13 de maio de 2014

Cartas, ensaios e sermões de São Gregório Nazianzeno

Este manuscrito do século XVIII é uma coleção de cartas, ensaios e sermões de São Gregório Nazianzeno (falecido em 389, aproximadamente). Acredita-se que o manuscrito seja a primeira tradução para o árabe do original grego, não tendo ainda sido editado ou publicado. Trata-se do segundo volume de uma obra de dois volumes. Gregório Nazianzeno, também conhecido como Gregório, o Teólogo, é reconhecido como Pai da Igreja tanto na tradição oriental quanto ocidental. Ele nasceu na Capadócia (no leste da Anatólia), onde passou a maior parte de sua vida. Foi colega de estudos de imperadores e de São Basílio, o Grande. Como Basílio, ele cresceu em uma família cristã, recebeu uma educação clássica e era conhecido por sua defesa impetuosa das posições ortodoxas acerca da doutrina da Trindade e da natureza de Cristo. Os maiamer (ensaios) deste volume abrangem tópicos em teologia, incluindo as heresias de Apolinário e Ário, o casamento e reflexões sobre a família dos asmoneus. Também estão inclusos uma mensagem de Páscoa ao clero, a despedida de Gregório como bispo de Constantinopla, em 381, e dois panegíricos: um ao seu amigo e patrono São Basílio e outro a São Cipriano. No final, há comentários sobre a vida de Gregório e suas conquistas. Gregório era muito reverenciado por seu conhecimento religioso e talento literário. Esta obra faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.

Pentateuco

Este manuscrito é uma tradução para o árabe dos primeiros cinco livros do Antigo Testamento (Pentateuco), o qual é chamado, na primeira folha, de “A Sagrada Torá”. O livro contém pouca informação sobre sua produção além de uma nota ao final que indica sua origem copta. Padrões cruciformes emoldurados aparecem no topo da primeira folha e compõem as únicas ilustrações da obra. Há cabeçalhos de capítulos e versos em vermelho, além de palavras-chave e diretrizes ocasionais para a recitação durante jejuns e banquetes. Na vigésima quinta folha do Gênesis, a qualidade da escrita e do papel se deterioram, exibindo a primeira borrões de tinta e, possivelmente, uma caligrafia diferente; enquanto a segunda apresenta manchas e cortes imprecisos. A capa e a contracapa são contemporâneas ao manuscrito, consistindo em camadas de papel denso coberto por uma fina película de couro vermelho. As capas contam com estampas de baixo relevo em um padrão de roseta, comumente usado quando o livro foi feito, por volta de 1800. Na época da realização desta cópia, a língua copta e seus dialetos, comumente usados em tempos mais antigos, haviam sido suplantados pelo árabe entre os cristãos egípcios, exceto no contexto do uso litúrgico. Não sabemos, a partir da obra em si, se a tradução foi feita a partir do grego, de uma versão em língua copta ou se trata-se de uma cópia simples de outra tradução para o árabe. Esta obra faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.

Cartas, ensinamentos pedagógicos e citações de Santo Antão do Egito

Este manuscrito é aberto com as 20 cartas “aos filhos que seguiram o caminho gentil [de Antão]… e oremos para nos livrarmos do exemplo de Satã”. As cartas são, em sua maioria, curtas, com algumas não chegando a exceder cinco fólios. De acordo com uma nota introdutória, elas são endereçadas tanto a homens quanto a mulheres. Esta obra foi escrita em uma caligrafia carregada, mas relaxada. Cada carta ou seção significativa está destacada em vermelho. Não há glosas marginais contemporâneas, mas comentários e correções a lápis (alguns em inglês) foram feitos por Fahim Moftah, cujo nome aparece na página inicial em branco. As cartas são seguidas pelas ta’lim ruhani (instruções espirituais) “e wasayah [sagradas admoestações] extraídas dos ensinamentos de Santo Antão, o Grande”. O manuscrito termina com histórias e conselhos devocionais no formato de pergunta e resposta, demonstrando uma fé simples e um conhecimento pragmático. Santo Antão (250 a 355-356, aproximadamente) é reconhecido como fundador do monasticismo cristão e assim venerado até os dias de hoje. Graças a uma biografia escrita por São Atanásio de Alexandria (falecido em 373), os detalhes sobre a vida e os ensinamentos de Antão são mais completos do que os da maioria dos antigos líderes cristãos, embora estudos modernos tenham questionado aspectos de sua biografia. A despeito das questões de precisão, foi graças à Vida de Atanásio que a influência de Antão no ascetismo monástico se difundiu por todo o mundo cristão. Obras atribuídas a Antão ainda são impressas e amplamente vendidas. Este manuscrito faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.

