Código comercial otomano: tradução árabe

Este volume contém traduções para o árabe de quatro obras relacionadas ao código comercial otomano, originalmente publicado na Turquia: O código comercial, Apêndice, Fontes das sentenças judiciais e Comentário. O código comercial otomano e suas atualizações tinham como base o código francês de 1807. A importância do código reside no fato de que ele representava uma ruptura com os pressupostos da sharia (lei islâmica) e preparava o caminho para a promulgação de códigos criminais e civis e para a reorganização dos tribunais. A publicação da tradução foi um projeto do próprio tradutor, Niqula al-Naqqash, e do impressor-editor Ibrahim Sadr, proprietário tanto da Editora al-‘Umumiyah, em Beirute, quanto da livraria conhecida como Editora al-Misbah (Editora a Lanterna). As obras foram publicadas de maneira separada entre 1880 e 1885. Niqula e seu irmão, Marun, eram homens de interesses variados e talentos nas artes, na política e na administração. Niqula se tornou proeminente no governo provincial otomano, chegando a ser membro do parlamento imperial. Ele era bastante ligado à hierarquia maronita e porta-voz do patriarcado. Marun é reconhecido como fundador do teatro árabe moderno, projeto que contou com a colaboração de seu irmão. O próprio Niqula tentou escrever peças teatrais, publicando Al-Shaykh al-Jahil (O xeique avarento) no final da década de 1840. Seu sobrinho, Salim ibn Khalil al-Naqqash, ajudou a consolidar o teatro no Egito.

Literatura e religião dos antigos egípcios

Esta pesquisa sobre a história e os costumes no Egito Antigo, publicada no Cairo em 1923, tinha como alvo o público leitor em geral. Em sua introdução, o autor, Anṭūn Zikrī, observa que, embora existissem muitas obras sobre o assunto em línguas estrangeiras, o egípcio que só lia a língua árabe não poderia encontrar nada sobre sua própria história. A obra foi ilustrada com gravuras em preto e branco que representam objetos de vários museus, incluindo o Museu Egípcio do Cairo, onde Anṭūn trabalhava como bibliotecário. Anṭūn escreveu muitas obras introdutórias sobre o Egito Antigo, incluindo um guia aos hieróglifos, uma obra sobre medicina antiga, e um guia ao Museu Egípcio e às antiguidades de Gizé. A folha de rosto ornamentada traz uma inscrição ao Rei Fuʼād I (1868 a 1936), cujo nome foi colocado entre duas figuras que representam servos antigos apresentando oferendas ao rei. O livro foi impresso em Dar al-Ma’arif, no Cairo, uma gráfica fundada em 1890 por Naǧīb Mitrī, de origem libanesa, e que ainda hoje segue sendo uma importante editora. O livro inclui um glossário de termos faraônicos, um índice de gravuras e um guia para os topônimos antigos, com seus equivalentes modernos.

O intérprete da literatura árabe e de sua história

Al-Wasit fi-al-Adab al-‘Arabi wa-Tarikhih (O intérprete da literatura árabe e de sua história) é um manual de literatura árabe aprovado para o uso pelo Ministério da Educação Egípcio em várias escolas sob sua jurisdição, isto é, todas as instituições de treinamento de professores e escolas secundárias. Os autores eram figuras religiosas e literárias. O mais conhecido dos dois, o xeique Ahmad al-Iskandarī, nasceu em Alexandria, estudou em al-Azhar e se tornou professor das escolas de al-Fayyūm e de outras áreas próximas ao Cairo. Ele foi indicado à faculdade da Universidade do Cairo e eleito membro da prestigiada Academia de Língua Árabe. Escreveu vários manuais, incluindo uma história da literatura abássida. O xeique Mustafa ‘Anani também parece ter sido um professor, embora não se saiba muita coisa sobre onde viveu e trabalhou. Ele escreveu uma obra sobre o poeta andaluz do século XI Ibn Zaydun, publicada originalmente pela Dar al-Ma'rif em 1899 e, mais tarde, atualizada. Esta obra é a primeira edição do al-Wasit. Ela se tornou um texto padrão no currículo árabe. Como frequentemente ocorre com as publicações de Dar al-Ma’arif, o livro apresenta um alto padrão de academicidade e produção. Os autores abrangem a história da literatura árabe em todos os seus aspectos: poesia, prosa, narrativa hitórica, retórica e assim por diante, desde os tempos pré-islâmicos até seu próprio tempo. Como importante referência nesta área, ela é suplementada pela obra em vários volues Muntakhab min Adab al-‘Arab (Seleções da literatura árabe), de al-Iskandarī’, publicada no Cairo entre 1944 e 1954.

