Retratos das doações do Rei Mindon em vários lugares, de 1853 a 1857

Este manuscrito birmanês (Or 13681), da Biblioteca Britânica, mostra sete cenas de doações do Rei Mindon em vários lugares, durante os quatro primeiros anos de seu reinado (1853 a 1857). O artista não apenas representou as sete diferentes cerimônias históricas e meritórias do Rei Mindon, como também descreveu o custo das doações reais em detalhes. O parabaik (livro dobrável) de meados do século XIX possui capa de couro vermelho, com a seguinte inscrição em letras douradas na capa “Retratos das doações do Rei Mindon em vários lugares, a partir do ano 1215, primeiro [volume I]”. (O calendário da era birmanesa começa em 638 d.C., portanto, 1215 da era birmanesa corresponde a 1853 d.C.). O nome Rainha Tharasein (Tharasein Mihpaya) aparece na etiqueta de papel pregada na contracapa do manuscrito. Em 1853, o rei e a rainha doaram um monastério (Waso kyaung) e uma casa de repouso (Za yat), incluindo árvores de oferenda aos monges em Ratanatheinka (Cena 1); o custo das doações foi de 3500 kyats. O rei e a rainha fizeram a segunda e terceira doações em 1854, em Amarapura, primeira capital da Birmânia. Eles deram a casa de repouso Thudhama (Thudhama za yat) e uma imagem de Buda em tijolos, forneceram refeições diárias a 70 monges no mês de wahso, e deram mantos monásticos (Wahso thin gan) e oito requisitos básicos (Payeithkaya shi pa) aos monges (Cenas 2 e 3). O Rei Mindon fez sua quarta doação em 1855, oferecendo vários presentes aos monges budistas de Amarapura (Cena 4). A quinta doação da casa real foi em 1856, em Amarapura. As doações incluíam um thein (salão de ordenação), dois sardaik bhi dho (arcas douradas para manuscritos), manuscritos de folhas de palmeira, camas decoradas com mosaicos de vidro e redes de mosquitos com laços dourados. A Cena 5 retrata os músicos e dançarinos que entreterão a realeza; os oficiais da corte e suas esposas também receberam presentes. O Rei Mindon fez sua sexta doação em 1857, em Mandalay, oferecendo o monastério Mingala Bon San e o salão de ordenações Dhamma Myitzu a Pyay Sayadaw. Na imagem (Cena 6), a realeza recebe homenagens e é entretida pela orquestra. Os monges também receberam os oito requisitos e outros prêmios. Em 1853, o rei ofereceu dois lagos (Zeya Nanda kan e Thiri Nanda kan) no povoado de Nyaung gan. Um ano mais tarde, em 1854, o rei também ofereceu lagos em Hsinte siyinsu, Amarapura (Cena 7).

Tratado de massagem

A medicina tradicional tailandesa é uma disciplina holística, que envolve o uso extensivo de tratamentos herbóreos indígenas e de massagens com pressão, combinados a aspectos de espiritualidade e bem-estar mental. Tendo sido influenciada pelos conceitos indianos e chineses de cura, a medicina tradicional tailandesa compreende a doença não como uma questão puramente física, mas também como um desequilíbrio entre o paciente e seu mundo social e espiritual. Os manuscritos médicos tailandeses escritos durante o século XIX fornecem uma ampla visão geral de diferentes métodos de tratamento e prevenção, de compreensão e conhecimento do corpo humano, da relação mente-espírito e das doenças. Em 1831, o Rei Rama III ordenou a compilação de vários tratados médicos a serem usados como material de ensino nas recém-criadas escolas reais de medicina, em Wat Phrachetuphon (Wat Pho) e Wat Ratcha-orot, em Bangkok. Wat Phrachetuphon se tornou formalmente a primeira escola médica real em 1889, e ainda hoje funciona como a Escola de Medicina Tradicional Tailandesa. O tratado apresentado aqui fornece instruções para a massagem e inclui 30 ilustrações do corpo humano, com pontos de massagem.

