das mais reverenciadas figuras religiosas e sagradas do Islã. Seu nome honorário, Amīr al-Mu'minīn, é traduzido do persa como o “príncipe dos crentes”. As obras escritas por ‘Alī ibn Abī Ṭālib e ditos a ele atribuídos são sagrados para os fiéis xiitas, sobretudo entre os falantes do persa. O manuscrito foi escrito provavelmente no Irã, possivelmente no século XVII. O papel é de estilo médio-oriental, espesso, de cor creme, polido, sem linhas pontilhadas ou avergoadas distintivas, e sem marca d'água. O texto está escrito em tinta preta na escrita naskhī, nove linhas em cada página, com decorações de ouro entre as linhas. As bordas da área escrita são revestidas com tinta preta, com profusa decoração fora da área escrita. O texto é rubricado. O título foi acrescentado à mão posteriormente. Não há colofão. A encadernação é referida como chahargusheh, significando uma encadernação de moldura feita em torno de um xale de Caxemira, datando da primeira metade do século XVIII (por volta de 1740).

Daomé

Em preparação para a esperada conferência de paz após a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou um departamento especial responsável pelo planejamento de informações de base que seriam usadas pelos delegados britânicos durante a conferência. Daomé é o Número 105 em uma série de mais de 160 estudos produzidos por este departamento, a maioria dos quais foi publicada após a conclusão da Conferência de Paz de Paris, em 1919. Daomé (atual Benin) era um reino africano que surgiu provavelmente em meados do século XVII. Tornou-se um protetorado da França em 1892. Em 1904, tornou-se uma colônia francesa, parte do governo-geral da África Ocidental Francesa. O livro aborda a geografia política e física, história política e condições econômicas. As condições sociais e políticas são abordadas no número 100 da série, África Ocidental Francesa. O estudo discute a delimitação da fronteira do Daomé com a colônia britânica de Lagos (atual Nigéria) ao leste e Togolândia (então uma colônia alemã) a oeste. Descreve brevemente os principais grupos étnicos vivendo no país, incluindo os povos Fong (Fon), Mina, Aja (Adja), Nago, Mahi, Bariba, Dendi, Hausa e Fulbe (Fulani). A população total da colônia é dada como cerca de 900.000. A seção sobre as condições econômicas discute o potencial econômico da colônia, com base na sua riqueza agrícola e as perspectivas de aumento da produção de óleo de palma, cacau, borracha e outros produtos. Kotonu (Cotonou) foi o principal porto da colônia, com conexões de navio a vapor para Le Havre, Marselha, Hamburgo e Liverpool. Daomé tornou-se independente em 1º de agosto de 1930 como a República de Daomé; mudando seu nome para Benin em 1975.

Japão

Em preparação para a esperada conferência de paz após a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou um departamento especial responsável pelo planejamento de informações de base que seriam usadas pelos delegados britânicos durante a conferência. Japão é o Número 73 em uma série de mais de 160 estudos produzidos por este departamento, a maioria dos quais foi publicada após a conclusão da Conferência de Paz de Paris, em 1919. Escrito por John Harington Gubbins (1852-1929), um ex-oficial do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido e secretário da Missão Diplomática Britânica em Tóquio, o livro é um dos poucos volumes da série publicado sob o nome de um autor individual. Trata-se, sobretudo, de uma história política do Japão, com uma breve seção sobre as condições sociais e políticas contemporâneas. O estudo aborda toda a extensão da história do Japão, do século VI, com a introdução do Budismo da China, à eclosão da Primeira Guerra Mundial passando pela declaração de guerra do Japão à Alemanha em 23 de agosto de 1914. Os tópicos abordados incluem o início da história do Japão, o sistema feudal e o estabelecimento do governo Tokugawa, as relações iniciais com as potências europeias e o fechamento do Japão, e a era moderna. Os tópicos discutidos por último incluem a visita do Comodoro Matthew Perry em 1853 e a abertura do Japão ao comércio exterior, a Restauração Meiji de 1868 a 1869, a guerra com a China em 1894 a 1895, a aliança anglo-japonesa de 1902, e a Guerra Russo-Japonesas de 1904 a 1905. A seção sobre as condições sociais e políticas discute as duas principais religiões do Japão, o xintoísmo e o budismo, e enfatiza o papel da primeira como a religião legal e estatal reconhecida e uma importante fonte de poder imperial e legitimidade.

