8 de agosto de 2014

Explicação de al-Khansa' em estrofes requintadas

Este livro é uma coletânea impressa de versos de Tumāḍir bint ʿAmr ibn al-Ḥarth ibn al-Sharīd al-Sulamīyah, intitulada Anis al-Julasāʼ fī Sharḥ Dīwān al-Khansāʼ (Explicação de al-Khansa’ em estrofes requintadas). Conhecida historicamente como al-Khansā’ (a de nariz arrebitado, ou que lembra uma gazela), a autora é vista como um dos principais nomes da poesia na Arábia pré-islâmica. Após se encontrar com o Profeta Maomé, que supostamente admirava sua poesia, ela se tornou muçulmana. A apreciação contemporânea e subsequente de sua poesia deve muito ao poder de seus lamentos panegíricos. Seus dois irmãos foram mortos em um confronto tribal antes de sua conversão ao Islã. Após sua conversão, seus quatro filhos morreram em batalhas pela nova fé. Seus Diwan (Poemas reunidos) foram reimpressos numerosas vezes. Em um florido parágrafo introdutório, o editor desta edição de 1895, Padre Louis Cheiko, afirma que a poesia de al-Khansa' “produzia inveja nas almas dos poetas árabes homens e levantava as cabeças de todas as mulheres, orgulhosamente”. Cheiko começou a estudar sua obra com uma compilação mais antiga, publicada em 1888. A importância desta edição se encontra não apenas em sua apresentação de uma compilação mais completa de sua poesia e dos comentários clássicos; o livro também fornece um olhar íntimo sobre os métodos usados por um orientalista proeminente na busca de manuscritos perdidos, comparando-os criticamente e fornecendo comentários que elucidam o texto com referências históricas, literárias e lexicais. Cheiko foi professor do destacado arabista russo I. Y. Kratchkovsky, que escreveu em suas memórias sobre a agradável surpresa e o posterior desapontamento ao descobrir que tanto ele quanto seu mentor estavam estudando a mesma poetisa árabe pré-islâmica.

Mapa da ilha de Cuba

A Carte de l'île de Cuba (Mapa da ilha de Cuba) apareceu originalmente no Essai politique sur l'île de Cuba (Ensaio político sobre a ilha de Cuba), publicado em Paris em 1826. O mapa foi produzido pelo cartógrafo e gravurista francês Pierre M. Lapie (1779 a 1850), chefe do setor topográfico do Ministério da Guerra Francês. Ele mostra os contornos da costa de Cuba, desenhados de acordo com observações astronômicas de navegadores espanhóis e de Humboldt, que visitou Cuba entre 1800 e 1801 e, novamente, em 1804. A pesquisa de Humboldt sobre Cuba expandiu os conhecimentos sobre a geografia, economia, flora, fauna, topografia, clima e solo da ilha, e seus escritos lhe conferiram o título de “segundo descobridor de Cuba”. O grande naturalista e geógrafo alemão mapeou a costa de Cuba com um novo grau de precisão. Ele determinou o local exato de cidades e vilas, mais notavelmente, de Havana, que mapas anteriores, baseados em medidas e cálculos errados, posicionavam a cerca de 20 quilômetros de distância de seu local real. Um mapa inserto do porto e da cidade de Havana aparecem na parte inferior esquerda.

Mapa da ilha de Cuba e de territórios adjacentes

José María de la Torre y de la Torre (1815 a 1873) foi um ilustre geógrafo, arqueólogo, historiador e educador cubano, que dedicou uma grande parte de sua vida intelectual a estudar a história local cubana. Esta obra cartográfica de 1841, de José María de la Torre, é importante tanto de um ponto de vista histórico, quanto geográfico. Ela descreve em detalhes os itinerários das viagens de Cristóvão Colombo às Américas. O mapa mostra as rotas de cada uma das três viagens de Colombo, fornecendo as datas em que este chegou a vários locais distintos. Ele fornece também os topônimos originais, bem como os nomes que Colombo deu às diferentes ilhas. Também aparece a distribuição das culturas pré-colombianas na época da primeira viagem de Colombo, conforme entendidas por José María de la Torre. A originalidade deste mapa reside em sua evocação do passado aborígene, o que, na época em que a obra foi feita, ajudou a reafirmar a cultura dos povos nativos das Américas. A ilha da Jamaica e a parte ocidental de Hispaniola (Haiti) também são exibidas. A ilustração no canto superior esquerdo representa o escudo de Cuba, concedido à ilha pelo rei da Espanha em 1516.

