18 de agosto de 2014

Minutas da reunião da Primeira Sessão Plenária do Cabildo de Gran Canaria

O Cabildo de Gran Canaria (Conselho da Grã Canária) é um corpo administrativo e legislativo que foi formado pela primeira vez em 1913, sob a Ley de Cabildos (Lei dos conselhos), aprovada no ano interior no Reino da Espanha. Estes conselhos eram um instrumento de governo usado pelo antigo regime tanto nas Ilhas Canárias, quanto nas Américas. Durante a ditadura de Francisco Franco, membros do Cabildo eram indicados pelo governo, e suas funções eram limitadas à administração, focando-se em questões como saúde pública, bem-estar e estradas. Com a restauração da democracia nos anos 1970, membros do Cabildo passaram a ser eleitos por sufrágio universal direto, com o chefe do partido mais votado na lista recebendo o cargo de presidente do Cabildo. Os poderes do Cabildo também foram ampliados, abrangendo o turismo, o meio-ambiente, a cultura, os esportes, a indústria, o transporte, a irrigação, fornecimento de água, o planejamento urbano e rural, além de outras áreas. Esta devolução dos poderes também foi fortalecida nos anos 1990, com o aumento da autonomia regional concedido às Ilhas Canárias. Apresentam-se aqui as minutas da reunião da primeira sessão plenária do Cabildo de Gran Canaria, datada de 16 de março de 1913. Trata-se de um documento público formal, registrado no primeiro volume do livro de minutas mantido pelo secretário do Cabildo. O documento está nas coleções do Arquivo Geral do Cabildo.

Bíblia de Cervera

A Bíblia de Cervera está entre as mais antigas e importantes bíblias sefaraditas que sobreviveram à destruição da maior parte das comunidades judaicas nos reinos de Castela e Aragão, a partir de 1931, e à expulsão dos judeus da Espanha em 1492 e de Portugal em 1498. Um exemplo extremamente raro de paleografia hebraica ibérica de seu período, este manuscrito em pergaminho consiste em 451 fólios em duas colunas, cada uma com 31 linhas. Profusamente iluminado em dourado e diversas cores, com motivos moçárabes e judaicos, ele inclui os livros do Antigo Testamento, a Massorá (corpo de crítica textual das Escrituras Hebraicas, com notas sobre escrita, vocabulário, fontes alternativas, pronúncia e outros comentários) e um tratado gramatical, Sefer Ha-Nikud (O livro da vocalização, mais conhecido como Et Sofer, literalmente, “A pena do escritor”), escrito pelo Rabino David Kimhi (1160 a 1235, aproximadamente). O escriba que copiou o texto principal, Samuel Ben Abraham ibn Nathan, é identificado no colofão do anverso do fólio 434. Esta página também afirma que a obra foi executada em Cervera (atual Província de Lérida, na Catalunha, Espanha), tendo sido iniciada em 30 de julho de 1299 e finalizada em 19 de maio de 1300. Este colofão também incluía originalmente a identidade do patrono, que foi apagada posteriormente, provavelmente em razão da mudança de proprietário. A identidade do iluminador, Josef Asarfati, um judeu de origem francesa que se estabeleceu em Castela, pode ser encontrada no último fólio do códice, um colofão com letras zoomórficas, o que torna este um raro exemplo de um manuscrito hebraico que contém a assinatura explícita do artista. A identidade do escriba massorético (Josue ben Abraham ibn Gaon) também é conhecida, já que seu nome está gravado em 20 pontos diferentes do texto massorético. As iluminações estão espalhadas por várias molduras e exibem uma diversidade marcante de cores e formas. Elas incluem as bordas ornamentais das páginas, iluminuras de página inteira representando a iconografia judaica e iluminações menores que ilustram partes do Antigo Testamento, simbolizando seus diferentes livros ou retratando objetos do Tabernáculo usados na adoração. Algumas das iluminuras apresentam função amplamente decorativa (e.g., as cenas de caça e as drôleries). Muitas das iluminuras de página inteira são encontradas em tratados sobre gramática, onde emolduram o texto com motivos arquitetônicos, de animais e de figuras humanas. O texto massorético foi desenvolvido em caligrafia micrográfica, formando esquemas geométricos e motivos estilizados vegetais, animais e de animais mitológicos. A encadernação, com pastas de papel-cartão cobertas em couro vermelho com gravações em ouro e folhas em branco marmorizadas, data do século XVIII. O manuscrito foi adquirido em 1804, em Haia, por iniciativa de António Ribeiro dos Santos (1745 a 1818), bibliotecário-chefe da Real Biblioteca Pública da Corte, em Lisboa, pela soma de 240.000 réis.