Casa Imperial dos Romanov

Esta publicação foi produzida em 1913 para marcar o 300º aniversário da dinastia Romanov. Ela contém uma introdução, um esboço genealógico dos boiardos Romanov e uma história curta dos Romanov em 17 capítulos. O volume também inclui biografias, retratos e fotografias dos membros da dinastia. Na introdução, “Três séculos da casa dos Romanov”, Elpidifor Barsov (1836 a 1917) fornece uma breve visão geral histórica do contexto do reinado dos Romanov. Ele descreve primeiro “os tempos difíceis” que se seguiram à eleição de Mikhail Fedorovich, o primeiro czar da dinastia Romanov. Ele enfatiza as conquistas dos primeiros Romanov, especialmente Pedro, o Grande, e Catarina, a Grande. Estes dois monarcas expandiram a Rússia, fortaleceram o exército e a marinha russa e desenvolveram o comércio. Barsov elogia os Romanov por seu reinado sensato e menciona que eles nunca oprimiram o povo. Alexandre II libertou os camponeses e Nicolau II instituiu o Conselho de Estado e a Duma do Estado, de modo que as pessoas pudessem eleger seus representantes, expressando sua vontade para com o czar. Barsov escreve sobre as ligações dos Romanov com a Europa, que levaram à Rússia o Iluminismo, no século XVIII. A Academia de Ciências, as universidades e as escolas de arte e técnicas foram todas fundadas sob os Romanov. A publicação contém várias ilustrações. Também está incluída uma cópia de partes das cartas certificadas que confirmam a eleição em 1613 de Mikhail Fedorovich Romanov como czar. O texto está decorado com símbolos do poder imperial e emblemas heráldicos russos em vinhetas e iniciais. Barsov editou o volume sob a supervisão do editor-chefe V. V. Funke. O livro está presrevado na Biblioteca Histórica Pública do Estado da Rússia

Álbum em comemoração do aniversário de tricentenário da Casa Imperial dos Romanov

Este livro é uma das várias obras publicadas na Rússia em relação à celebração, em 1913, do 300º aniversário da Casa dos Romanov. O autor, Ivan Bazhenov, era um historiador da igreja, teólogo e historiador local em Kostroma. Em sua introdução, Bazhenov afirma que o objetivo da publicação é “dar aos leitores a oportunidade de compreender e avaliar o grande significado deste aniversário e, ao mesmo tempo, despertar sua gratidão pelo fundador da dinastia Romanov”. Ele começa descrevendo a Rússia antes dos Romanov, focando-se particularmente no reinado de Ivan I (também chamado Ivan Kalita, 1304 a 1340, aproximadamente). Também abrange o período de instabilidade política que seguiu imediatamente à fundação da dinastia Romanov, a começar pelo colapso da dinastia Rurik, em 1598. Em seguida, ele lembra como o jovem Mikhail Fedorovich Romanov foi eleito czar em 1613 e como seu reinado de 32 anos colocou a Rússia no caminho do desenvolvimento econômico e aumentou o poder nacional. Esta visão geral é seguida de retratos de czares russos, de Mikhail Fedorovich até Alexandre III (1845 a 1894, reinou entre 1883 e 1894), de Vasilii Petrovich Vereshchagin, professor de pintura histórica na Academia Imperial de Artes. Cada retrato é acompanhado de uma breve legenda, provavelmente escrita por Vereshchagin, listando as principais conquistas de cada governante. O álbum está preservado na Biblioteca Histórica Pública do Estado da Rússia.

Um mapa da Província e Condado de São Petersburgo

O título completo deste mapa manuscrito e aquarela de 1792 é “Um mapa da Província e Condado de São Petersburgo, incluindo partes de outros condados que pertencem à província, como Shlisselburg, Sofeisk, Oranienbaum e Rozhdestveno, com São Petersburgo como centro administrativo do qual se irradia por 40 verstas”. O texto segue adiante e explica que parte “desta província, antes chamada Ingria, foi conquistada da Suécia em 1702 e, de acordo com o Tratado de Nystad, em 1721 a Ingria foi formalmente cedida à Rússia pela Suécia. No dia 16 de maio de 1703, São Petersburgo foi ali fundada, sendo hoje a capital do país e a principal cidade da província, localizada na Europa à latitude de 59º 57', e à longitude de 47º 57'. A província foi recriada em 1780 e sua população rural incluía russos, finlandeses íngrios e colonos”. O mapa retrata o uso da terra em detalhes, incluindo florestas, terra arável, pastos, bosques, pântanos, pedreiras e locais povoados. As fronteiras provinciais e do condado, quedas d'água no Rio Neva e estradas nacionais também são exibidas. O mapa é totalmente colorido, incluindo as legendas, com o relevo sendo indicado por sombreamento. A alternação dos vales e de elevações intensamente marcadas é clara. O fundo do mapa imita a cor da madeira e sua moldura tem cor de musgo. A grafia original é visível no título. A legenda está colocada em uma cártula com forma de pergaminho, no topo à esquerda. O mapa manuscrito encontra-se preservado na Biblioteca do Estado da Rússia.

