8 de agosto de 2014

O pilar da criação e crítica de poesia

Este livro é uma edição impressa do Al-‘Umdah fi Sina’at al-Shi’r wa-Naqdih (O pilar da criação e crítica de poesia), um texto fundamental da crítica literária árabe. O autor, Ibn Rashīq al-Qayrawānī, aborda a história poética e a prosódia de sua época, no século XI em Qayrawān, centro da vida intelectual na Tunísia, então chamada Al-Ifriqiya. A obra é universalmente conhecida como Al-‘Umdah (O pilar) de Ibn Rashiq. Ela também é citada como Al-‘Umdah fī maḥāsin al-shiʻr wa-ādābih. A avaliação dos estudiosos de Al-‘Umdah sustenta que, embora não se trate de uma obra teórica sem precedentes, ela é uma grande referência e um compêndio de debates religiosos, sociais e estilísticos sobre a poesia desde o início do Islã. Esta edição foi dividida em dois volumes e “corrigida” (i.e. editada) por Muhammad Badr al-Din al-Na’sani al-Halabi. A publicação da obra foi financiada por Muhammad Kamal al-Na’sani e Muhammad ‘Abd al-‘Aziz. Ela foi impressa na Editora al-Sa’adah, no Cairo, e distribuída a partir da livraria al-Khanji. Estes indivíduos e organizações fizeram todos parte do desenvolvido comércio gráfico e editorial do Cairo no início do século XX. A mesma equipe de edição e publicação cooperou na impressão de outras obras literárias clássicas. Uma biografia de Ibn Rashīq (que alguns acreditam ter nascido na vila de Muhammadiyah, onde seu pai era ourives) consta como conteúdo inicial. Há uma figura de Ibn Rashīq na nota de 50 dinares tunisiana.

Código comercial otomano: tradução árabe

Este volume contém traduções para o árabe de quatro obras relacionadas ao código comercial otomano, originalmente publicado na Turquia: O código comercial, Apêndice, Fontes das sentenças judiciais e Comentário. O código comercial otomano e suas atualizações tinham como base o código francês de 1807. A importância do código reside no fato de que ele representava uma ruptura com os pressupostos da sharia (lei islâmica) e preparava o caminho para a promulgação de códigos criminais e civis e para a reorganização dos tribunais. A publicação da tradução foi um projeto do próprio tradutor, Niqula al-Naqqash, e do impressor-editor Ibrahim Sadr, proprietário tanto da Editora al-‘Umumiyah, em Beirute, quanto da livraria conhecida como Editora al-Misbah (Editora a Lanterna). As obras foram publicadas de maneira separada entre 1880 e 1885. Niqula e seu irmão, Marun, eram homens de interesses variados e talentos nas artes, na política e na administração. Niqula se tornou proeminente no governo provincial otomano, chegando a ser membro do parlamento imperial. Ele era bastante ligado à hierarquia maronita e porta-voz do patriarcado. Marun é reconhecido como fundador do teatro árabe moderno, projeto que contou com a colaboração de seu irmão. O próprio Niqula tentou escrever peças teatrais, publicando Al-Shaykh al-Jahil (O xeique avarento) no final da década de 1840. Seu sobrinho, Salim ibn Khalil al-Naqqash, ajudou a consolidar o teatro no Egito.

Literatura e religião dos antigos egípcios

Esta pesquisa sobre a história e os costumes no Egito Antigo, publicada no Cairo em 1923, tinha como alvo o público leitor em geral. Em sua introdução, o autor, Anṭūn Zikrī, observa que, embora existissem muitas obras sobre o assunto em línguas estrangeiras, o egípcio que só lia a língua árabe não poderia encontrar nada sobre sua própria história. A obra foi ilustrada com gravuras em preto e branco que representam objetos de vários museus, incluindo o Museu Egípcio do Cairo, onde Anṭūn trabalhava como bibliotecário. Anṭūn escreveu muitas obras introdutórias sobre o Egito Antigo, incluindo um guia aos hieróglifos, uma obra sobre medicina antiga, e um guia ao Museu Egípcio e às antiguidades de Gizé. A folha de rosto ornamentada traz uma inscrição ao Rei Fuʼād I (1868 a 1936), cujo nome foi colocado entre duas figuras que representam servos antigos apresentando oferendas ao rei. O livro foi impresso em Dar al-Ma’arif, no Cairo, uma gráfica fundada em 1890 por Naǧīb Mitrī, de origem libanesa, e que ainda hoje segue sendo uma importante editora. O livro inclui um glossário de termos faraônicos, um índice de gravuras e um guia para os topônimos antigos, com seus equivalentes modernos.

