30 de julho de 2012

Saltério Flamengo

Este Saltério Flamengo da biblioteca do Colégio Irlandês de Paris foi feito em Bruges (hoje Bélgica) por volta de 1500. O manuscrito é escrito em latim em pergaminho e possui encadernação do século XIX. Os Saltérios são livros religiosos, especialmente populares na Idade Média, contendo os salmos (poemas que são cantados) a partir da Bíblia, muitas vezes com outros textos devocionais. Ricamente decorado, o Saltério inclui uma página totalmente ilustrada, representando a Árvore de Jessé e uma miniatura do rei Davi, o principal autor dos salmos. Doze ilustrações, cada uma composta por dois painéis, retratam os meses do ano e os signos do zodíaco. Nove folhas possuem bordas ornamentadas com flores, pássaros e borboletas. A última ilustração introduz o texto do Ofício dos Defuntos. O manuscrito foi encomendado por um eclesiástico desconhecido, cujo brasão de armas consiste de um leão rampante em azul sobre um fundo de prata, e é pintado nove vezes no volume.

31 de julho de 2012

O livro dos relógios de sol

Este manuscrito do século XIX, é um tratado sobre gnomônica, a disciplina matemática sobre o cálculo da projeção das sombras para fins de observação do tempo. A data relativamente recente da obra atesta a grande e duradoura importância atribuída no mundo islâmico ao cálculo do tempo através da observação dos comprimentos da sombra. O uso da gnomônica e a construção de relógios de sol eram vistos como a forma mais religiosamente correta para calcular os tempos certos das orações, uma vez que os textos religiosos já definiam as orações do meio-dia (zuhr) e da tarde (‘asr) em termos de comprimento das sombras. Este tratado é dedicado a um determinado tipo de relógio de sol, o munharifa (literalmente "inclinado") ou relógio de sol vertical, mas a tradição islâmica registra um grande número de tratados que também descrevem o chamado relógio de sol horizontal (conhecido como ruhāma or basīta). A tradição de tratados sobre relógios de sol teve início no século IX com o conjunto de tabelas para a produção de relógios criadas pelo famoso matemático e astrônomo Muḥammad ibn Musá al-Khuwarizmi (em atividade entre 813 e 846). A obra aqui apresentada começa com uma descrição geral da forma e das características dos relógios de sol verticais, que é seguida de tabelas para a construção e o posicionamento corretos dos relógios. As tabelas são apresentadas em tinta preta e vermelha e podem ser vistas em alguns dos primeiros fólios. Em alguns casos estas tabelas ocupam uma página inteira do manuscrito.

Tratado para Observadores sobre a Construção do Círculo de Projeção

Esta obra é um tratado sobre o importante tema de determinação do tempo. É uma obra de astronomia técnica, em 19 fólios, que começa por enfatizar o significado religioso de conhecer o tempo. É dividida em introdução, dois capítulos e conclusão. São fornecidos amplos procedimentos para a construção de tabelas e para sua utilização. A obra foi concluída em 1473 (878 A.H.).

Compêndio sobre o Uso de Aparelho Conhecido como Almucantar Quarter

Esta obra, de um marcador de tempo da Mesquita de Al-Azhar, no Cairo, é um importante e abrangente livro sobre a marcação de tempo. Ela introduz o artifício útil de dividir um quarto de um círculo de projeção em seções conhecidas como almucantars (muqanṭarāt). A obra, composta de 100 páginas em fólio, contém 30 capítulos e uma conclusão. A obra foi composta em 1440-1 (844 A.H.) e foi copiada em 1757 (1170 A.H.).

O Guia para Viajantes sobre Desenho do Círculo de Projeção

Isto é uma obra sobre a marcação do tempo e a determinação da direção da oração qibla, particularmente voltada para pessoas que viajam. O autor, Abu al-‛Abbās Shihāb al-Dīn Ahmad b. Zayn al-Dīn Rajab b. Tubayghā al-Atābakī, conhecido como al-Majdī ou Ibn al-Majdī (1366-1447 [767-850 A.H.]), descendia de uma poderosa família com ligações com os governantes Mamlūk e foi um renomado e proeminente matemático, geômetra e astrônomo. Ele serviu como marcador de tempo na mesquita de Al-Azhar. Este trabalho é um resumo de um outro importante livro seu, Irshād al-ḥā’ir ilā ma‘rifat waḍ‘ khuṭūṭ faḍl al-dā’ir (Guia para os Perplexo sobre Desenho do Círculo de Projeção), mas contém, também, material que não consta no outro livro. O presente manuscrito, concluído um pouco antes de 1637-38 (1047 A.H.) por Ḥasan ibn abī al-Bajṭīṭī, havia pertencido a ‘Abd-Allāh al-Ṭūlūnī e posteriormente, a partir de 1644 (1054 A.H.), a ‘Alī ibn Ḥājj Yūsuf al-Labūdī. A obra é composta em três capítulos: desenho do círculo de projeção faḍl al-dā’ir em um plano paralelo ao horizonte, que é chamado de plano simplesbasīṭa; desenhando-o em um local perpendicular, conhecido como plano desviante (munḥarifa); e desenhando-o em paralelo a outros planos. A conclusão aborda assuntos como a localização do centro do círculo, medição da latitude e outros tópicos. A obra contém tabelas extensas.

Benefício Máximo do Conhecimento de Círculos de Projeção na Latitude Norte de 30 Graus

Esta obra, um tratado de astronomia prática, trata de questões como a marcação de tempo e a determinação da direção de oração. A obra começa com uma breve introdução, mas a maior parte do manuscrito contém tabelas utilizadas para determinar o tempo. A seção introdutória contém exemplos ilustrativos sobre como utilizar as tabelas.