O Irmologion, “Rozniki” e festividades: uma compilação litúrgica com notação em gancho

Um Irmologion é um livro litúrgico da Igreja Ortodoxa Oriental e de algumas Igrejas Católicas do Rito Oriental. Ele contém textos para serem cantados na igreja, chamados irmoi (hinos introdutórios e, às vezes, de conclusão) para cânones cantados nos ofícios de leitura e em outros serviços ao longo do ano litúrgico. O termo Irmologion vem das palavras gregas para “ligação” e “coletar”. Rozniki (cantos usados em ocasiões específicas, como o Natal e a Páscoa) eram majoritariamente cantados em comunidades dos Velhos Crentes, que rejeitaram as reformas do século XVII na Igreja Ortodoxa Russa oficial. Esta obra foi compilada entre o meio do século XVI e a década de 1720, estando escrita em eslavo eclesiástico, que era então a língua cerimonial eclesiástica mais usada na Ortodoxia Oriental. Seus ganchos diacríticos e a notação musical em znamenny (palavra derivada do termo russo para “marcadores” ou “banners”) foram um desenvolvimento russo a partir da notação bizantina. As principais características deste sistema são seu registro de transições melódicas e codificação do humor musical (suavidade, força, tempo e assim por diante), em vez de notas específicas. A caligrafia é semi-uncial, com letras pequenas. Três tipos de caligrafia, de três períodos diferentes, são discerníveis, com marcas d'água distintas de variados graus de visibilidade. Os fólios 9 a 141, datados de cerca da década de 1550 até 1625, mostram o primeiro tipo de caligrafia e uma marca d'água composta por um pequeno jarro com uma única asa, com uma coroa sobre sua tampa e uma roseta de três pétalas logo acima. O segundo tipo de impressão aparece nos versos dos fólios 143 a 166, datando de cerca de 1625 até meados do século XVII, com marcas d'água quase indiscerníveis. O terceiro tipo de caligrafia, nos versos dos fólios 168 a 288, data de meados do século XVII. Estes fólios têm duas marcas d'água: um pequeno jarro com duas asas e um buquê de folhas, com um pequeno lírio de três folhas no topo e letras de ambos os lados; e o mesmo jarro de duas asas, com uma coroa sobre a tampa e uma lua crescente logo acima, sem letras e com asas mais grossas. A maioria das folhas escritas depois do manuscrito principal (fólios 1 a 8, 142, 167, 271 e 289 a 291, aproximadamente entre 1675 e 1725) estão encadernadas no início e no fim do livro e têm como marca d'água uma das duas diferentes figuras do brasão de Amsterdã. A obra está preservada na Biblioteca Nacional da Carélia, na Rússia.

Resultados do movimento revolucionário na Rússia durante um período de 40 anos (1862 a 1902)

Este livro, publicado em Genebra em 1903, é o número 24 de uma série de 43 títulos produzidos entre 1902 e 1904 pela organização social-democrata Zhizn' (Vida) como “Biblioteca do Proletariado Russo”. O livro é uma compilação de documentos, incluindo programas, manifestos e artigos relacionados ao movimento revolucionário russo entre 1862 e 1902. Dentre os documentos encontrados no livro estão a declaração Molodaia Rossiia (Jovem Rússia), publicada em 1862; artigos do Zemlia i Volia (Terra e liberdade), órgão da sociedade Narodnik (Populista) publicado entre 1878 e 1879; e artigos do Narodnoe delo (A causa do povo), um periódico revolucionário publicado entre 1868 e 1870. Estão incluídos ensaios de pensadores revolucionários importantes, como Mikhail A. Bakunin (1814 a 1876) e Petr A. Kropotkin (1842 a 1921). O livro também contém o texto de uma carta do Narodnaia Volia (A vontade do povo) ao Czar Alexandre III. Esta organização foi responsável pelo assassinto do pai de Alexandre, o Czar Alexandre II, em São Petersburgo, no dia 1 de março de 1881. A carta, datada de 10 de março de 1881, era um ultimato do comitê do Narodnaia Volia a Alexandre III. Os membros pedem que o czar se envolva em discussões abertas sobre o futuro político da Rússia e introduza reformas abrangentes no país, em troca disso eles concordariam em suspender sua atividade de militância e se dedicariam ao bem-estar da população. O volume também inclui um rascunho do programa dos Social-Democratas Russos, um manifesto do Partido Trabalhista Social-Democrata Russo (PTSDR) e decisões tomadas em seu primeiro congresso, organizado em março de 1898. O PTSDR se dividiria mais tarde entre as faccções menchevique (minoria) e bolchevique (maioria); por fim, esta última se tornaria o Partido Comunista da União Soviética. O livro está preservado na Biblioteca Histórica Pública do Estado da Rússia.

