6 de agosto de 2014

“História dos califas”, de al-Sūyūtī, e “Indicadores primários de Estados bem-regulados”, de al-Hasan al-ʻAbbāsī

Este volume contém duas obras, Tarikh al-Khulafa’ (História dos califas), de al-Sūyūtī (1445 a 1505), e Athar al-Uwal fi Tartib al-Duwal (Indicadores primários de Estados bem-regulados), de al-Hasan ibn ‘Abd Allāh al-‘Abbāsī (falecido em 1310, aproximadamente). Al-Sūyūtī é reconhecido por seus escritos sobre as ciências islâmicas, embora não necessariamente por suas obras históricas. A História dos califas continua sendo impressa como uma sumarização padrão do ponto de vista sunita sobre a regra de sucessão após a morte do Profeta Maomé. A obra revela um dom para a seleção e síntese, em vez da interpretação original, o que caracteriza boa parte dos escritos de al-Sūyūtī’. O autor da obra associada, al-Hasan al-ʻAbbāsī, supostamente seria parente do califa abássida Hārūn al-Rashīd, mas isto pode ser apócrifo. A obra deveria ser considerada um “espelho para os príncipes”, em vez de uma obra histórica. Ela fornece conselhos sobre o comportamento dos regentes, incluindo admoestações quanto ao tratamento dos súditos (e.g., comerciantes e fazendeiros) e quanto à escolha dos conselheiros, além de detalhes sobre vestimentas, menus e etiqueta durante as refeições. Os princípios de comportamento têm como base o Alcorão e os dizeres do Profeta, com exemplos frequentes extraídos das vidas dos profetas e regentes antigos, como Moisés e o Rei Davi. A História dos califas é a principal obra do volume. Os Indicadores primários estão impressos nas margens. Incluir uma segunda obra nas margens de um texto principal era prática comum na época deste manuscrito, e sua adoção continuou vigente muitas vezes nos primeiros livros impressos. Embora isto já não seja mais comum, ainda se produzem livros com obras impressas nas margens até hoje.

8 de agosto de 2014

Desenho do monumento a Alexandre I, do escultor Martos, 1828

O monumento ao Czar Alexandre I (1777 a 1825) foi inaugurado em 23 de outubro (11 de outubro, no Calendário Juliano) de 1831, comemorando a visita de Alexandre a Taganrog, um povoado ao sul da Rússia localizado na margem norte do Mar de Azov, e sua consequente morte por doença neste lugar. A viúva do czar, Elizaveta Alekeevna, escolheu o local do monumento. Boa parte do dinheiro usado em sua construção foi doado pela casa imperial dos Romanov; o restante foi obtido pelos residentes de Taganrog. A imagem em bronze do imperador em tamanho real está envolta em uma capa, que cobre seu uniforme de general. Ele segura o cabo de sua espada com a mão esquerda, e um rolo que contém o código legal do Império Russo com a mão direita. A águia aos seus pés simboliza a vitória da Rússia sobre Napoleão, obtida sob sua liderança. O monumento foi destruído na década de 1920 e a escultura foi derretida. Para a celebração do tricentenário de Taganrog, o monumento foi reconstruído e oficialmente inaugurado em 12 de setembro de 1998, no mesmo local onde havia sido originalmente inaugurado, em 1831, a antiga Praça do Banco (atual Praça Alexander). Este desenho à tinta é o desenho original do monumento, feito pelo escultor, Ivan Petrovich Martos (1754 a 1835). O documento é preservado no Arquivo Histórico do Estado Russo.

Desenho da medalha e da insígnia que comemoram a construção do monumento a Nicolau I, em Kiev, Província de Kiev, 1895

Este documento à tinta e aquarela contém os desenhos da medalha e da insígnia emitidas em comemoração da construção do monumento ao Czar Nicolau I (1796 a 1855, reinou de 1825 a 1855), em Kiev. Os desenhos foram feitos pelo estudioso de arquitetura Vladimir Nikolaev (1847 a 1911), que também desenhou o pedestal do monumento. Nikolaev era o arquiteto municipal e epárquico (diocesano) de Kiev naquela época, tendo desenhado várias igrejas e mansões da cidade. A estátua de Nicolau é do escultor Matvei Afanas'evich Chizhov (1838 a 1916). O monumento foi construído na Praça da Universidade e foi oficialmente inaugurado em agosto de 1896, durante uma visita a Kiev do Czar Nicolau II, bisneto de Nicolau I. O nome de Nicolau I é tradicionalmente associado à abertura da universidade e do Instituto para Moças da Nobreza em Kiev. O monumento foi demolido na década de 1920. Este documento é preservado no Arquivo Histórico do Estado Russo.

