17 de outubro de 2014

A contribuição de Al-Nabhani para a história da península árabe

Al-Tuḥfat al-Nabhānīya fī tārīkh al-jazīra al-ʻArabīya (A contribuição de Al-Nabhani para a história da península árabe) é de Muḥammad ibn Kahlīfa ibn Ḥamd ibn Mūsā Al-Nabhānī (de 1883 ou 1884 a 1950 ou 1951). O autor foi professor em Masjid al-Ḥarām, na Meca (assim como seu pai). O jovem Al-Nabhani começou essa obra após sua visita ao Bahrein e depois de um pedido para que escrevesse um livro sobre a história dos atuais governantes do Bahrein, bem como seus emires antigos e suas relações com amigos e inimigos. Como o plano original era limitar a obra à história de Bahrein, no começo Al-Nabhānī usou o título al-Nubdha al-laṭīfa fī al-ḥukkam min al-khalīfa (O fascinante trecho sobre os governantes da casa de al-Khalīfa). Após a ampliação da obra para incluir toda a Península Árabe, seu título também foi alterado. O nono capítulo é uma grande seção (com páginas numeradas de forma independente) sobre Basra (no atual Iraque), onde Al-Nabhani atuou por pouco tempo como juiz e foi preso pelos britânicos durante a Primeira Guerra Mundial. A presente cópia é uma segunda edição revista e ampliada, publicada em 1923 e 1924 pela editora Maṭbaʻat al-maḥmūdīya, no Cairo.

Introdução ao estudo do discurso eloquente dos árabes

Muqaddama li dirāsat balāghat al-ʻArab (Introdução ao estudo do discurso eloquente dos árabes) é uma obra sobre belas-letras ou literatura árabes. O autor, Aḥmad Ḍayf, foi instrutor na Universidade Egípcia (renomeada mais tarde como Universidade do Cairo). O livro destinava-se a estudantes universitários e servia como guia de estudo para a compreensão da eloquência literária, e ainda inclui uma breve descrição do movimento moderno da literatura árabe. Outros tópicos abordados são belas-letras e sociedade, e as diferentes categorias da poesia árabe, como a poesia do período jāhilīya, literalmente “a poesia da ignorância”. Essa poesia pré-islâmica é uma importante fonte de gramática e vocabulário árabes clássicos e alguns consideram que os poemas remanescentes estão entre as melhores poesias árabes de todos os tempos. Ḍayf também inclui uma pesquisa de crítica literária na França, que vai de Pierre de Ronsard (de 1524 a 1585) a Boileau (Nicholas Boileau-Depréaux, de 1636 a 1711), ambos poetas e críticos. O autor também aborda críticos literários posteriores, como Hippolyte Taine (de 1828 a 1893) e Ferdinand Brunetière (de 1849 a 1906). O livro foi publicado pela editora de al-Sufūr no Cairo, em 1921.

Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais

Edward Van Dyck foi um diplomata americano e autor que trabalhou como secretário consular e vice-cônsul no Líbano e no Egito de 1873 a 1882. Ele era filho do missionário Cornelius Van Dyck, um médico que lecionou patologia na Universidade Protestante Síria (que se tornou a Universidade Americana de Beirute), mas muito conhecido por sua edição árabe da Bíblia. Kitāb iktifā' al-qanūʻ bimā huwa matbuʻ min ashhar al-ta'ālīf al-arabīya fī al-maṭābiʻ al-sharqīya wa al-gharbīya (Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais) é um dicionário bibliográfico de obras impressas em árabe, publicado em 1896 por Edward Van Dyck.  O livro é composto por uma introdução e três seções. A primeira seção é sobre “o interesse dos europeus na língua árabe”. A segunda é sobre a “literatura árabe desde suas origens até pouco depois da queda de Bagdá”. A terceira seção aborda a literatura árabe do “século XIII ao XVII d.C.”. O livro inclui um índice das obras literárias discutidas no texto e um índice de autores, e seu corpo principal foi concluído em 9 de setembro de 1896; porém, os índices só ficaram prontos no ano seguinte. Depois dos índices há uma declaração que diz: “Os índices foram finalizados e a impressão concluída em abril de 1897.” O epílogo do autor data de março de 1897, então a data de publicação de 1896 impressa na capa de toda a obra parece ser um erro. O livro foi editado por Muḥammad ʻAlī al-Bablawī, e publicado por Maṭbaʻat al-ta'ālīf (al-hilāl), no Cairo.

