Primeira Guerra Mundial

Esta fotografia dos arquivos da Liga das Nações mostra um soldado morto na Primeira Guerra Mundial. A guerra durou mais de quatro anos, de agosto de 1914 a novembro de 1918, resultando na morte de mais de nove milhões de combatentes. Sete milhões de civis também foram mortos durante a guerra ou morreram em consequência dela. Na esperança de garantir que um conflito tão destrutivo nunca voltasse a ocorrer, o presidente americano Woodrow Wilson e outros líderes criaram, na Conferência de Paz de Paris em 1919, a Liga das Nações, que seria o ponto central de uma oganização internacional no pós-guerra. No entanto, a organização, no fim das contas, mostrou-se incapaz de impedir a eclosão de uma guerra ainda mais destrutiva em 1939. A Liga das Nações foi formalmente dissolvida em abril de 1946, com a fundação, após a Segunda Guerra Mundial, das Nações Unidas. Os arquivos da Liga foram transferidos para as Nações Unidas e estão armazenados no gabinete da ONU, em Genebra. Eles foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.

Carta de Alfred Nobel a Bertha von Suttner, criando o Prêmio Nobel da Paz

Alfred Nobel (1833 a 1896) foi um engenheiro e empresário de origem sueca conhecido por ter inventado a dinamite. Com 43 anos, Nobel colocou um anúncio em um jornal dizendo: “Homem de idade rico e de excelente educação busca senhora de idade madura, versada em línguas, para secretária e supervisora doméstica”. Uma mulher austríaca, a Condessa Bertha Kinsky, candidatou-se e ganhou o cargo. A condessa trabalhou para Nobel por um curto período, antes de retornar à Áustria e se casar com o Conde Arthur von Suttner. Bertha von Suttner tornou-se uma das ativistas pacifistas mais proeminentes no cenário internacional no final do século XIX e início do XX, escreveu o famoso livro Die Waffen nieder (Abaixem suas armas), publicado em 1889, e tornu-se vice-presidente do Gabinete Internacional da Paz. Nobel e von Suttner continuaram sendo amigos próximos e se correspondendo por décadas. Nesta carta, escrita em francês e datada do dia 7 de janeiro de 1893, Nobel destaca sua ideia de estabelecer um prêmio para aqueles que fizeram contribuições importantes para a causa da paz na Europa. A própria Bertha von Suttner recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1905, nove anos após a morte de seu amigo. A carta está preservada nos arquivos da Liga das Nações, em Genebra. Os arquivos foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.

No Congresso Universal da Paz, em Estocolmo

Os Congressos Universais da Paz foram encontros internacionais que visavam promover a paz e ocorreram em diferentes capitais europeias no final do século XIX e início do século XX. Os congressos estabeleceram o pacifismo liberal como um sistema distinto de pensamento na política europeia e como uma força relevante nas relações internacionais ao longo das décadas seguintes. Grupos pacifistas religiosos, organizações trabalhistas, autoridades governamentais, autores e outras figuras notáveis participaram de tais congressos, cuja participação foi crescente até a Primeira Guerra Mundial, quando foram interrompidos devido a conflitos de fidelidade entre os representantes. O primeiro importante congresso da paz foi realizado em Londres, em 1843. O primeiro a receber o nome oficial de Congresso Universal da Paz ocorreu em Paris, em 1889. No terceiro congresso, realizado em Roma em 1891, o pacifista e parlamentar dinamarquês Fredrik Bajer (1837 a 1922) fundou um Gabinete Internacional Permanente da Paz (PIPB), uma organização centralizada de grupos pacifistas que defendiam o desarmamento, as cortes internacionais de justiça e a arbitragem obrigatória de disputas entre países. O PIPB recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1910. Está representado aqui um grupo de participantes do Décimo Oitavo Congresso Universal da Paz em Estocolmo, na Suécia, no dia 1 de agosto de 1910. Suas identidades são desconhecidas. A fotografia está preservada nos arquivos da Liga das Nações, em Genebra. Os arquivos foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.