Carta certificada confirmando a eleição de Mikhail Fedorovich Romanov como Czar do Estado de Moscou

Este livro, publicado em Moscou em 1906, contém uma cópia da carta certificada que confirma a eleição de Mikhail Fedorovich Romanov (1596 a 1645) como regente do Czarado da Moscóvia em 1613. A reprodução da carta aparece na página 96, após uma longa introdução de Sergei A. Belokurov. Cópias da carta foram feitas na Universidade de Moscou em 1904 pela Sociedade Imperial de História e Antiguidades da Rússia, a fim de celebrar o centésimo aniversário da sociedade. Belokurov, historiador da Igreja Ortodoxa Russa e membro ativo na sociedade, superivisonou o trabalho. Em sua introdução, Belokurov resume os eventos que precederam a eleição do primeiro czar Romanov. Após ocupantes poloneses terem sido expulsos da Moscóvia em outubro de 1612, o Zemsky Sovet (Conselho do País) enviou documentos oficiais a diferentes cidades em território moscovita, argumentando que, sem um czar, a nação estaria vulnerável a invasões estrangeiras e ameaçada pela corrupção. As cartas salientam a necessidade de proteger o país de inimigos, bem como a Igreja Ortodoxa de hereges (o que significava tanto católicos, quanto luteranos). Pessoas notáveis de diferentes partes do país foram convidadas a ir até Moscou a fim de eleger um czar. Em janeiro de 1612, eles constituíram a Zemsky Sobor (Assembleia do País). No dia 7 de fevereiro do ano seguinte, decidiram por Mikhail Fedorovich Romanov, então com 16 anos, sobrinho do Czar Fyodor Ivanovich. Na Sobor (assembleia), adotaram a carta aqui exibida. A carta fornece breves informações sobre os czares russos, a começar pela dinastia Rurik, no século IX. Na carta, consta o texto do discurso da delegação enviada pelo Sobor a Kostroma, a nordeste de Moscou, onde Mikhail Fedorovich e sua mãe residiam, informando-o dos resultados da eleição. Ela também contém discursos preparados para Mikhail Fedorovich e sua mãe, caso recusassem a coroa. O livro também inclui detalhes sobre figuras centrais e eventos da história russa posterior. Ele está preservado na Biblioteca Histórica Pública do Estado da Rússia.

Ensaios sobre a história da Guerra Civil entre 1917 e 1920

Os Ensaios sobre a história da Guera Civil entre 1917 e 1920 são uma das primeiras histórias da guerra que se seguiu à Revolução Bolchevique de 1917. O livro foi escrito por Anatolii Anishev, pesquisador da Academia Político-Militar de Tolmachev, em Leningrado (atual São Petersburgo), e publicados em Leningrado em 1925. Na introdução, Anishev observa que os arquivos que serviriam como fonte relacionados à guerra estavam em péssimas condições e que quase nenhuma monografia sobre o assunto existia. Isto o forçou a se fiar em artigos publicados em revistas e jornais dos Russos Brancos, que eram parciais e pouco confiáveis. Muitos documentos produzidos pelos revolucionários também eram parciais e excessivamente otimistas. Em vista dessas limitações, Anishev afirma que seu objetivo é fornecer uma estrutura para que uma história de maior confiabilidade pudesse ser escrita no futuro. Ele se foca em salientar o que vê como os quatro principais estágios da revolução e do período subsequente. A primeira etapa, de outubro de 1917 a março de 1918, foi marcada pela derrubada bolchevique do governo, pela formação da ditadura do proletariado e pela assinatura do Tratado de Brest-Litovsk, que terminou a participação russa na Primeira Guerra Mundial. A segunda etapa, que vai de abril a maio de 1918, viu a emergência da contrarevolução no sul e a ofensiva da legião tchecoslovaca, que tomou do controle bolchevique grandes partes da Rússia. A terceira etapa, de junho a novembro de 1918, foi o ponto alto do comunismo de guerra, já que a aliança entre proletariado e campesinato lutava contra a contra-revolução e a fome começava a se espalhar nos povoados. Na quarta etapa, de novembro de 1918 à primavera de 1920, foi marcada pela luta do proletariado, em aliança com os serednyaks (camponeses de renda média) contra a contra-revolução liderada pelos proprietários de terras. A etapa final viu a eliminação dos três principais comandantes dos Russos Brancos: o Almirante Alexander Vasilyevich Kolchak, que estabeleceu um governo reacionário ditatorial na Sibéria e foi executado; e Nikolai Nikolayevich Yudenich e Anton Ivanovich Denikin, generais dos Russos Brancos que deixaram a Rússia e se exilaram. O livro está preservado na Biblioteca Histórica Pública do Estado da Rússia.