4 de fevereiro de 2013

Antiguidades de Samarcanda. Madrassa de Bibi Khanym. Minarete no canto noroeste

Esta fotografia do minarete noroeste no conjunto da mesquita Bibi Khanym, em Samarcanda (Uzbequistão), faz parte da seção arqueológica do Álbum do Turquestão. Este levantamento fotográfico em seis volumes foi produzido entre 1871 e 1872 sob o patrocínio do General Konstantin P. von Kaufman, primeiro governador-geral (1867-1882) do Turquestão, nome dado aos territórios da Ásia Central do Império Russo. O álbum dedica atenção especial à arquitetura islâmica de Samarcanda, como monumentos dos séculos XIV e XV do reinado de Timur (Tamerlão) e seus sucessores. Construído entre 1399 e 1405 com os espólios da vitoriosa campanha de Timur na Índia (outono de 1398 a janeiro de 1399), o conjunto foi designado como a principal mesquita da cidade. Também é tradicionalmente chamado de Sarai Mulk Khanym (bibi, que significa "senhora" ou "mãe"), em homenagem à esposa mais velha de Timur. Com o objetivo de ser uma das maiores mesquitas do mundo islâmico, o conjunto continha uma madrassa, um mausoléu e uma estrutura de entrada para o pátio, todos tendo sofrido importantes danos causados pela atividade sísmica ao longo dos séculos. O complexo também incluía quatro minaretes (somente um sobreviveu à época da conquista russa). O minarete noroeste mostrado aqui não tem a estrutura superior, mas seu design monumental ainda é evidente, com uma decoração de azulejos que forma letras cúficas em blocos que significam palavras como "Alá".

Jerusalém libertada

La Gerusalemme liberata (Jerusalém libertada) é um poema épico escrito pelo poeta italiano do final do Renascimento, Torquato Tasso (1544–1595). Escrito em estrofes de oito linhas comuns à poesia renascentista italiana, a obra-prima de Tasso é conhecida pela beleza de sua linguagem, expressões profundas de emoção e a preocupação com a precisão histórica. O tema do poema é a Primeira cruzada de 1096 a 1099 e a busca do cavaleiro franco Godofredo de Bulhão para liberar o sepulcro de Jesus Cristo. Tasso nasceu em Sorrento, no Reino de Nápoles, e seu interesse nas Cruzadas provavelmente foi instigado pelo saque de Sorrento em 1558 pelos turcos otomanos e a luta contínua entre os poderes muçulmanos e cristãos pelo controle do Mediterrâneo. Ele concluiu a obra em 1575, mas passou vários anos revisando o texto antes de sua publicação em 1581. A reputação de Tasso como poeta e gênio era bem conhecida na Itália do século XVII e por toda a Europa no século XVIII. Esta edição monumental de dois volumes de seu trabalho mais importante foi concluída em 1745 pelo editor e jornalista veneziano Giovanni Battista Albrizzi (1698–1777), membro de uma família ativa no comércio livreiro de Veneza por cerca de 150 anos. As ilustrações são de Giovanni Battista Piazzetta (também conhecido como Giambatista Piazzetta; 1682–1754), um pintor de Veneza que foi o primeiro presidente da Accademia di Belle Arti di Venezia. O frontispício foi impresso em vermelho e preto com uma gravura em chapa de cobre da Imperatriz Maria Teresa da Áustria (1717-1780) a quem a obra é dedicada.

6 de fevereiro de 2013

Livros 1–5 de História. História da Etiópia. Livro 8: Da Partida do Divino Marcus.

Sob a influência do humanismo italiano e de seu tutor e colecionador de livros János Vitez, o Arcebispo de Esztergon, Matias Corvinus da Hungria (1443-1490) desenvolveu uma paixão por livros e pela aprendizagem. Eleito rei da Hungria em 1458, aos 14 anos de idade, Mathias conquistou grande sucesso por suas batalhas contra os turcos otomanos e por seu patrocínio à aprendizagem e à ciência. Ele criou a Bibliotheca Corviniana, na época considerada como uma das melhores bibliotecas da Europa. Após sua morte, e especialmente após a conquista de Buda pelos turcos, em 1541, a biblioteca foi dispersa e grande parte da coleção foi destruída, com os volumes sobreviventes sendo espalhados por toda a Europa. Este códice, um dos oito manuscritos inicialmente na Biblioteca Corvinus e agora preservado na Biblioteca Estatal da Baviera, contém Livros I-V das Histórias, pelo historiador grego Polybius, uma parte do único trabalho conhecido do historiador grego do século III, Herodianus, e o texto de Aethiopica, um romance grego do século III atribuído a Heliodorus de Emesa, que narra as aventuras etiopes de Theagenes e Chariclea. Aacredita-se que o códice tenha sobrevivido ao cerco e a captura de Constantinopla, em 1453, após o qual passou para a posse de Corvinus. Após a sua morte, consta nos registros que passou a pertencer ao médico Joachim Camerarius II, de Nuremberg, que o presenteou ao duque Alberto V, da Baviera, em 1577. Dsde então, permanece na Biblioteca Estatal da Baviera. A Coleção Bibliotheca Corviniana foi inscrita no programa Memória do Mundo, da UNESCO, em 2005.