Sir Eric Drummond

Sir Eric Drummond (1876 a 1951) foi o primeiro secretário-geral da Liga das Nações. Após formar-se na faculdade de Eton, Drummond entrou para o Ministério das Relações Exteriores britânico em 1900. Ele ascendeu até se tornar o secretário privado do Secretário de Assuntos Exteriores Sir Edward Grey, entre 1915 e 1916, e continuou a ocupar o cargo quando Grey foi substituído por Arthur Balfour, entre 1916 e 1918. Como membro da delegação britânica para a Conferência da Paz em Paris, de 1919, ele se envolveu na elaboração do Pacto da Liga das Nações. Com forte apoio dos líderes britânicos e americanos, ele foi designado secretário-geral da Liga em maio de 1919. As conquistas de Drummond incluem a criação do Secretariado Permanente multinacional da organização internacional e o estabelecimento de padrões de relacionamento entre o secretariado e os outros órgãos da Liga, o Conselho e a Assembleia, e as missões permanentes dos Estados membros. Drummond tentou usar sua posição para ajudar a solucionar disputas levadas até a Liga, como a invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931. Ele renunciou ao seu cargo em 30 de junho de 1933, voltou ao Ministério de Relações Exteriores e tornou-se embaixador britânico na Itália em outubro daquele ano. Esta fotografia de Drummond pertence aos arquivos da Liga das Nações, mantidos no gabinete das Nações Unidas em Genebra. Os arquivos foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.

A história do teatro ucraniano

Esta obra do crítico literário, escritor e tradutor ucraniano Ivan Steshenko é o primeiro volume de uma história do teatro ucraniano projetada para ter vários volumes. O volume está dividido em cinco capítulos. O primeiro aborda questões conceituais e históricas, como a ascensão do teatro e a transformação de cultos rituais antigos em performances. O segundo capítulo aborda os ritos folclóricos latino-germânicos e eslavos, com seus respectivos conteúdos. O terceiro capítulo discute o teatro como uma forma de disseminação do cristianismo na Ucrânia. O quarto capítulo oferece informações sobre o desenvolvimento do teatro entre os vários povos eslavos. O livro termina com uma análise das obras de Theophanes Prokopovych, também conhecido como Feofan, arcebispo de Novgorod (1681 a 1736). Feofan foi o autor da tragicomédia Vladimir, baseada na história da introdução da Ortodoxia na Rússia por São Vladimir, no século X, e considerada uma obra-prima do teatro barroco ucraniano. Feofan também foi um teórico da literatura e orador, poeta e satirista.

O povo ucraniano no passado e no presente

Este livro é o segundo volume de um conjunto de dois volumes de uma enciclopédia em russo sobre o povo ucraniano. Os autores dos artigos eram estudiosos ucranianos e russos de destaque. Entre estes, estão: S. Rudnitskii, que escreveu sobre a geografia da Ucrânia; O. Rusov, V. Ohrimovich e S. Tomashevskii, que escreveram sobre estatísticas populacionais; F. Vovk, cujo artigo tratava de características antropológicas e etnográficas específicas dos ucranianos; e O. Shakhmatov, que contribuiu com uma história da língua ucraniana. O livro inclui várias ilustrações. A Primeira Guerra Mundial interrompeu a construção da enciclopédia, mas o segundo volume foi publicado em 1916.

Uma coleção do Museu Arqueológico, usada nas aulas dos cursos avançados para mulheres em Kiev

Este livro contém um ensaio longo e oito ilustrações de roupas e acessórios decorativos usados por mulheres na Rússia antiga. As informações têm como base as escavações arqueológicas em kurgans ou túmulos, que continham objetos domésticos dos eslavos antigos. Os objetos retratados são do Museu Arqueológico em Kiev. Conforme indicado no título, o livro era usado no ensino dos cursos para mulheres em Kiev. Cursos avançados para mulheres foram abertos em Kiev e em várias outras cidades ucranianas em 1878, como parte de um movimento mais amplo no país para expandir as oportunidades educacionais para mulheres. Entre 1907 e 1910, as mulheres começaram a ingressar em cursos avançados de medicina, ganhando o direito de participar de palestras sobre temas, como agricultura, técnico e comercial. O livro descreve as roupas e as joias femininas, incluindo sapatos, presilhas, adornos de cabeça e vestidos, encontradas em kurgans eslavos de Kiev, Chernigov e outras províncias.

