10 de fevereiro de 2014

Irã e Afeganistão

Publicado em 1941, durante o início da Segunda Guerra Mundial, este mapa japonês do Irã e do Afeganistão tem como base um mapa divulgado no ano anterior pela Administração Principal de Geodésia e Cartografia da União Soviética. Diferentemente dos britânicos e dos russos, os japoneses não tinham experiência local ou conhecimentos abrangentes sobre essa parte da Ásia; dessa forma, isso virou um interesse estratégico importante para eles durante a guerra. As potências do Eixo — Alemanha, Japão e Itália — acreditavam que, em última instância, a vitória exigiria que obtivessem controle sobre o Oceano Índico e sobre todo o continente asiático. No dia 15 de dezembro de 1941, uma semana após o ataque a Pearl Harbor, os japoneses entregaram aos alemães o esboço de uma convenção militar que dividia o mundo em esferas de operações militares aos 70 graus de longitude. O Japão seria responsável pelo território a leste da linha; a Alemanha e a Itália, pelo território a oeste. A linha dos 70 graus separava o território da União Soviética a leste dos Urais e atravessava o Afeganistão um pouco a leste de Cabul. Os alemães supostamente não gostaram do projeto, já que ele cruzava territórios que, como o Afeganistão, constituíam unidades orgânicas. A Alemanha teria preferido uma linha que passasse sobre a fronteira oriental do Irã e continuasse para o norte seguindo a fronteira setentrional do Afeganistão antes de chegar de seguir ao norte pela Rússia para chegar ao Ártico. A convenção militar assinada por Alemanha, Itália e Japão em 18 de janeiro de 1942 adotava, em sua maioria, a linha proposta pelo Japão. No final, essas discussões se mostraram puramente teóricas, já que a Alemanha e a Itália foram derrotadas no Ocidente e o Japão no Oriente, muito antes de poderem implementar seus planos para a Sibéria, as regiões central e sul da Ásia, e o Oceano Índico.

Vista aérea dos acessos à Índia por Letts

Este mapa panorâmico simula os acessos à Índia Britânica pelo Afeganistão através de uma vista aérea do território montanhoso entre o que costumava ser a União Soviética e o vale do Rio Indo (no atual Paquistão). É provável que o mapa tenha sido produzido em meados de 1920, por Letts, uma famosa papelaria e editora de diários londrina criada em 1796 por John Letts. O público óbvio do mapa eram estrategistas amadores que, conforme dizia um anúncio, poderiam comprar, por seis pence, um pacote de bandeiras para colar no mapa e planejar ou acompanhar movimentações militares. No primeiro plano, há dois soldados britânicos fardados, observando o Rio Indo. Os pontos geográficos de interesse vistos à distância abaixo incluem o Passo Khyber; a cidade de Jalālābād; o Rio Amudar'ya, que compunha parte da fronteira entre o Afeganistão e a União Soviética; o Rio Murgab, no atual Turcomenistão; e a fronteira disputada entre a Rússia (isto é, a União Soviética) e o Afeganistão. O receio de um ataque russo à Índia por meio do Afeganistão foi uma das principais influências sobre o planejamento estratégico britânico do século XIX, tendência que durou até a primeira metade do século XX.

Mapa ilustrativo da marcha do setor indiano da Comissão de Fronteiras, de Quetta a Olerat e Badkis; da fronteira conforme a proposta e delimitação verdadeira; e da jornada de retorno do autor de Herat até o Mar Cáspio

No início da década de 1880, a Grã-Bretanha (que, naquele tempo, mantinha um controle efetivo sobre a política externa do Afeganistão) e o Império Russo iniciaram negociações para definir a fronteira norte do Afeganistão. Os dois lados formaram uma Comissão Conjunta de Fronteiras, que começou a trabalhar no outono de 1885. Em janeiro de 1888, a comissão tinha definido 79 marcadores ao longo da fronteira de 630 quilômetros do Passo de Du'l-Feqar até o Rio Amudar'ya. Este mapa anotado da porção ocidental do Afeganistão mostra a rota seguida pela metade britânica (isto é, indiana) da comissão, de Quetta, na Índia Britânica, até Herat, onde estabeleceu seu quartel-general, e ainda mais ao norte, onde os trabalhos do levantamento foram realizados. Linhas coloridas são usadas para indicar: “A fronteira conforme sua demarcação real”, “A fronteira conforme as exigências dos russos" e “A fronteira conforme as exigências dos afegãos”. O autor ao qual se refere no título do mapa deve ser Sir Joseph West Ridgeway (1844 a 1930), que sucedeu Sir Peter Stark Lumsden como chefe do setor indiano da comissão e desempenhou um papel importante tanto nos trabalhos de levantamento quanto nas negociações relativas à fronteira com o governo russo, em São Petersburgo.