O cancioneiro da Biblioteca Nacional

O Cancioneiro da Biblioteca Nacional é uma compilação de 1560 poemas de trovadores galego-portugueses dos séculos XII a XIV. Os poemas são precedidos por um texto incompleto, Arte de trovar, que fornece orientações práticas sobre a composição deste tipo de poesia, com uma visão geral das regras de cada gênero desenvolvido pelos menestréis e trovadores para seus poemas. Também conhecido como Cancioneiro de Colocci-Brancuti, o códice foi feito na Itália por volta de 1525 e 1526, por ordem de Angelo Colocci (1474 a 1549), um humanista e padre jesuíta italiano com um vivo interesse pela poesia antiga italiana, provençal e, especialmente, portuguesa. Atribuídos a aproximadamente 150 diferentes menestréis e trovadores portugueses, os poemas apresentam três gêneros: cantigas de amor (poemas de um trovador para sua amada), cantigas de amigo (poemas de uma mulher para seu trovador amado) e cantigas de escárnio e maldizer (poemas satíricos). Colocci transcreveu a Arte de trovar, numerou as cantigas, criou um índice e anotou o códice quase inteiro. O códice foi escrito por seis copistas, majoritariamente em caligrafia chanceleresca itálica, mas também em caligrafia gótica bastarda e cursiva. Estão incluídas as anotações de Colocci. Dentre os poetas apresentados estão Dom Dinis, rei de Portugal (reinou entre 1279 e 1325), Sancho I, rei de Portugal (reinou entre 1185 e 1211) e Pedro, Conde de Barcelos (1289 a 1354); bem como trovadores do século XIII, como Paio Soarez de Taveirós, João Garcia de Guilhade, Airas Nunes e Martin Codax. O códice fez parte da biblioteca do Conde Paolo Brancuti di Cagli, onde foi encontrado em 1875. Ele passou então para as mãos do filólogo italiano Ernesto Monaci em 1880. Mais tarde, foi adquirido pelo governo português e passou a integrar a Biblioteca Nacional de Portugal, em 26 de fevereiro de 1924.

Plantas para o Cabildo da Grã Canária

Apresenta-se aqui o conjunto de plantas e elevações para o gabinete principal do Cabildo de Gran Canaria (Conselho da Grã Canária), localizado na Rua Bravo Murillo, Las Palmas de Gran Canaria. As plantas estão preservadas no Arquivo Geral do Cabildo. Estes desenhos arquitetônicos têm um valor documental excepcional. Eles são os únicos conjuntos de plantas completas ainda existentes, usadas no escritório do arquiteto, Miguel Martín-Fernández de la Torre, que trabalhou no projeto entre 1929 e 1932. As plantas estão datadas como Las Palmas de Gran Canaria, setembro de 1932, e assinadas por Miguel Martín-Fernández de la Torre. A construção começou em 1937, e o novo edifício do Cabildo foi oficialmente aberto em 29 de abril de 1941. O edifício, que foi resultado de cinco projetos consecutivos, é um ponto de referência essencial na compreensão da modernidade das Ilhas Canárias. Miguel Martín buscou elaborar uma estrutura que conectasse a sociedade civil, as instituições políticas e um modelo arquitetônico, desta forma, criou um edifício que se destaca como um importante exemplo do estilo arquitetônico europeu chamado de Racionalismo.