Mapa da ilha de Cuba

A Carte de l'île de Cuba (Mapa da ilha de Cuba) apareceu originalmente no Essai politique sur l'île de Cuba (Ensaio político sobre a ilha de Cuba), publicado em Paris em 1826. O mapa foi produzido pelo cartógrafo e gravurista francês Pierre M. Lapie (1779 a 1850), chefe do setor topográfico do Ministério da Guerra Francês. Ele mostra os contornos da costa de Cuba, desenhados de acordo com observações astronômicas de navegadores espanhóis e de Humboldt, que visitou Cuba entre 1800 e 1801 e, novamente, em 1804. A pesquisa de Humboldt sobre Cuba expandiu os conhecimentos sobre a geografia, economia, flora, fauna, topografia, clima e solo da ilha, e seus escritos lhe conferiram o título de “segundo descobridor de Cuba”. O grande naturalista e geógrafo alemão mapeou a costa de Cuba com um novo grau de precisão. Ele determinou o local exato de cidades e vilas, mais notavelmente, de Havana, que mapas anteriores, baseados em medidas e cálculos errados, posicionavam a cerca de 20 quilômetros de distância de seu local real. Um mapa inserto do porto e da cidade de Havana aparecem na parte inferior esquerda.

Mapa da ilha de Cuba e de territórios adjacentes

José María de la Torre y de la Torre (1815 a 1873) foi um ilustre geógrafo, arqueólogo, historiador e educador cubano, que dedicou uma grande parte de sua vida intelectual a estudar a história local cubana. Esta obra cartográfica de 1841, de José María de la Torre, é importante tanto de um ponto de vista histórico, quanto geográfico. Ela descreve em detalhes os itinerários das viagens de Cristóvão Colombo às Américas. O mapa mostra as rotas de cada uma das três viagens de Colombo, fornecendo as datas em que este chegou a vários locais distintos. Ele fornece também os topônimos originais, bem como os nomes que Colombo deu às diferentes ilhas. Também aparece a distribuição das culturas pré-colombianas na época da primeira viagem de Colombo, conforme entendidas por José María de la Torre. A originalidade deste mapa reside em sua evocação do passado aborígene, o que, na época em que a obra foi feita, ajudou a reafirmar a cultura dos povos nativos das Américas. A ilha da Jamaica e a parte ocidental de Hispaniola (Haiti) também são exibidas. A ilustração no canto superior esquerdo representa o escudo de Cuba, concedido à ilha pelo rei da Espanha em 1516.

A assistência dos juízes para questões levantadas por adversários na Lei

Mu’in al-hukam fi-ma yataraddudu bayn khusmin al-ahkam  (A assistência dos juízes para questões levantadas por adversários na Lei) é um manual de procedimento legal islâmico. Ele foi escrito no século XV por ‘Ali ibn Khalil al-Tarabulsi, também conhecido como ‘Ala’ al-Din ibn al-Hasan ‘Ali ibn Khalil al-Tarabulsi (ou al-Tarabulusi), um jurista hanafita de Jerusalém. Após introduzir seu livro e fazer referências à importância singular da sharia (lei islâmica) no Alcorão e entre os profetas, al-Tarabulsi explica que escreveu a obra a fim de elucidar os princípios por trás de sua profissão. Em geral, observa, a maioria dos livros jurídicos são simples abreviações de casos e sentenças. Por contraste, ele busca explicar al-ghawamidh (os obscuros princípios) de al-fann (sua arte). Além de buscar atender estas nobres pretensões, ele abrange questões mais quotidianas, como as jurisdições dos juízes, seus status e a compensação por seus vários serviços. Ele cita muitas decisões legais, frequentemente sem discussão teórica. Não se sabe muito sobre a vida de al-Tarabulsi, e esta pode ser sua única obra ainda existente. O livro foi “corrigido, editado e revisado” por Husayn Afandi al-Asyuti, tendo sido publicado pela oficina de impressão de Bulaq, no Cairo, sob a direção de seu supervisor Husayn Husni. Esta edição foi publicada em 1883; ela foi reimpressa pela Editora Bulaq em 1892.