O Rio Helmund

O Rio Helmand (também visto como Helmund) nasce nas montanhas da região centro-leste do Afeganistão, a oeste de Cabul. Ele flui por 1.150 quilômetros até o sudoeste do Afeganistão e uma pequena parte do Irã antes de finalmente desaguar nos pântanos de Helmand (Sistão), na fronteira entre o Irã e o Afeganistão. Este mapa do rio foi preparado para um estudo apresentado por Sir Clements Robert Markham (1830 a 1916) à Sociedade Geográfica Real, em Londres, em fevereiro de 1879. O estudo e o mapa foram publicados na Ata de março em 1879, da sociedade. Markham foi um geógrafo britânico que, durante certo tempo, trabalhou no Gabinete da Índia, onde ajudou a coletar e organizar os muitos mapas, relatórios e levantamentos indianos. Ele também atuou como secretário (1863 a 1888) e presidente (1893 a 1905) da Sociedade Geográfica Real. Em seu estudo, Markham resume o que é sabido sobre o Helmand e seus tributários, que incluem o Argandab, o Tarnak e o Arghastān. O mapa mostra o curso do Helmand e de seus tributários, bem como de outros acidentes geográficos importantes, incluindo desertos, salares e pântanos. Também há indicação das estradas. A província de Helmand, maior província do Afeganistão, recebe seu nome do Rio Helmand.

Mapa do Kafiristão

O Kafiristão, ou “Terra dos Infiéis”, era uma região no leste do Afeganistão onde os habitantes mantiveram sua cultura e religião tradicionais, rejeitando a conversão ao Islã. Em 1896, o governante do Afeganistão, Emir 'Abd al-Raḥmān Khān (que reinou entre 1880 e 1901) conquistou a área e a manteve sob controle afegão. Os kafires se tornaram muçulmanos e, em 1906, a região recebeu o novo nome de Nuristão, ou “Terra da Luz”, em referência à iluminação trazida pelo Islã. O Kafiristão foi visitado por expedições britânicas e missões de levantamento nas décadas de 70 e 80, tornando-se objeto de vários estudos lidos em seções da Sociedade Geográfica Real, em Londres. Este mapa do Kafiristão foi publicado em 1881 pela empresa londrina de Edward Stanford para a Sociedade Geográfica Real. O mapa é de Henry Sharbau (1822 a 1904), que, durante muitos anos, foi o principal cartógrafo da sociedade.

As regiões montanhosas do Irã, incluindo os Estados da Pérsia, do Afeganistão e do Baluquistão

Este mapa colorido à mão de 1846 mostra o Planalto Iraniano, uma formação geográfica e geológica que abrange partes da Pérsia (atual Irã), o Afeganistão e o Baluquistão (nos atuais Irã e Paquistão). O mapa mostra cidades de diferentes tamanhos, províncias e capitais provinciais, rotas de caravanas, fortes e ruínas, bem como rios, montanhas e outros acidentes geográficos. São fornecidas três escalas de distância: milhas inglesas, milhas alemãs e farsangs persas (também grafado como parasangs e fursakhs). O mapa foi feito pelo cartógrafo alemão Carl Ferdinand Weiland (1782 a 1847) e publicado no Allgemeiner Hand-Atlas der Erde und des Himmels nach den besten astronomischen Bestimmungen, neuesten Entdeckungen und kritischen Untersuchungen entworfen (Atlas geral da Terra e dos céus, desenhado de acordo com as melhores determinações astronômicas, descobertas mais recentes e pesquisas essenciais), do Instituto Geográfico de Weimar. Fundado em 1804, o instituto foi um órgão importante para a publicação de mapas, globos e livros estatísticos anuais, conhecido pela alta qualidade de seus produtos. Entre os geógrafos e cartógrafos alemães associados ao instituto, estavam Weiland, Adam Christian Gaspari e Heinrich Kiepert.