Amadis de Gaula

Amadís de Gaula (Amadis de Gaula) é um famoso romance de cavalaria em prosa, o primeiro composto na Espanha ou em Portugal e muito provavelmente com base em fontes francesas. Uma versão anterior da obra provavelmente existiu no final do século XIII ou no início do século XIV. Uma versão em três livros, dos quais pequenos fragmentos ainda existem, pode ser datada por volta de 1420. Garci Rodriguez de Montalvo, governador de Medina del Campo, retrabalhou a versão, acrescentou um quarto livro e continuou com um quinto, intitulado Las sergas de Esplandián (As façanhas de Esplandião). O trabalho manteve-se popular durante o Século de Ouro espanhol na Europa e na América, com 19 edições em espanhol publicadas no século XVI. A edição mostrada aqui foi impressa por Juan Cromberger, que contribuiu para a introdução da tipografia nas Américas na década de 1530. A família Cromberger de Sevilha era especializada em impressão de livros de cavalaria, que foram em geral caracterizados por serem produzidos em tamanho fólio, com tipos de letra gótica, em duas colunas, com uma gravura do herói a cavalo na capa e xilogravuras menores em cada capítulo. As edições Cromberger definiram o tom das futuras impressões e foram imitadas até meados do século XVI.

7 de fevereiro de 2013

Vista geral do Monastério de Kiev-Pechersk

Esta imagem do Monastério de Kiev-Pechersk é parte de Lembrança de Kiev, um álbum do início do século XX, que mostra os principais locais de Kiev, a capital da Ucrânia e na época uma das mais importantes cidades do Império Russo. O Monastério de Kiev-Pechersk, também chamado de Monastério das Cavernas de Kiev (pechera significa caverna e lavra indica um mosteiro de prestígio), é um grande complexo fundado em 1051 por um monge chamado Antonio em cavernas escavadas na encosta. O mosteiro logo se tornou o centro do cristianismo na Rússia e desempenhou um papel importante no desenvolvimento cultural local, abrigando a primeira tipografia em Kiev e cronistas, escritores, médicos, cientistas e artistas famosos. Após um incêndio em 1718, a maior parte do monastério foi reconstruída em estilo barroco, incluindo a Catedral da Assunção, no centro desta imagem, os grandes sinos do campanário à esquerda e outras igrejas e edifícios monásticos, que estão cercados por altos muros de pedra. Juntamente com a Catedral de Santa Sofia em Kiev, o monastério está inscrito na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. As 25 imagens em Lembrança de Kiev são fototipias, um processo de impressão à base de química o qual foi amplamente utilizado antes da invenção da litografia offset.

Os atos e as epístolas dos apóstolos

Os atos e as epístolas dos apóstolos, também conhecido como Apóstolo, é a primeira impressão publicada no território da atual Ucrânia. Escrito no eslavo eclesiástico, a língua litúrgica usada na Igreja Ortodoxa da Rússia, da Ucrânia, e de outros países de língua eslava, foi impresso em 1574 no Mosteiro de Santo Onofre, em Lviv, por Ivan Fedorov (por volta de 1510-1583). Um dos criadores da tipografia na região dos eslavos orientais, Fedorov graduou-se na Universidade Jaguelônica de Cracóvia, na Polônia, e mais tarde trabalhou em Moscou, onde publicou obras litúrgicas usando tipos móveis, os primeiros livros impressos na Rússia. Ele foi expulso de Moscou por escribas que temiam a concorrência em função de sua inovação e procurou refúgio no Grão-Ducado da Lituânia, onde montou uma tipografia em Zabłudów (na atual Belarus). Em 1572, ele se mudou para Lviv. O Apóstolo estava entre os livros mais utilizados na litúrgica da Igreja Ortodoxa A edição de 1574 contém um epílogo autobiográfico de Fedorov no qual ele narra a história de suas tipografias em Moscou, Zabłudów e Lviv. Cerca de 120 exemplares desta edição são conhecidas, das quais cinco fazem parte das coleções da Biblioteca Nacional Vernadsky da Ucrânia.