5 de março de 2014

Compêndio de calendários seguindo o novo método ocidental

Xu Guangqi (1562 a 1633), estudioso e oficial, era natural de Xangai. Ele entrou em contato com o cristianismo em 1596, mais tarde conheceu os missionários jesuítas Matteo Ricci e João da Rocha, em Nanjing e foi batizado em 1603 com o nome Paulo. Após receber a graduação de jin shi em 1604, Xu tornou-se bacharel na Academia de Hanlin. De 1604 a 1607, trabalhou continuamente com Ricci, traduzindo obras sobre matemática, hidráulica, astronomia e geografia, entre as quais está Elementos de Euclides, intitulada Ji he yuan ben. Em 1628, Xu, depois de aposentado, foi readmitido na corte e, mais tarde, indicado para assumir a liderança do recém-criado Departamento de Hemerologia. Em 1630, ele se tornou presidente do Conselho de Cerimônias, tornando-se, finalmente, o grande secretário da Câmara Oriental e da Biblioteca Imperial de Wenyuange. Ele foi canonizado como Wending. Esta obra foi originalmente chamada Chongzhen li shu (Tratados sobre a astronomia hemerológica do reinado de Chongzhen), publicada em 1645 e aceita pela nova dinastia Qing. Após pequenos ajustes por parte do missionário jesuíta alemão Johann Adam Schall von Bell (1592 a 1666), a obra foi reapresentada à corte com seu nome alterado para Xiyang xin fa li shu (Tratados sobre astronomia hemerológica seguindo o novo método ocidental). Liderados por Xu Guangqi e seu sucessor, Li Tianjing (1579 a 1659), os missionários jesuítas, dentre os quais estavam Schall von bell, Giacomo Rho e Johannes Terrentius, foram convidados a participar da tradução desses tratados. A tradução das obras incluía: Jiao shi li zhi (Observação de eclipses), Jiao shi biao (Tabela de eclipses), Gu jin jiao shi kao (Pesquisa sobre eclipses no presente e no passado), Ce shi (Mensuração dos eclipses), Heng xing li zhi (Observações das estrelas), Heng xing jing wei tu shuo (Latitude e longitude ilustradas das estrelas), Heng xing jing wei biao (Mapa da latitude e longitude das estrelas), Heng xing chu mo (Aparecimento e desaparecimento das estrelas), Ce tian yue shuo (Breve explicação da mensuração dos céus), Ge yuan ba xian tu (Mapa para a computação das oito linhas que cortam um círculo), Yuan jing shuo (Explicação do telescópio), Bi li gui jie (Explicação das bússolas proporcionais), Hun tian yi shuo (Explicação da esfera armilar), Ce liang quan yi (Significado completo da mensuração), Da ce (Grande mensuração), Xue li xiao bian (Breve debate sobre calendários) e Chou suan (Cálculo). Desde o início da era Wanli, o Departamento Astronômico Imperial cometeu erros com frequência em seus cálculos de eclipses solares e lunares. A reforma do sistema foi proposta, e obras foram publicadas, mas poucas mudanças haviam ocorrido até que os missionários jesuítas trouxeram novos métodos ocidentais para a China. Esta obra era uma introdução sistemática à astronomia europeia, como, por exemplo, o sistema cósmico do cientista dinamarquês Tycho Brahe e as observações astronômicas de Copérnico, Galileu e Kepler.

Esfera armilar

Zhang Heng (78 a 139 d.C.), natural de Xi’e, Nanyang (na atual província de Henan), foi um astrônomo, matemático, inventor e estudioso talentoso. Ele começou sua carreira como um oficial durante a dinastia Han Oriental (25 a 220). Controvérsias a respeito de seus pontos de vista e da rivalidade política com outros oficiais levaram-no a se aposentar e voltar para Nanyang, mas em 138 foi novamente convocado para o serviço na capital. Morreu um ano mais tarde. Ele recebeu honras póstumas por seus estudos e criatividade. Duas de suas obras representativas são Hun yi (Esfera armilar) e Ling xian (A constituição espiritual do universo). Zhang Heng aderiu à teoria cósmica antiga de Huntian sobre a esfera celeste, na qual os astrônomos chineses baseavam-se. Ele acreditava que o universo era redondo; a terra, quadrada e estática; as estrelas, o sol e a lua, enquanto isso, giravam pelo universo. A Biblioteca Central Nacional possui cópias de duas diferentes edições de sua obra. Esta é uma cópia revisada, em um juan, com sumplementos, datada de 1883 e impressa em Changsha, na oficina de Langxuanguan (Biblioteca do Imperador Celestial). A outra edição da biblioteca é datada de 1884. Ambas foram incluídas no catálogo da biblioteca privada do estudioso Qing, Ma Guohan (nascido em 1794), intitulado Yu han shan fang ji yi shu (Catálogo de livros ausentes na coleção de Yuhan Shanfang). Em 117, Zhang Heng criou a primeira esfera armilar do mundo abastecida com água. O globo celestial estava conectado a uma clepsidra do tempo, da qual a água caía em gotas, a fim de que o globo girasse regularmente. Fazia um ciclo em um dia, de modo que as pessoas que observavam o globo podiam localizar corpos celestes em diferentes horários. A esfera armilar tinha uma esfera interna e uma externa que giravam. Na superfície, foram gravados o Polo Sul, o Polo Norte, o equador, a eclíptica, os 24 termos solares, o sol, a lua e algumas estrelas. A esfera foi colocada em uma das câmaras imperiais durante o reinado do Imperador Wu de Liang (464 a 546) das Dinastias do Sul. Zhang Heng também inventou o primeirio sismômetro do mundo, chamado Hou feng di dong yi (Instrumento para a medição dos ventos sazonais e dos movimentos da Terra), que podia discernir a direção de um terremoto a 500 quilômetros de distância. Em seu abrangente catálogo de estrelas, Zhang Heng documentou cerca de 2.500 estrelas. Ele também desenvolveu teorias sobre a lua e suas relações com o sol, bem como sobre a natureza dos eclipses solares e lunares. Embora achasse que o céu possuía uma dura casca externa, ele acreditava que o cosmo, para além dessa casca, era infinito em espaço e em tempo.

