31 de julho de 2012

Livro das Horas

O Livro das Horas era um livro de oração para os laicos, criado nos fins da idade média, na Europa, e utilizado nas devoções particulares. Estas obras eram, muitas vezes, personalizadas para usuários individuais e iluminadas com pinturas em miniaturas que descreviam a vida de Cristo, da Virgem Maria e dos santos. O texto incluía um calendário com os dias das festas litúrgicas e uma série de orações a serem recitadas oito vezes por dia, conforme a prática estabelecida. No início do período renascentista a popularidade do Livro das Horas demonstrava o interesse, cada vez maior, dos laicos em falar diretamente com Deus e os santos e não exclusivamente através da Igreja e do clero ordenado. Este manuscrito do Livro das Horas, da França do início do século XVI, foi escrito em velino de pele e inclui pinturas em miniaturas, sendo 16 grandes e 26 pequenas, todas iluminadas em ouro e pintadas em ricas cores primárias. Foi ornada de títulos e marcas de parágrafos em tinta azul e vermelha, e escrita em delicadas letras romanas da mais alta qualidade. Tanto o texto como as iluminações são atribuídas à oficina parisiense de Geoffroy Tory.

Anais do Templo do Marquês Xiao, em Taiyangzhou

Este trabalho foi compilado por Guo Zizhang (1543–1618), e editado e impresso por Gan Yinqiu. Depois de Guo ter recebido seu jin shi em 1571, ele ocupou vários cargos, incluindo o de Ministro do Departamento de Guerra, diretor-censor e guardião júnior do herdeiro. Guo também contava com amplo conhecimento de história, estratégia militar, literatura e medicina, e era autor de diversas histórias locais. Aqui é exibida a única cópia existente de seu trabalho, publicada no segundo ano do reinado de Tianqi (1622). Ela tem sete juan, em duas partes e um volume, além de muitos registros de Xiao Hou (Marquês Xiao), incluindo Xiao hou miao tu (templo ilustrado de Xiao Hou), Xiao hou zhuan (Biografia de Xiao Hou), e várias eulogias, registros, biografias, avisos e versos imperiais. Uma ilustração mostra o Marquês Xiao com seus olhos flamejantes, sentado no centro, com seis guardas imponentes parados de cada lado. De acordo com as lendas, Xiao Hou (1324–1405, aproximadamente), natural de Taiyangzhou, cujo nome verdadeiro era Xiao Tianren, tornou-se um rei das águas depois de sua morte, bem como seu pai e seu avô. As façanhas divinas de Xiao são registradas aqui. Dizem que, em 1419, ele apareceu como o Deus do mar para resgatar marinheiros em apuros durante sua viagem para os mares do Ocidente: uma referência a uma das viagens de Zheng He (1371-1433), que liderou frotas para o Sudeste da Ásia, Sul da Ásia, Oriente Médio e África Oriental entre 1405 e 1433. Anos depois, o imperador Ming, Yongle (que reinou de 1403 a 1424), concedeu a Xio o título honorável de Ying you hou (Valente protetor dos mares). Xiao Hou era adorado por comerciantes e mensageiros dos mares ao longo de séculos. Vários templos do Marquês Xiao, construídos ou renovados até a década de 1920, comemoraram três gerações da família Xiao. Este trabalho documenta o templo em Taiyangzhou Zhen, Xin’gan Xian, na Província de Jiangxi, e oferece muitas informações sobre a religião popular chinesa no local. O prefácio, com data de 1622, foi escrito por Zhu Shishou, também natural de Jiangxi e membro do movimento Donglin, um grupo de estudiosos e oficiais chineses do final da dinastia Ming, que tentou combater a lassidão moral e a fraqueza intelectual que acreditavam atrapalhar a vida pública. A impressão xilográfica é de qualidade alta e refinada.

Anedotas selecionadas sobre Su Shi e Mi Fu

Este livro é uma coleção de anedotas sobre dois grandes mestres Song da poesia, pintura e caligrafia: Su Shi (1037-1101) e Mi Fu (1051-1107). Ele foi compilado por Guo Hua, sobre quem sabe-se pouco, revisado por Xu Richang, e editado por Hu Zhengyan (1580–1671), um pintor, calígrafo e escultor de selos. Hu Zhengyan publicou a primeira xilogravura chinesa em cores em sua casa, a famosa Shi zhu zhai (Estúdio de dez bambus), onde este trabalho também foi impresso. Su Shi, também chamado de Su Dongpo, obteve uma popularidade ainda maior depois de sua morte, quando as pessoas começaram a construir santuários em seu nome e a colecionar seus trabalhos, retratos e inscrições em pedra referentes às suas muitas viagens. Mi Fu, também chamado de Nangong, era conhecido por pintar paisagens sombrias usando grandes pontos de tinta úmida aplicados com um pincel plano, era considerado excêntrico e costumava ser chamado de "Louco Mi" por suas maneiras e obsessões. Mi Fu e Su Shi formaram um círculo de artistas brilhantes que preferiam a expressão pessoal à excelência técnica. Não são fornecidas fontes das anedotas apresentadas neste trabalho, o que dificulta determinar sua autenticidade. O livro é composto de seis juan, em quatro volumes, com quatro juan sobre Su Shi, entitulados Dongpo tan shi guang (Anedotas selecionadas de Dongpo) e dois juan de Mi Fu, intitulados de Nangong tan shi guang (Anedotas selecionadas de Nangong). O catálogo Si ku quan shu cun mu (catálogo de livros não incluídos na coleção Siku) lista apenas um volume sobre Su Shi e um volume sobre Mi Fu, datados de 1611. Esta cópia é uma edição ampliada, porém sem datas, provavelmente impressa durante o reinado de Tianqi (1621–1627). Sua capa apresenta o selo do Estúdio de dez bambus, a editora. Há 16 ensaios introdutórios, todos por amigos do compilador, que era do condado de Xuancheng. Dentre os autores, estão He Weiran, Wu Congxian, Mei Shishu e Mei Shiqi, também de Xuancheng. Um dos prefácios, escrito por Zhang Yishen, descreve a ocasião em que ele conheceu o compilador no Estúdio de dez bambus, e o viu como "um homem incrível, inteligente e eloquente, e em grande sintonia com Su e Mi". O trabalho carrega uma impressão de selo retangular com a frase: Qing fen tang shu hua (Registros de pinturas e caligrafia no Salão Qingfen). A gravação e a impressão são requintadas, e o texto é claro.