O intérprete da literatura árabe e de sua história

Al-Wasit fi-al-Adab al-‘Arabi wa-Tarikhih (O intérprete da literatura árabe e de sua história) é um manual de literatura árabe aprovado para o uso pelo Ministério da Educação Egípcio em várias escolas sob sua jurisdição, isto é, todas as instituições de treinamento de professores e escolas secundárias. Os autores eram figuras religiosas e literárias. O mais conhecido dos dois, o xeique Ahmad al-Iskandarī, nasceu em Alexandria, estudou em al-Azhar e se tornou professor das escolas de al-Fayyūm e de outras áreas próximas ao Cairo. Ele foi indicado à faculdade da Universidade do Cairo e eleito membro da prestigiada Academia de Língua Árabe. Escreveu vários manuais, incluindo uma história da literatura abássida. O xeique Mustafa ‘Anani também parece ter sido um professor, embora não se saiba muita coisa sobre onde viveu e trabalhou. Ele escreveu uma obra sobre o poeta andaluz do século XI Ibn Zaydun, publicada originalmente pela Dar al-Ma'rif em 1899 e, mais tarde, atualizada. Esta obra é a primeira edição do al-Wasit. Ela se tornou um texto padrão no currículo árabe. Como frequentemente ocorre com as publicações de Dar al-Ma’arif, o livro apresenta um alto padrão de academicidade e produção. Os autores abrangem a história da literatura árabe em todos os seus aspectos: poesia, prosa, narrativa hitórica, retórica e assim por diante, desde os tempos pré-islâmicos até seu próprio tempo. Como importante referência nesta área, ela é suplementada pela obra em vários volues Muntakhab min Adab al-‘Arab (Seleções da literatura árabe), de al-Iskandarī’, publicada no Cairo entre 1944 e 1954.

O modo ideal de dispersar as tradições e adotar os primeiros princípios

Esta obra impressa por Nūr al-Ḥasan b. Ṣiddīq b. Ḥasan Khan (nome também visto como al-Qannawjī) lida com taqlid (a aderência à tradição islâmica) e ijthad (a interpretação flexível dos princípios religiosos), questões que ocuparam os pensadores muçulmanos por 1400 anos. Al-Ṭarīqah al-muthlá fī al-irshād ilá tark al-taqlīd wa-ittibāʻ mā huwa al-awlá (O modo ideal de dispersar as tradições e adotar os primeiros princípios) é, por si mesma, menos importante do que o contexto em que foi publicada. O autor pertencia à corte muçulmana de Bhopal, na Índia. Ele era filho de um autor prolífico, Muḥammad Siddīq Ḥasan Khan, consorte da begum reinante naquele principado indiano. A família se destacou nas ciências e na política islâmica da época. Esta obra foi publicada pela Editora Jawa'ib, em Istambul, onde vários livros escritos tanto pelo pai, quanto pelo filho, foram publicados em língua árabe. O pai é conhecido por ter se correspondido com o sultão otomano Abdülhamid II e, presumivelmente, influenciado seu modo de pensar. O tópico da taqlid foi acaloradamente debatido nesta época em todas as partes do mundo muçulmano. Ele também apresentava interesse para as autoridades britânicas, que desejavam limitar sua influência na expansão do wahhabismo. O volume está incompleto, já que faltam as estrofes finais do qasidah (poema) final. O livro conta com chamadas e as assinaturas estão numeradas. A impressão sofre por conta da fonte quebrada e desgastada. Na literatura biográfica e em catálogos de bibliotecas, esta obra é frequentemente atribuída ao pai do autor. Ela foi republicada em Beirute em 2000.

Lei comercial do Egito

Este volume, Qanun al-Tijarah (Lei comercial do Egito), contém duas obras impressas, os códigos comercial e marítimo do Egito. Os dois documentos foram extraídos de uma obra mais abrangente, mas ainda não identificada, que possivelmente abrangia o procedimento civil e o código criminal. Cada título é precedido pela ordem do regente egípcio, o Khedive Muhammad Tawfīq, autorizando a publicação e implementação da lei. O primeiro título, Código comercial, inclui definições de termos e se foca no débito e na falência. O segundo título, Código marítimo, abrange navios que operam sob a bandeira otomana e os direitos e deveres dos proprietários de navios, oficiais, tripulação e passageiros. Também estão incluídas provisões de documentos necessários, seguros e locação. As leis entraram em vigor em 1883, tendo sido impressas no mesmo ano pela Editora Bulaq, o setor de publicações do governo egípcio. A lei egípcia, assim como a lei imperial otomana, tinha como base modelos europeus, principalmente franceses. Ela era aplicada pelas assim chamadas Cortes Mistas, no contexto da crescente internacionalização do comércio e sob a influência das Grandes Potências. Os códigos promulgados aqui permaneceram em funcionamento até a revolução legislativa posterior, ocorrida na década de 1940. Leis codificadas, como estas, operavam em simultaneidade com a lei islâmica sobre questões pessoais, como casamentos e heranças.