Anexo às “Regras de defesa, todas as questões essenciais sobre armas de fogo”

Mostra-se aqui um tratado sobre armas de fogo com ricas ilustrações, originalmente escrito pelo estudioso do final do período Ming e especialista em armas de fogo Jiao Xu, com base no que lhe foi ordenado por Tang Ruowang (nome chinês do missionário jesuíta alemão Johann Adam Schall von Bell, 1592 a 1666) e com comentários adicionais de Zhao Zhong. A página interna desta obra possui um título adicional, Zeng bu Ze ke lu Huo gong qie yao (Anexo às “Regras de defesa, todas as questões essenciais sobre armas de fogo”). O livro, em dois juan, foi concluído em 1643, com um anexo em um juan, intitulado Huo gong mi yao (Questões essenciais secretas sobre armas de fogo). Ele aborda principalmente as origens da guerra com armas de fogo, a fabricação de canhões e armas de fogo, modelos de produção de armas, materiais para pistolas, canhões e minas, bem como informações básicas sobre pesos e medidas ocidentais usados na fabricação. Ding Gongchen (1800 a 1875), um engenheiro mecânico do final do período Qing de Jinjiang, Província de Fujian, havia estudado sistematicamente as armas de fogo ocidentais e adquirido experiência durante a Primeira Guerra do Ópio (1839 a 1842) entre a Grã-Bretanha e a China. Em 1841, Ding escreveu um tratado em um volume, intitulado Yan pao tu shuo (Obra ilustrada sobre o desempenho da artilharia); tendo mais tarde alterado o título para Yan pao shuo ji yao (O essencial sobre canhões) em quatro juan. Ao saber da existência da obra do século XVII, ele adquiriu uma cópia com um vendedor de livros em Suzhou. Ele acreditava que a obra fornecia informações mais detalhadas sobre canhões, especialmente sobre a fundição de canhões e munição, bem como sobre armas para o ataque de muralhas de cidades. Então, ele revisou Ze ke lu, preenchendo lacunas do texto original. Em 1847, publicou esta obra suplementar, impressa em três juan em um volume, e adicionou ilustrações. Em 1851, ele assumiu um cargo no Departamento de Armas de Fogo em Guilin, onde seu livro foi copiado e distribuído em guarnições militares como fonte de referência para os soldados da artilharia.

Edição Zhenghe revisada de Farmacopeia básica prática e classificada com base nos clássicos históricos

O autor desta obra é o famoso médico Song, Tang Shenwei, natural de Huayang (na atual Chengdu, província de Sichuan), que vinha de uma família de muitas gerações de médicos. Ele era conhecido, principalmente, por sua prática da medicina herbária e por suas coleções de prescrições, encontradas em obras clássicas. A Si ku quan shu zong mu ti yao (Bibliografia anotada da biblioteca imperial completa) lista duas obras atribuídas a ele: Daguan ben cao (Medicina herbária classificada do período Daguan), em 30 juan, e Zheng lei ben cao (Medicina herbária classificada) em 32 juan. Esta é a edição reimpressa de 1468, publicada por Yuan Jie, governador provincial de Shandong, com base na edição de 1057 do Jiayou ben cao (Material médico impresso durante o reinado de Jiayou), mas inclui novos materiais que Tang coletou de 247 clássicos de filosofia, história e outras ciências naturais e sociais, bem como do cânone budista. Tang também adicionou informações sobre método de processamento e receitas eficazes que provinham de sua própria experiência como clínico. A obra é classificada de acordo com os temas jade, pedra, grama, madeira, humanos, animais, pássaros, insetos e peixes, frutas, grãos e vegetais. Enquanto o Jiayou ben cao lista 1118 remédios herbários, esta obra expandida abrange 1746 medicamentos. O livro é um representante de destaque da literatura médica Song. Ele foi publicado de forma privada, mas promulgado oficialmente, tornando-se popular por vários séculos.