Teatro e drama: Uma coletânea de artigos críticos sobre o teatro e a literatura dramática

Mikola Kindratovich Voroniy (1871 a 1938) foi um poeta, escritor, ator e diretor ucraniano de proeminência. Este livro é uma coletânea de seus artigos mais importantes sobre a arte do teatro e a literatura dramática. Os tópicos abordados incluem o trabalho dos atores e diretores, a literatura dramática como o gênero mais complexo de expressão literária e artística, bem como a natureza e a função da audiência. O autor tira conclusões gerais a partir de sua análise e discute as formas por meio das quais o teatro poderá se desenvolver no futuro. Voroniy realizou sua formação universitária em Viena e em Lviv. Ele foi executado por um pelotão de fuzilamento em Odessa, em junho de 1938, tendo sido uma das vítimas assassinadas na União Soviética durante a Grande Purga, entre 1936 e 1939.

Discurso de Sua Majestade Haile Selassie I, imperador da Etiópia, na Assembleia da Liga das Nações, na sessão de junho e julho de 1936

No início da década de 1930, o ditador italiano Benito Mussolini estava determinado a expandir o império africano da Itália anexando a Etiópia. Em dezembro de 1934, um conflito, provocado pelos italianos, ocorreu entre as forças armadas italianas e etíopes em Walwal, no lado etíope da fronteira da Somalilândia italiana. Mussolini declarou o incidente “um ato de auto-defesa” e, dessa forma, não sujeito à arbitragem sob acordos internacionais. A Itália exigia compensação e reconhecimento formal da região como território italiano. Quando o Imperador Haile Selassie recusou-se a aceitar essas exigências, a Itália começou a mobilizar suas forças. Como membro da Liga das Nações, a Etiópia levou o caso ao Conselho, mas Mussolini ignorou todas as propostas da Liga para resolver a crise. No dia 3 de outubro de 1935, forças italianas invadiram a Etiópia a partir da Eritreia e da Somalilândia italiana. A capital Addis Ababa sucumbiu em maio de 1936. O Imperador Haile Selassie, que estava em Genebra naquele momento, solicitou ajuda na Assembleia, sem sucesso; a Liga se recusou a agir e a maior parte dos países membros reconheceram a conquista italiana. Apresenta-se aqui o texto do discurso inflamado do imperador para a Assembleia, que foi proferido em 30 de junho de 1936. Ele falou em amárico; o texto encontra-se no lado esquerdo das páginas. A tradução francesa está à direita. Este texto pertence aos arquivos da Liga, que foram transferidos para as Nações Unidas em 1946, e estão armazenados no gabinete da ONU, em Genebra. Eles foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.

Marquês Garroni e Benito Mussolini

Alois Derso (1888 a 1964) foi um célebre cartunista e satirista húngaro que trabalhou para a Liga das Nações durante as décadas de 1920 e 1930. Ele se especializou em desenhar figuras satíricas de líderes mundiais proeminentes e dos encontros da Liga, como da Conferência para a Redução e Limitação de Armamentos, de 1932. Esta caricatura de Derso representa o ditador italiano Benito Mussolini (1883 a 1945) e o Marquês Eugenio Camillo Garroni (1852 a 1935), embaixador italiano na Turquia e delegado da Conferência de Lausanne, de 1922 e 1923. Garroni é representado como sendo um homem baixo, de bom porte e servil, segurando e beijando a mão de Mussolini enquanto o ditador o obseva com uma expressão arrogante. Mussolini era muito ridicularizado por cartunistas, escritores e outras figuras públicas de fora da Itália por seus pronunciamentos bombásticos e por sua postura militarista. A data exata da charge é desconhecida. Este pertence aos arquivos da Liga, que foram transferidos para as Nações Unidas em 1946, e estão armazenados no gabinete da ONU, em Genebra. Os arquivos foram anexados ao registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2010.