Lâmpada dos reis

Sirāj al-mulūk (Lâmpada dos reis) é de Muḥammad ibn al-Walīd al-Ṭurṭūshī, um imame maliki também conhecido como Ibn Abū Zandaqa. Al-Ṭarṭūshī nasceu em Tortosa, na Catalunha (até então al-Andalus, na atual Espanha) em 1059 ou 1060, vindo a falecer em Alexandria, no Egito, em 1126 ou 1127. O tema de Sirāj al-mulūk, sua obra mais famosa, é a teoria política. A presente edição foi publicada em 1888 e 1889 por Maṭbaʻat al-khayrīyah no Cairo. De acordo com Kitāb iktifā' al-qanūʻ bimā huwa matbuʻ min ashhar al-ta'ālīf al-arabīya fī al-maṭābiʻ al-sharqīya wa al-gharbīya (Contentamento daquele que busca as mais famosas composições árabes impressas por gráficas ocidentais e orientais), um dicionário bibliográfico de obras literárias árabes, publicado por Edward Van Dyck em 1896, uma edição impressa mais antiga dessa obra foi feita em Alexandria, em 1872 ou 1873. Nas margens desta obra encontra-se o texto de al-Tibr al-mabsuk fī naṣā'iḥ al-mulūk (O lingote de ouro de conselhos para reis), uma tradução do persa para o árabe de al-Ghazzālī's Naṣīhat al-mulūk (Conselhos para reis). Nascido em Ṭūs, Pérsia (no atual Irã), em 1058, al-Ghazzālī foi um dos luminares intelectuais mais importantes do mundo islâmico. No entanto, a autoria de boa parte do Naṣīhat al-mulūk tem sido questionada no campo da estilística e em outras áreas.

Al-Furqānī’s Qurʼanic “Duʻā”

Este manuscrito de 13 páginas é uma duʻā (oração) mística muçulmana atribuída a Sayf ibn ʻAlī ibn ʻĀmir al-Furqānī, um estudioso ibadita omaniano conhecido por seus escritos sobre o esoterismo islâmico. O ibadismo é uma denominação islâmica que tem suas origens no século VII, no período de dissidência entre sunitas e xiitas. O nome é em homenagem a Abdullāh ibn Ibāḍ, um dos estudiosos fundadores da doutrina. Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África. O atributo do nome adicional de Al-Furqānī’s, al-Nizwī, sugere que ele veio de Nizwā, uma das cidades e centros de estudo mais antigos no interior de Omã. Não está claro quando ele viveu, mas uma nota no final da oração afirma que o manuscrito está em seu próprio punho, e outra nota, embora com tinta diferente, acrescenta que o manuscrito foi copiado em Rabīʿ al-Awwal em 1318 A.H. (junho de 1900). Acredita-se que al-Furqānī costumava praticar esta duʻā após cada uma das cinco orações muçulmanas diárias. O texto nas margens das duas primeiras páginas fornece orientações sobre a natureza da duʻā e como praticá-la. A linguagem é claramente de natureza Sufi, com uso frequente de termos como nūr (luminosidade), ʻilm (conhecimento), luṭf (sublimidade), e sirr (mistério). A última folha do manuscrito mostra outra oração em uma grade formada por 36 quadrados. Cada quadrado é dividido em dois triângulos que estão inscritos com a frase Allāhu ʿalīm (Alá é onisciente) e o número de vezes que a frase deve ser repetida. O uso das letras raízes ‘a-l-m (conhecer), junto com os números, sugere uma crença no chamado ʻilm al-ḥurūf (conhecimento das letras), onde acredita-se que as letras, especialmente aquelas contidas no nome de Deus, carregam segredos divinos que podem ser percebidos apenas por aqueles que adoram com diligência.

Guia bem-definido sobre o casamento dos jovens

ʻAbd Allāh ibn Ḥumayyid al-Sālimī (entre 1869 e 1914, aproximadamente) foi um importante estudioso ibadita omaniano e poeta, que nasceu na cidade de Al-Ḥoqain, na região Rustāq do interior de Omã. O ibadismo é uma denominação islâmica que tem suas origens no século VII, no período de dissidência entre sunitas e xiitas. O nome é em homenagem a Abdullāh ibn Ibāḍ, um dos estudiosos fundadores da doutrina. Os atuais adeptos do ibadismo são encontrados principalmente em Omã, além de outras comunidades nas regiões norte e leste da África. Al-Sālimī primeiro estudou jurisprudência islâmica com os estudiosos da sua área, antes de viajar para a região leste para ampliar seus conhecimentos ao se tornar um aluno do renomado xeique Ṣālih ibn ʻAlī al-Ḥārithī (entre 1834 e 1896, aproximadamente). Apesar de sua vida relativamente curta, al-Sālimī escreveu vários livros sobre diversos assuntos, incluindo doutrina e jurisprudência islâmicas, kalām (argumento cosmológico), religião comparada, gramática árabe, ʻarūḍ (ritmos poéticos árabes), e história. Seu Īḍāḥ al-bayān fī nikāḥ al-ṣibyān (Guia bem-definido sobre o casamento dos jovens) de cinco capítulos é um tratado pequeno e bem-organizado sobre a jurisprudência do casamento, especialmente para aqueles que ainda não podem ser considerados adultos responsáveis. O tratado aborda o assunto a partir de uma perspectiva ibadita. Primeiro, Al-Sālimī divide as diversas opiniões em três categorias, ou seja, permissão, objeção e permissão condicional, antes de se aprofundar nelas, examinando criticamente cada categoria em detalhe. O manuscrito está em boas condições e o texto aparece em tinta preta e vermelha, com os locais das diferentes opiniões rubricados ao longo do texto. Esta cópia foi produzida por Muḥammad ibn Ṣāliḥ al-Muḥaidharī em 1339 A.H. (1921).