Livros históricos do Antigo Testamento

Este manuscrito bíblico contém partes dos livros históricos de Josué, Juízes, Samuel e Reis, do Antigo Testamento. O volume está incompleto tanto no início quanto no fim. O escriba, cujo nome pode ter constado no colofão ausente, é desconhecido. A cópia foi feita em 1748 (Josué) e 1749 (Reis II). Há palavras-chave, mas as páginas não são numeradas. Os capítulos estão marcados de maneira inconsistente. A obra foi escrita com cuidado, mas parece ter sido pouco usada; o que é indicado pela ausência de manchas nas laterais, observada em alguns outros manuscritos da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo. A encadernação é especialmente elaborada. Ela conta com abas nas laterais e de envelope, tradicionais daquela região e período. A capa e a contracapa de couro apresentam medalhões estampados em baixo relevo, com pendentes e cantos com douramento que exibem danos significativos. As traduções árabes do Antigo e Novo Testamentos disponíveis aos coptas dos séculos XVIII e XIX tinham como base várias tradições, incluindo a copta antiga, a siríaca, a grega e até mesmo a latina. Os escribas normalmente não indicavam as fontes de suas traduções para o árabe, e os estudiosos ainda não analisaram criticamente os textos bíblicos usados pelos cristãos egípcios durante o período imediatamente posterior à abertura egípcia para a Europa.

Evangelho de São Marcos

Esta cópia manuscrita do Evangelho de São Marcos pode ser datada do século XVIII. O texto é copiado claramente e está contido em uma moldura de linha dupla em vermelho. Os fólios são numerados com números coptas. O manuscrito conta com várias notas marginais e referências ao Antigo Testamento em árabe, com números coptas empregados em citações de capítulos e versos. A marginália pode ter sido adicionada por Wadi’ Muftah, cujo nome aparece nas guardas frontais. O texto está completo e em excelente condição. A encadernação é de couro marrom, cobrindo as bordas com uma aba. O escriba, a data e o local da cópia não são fornecidos. Os cabeçalhos dos capítulos no texto do Evangelho são indicados em vermelho. São Marcos, o Evangelista, é especialmente reverenciado como fundador da Igreja Copta, no início do século I d.C. Uma curta biografia precede o Evangelho, abrangendo seu nascimento e apostolado com Jesus Cristo, sua residência em Alexandria, Egito e seu martírio. A história é bastante similar àquela contada em versões modernas de sua vida, refletindo seu papel central na história da Igreja Copta. Outro material introdutório inclui um índice com breves explicações dos eventos de cada capítulo. Esta obra faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.

Evangelho de São Lucas

Este manuscrito do Evangelho de São Lucas pode ser datado do século XVIII. O texto está escrito de maneira clara e está contido em uma moldura de linha dupla em vermelho. Os fólios são numerados com números coptas. O manuscrito conta com várias notas marginais e referências ao Antigo Testamento em árabe, com números coptas empregados em citações de capítulos e versos. A marginália pode ter sido adicionada por Wadi’ Muftah, cujo nome aparece nas guardas frontais. O texto está completo e em excelente condição, embora a última página esteja copiada em caligrafia diferente e não possua borda. A encadernação é de couro marrom, cobrindo as bordas com uma aba. O volume pode ter sido parte de um conjunto. O escriba, a data e o local da cópia não são fornecidos. Os cabeçalhos dos capítulos no texto do Evangelho são indicados em vermelho. Há um índice abrangente. Lucas é identifciado no cabeçalho do texto de seu Evangelho como “São Lucas, o Médico, e um dos setenta [discípulos]”. Expandindo esta breve descrição, a biografia introdutória conta que São Pedro selecionou Lucas como um dos 70 apóstolos, e que Lucas escreveu seu Evangelho em grego na cidade de Alexandria, Egito, no décimo quarto ano do reinado do Imperador Cláudio. Diz-se que ele seguiu Pedro em sua pregação pela Macedônia e que foi martirizado em Roma. Esta obra faz parte da Coleção Iryan Moftah de Livros e Manuscritos Coptas, da Universidade Americana do Cairo.