Imperador Alexandre II com seus filhos: Sergei e Maria

Esta fotografia, tirada em 1860 ou 1861, mostra o Czar Alexandre II (1818 a 1881, reinou de 1855 a 1881) com dois de seus oito filhos: A Grã-Duquesa Maria Alexandrovna (nascida em 1853) e o Grão-Duque Sergei Alexandrovich (nascido em 1857). Alexandre está sentado em uma cadeira, a três quartos à sua esquerda, usando uniforme militar. A grã-duquesa está sentada sobre a perna direita do pai, olhando para frente; o grão-duque está sentado sobre sua perna esquerda. Alexandre foi muito respeitado por ter emancipado os servos em 1861, bem como por suas reformas domésticas, incluindo a reorganização do sistema judicial, a introdução de um auto-governo local limitado e o apoio às universidades. Ele foi assassinado por revolucionários em São Petersburgo no ano de 1881. Maria se casou com o Príncipe Alfredo, duque de Edimbugo, segundo filho da Rainha Vitória e do Príncipe Alberto, que também se tornaria duque de Saxe-Coburg-Gota. Ela faleceu em Zurique em 1920. Sergei, que foi uma figura influente durante os reinados de seu irmão, o Czar Alexandre III, e de seu sobrinho, o Czar Nicolau II, foi governador-geral de Moscou por 14 anos, até morrer nas mãos de um assassino em Moscou, no ano de 1905. A fotografia é preservada no Arquivo do Estado Russo para Documentos de Filme e Fotografia.

Família do Imperador Alexandre III

Esta fotografia da família do Czar Alexandre III (1845 a 1894) foi tirada cerca de um ano antes de sua morte por nefrite. Também aparecem na foto a Imperatriz Maria Fedorovna (1866 a 1928), o Grão-Duque Nicolau Alexandrovich (1868 a 1918), o Grão-Duque George Alexandrovich (1871 a 1899), a Grã-Duquesa Xenia Alexandrovna (1875 a 1960), a Grã-Duquesa Olga Alexandrovna (1882 a 1918) e o Grão-Duque Michael Alexandrovich (1878 a 1918). A Imperatriz Maria Fedorovna, também chamada Princesa Dagmar, fugiu da Rússia em 1919 com outros membros da família Romanov a bordo do encouraçado britânico HMS Marlborough. Ela se estabeleceu e faleceu em seu país natal, a Dinamarca. O Grão-Duque Nicolau Alexandrovich (em pé, atrás da imperatriz, à esquerda) sucedeu seu pai como Czar Nicolau II e foi o último imperador da Rússia. Ele foi forçado a abdicar em 1917, tendo sido assassinado pelos bolcheviques em 1918. O Grão-Duque George Alexandrovich (ao lado de Nicolau Alexandrovich) morreu de tuberculose enquanto servia como oficial da marinha russa. A Grã-Duquesa Xenia Alexandrovna, a filha mais velha, casou-se com um primo, estando ela e seu marido entre os Romanov a bordo do Marlborough, em 1919. Ela passou o restante de sua vida na Grã-Bretanha. A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna escapou da Rússia em 1920 com seu segundo marido, Nikolai Kulikovsky, e seus filhos. A família viveu na Dinamarca até 1948 e, em seguida, imigrou para o Canadá. O Grão-Duque Michael Alexandrovich serviu com distinção na Primeira Guerra Mundial. Ele foi assassinado por revolucionários em junho de 1918. A fotografia está preservada no Arquivo do Estado Russo para Documentos de Filme e Fotografia.

Resultados do movimento revolucionário na Rússia durante um período de 40 anos (1862 a 1902)

Este livro, publicado em Genebra em 1903, é o número 24 de uma série de 43 títulos produzidos entre 1902 e 1904 pela organização social-democrata Zhizn' (Vida) como “Biblioteca do Proletariado Russo”. O livro é uma compilação de documentos, incluindo programas, manifestos e artigos relacionados ao movimento revolucionário russo entre 1862 e 1902. Dentre os documentos encontrados no livro estão a declaração Molodaia Rossiia (Jovem Rússia), publicada em 1862; artigos do Zemlia i Volia (Terra e liberdade), órgão da sociedade Narodnik (Populista) publicado entre 1878 e 1879; e artigos do Narodnoe delo (A causa do povo), um periódico revolucionário publicado entre 1868 e 1870. Estão incluídos ensaios de pensadores revolucionários importantes, como Mikhail A. Bakunin (1814 a 1876) e Petr A. Kropotkin (1842 a 1921). O livro também contém o texto de uma carta do Narodnaia Volia (A vontade do povo) ao Czar Alexandre III. Esta organização foi responsável pelo assassinto do pai de Alexandre, o Czar Alexandre II, em São Petersburgo, no dia 1 de março de 1881. A carta, datada de 10 de março de 1881, era um ultimato do comitê do Narodnaia Volia a Alexandre III. Os membros pedem que o czar se envolva em discussões abertas sobre o futuro político da Rússia e introduza reformas abrangentes no país, em troca disso eles concordariam em suspender sua atividade de militância e se dedicariam ao bem-estar da população. O volume também inclui um rascunho do programa dos Social-Democratas Russos, um manifesto do Partido Trabalhista Social-Democrata Russo (PTSDR) e decisões tomadas em seu primeiro congresso, organizado em março de 1898. O PTSDR se dividiria mais tarde entre as faccções menchevique (minoria) e bolchevique (maioria); por fim, esta última se tornaria o Partido Comunista da União Soviética. O livro está preservado na Biblioteca Histórica Pública do Estado da Rússia.