Matéria médica expandida

Esta obra foi compilada em 1116 por Kou Zongshi (prosperou entre 1111 e 1117), um oficial encarregado da divulgação e avaliação de materiais médicos. De acordo com um prefácio posterior de Lu Xinyuan, datado de 1877, Kou também trabalhou como oficial responsável pelos matimentos e suprimentos militares em vários lugares, tornando-se um gerente da Receita. Kou Zongshi encontrou erros e lacunas nas obras de Liu Yuxi, autor dos Jiayou bu zhu ben cao (Comentários suplementares à matéria médica publicados durante o reinado de Jiayou) e Tang Shenwei, autor do Jing shi zheng lei ben cao (Matéria médica clássica classificada). Kou Zongshi acreditava que estes erros haviam provocado confusão entre os estudantes. Ele passou mais de dez anos realizando esta obra, estudando várias escolas de medicina e se baseando em sua própria experiência, a fim de fornecer uma abordagem correta para o tema. Durante a dinastia Song, duas obras de Kou Zongshi, Ben cao yan yi (Matéria médica expandida) e Jing shi zheng lei ben cao (Farmacopeia básica prática e classificada com base nos clássicos históricos) foram publicadas separadamente. Durante a dinastia Jin, Zhang Cunhui combinou as duas obras. Impressores Ming também combinaram as duas obras, e as edições separadas passaram a ser usadas com menor frequência. O Ben cao yan yi é semelhante em estrutura ao livro de Liu Yuxi. Os primeiros três juan contêm o índice e o prefácio, discutindo as origens da matéria médica, os cinco paladares e os cinco olfatos, maneiras de manter a saúde, oito pontos essenciais para a cura, quantidades de remédios, técnicas para a combinação de remédios e o armazenamento e uso dos remédios. Também estão inclusos vários estudos de caso. Os juan de 4 a 20 introduzem 470 tipos de remédios, com seus nomes e características, lugares onde as plantas que os fornecem crescem, estações para o crescimento, como separar as plantas reais que dão origem aos medicamentos das falsas, seus usos em diferentes tipos de doenças, métodos para a ingestão de medicamentos e como evitar os possíveis efeitos venenosos. As entradas apresentam diferentes tamanhos, algumas são simples e outras bastante longas. Esta cópia, uma edição Yuan com base na edição Song de 1119, é um exemplo muito raro das cópias existentes. Mais de dez impressões de selos aparecem nesta cópia, incluindo aquelas do médico japonês Mori Yochiku (1807 a 1885), de Yang Shoujing (1839 a 1915) e da Coleção Feiqingge.

A chave de Qian Yi no tratamento terapêutico de doenças infantis

Esta obra, que foi publicada em três ou oito juan, foi escrita por Qian Yi (1032 a 1113, aproximadamente), um médico da dinastia Song, compilada por Yan Xiaozhong, um pediatra Song, e publicada no primeiro ano do reinado do imperador Song Xuanhe, entre 1119 e 1125. Esta cópia em três juan foi reimpressa na oficina de Qixiutang, durante a dinastia Ming. O pai de Qian Yi também foi um médico que gostava de beber e viajar. Um dia, ele foi para o mar e nunca voltou. Qian Yi procurou seu pai insistentemente, porém, quando finalmente o encontrou, já completava 30 anos. Qian Yi também perdeu sua mãe quando era jovem, tendo sido criado por sua tia. Por ter sofrido de tuberculose, ele elaborou seu próprio remédio. Foi até a Montanha Oriental coletar o fungo fuling (Poria cocos), um cogumelo medicinal. Ele acabou conseguindo recuperar sua saúde e morreu com 82 anos. Qian Yi especializou-se no tratamento de crianças e, durante sua vida, desfrutou de uma boa reputação como pediatra. Em sua famosa obra, ele introduziu seu tônico herbal, que se tornou amplamente usado para o tratamento de crianças e idosos. Ele foi chamado à corte imperial para tratar da doença da princesa mais velha, tendo mais tarde recebido o título de médico Hanlin. Ele também curou convulsões no jovem príncipe. O imperador promoveu-o a médico da corte e o recompensou sobejamente, enquanto a nobreza e suas famílias procuravam-no para obter cuidados de saúde. Esta obra exerceu grande influência na medicina pediátrica chinesa. A obra também inclui a biografia de Qian Yi, escrita por Liu Qi, e dois apêndices, Fu fang (Prescrições), de Yan Xiaozhong, e Dong shi xiao er ban zhen bei ji fang lun (As prescrições de Dong para o tratamento emergencial de tifo em crianças), de Dong Ji, outro pediatra do período Song, com prefácio de Qian Yi (datado de 1093).