18 de agosto de 2014

Os Lusíadas

Apresenta-se aqui a primeira edição impressa de Os Lusíadas, a epopeia nacional de Portugal, publicado em Lisboa em 1572. Composto pelo poeta, soldado e navegador Luís de Camões (1524 a 1580, aproximadamente), o poema celebra o grande explorador português Vasco da Gama (1469 a 1524) e as conquistas de Portugal e de seu povo ao lançar-se pelo Atlântico, contornando a extremidade sul da África e criando um caminho até a Índia. O poema é composto por dez cantos, cada um com um número variável de estrofes. Cada estrofe é composta por versos de dez sílabas, usando o esquema de rimas conhecido como ottava rima (ABABABCC). A primeira edição foi produzida por Antonio Gonçalves, que esteve ativo em Lisboa de 1566 a 1576, aproximadamente, principalmente como impressor de livros religiosos. Esta cópia é um dos quatro exemplares da edição de 1572, mantida na Biblioteca Nacional de Portugal. Ela é conhecida como “Edição E”, enquanto as outras três são chamadas de “Edições Ee”. Os estudiosos tentam compreender certos mistérios a respeito da primeira edição de Os Lusíadas desde pelo menos o século XVII, após o grande comentarista da obra de Camões, Manuel de Faria e Sousa (1590 a 1649), ter percebido que em algumas das cópias da edição de 1572, incluindo esta, a imagem do pelicano na página do título está voltada para a esquerda do leitor, enquanto nas outras edições, o pelicano está voltado para a direita. Esta discrepância, além de algumas diferenças tipográficas e variações menores na ortografia e na pontuação, está presente nas cópias da primeira edição. As diferenças entre os textos levaram a especulações se: houve duas impressões da primeira edição, uma delas presumivelmente com correções; houve edições possivelmente pirateadas; e outras teorias sobre como estas diferenças podem ter surgido. Também se discute há muito tempo se Camões teria se envolvido pessoalmente na correção de uma das primeiras impressões.

Atlas portátil do reino húngaro: nova e completa representação do Reino da Hungria em 60 placas, em formato de bolso

Atlas Regni Hungariae Portatilis: Neue und vollständige Darstellung des Königreichs Ungarn (Atlas portátil do reino húngaro: nova e completa representação do Reino da Hungria) é o primeiro atlas de bolso do Reino da Hungria. Seu criador foi um eslovaco, Ján Matej Korabinský, que nasceu em Prešov em 1740 e faleceu em Bratislava em 1811. Korabinský foi professor em várias instituições acadêmicas, onde ensinou teologia, filosofia e matemática. O atlas contém mapas gravados com placa de cobre de 58 condados, incluindo os que constituem a atual Eslováquia. Todos os mapas contêm também o brasão de cada condado. A escala é dada em milhas. Em cada mapa, aparecem cidades reais livres, dioceses, povoados, mercados, castelos, ruínas, propriedades rurais, postos dos correios, igrejas (católicas, protestantes, reformadas e ortodoxas gregas) e nacionalidades, que são indicadas por meio de diferentes marcações. Esta foi uma das primeiras ocasiões em que marcações específicas para diferentes nacionalidades, incluindo alemães, húngaros, eslovacos, rutênios e valacos, foram usadas em uma obra geográfica publicada no Império Austro-Húngaro. O atlas está em alemão, mas sempre que relevante, os topônimos são fornecidos também em húngaro, eslovaco ou outras línguas. A última página da obra contém um registro dos topônimos encontrados no atlas e uma legenda para os símbolos geográficos usados nos mapas.

Emblemas: com várias imagens de obras antigas; de Ján Sambucus de Tyrnavia, na Panônia

Emblemata: Cvm Aliqvot Nvmmis Antiqvi Operis (Emblemas: com várias imagens de obras antigas) é do notório poeta, polímato, editor, colecionador e professor universitário eslovaco Ján Sambucus (também conhecido como János Zsámboki, 1531 a 1584). Nascido em Trnava (também chamada de Tyrnavia), no oeste da Eslováquia, Sambucus é considerado a mais destacada personalidade humanista da Europa Central. Ele manteve contato com vários estudiosos europeus, com os quais colaborou em atividades de publicação e compilação, bem como na pesquisa histórica. Passou grande parte de sua vida na corte imperial de Viena, onde obteve os títulos de historiógrafo, médico e conselheiro real da corte. Ele se dedicou à tradução dos clássicos gregos. Em uma colaboração com o mais importante editor de literatura humanista de sua época, Christopher Plantin (1520 a 1589), da Antuérpia, ele preparou edições de obras de autores europeus antigos e contemporâneos, com comentários. Sambucus publicou um grande número de suas obras com Plantin. Sambucus também possuía uma grande biblioteca, que continha manuscritos raros e obras impressas. Emblemata contém imagens alegóricas com comentários narrativos em verso, na forma de dísticos elegíacos. Os livros de emblemas eram um estimado gênero literário na Europa entre os séculos XVI e XVIII. A Panônia, aludida no título, corresponde às atuais regiões do oeste da Hungria, leste da Áustria, norte da Croácia, noroeste da Sérvia, Eslovênia, oeste da Eslováquia e norte da Bósnia e Herzegovina.