A abundância do louvável e o reforço do que é ainda mais louvável: coletânea de poesia

Este diwan, Al-Faydh al- Muhammadi wa-al-Madad al-Ahmadi wa Huwa Diwan (A abundância do louvável e o reforço do que é ainda mais louvável: coletânea de poesia), é um livro de poemas, sendo a maior parte deles em louvor ao Profeta Maomé ou em súplica por suas bênçãos e assistência. Alguns dos versos escapam deste tema, por exemplo, orações poéticas endereçadas a Ahmad al-Rifa’i, fundador da famosa ordem sufista da qual o autor, Abū al-Hudá al-Ṣayyādī, era um líder proeminente (e controverso). Abu al-Huda foi um escritor prolífico, que deixou suas origens humildes na Síria rural para se tornar professor e conselheiro do Sultão Abdülhamid II. Ele foi uma figura religiosa de grande importância, bem como um agente do poder cuja influência na corte otomana era incomparável. Ele foi responsável pela indicação a altos cargos de muitos de seus contemporâneos, especificamente Ahmad Izzat al-Abid (1851 a 1924), conselheiro sírio do sultão. A presença de Abū al-Hudá como um árabe na corte imperial o envolviam na política otomano-islâmica, o que fazia com que muitas de suas decisões fossem sentidas em várias partes do império. Ele foi associado a grandes figuras do movimento reformista islâmico, como Mahmud Shukri al-'Alusi (1856 a 1924), no Iraque, e Muhammad 'Abdu (1849 a 1905), no Egito. A liderança dos sufistas Rifa'iyah fez com que ordens rivais tentassem desqualificar suas alegações religiosas e posição na corte. A história não foi generosa com Abū al-Hudá. Sua rápida ascensão ao poder, posição privilegiada como patrono e a ambiguidade de seus escritos o levaram a ser qualificado como obscurantista, reacionário e fraudulento. Parece irônico que um dos principais elos entre o sultão e seus súditos árabes seja, ainda hoje, amplamente ignorado pela historiografia árabe. Sendo um escritor e publicista infatigável, atribuem-se a ele mais de 200 obras. Os poemas desta coletânea são, em sua maior parte, curtos. Dísticos e versos curtos estão intercalados com poemas mais longos. Muitos versos foram escritos para ocasiões especiais, como o banquete que se segue ao Ramadã, ou compostos para comemorar um evento.

O modo ideal de dispersar as tradições e adotar os primeiros princípios

Esta obra impressa por Nūr al-Ḥasan b. Ṣiddīq b. Ḥasan Khan (nome também visto como al-Qannawjī) lida com taqlid (a aderência à tradição islâmica) e ijthad (a interpretação flexível dos princípios religiosos), questões que ocuparam os pensadores muçulmanos por 1400 anos. Al-Ṭarīqah al-muthlá fī al-irshād ilá tark al-taqlīd wa-ittibāʻ mā huwa al-awlá (O modo ideal de dispersar as tradições e adotar os primeiros princípios) é, por si mesma, menos importante do que o contexto em que foi publicada. O autor pertencia à corte muçulmana de Bhopal, na Índia. Ele era filho de um autor prolífico, Muḥammad Siddīq Ḥasan Khan, consorte da begum reinante naquele principado indiano. A família se destacou nas ciências e na política islâmica da época. Esta obra foi publicada pela Editora Jawa'ib, em Istambul, onde vários livros escritos tanto pelo pai, quanto pelo filho, foram publicados em língua árabe. O pai é conhecido por ter se correspondido com o sultão otomano Abdülhamid II e, presumivelmente, influenciado seu modo de pensar. O tópico da taqlid foi acaloradamente debatido nesta época em todas as partes do mundo muçulmano. Ele também apresentava interesse para as autoridades britânicas, que desejavam limitar sua influência na expansão do wahhabismo. O volume está incompleto, já que faltam as estrofes finais do qasidah (poema) final. O livro conta com chamadas e as assinaturas estão numeradas. A impressão sofre por conta da fonte quebrada e desgastada. Na literatura biográfica e em catálogos de bibliotecas, esta obra é frequentemente atribuída ao pai do autor. Ela foi republicada em Beirute em 2000.

Lei comercial do Egito

Este volume, Qanun al-Tijarah (Lei comercial do Egito), contém duas obras impressas, os códigos comercial e marítimo do Egito. Os dois documentos foram extraídos de uma obra mais abrangente, mas ainda não identificada, que possivelmente abrangia o procedimento civil e o código criminal. Cada título é precedido pela ordem do regente egípcio, o Khedive Muhammad Tawfīq, autorizando a publicação e implementação da lei. O primeiro título, Código comercial, inclui definições de termos e se foca no débito e na falência. O segundo título, Código marítimo, abrange navios que operam sob a bandeira otomana e os direitos e deveres dos proprietários de navios, oficiais, tripulação e passageiros. Também estão incluídas provisões de documentos necessários, seguros e locação. As leis entraram em vigor em 1883, tendo sido impressas no mesmo ano pela Editora Bulaq, o setor de publicações do governo egípcio. A lei egípcia, assim como a lei imperial otomana, tinha como base modelos europeus, principalmente franceses. Ela era aplicada pelas assim chamadas Cortes Mistas, no contexto da crescente internacionalização do comércio e sob a influência das Grandes Potências. Os códigos promulgados aqui permaneceram em funcionamento até a revolução legislativa posterior, ocorrida na década de 1940. Leis codificadas, como estas, operavam em simultaneidade com a lei islâmica sobre questões pessoais, como casamentos e heranças.