A assistência dos juízes para questões levantadas por adversários na Lei

Mu’in al-hukam fi-ma yataraddudu bayn khusmin al-ahkam  (A assistência dos juízes para questões levantadas por adversários na Lei) é um manual de procedimento legal islâmico. Ele foi escrito no século XV por ‘Ali ibn Khalil al-Tarabulsi, também conhecido como ‘Ala’ al-Din ibn al-Hasan ‘Ali ibn Khalil al-Tarabulsi (ou al-Tarabulusi), um jurista hanafita de Jerusalém. Após introduzir seu livro e fazer referências à importância singular da sharia (lei islâmica) no Alcorão e entre os profetas, al-Tarabulsi explica que escreveu a obra a fim de elucidar os princípios por trás de sua profissão. Em geral, observa, a maioria dos livros jurídicos são simples abreviações de casos e sentenças. Por contraste, ele busca explicar al-ghawamidh (os obscuros princípios) de al-fann (sua arte). Além de buscar atender estas nobres pretensões, ele abrange questões mais quotidianas, como as jurisdições dos juízes, seus status e a compensação por seus vários serviços. Ele cita muitas decisões legais, frequentemente sem discussão teórica. Não se sabe muito sobre a vida de al-Tarabulsi, e esta pode ser sua única obra ainda existente. O livro foi “corrigido, editado e revisado” por Husayn Afandi al-Asyuti, tendo sido publicado pela oficina de impressão de Bulaq, no Cairo, sob a direção de seu supervisor Husayn Husni. Esta edição foi publicada em 1883; ela foi reimpressa pela Editora Bulaq em 1892.

A abundância do louvável e o reforço do que é ainda mais louvável: coletânea de poesia

Este diwan, Al-Faydh al- Muhammadi wa-al-Madad al-Ahmadi wa Huwa Diwan (A abundância do louvável e o reforço do que é ainda mais louvável: coletânea de poesia), é um livro de poemas, sendo a maior parte deles em louvor ao Profeta Maomé ou em súplica por suas bênçãos e assistência. Alguns dos versos escapam deste tema, por exemplo, orações poéticas endereçadas a Ahmad al-Rifa’i, fundador da famosa ordem sufista da qual o autor, Abū al-Hudá al-Ṣayyādī, era um líder proeminente (e controverso). Abu al-Huda foi um escritor prolífico, que deixou suas origens humildes na Síria rural para se tornar professor e conselheiro do Sultão Abdülhamid II. Ele foi uma figura religiosa de grande importância, bem como um agente do poder cuja influência na corte otomana era incomparável. Ele foi responsável pela indicação a altos cargos de muitos de seus contemporâneos, especificamente Ahmad Izzat al-Abid (1851 a 1924), conselheiro sírio do sultão. A presença de Abū al-Hudá como um árabe na corte imperial o envolviam na política otomano-islâmica, o que fazia com que muitas de suas decisões fossem sentidas em várias partes do império. Ele foi associado a grandes figuras do movimento reformista islâmico, como Mahmud Shukri al-'Alusi (1856 a 1924), no Iraque, e Muhammad 'Abdu (1849 a 1905), no Egito. A liderança dos sufistas Rifa'iyah fez com que ordens rivais tentassem desqualificar suas alegações religiosas e posição na corte. A história não foi generosa com Abū al-Hudá. Sua rápida ascensão ao poder, posição privilegiada como patrono e a ambiguidade de seus escritos o levaram a ser qualificado como obscurantista, reacionário e fraudulento. Parece irônico que um dos principais elos entre o sultão e seus súditos árabes seja, ainda hoje, amplamente ignorado pela historiografia árabe. Sendo um escritor e publicista infatigável, atribuem-se a ele mais de 200 obras. Os poemas desta coletânea são, em sua maior parte, curtos. Dísticos e versos curtos estão intercalados com poemas mais longos. Muitos versos foram escritos para ocasiões especiais, como o banquete que se segue ao Ramadã, ou compostos para comemorar um evento.

Mapa de Havana

Esteban Pichardo (1799 a 1879) foi uma das figuras mais importantes de Cuba na área de pesquisa científica, no final do século XIX, e seu principal representante nos campos de geografia e cartografia. O Plano de la Habana (Mapa de Havana) é parte de uma obra maior em 35 folhas, Carta Geo-hidro-topográfica de la Isla de Cuba (Mapa geo-hidro-topográfico da ilha de Cuba), que Esteban publicou entre 1874 e 1875. Esteban adotou um conjunto de símbolos geográficos muito similares àqueles usados em mapas contemporâneos. Seus mapas também refletem um alto grau de sofisticação matemática, tendo permanecido como uma referência cartográfica central em Cuba até quase um século depois. Eles foram usados para ajudar a determinar que a área do país era de 124.500 quilômetros quadrados, um cálculo distante da realidade (de acordo com geógrafos contemporâneos, a área de Cuba é de 109.884 quilômetros quadrados), mas de relevância histórica para o período. O mapa mostra topônimos contemporâneos, o desenvolvimento urbano em diferentes partes, a cidade crescente, ruas, estruturas notáveis, linhas ferroviárias e o porto.