Desenhos da proposta de montagem do mobiliário e design de interior da nova sede do Conselho da Ilha de Grã Canária

Estes desenhos fazem parte da documentação que o escultor Juan Márquez (1903 a 1980) apresentou como parte de sua proposta para o mobiliário e decoração interna dos novos escritórios do Cabildo de Gran Canaria (Conselho da Grã Canária), localizado na Rua Bravo Murillo, Las Palmas de Gran Canaria. Estas cópias são o único conjunto de documentos ainda existentes e fornecem ideias sobre as propostas oferecidas por Márquez. A competição para a seleção do elaborador destes espaços internos foi conduzida pela documentação técnica, emitida no dia 15 de outubro de 1938. Nela, quatro áreas foram especificadas: o salão principal para as sessões; o salão de encontros e o salão dos conselheiros; o saguão, hall, cortinas e escadaria principal; e o escritório do presidente, sala de espera e escritório do secretário da presidência. Dois escultores, Marquéz e Plácido Fleitas, dois pintores, Cirilo Suárez e Sergio Calvo, e um arquiteto, Fermín Suárez Valido, enviaram propostas. No dia 28 de novembro de 1938, a exibição pública dos projetos foi aberta no salão de sessões do Cabildo. No dia 23 de fevereiro de 1939, o jurado de competições determinou que o vencedor para os três primeiros espaços era Juan Márquez, e Fleitas ganhara para a área da presidência. A licitaçao dos materiais foi publicada em outubro de 1939. A produção da mobília, dos relevos e das esculturas começou em novembro de 1940 e fevereiro de 1941. Os escritórios do Cabildo, tanto o exterior, quanto o interior, são um importante exemplo da arquitetura modernista europeia, localizada nas Ilhas Canárias. Os desenhos pertencem às coleções do Museu Casa de Cristóvão Colombo, na Grã Canária.

Atlas

Este atlas foi atribuído ao importante cartógrafo, navegador e iluminador português Fernão Vaz Dourado (1520 a 1580, aproximadamente), com base em semelhanças entre este e outros mapas de Vaz, bem como nas iluminações do manuscrito. Vaz passou seus últimos anos na Goa portuguesa (atual Índia), e é conhecido por ter produzido sete atlas marítimos brilhantemente iluminados entre 1568 e 1580. Seus portulanos pertencem a uma classe de obras primas cartográficas do final do século XVI que refletem a crescente demanda da época por obras cartográficas que fossem tanto visualmente impressionantes, quanto precisas para a prática da navegação. Este atlas, datado de cerca de 1576, consiste em 17 mapas iluminados, além de tabelas de declinação e regras cosmográficas. Dentre os mapas incluídos estão os da extremidade meridional da América do Sul e do Estreito de Magalhães; do Caribe e de partes adjacentes das Américas do Norte e do Sul; da costa atlântica do atual Canadá (Labrador) e dos Estados Unidos; da Escandinávia, Ilhas Britânicas e Mar Báltico; da Europa; do Mediterrâneo oriental; da África Ocidental; da África meridional; do Brasil; da ilha de Madagascar e de seu país vizinho, Moçambique; da África Oriental, Península Arábica e Índia; da China e do Sudeste Asiático; da costa do Pacífico do México e da Baixa Califórnia. Os topônimos estão em latim. O atlas pertenceu às coleções reais do Palácio das Necessidades, em Lisboa. O Rei Don Luís e o Rei Don Carlos encomendaram os esboços e reproduções destes mapas. O atlas se tornou parte das coleções da Biblioteca Nacional de Portugal após 1910. Ele havia pertencido anteriormente a um “Cavalheiro Ferron” (1843, aproximadamente), membro da Société de Géographie, e a João Martens Ferrão de Castelo Branco (após 1847).