Explicação de al-Khansa' em estrofes requintadas

Este livro é uma coletânea impressa de versos de Tumāḍir bint ʿAmr ibn al-Ḥarth ibn al-Sharīd al-Sulamīyah, intitulada Anis al-Julasāʼ fī Sharḥ Dīwān al-Khansāʼ (Explicação de al-Khansa’ em estrofes requintadas). Conhecida historicamente como al-Khansā’ (a de nariz arrebitado, ou que lembra uma gazela), a autora é vista como um dos principais nomes da poesia na Arábia pré-islâmica. Após se encontrar com o Profeta Maomé, que supostamente admirava sua poesia, ela se tornou muçulmana. A apreciação contemporânea e subsequente de sua poesia deve muito ao poder de seus lamentos panegíricos. Seus dois irmãos foram mortos em um confronto tribal antes de sua conversão ao Islã. Após sua conversão, seus quatro filhos morreram em batalhas pela nova fé. Seus Diwan (Poemas reunidos) foram reimpressos numerosas vezes. Em um florido parágrafo introdutório, o editor desta edição de 1895, Padre Louis Cheiko, afirma que a poesia de al-Khansa' “produzia inveja nas almas dos poetas árabes homens e levantava as cabeças de todas as mulheres, orgulhosamente”. Cheiko começou a estudar sua obra com uma compilação mais antiga, publicada em 1888. A importância desta edição se encontra não apenas em sua apresentação de uma compilação mais completa de sua poesia e dos comentários clássicos; o livro também fornece um olhar íntimo sobre os métodos usados por um orientalista proeminente na busca de manuscritos perdidos, comparando-os criticamente e fornecendo comentários que elucidam o texto com referências históricas, literárias e lexicais. Cheiko foi professor do destacado arabista russo I. Y. Kratchkovsky, que escreveu em suas memórias sobre a agradável surpresa e o posterior desapontamento ao descobrir que tanto ele quanto seu mentor estavam estudando a mesma poetisa árabe pré-islâmica.

O pilar da criação e crítica de poesia

Este livro é uma edição impressa do Al-‘Umdah fi Sina’at al-Shi’r wa-Naqdih (O pilar da criação e crítica de poesia), um texto fundamental da crítica literária árabe. O autor, Ibn Rashīq al-Qayrawānī, aborda a história poética e a prosódia de sua época, no século XI em Qayrawān, centro da vida intelectual na Tunísia, então chamada Al-Ifriqiya. A obra é universalmente conhecida como Al-‘Umdah (O pilar) de Ibn Rashiq. Ela também é citada como Al-‘Umdah fī maḥāsin al-shiʻr wa-ādābih. A avaliação dos estudiosos de Al-‘Umdah sustenta que, embora não se trate de uma obra teórica sem precedentes, ela é uma grande referência e um compêndio de debates religiosos, sociais e estilísticos sobre a poesia desde o início do Islã. Esta edição foi dividida em dois volumes e “corrigida” (i.e. editada) por Muhammad Badr al-Din al-Na’sani al-Halabi. A publicação da obra foi financiada por Muhammad Kamal al-Na’sani e Muhammad ‘Abd al-‘Aziz. Ela foi impressa na Editora al-Sa’adah, no Cairo, e distribuída a partir da livraria al-Khanji. Estes indivíduos e organizações fizeram todos parte do desenvolvido comércio gráfico e editorial do Cairo no início do século XX. A mesma equipe de edição e publicação cooperou na impressão de outras obras literárias clássicas. Uma biografia de Ibn Rashīq (que alguns acreditam ter nascido na vila de Muhammadiyah, onde seu pai era ourives) consta como conteúdo inicial. Há uma figura de Ibn Rashīq na nota de 50 dinares tunisiana.