Explicação dos Evangelhos que a Igreja da Sagrada Mãe lê e proclama ao longo do ano, aos domingos e em outros dias santos

Az Evangeliomoknac, Mellyeket Vasarnapokon, Es Egyeb Innepeken Esztendö Altal, Az Anyaszentegyhazban oluasni es Praedicallani szoktanac, Magarazattyanac. Masodic Resze: Mely Magaban Foglallya, Hvsvettvl Fogva, Adventig Valo Vasarnapi Evangeliomokat (Explicação dos Evangelhos que a Igreja da Sagrada Mãe lê e proclama ao longo do ano, aos domingos e em outros dias santos) é o segundo volume de uma grande obra em vários volumes, com sermões em húngaro do dignitário da igreja e escritor religioso Mikuláš Telegdy (nome também visto como Miklós Telegdi, 1535 a 1586). O segundo volume também contém sermões para os domingos, da Páscoa ao Advento. A obra foi publicada pelo próprio Mikuláš Telegdy em uma gráfica de Trnava (atualmente, na Eslováquia), que ele fundou em 1578. A produção da gráfica era voltada para as necessidades da Igreja Católica, bem como da crescente Contrarreforma, que estava em curso na época. Um dos mais importantes centros de impressão na Hungria, a gráfica funcionou até a morte de Mikuláš Telegdy. Após sua morte, ela se tornou propriedade do Cabido de Esztergom, a comunidade de cônegos associados à Catedral de Esztergom. (O cabido se mudou para Trnava em 1543, após os turcos ocuparem a maior parte da Hungria). O livro possui letras iniciais com fundo ornamental emolduradas, uma folha de rosto em impressão preta e vermelha, palavras de orientação e algumas observações escritas à mão. As referências bíblicas nos sermões estão listadas nas margens. A encadernação renascentista foi restaurada, com carimbo ornamental simples e figural em alto relevo.

Páginas glagolíticas em Hlohovec

Estes dois fragmentos estão entre os mais antigos artefatos das coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional da Eslováquia. Eles são fólios em pergaminho, escritos de ambos os lados, de origem croata. Acredita-se que tenham chegado ao território da Eslováquia por meio de frades franciscanos ou pela troca de códices e livros impressos entre bibliotecas ou arquivos franciscanos. Eles foram descobertos na biblioteca do antigo monastério franciscano de Hlohovec, no sudoeste da Eslováquia, em 1936. Os fólios contêm partes do livro de serviço religioso glagolítico do final do século XIII ou início do século XIV, e foram preservados na encadernação italiana de uma cópia do Trattato dell'amore di Dio (Tratado sobre o amor de Deus, Veneza, 1642) de São Francisco de Sales. O texto em eslavo eclesiástico antigo está escrito no alfabeto glagolítico croata de tipo mais antigo. As páginas contêm as missas De communi apostolorum (Da comunidade dos apóstolos) e De communi martyrum (Da comunidade dos mártires). Embora não tenham restado assinaturas do período do Grande Império Morávio (entre 800 e 900, aproximadamente), é provável que estes textos sejam do século IX, com transcrições glagolíticas e cirílicas do século XI e de tempos posteriores. O manuscrito está decorado apenas com as iniciais do copista. O termo glagolítico se refere ao alfabeto inventado durante o século IX por São Cirilo e São Metódio para traduzir a Bíblia e outras obras religiosas para as línguas eslavas faladas na região do Grande Império Morávio.

O fragmento glagolítico de Krtíš

Este fragmento de manuscrito contém parte de uma explicação a um evangelho desconhecido. Ele já esteve encadernado juntamente a uma cópia glagolítica do livro manuscrito Historia Scholastica, de Pedro Comestor. O texto do fragmento foi escrito na caligrafia angular glagolítica inventada durante o século IX por São Cirilo e São Metódio, para traduzir a Bíblia e outras obras eclesiásticas para a língua da região da Grande Morávia. Por volta de 1633, o fólio foi usado para preencher a encadernação da tradução tcheca de Pastorale Lutheri (A pastoral de Lutero), de Conrad Porta. Ele foi descoberto por Samuel Zoch (1882 a 1928) na biblioteca pessoal da família Kálmár, na vila de Veľký Krtíš, no sul da Eslováquia. O irmão de Samuel Zoch, Ivan Branislav Zoch, deu o texto ao Professor Vatroslav Jagič (1838 a 1923), um dos fundadores do campo de estudos da linguística croata. Jagič provou a autenticidade do pergaminho e levantou a hipótese de que ele tivesse sido trazido ao território histórico da Eslováquia por tchecos que passaram a viver no exílio após a Batalha da Montanha Branca (1620). Em 1930, o Professor František Ryšánek (1877 a 1969) anunciou que o manuscrito podia ser datado da virada do século XV, indicando o Monastério Emaús, em Praga (o monastério dos Beneditinos Croatas, em Slovany), como seu lugar de origem.