Livro de alquimia comentado, de Tao Zhi

O Tao gong huan jin shu (Livro de alquimia comentado) é um trabalho de alquimia importante e baseado no texto original de Tao Zhi, um padre taoísta do século XIX. Aqui, é mostrada a edição Ming do período Jiajing (1522-1566) em um juan, um volume, comentado por Shao Fu, natural de Wulin. Shao Fu foi também chamado de Qiwan em um de seus outros trabalhos, o Jingyang han shi ji (Inscrições em pedra de Jingyang). Ele estudou a teoria taoísta, e seus comentários demonstram seu conhecimento sobre o assunto. O trabalho original de Tao Zhi continha três ensaios, incluindo um intitulado Dao zang (Cânone taoísta). A alquimia chinesa, uma parte da grande tradição do daoísmo, se concentra na prática de alimentar a ligação entre o corpo e o espírito. Além do foco na purificação do espírito e do corpo, os praticantes acreditavam na invocação de espíritos do bem e no exorcismo dos demônios. Eles esperavam atingir a imortalidade através de práticas de Qi (movimento de forças vitais) ou do uso de vários elixires de alquimia. O trabalho inclui dois prefácios, um de Tao Zhi, o autor original, e outro de Shao Fu, o comentarista.

Ensaios reunidos sobre o corte de árvores na região do oeste

Este trabalho da dinastia Ming em dois juan, em um volume, foi impresso em tintas preta e azul durante o reinado Jiajing (1522–1566). Esta é a única cópia conhecida. O autor foi Gong Hui, que recebeu seu jin shi em 1523 e, depois, ocupou vários cargos oficiais. Como vice-presidente do gabinete de obras públicas, ele supervisionou o trabalho de conservação da água no rio Huai. Quando atuou como governador-geral militar no sul de Jiangxi, ele reprimiu os fortes bandidos da região. Então, foi enviado para Sichuan para supervisionar o corte de madeira para a construção do Palácio da Benevolência e Longevidade na Cidade Proibida, Pequim. Este livro, com 15 ilustrações e descrições dos métodos e ferramentas usados no corte de árvores, é uma fonte rara para o estudo das técnicas e artesanato de sua época. Ele também inclui vários poemas e ensaios, e um memorial para o imperador, descrevendo as dificuldades enfrentadas ao transportar a madeira para a capital. Como resultado do memorial de Gong Hui, o imperador encerrou o projeto de corte de árvores. O trabalho também inclui um ensaio intitulado Shuo mu (Discurso sobre as árvores), de Zeng Yu (1480-1558), e um posfácio escrito por Jia Ding, um colega oficial. Na primeira página do livro, há uma grande impressão quadrada do selo da Academia Hanlin em escrita chinesa e manchu, uma indicação de que se tratava de uma cópia mestra para a compilação de Si ku quan shu (A coleção completa dos quatro tesouros). Originalmente, o trabalho encontrava-se na coleção de Tian yi ge (A Biblioteca do Pavilhão Tianyi), mas, depois da conclusão da coleção Siku, o livro aparentemente não foi devolvido. Posteriormente, a impressão em selo de Tian yi ge foi cortada e o livro foi retirado da academia imperial e vendido.

Notas de leitura escritas no estúdio

Este trabalho é uma coleção de ensaios comentados compilados por Chen Zi (1683–1759), um famoso poeta e calígrafo durante o reinado Kangxi. Chen Zi também é autor de Jing xin ji shi chao (Coleção Jing Xin de poemas de Chen Zi), um volume manuscrito de poesia pertencente à Coleção de Livros Raros Chineses da Biblioteca do Congresso. Ele e seu contemporâneo Li Kai (1686–1755) eram considerados os dois maiores poetas da época, com Chen ao sul e Li no norte. Esta coleção, em dois volumes, é composta de oito ensaios, cada um com um título distinto e com uma data cíclica. Os ensaios apresentam tamanhos diferentes, com o menor com apenas duas folhas, e o maior com 19. Eles são, na sua maioria, notas e comentários de Chen sobre alguns trabalhos lidos, e que refletem suas opiniões e ideais filosóficos, religiosos e literários. Ele demonstra seu patriotismo e admiração por Zhu Xi, a principal figura da dinastia Song da Escola dos Princípios (uma vertente da teoria neo-confuciana) e o racionalista neo-confuciano mais influente. Alguns comentários de Chen eram sarcásticos e pretendiam ridicularizar. Ele era prolífico, mas seus trabalhos não tiveram grande circulação durante sua vida. Isto pode ser atribuído à natureza diversa de seus trabalhos, mas também é possível que algumas das expressões usadas tivessem impedido sua publicação em meio à inquisição literária predominante do início da dinastia Qing. Este trabalho não foi publicado e, desta forma, driblou a censura. Esta é a única cópia existente.