Alto Senegal e Níger

Em preparação para a esperada conferência de paz após a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou um departamento especial responsável pelo planejamento de informações de base que seriam usadas pelos delegados britânicos durante a conferência. Alto Senegal e Níger é o Número 107 em uma série de mais de 160 estudos produzidos por este departamento, a maioria dos quais foi publicada após a conclusão da Conferência de Paz de Paris, em 1919. O Alto Senegal e Níger era uma colônia francesa, criada em 1904 como parte do governo-geral da África Ocidental, que, com o Território Militar adjacente do Níger, compreendia os territórios dos atuais Estados do Níger, Mali e Burkina Faso. Este estudo aborda tanto a colônia como o território militar. O livro inclui seções sobre geografia política e física, história política, condições sociais e políticas e condições econômicas. Salienta-se a importância do rio Níger, que “atravessa a colônia no grande arco da Curva do Níger, no sentido norte-leste para Timbuktu, e daí para baixo, para o povo nigeriano”. Com uma breve descrição dos diferentes povos que vivem nessa região pouco povoada, incluindo os tuaregues, mouros, e songais (Songhai). Estes últimos são descritos como “um grande povo histórico”, que “antigamente foram os governantes de um vasto império negro que incluiu todo o Saara”. O estudo relata a rivalidade entre a Grã-Bretanha e a França pelo controle do território, os assentamentos fronteiriços com colônias britânicas adjacentes surgidos entre 1898 e 1899 e a demarcação da fronteira com a colônia alemã vizinha de Togolândia. A seção econômica descreve a construção de estradas e ferrovias pelos franceses e o funcionamento da economia agrícola. Observa-se que em 1914 “havia, somente no Alto Senegal e Níger, 2.000.000 de bovinos e 3.000.000 de ovinos e caprinos”.

Macau

Em preparação para a esperada conferência de paz após a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou um departamento especial responsável pelo planejamento de informações de base que seriam usadas pelos delegados britânicos durante a conferência. Macau é o Número 81 em uma série de mais de 160 estudos produzidos por este departamento, a maioria dos quais foi publicada após a conclusão da Conferência de Paz de Paris, em 1919. Macau era naquela época uma colônia de Portugal, arrendada pela China aos portugueses como um porto comercial. O livro inclui seções sobre geografia política e física, história política, condições sociais e políticas e condições econômicas. A seção sobre a história política aborda a chegada dos portugueses por volta de 1515 e o desenvolvimento ao longo dos séculos de relações entre a China e a colônia portuguesa. A seção sobre as condições econômicas observa que a “indústria de Macau está principalmente em mãos chinesas” e que o “setor mais importante é o ópio, que a colônia importa bruto (ópio cru) e prepara para a exportação (ópio cozido)”. O capítulo final, “Observações gerais”, menciona que “Macau deve toda a sua importância ao fato de ser um porto; mas, como tal, não pode permanecer valorizado por muito tempo, pois o porto está sendo assoreado pelo aluvião trazido pelo Rio [das Pérolas] no Cantão (Guangzhou)...” Macau foi devolvida à República Popular da China (RPC) em 1999 e, junto com Hong Kong, é uma das duas regiões administrativas especiais da República Popular da China.

Índios correguaje caçando com zarabatanas, região de Caquetá

Esta aquarela de Manuel María Paz (1820 a 1902) mostra dois homens correguaje (hoje geralmente escrito koreguaje) na região de Caquetá, sul da Colômbia. O homem de pé mira a caça com sua bodoquera (zarabatana), enquanto o outro se prepara para carregar a dele com um dardo. Desde então o número de koreguajes tem diminuído, ameaçando sua existência. A aquarela é comum nas obras de Paz, que capturavam a diversidade da população da Colômbia e representavam as atividades diárias e os hábitos tradicionais dos diferentes grupos étnicos, raciais e sociais do país. Paz nasceu em Almaguer, na província de Cauca. Ele entrou no exército colombiano ainda jovem e demonstrou possuir habilidades excepcionais como cartógrafo e pintor. Em 1853, ele assumiu o cargo de desenhista da Comisión Corográfica (Comissão Corográfica), antes ocupado por Henry Price (1819 a 1863). A comissão, que começou seus trabalhos em 1850, foi encarregada de estudar a geografia, a cartografia, os recursos naturais, a história natural, a cultura regional e a agricultura da República da Nova Granada (atuais Colômbia e Panamá). Paz trabalhou sob a liderança de Agustín Codazzi (1793 a 1859), geógrafo e engenheiro nascido na Itália que foi cofundador e diretor da comissão. Em 1859, quando Codazzi faleceu, Paz foi um dos colaboradores que assumiram a tarefa de revisar, concluir e publicar o trabalho que a Comisión Corográfica havia desenvolvido desde 1850. Como desenhista, Paz produziu aquarelas e desenhos muito precisos, tentando representar os locais e o povo da Colômbia com um estilo naturalista e objetivo. Essas imagens constituem registros documentais inestimáveis para a história e a cultura da Colômbia. Também, fornecem informações pertinentes ao desenho de mapas, que era um dos principais objetivos da Comisión Corográfica. Mais de 90 pinturas de Paz estão preservadas na Biblioteca Nacional da Colômbia.