Cartas, ensinamentos pedagógicos e citações de Santo Antão do Egito

Este manuscrito é aberto com as 20 cartas “aos filhos que seguiram o caminho gentil [de Antão]… e oremos para nos livrarmos do exemplo de Satã”. As cartas são, em sua maioria, curtas, com algumas não chegando a exceder cinco fólios. De acordo com uma nota introdutória, elas são endereçadas tanto a homens quanto a mulheres. Esta obra foi escrita em uma caligrafia carregada, mas relaxada. Cada carta ou seção significativa está destacada em vermelho. Não há glosas marginais contemporâneas, mas comentários e correções a lápis (alguns em inglês) foram feitos por Fahim Moftah, cujo nome aparece na página inicial em branco. As cartas são seguidas pelas ta’lim ruhani (instruções espirituais) “e wasayah [sagradas admoestações] extraídas dos ensinamentos de Santo Antão, o Grande”. O manuscrito termina com histórias e conselhos devocionais no formato de pergunta e resposta, demonstrando uma fé simples e um conhecimento pragmático. Santo Antão (250 a 355-356, aproximadamente) é reconhecido como fundador do monasticismo cristão e assim venerado até os dias de hoje. Graças a uma biografia escrita por São Atanásio de Alexandria (falecido em 373), os detalhes sobre a vida e os ensinamentos de Antão são mais completos do que os da maioria dos antigos líderes cristãos, embora estudos modernos tenham questionado aspectos de sua biografia. A despeito das questões de precisão, foi graças à Vida de Atanásio que a influência de Antão no ascetismo monástico se difundiu por todo o mundo cristão. Obras atribuídas a Antão ainda são impressas e amplamente vendidas. Este manuscrito faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.

Pentateuco

Este manuscrito é uma tradução para o árabe dos primeiros cinco livros do Antigo Testamento (Pentateuco), o qual é chamado, na primeira folha, de “A Sagrada Torá”. O livro contém pouca informação sobre sua produção além de uma nota ao final que indica sua origem copta. Padrões cruciformes emoldurados aparecem no topo da primeira folha e compõem as únicas ilustrações da obra. Há cabeçalhos de capítulos e versos em vermelho, além de palavras-chave e diretrizes ocasionais para a recitação durante jejuns e banquetes. Na vigésima quinta folha do Gênesis, a qualidade da escrita e do papel se deterioram, exibindo a primeira borrões de tinta e, possivelmente, uma caligrafia diferente; enquanto a segunda apresenta manchas e cortes imprecisos. A capa e a contracapa são contemporâneas ao manuscrito, consistindo em camadas de papel denso coberto por uma fina película de couro vermelho. As capas contam com estampas de baixo relevo em um padrão de roseta, comumente usado quando o livro foi feito, por volta de 1800. Na época da realização desta cópia, a língua copta e seus dialetos, comumente usados em tempos mais antigos, haviam sido suplantados pelo árabe entre os cristãos egípcios, exceto no contexto do uso litúrgico. Não sabemos, a partir da obra em si, se a tradução foi feita a partir do grego, de uma versão em língua copta ou se trata-se de uma cópia simples de outra tradução para o árabe. Esta obra faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.

Cartas, ensaios e sermões de São Gregório Nazianzeno

Este manuscrito do século XVIII é uma coleção de cartas, ensaios e sermões de São Gregório Nazianzeno (falecido em 389, aproximadamente). Acredita-se que o manuscrito seja a primeira tradução para o árabe do original grego, não tendo ainda sido editado ou publicado. Trata-se do segundo volume de uma obra de dois volumes. Gregório Nazianzeno, também conhecido como Gregório, o Teólogo, é reconhecido como Pai da Igreja tanto na tradição oriental quanto ocidental. Ele nasceu na Capadócia (no leste da Anatólia), onde passou a maior parte de sua vida. Foi colega de estudos de imperadores e de São Basílio, o Grande. Como Basílio, ele cresceu em uma família cristã, recebeu uma educação clássica e era conhecido por sua defesa impetuosa das posições ortodoxas acerca da doutrina da Trindade e da natureza de Cristo. Os maiamer (ensaios) deste volume abrangem tópicos em teologia, incluindo as heresias de Apolinário e Ário, o casamento e reflexões sobre a família dos asmoneus. Também estão inclusos uma mensagem de Páscoa ao clero, a despedida de Gregório como bispo de Constantinopla, em 381, e dois panegíricos: um ao seu amigo e patrono São Basílio e outro a São Cipriano. No final, há comentários sobre a vida de Gregório e suas conquistas. Gregório era muito reverenciado por seu conhecimento religioso e talento literário. Esta obra faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.