Uma descrição moderna da Irlanda, uma das Ilhas Britânicas

Abraham Ortelius (1527-1598) foi um ilustrador e empresário flamenco que viajou muito, em busca de seus interesses comerciais. Em 1560, durante uma viagem com Gerardus Mercator, interessou-se pela geografia científica. A principal obra de Ortelius, Theatrum orbis terrarum (Teatro do mundo), foi publicada em Antuérpia em 1570, no limiar da era dourada da cartografia holandesa . Theatrum apresentava o mundo em seus elementos constitutivos e refletia uma época de exploração, ampliando relações comerciais e a pesquisa científica. Hoje considerado o primeiro atlas mundial, o Theatrum original foi aprimorado com atualizações frequentes e reimpressões a fim de incorporar as mais recentes informações científicas e geográficas. O mapa da Irlanda de Ortelius, aqui apresentado, exemplifica as mais modernas técnicas cartográficas do período: detalhes geográficos precisos, símbolos topográficos ricamente elaborados e topônimos em abundância. Propriedades importantes são representadas por reproduções artísticas de suas edificações.

Sua Excelência: George Washington esq: LLD Comandante em Chefe dos Exércitos dos Estados Unidos da América e Presidente da Convenção de 1787

Em 1787, a confederação dos 13 estados americanos estava em processo de desestabilização. Os cofres estavam vazios, Nova Iorque e Nova Jersey estavam em uma disputa por impostos cobrados sobre mercadorias que atravessam as fronteiras estaduais, os agricultores de Massachusetts estavam se rebelando, e a Espanha e a Grã-Bretanha invadiam o território americano, a oeste. A Convenção Federal foi convocada para resolver os problemas de governar a jovem república sob os existentes Artigos da Confederação. A convenção respondeu com a elaboração do documento que se tornou  a Constituição dos Estados Unidos da América. Os delegados da convenção elegeram George Washington, o herói da Guerra Revolucionária, para ser o presidente da convenção. O artista Charles Willson Peale decidiu usar a convenção para vender gravuras impressas de um novo retrato do general, como parte de sua série de retratos dos autores da Revolução. As tentativas anteriores de Peale de vender gravuras dos líderes da nação revelaram-se decepcionantes e esta também não foi diferente. Embora não fosse um sucesso comercial, este retrato é considerado historicamente importante. Retratando o líder de uma nação em crise, esta é uma das poucas imagens de Washington que não esboça qualquer vestígio de sorriso.

Calendário Imperial do Terceiro Ano do Reinado do Imperador Jia Jing na Dinastia Ming

O Da Ming Jiajing san nian datong li (Calendário Imperial, ou grande sistema universal de cálculo astronômico)) baseia-se no sistema de astronomia calendárica desenvolvido pelo astrônomo Guo Shoujin durante a Dinastia Yuan (1279-1368). Foi oficialmente adaptado pela Agência de Astronomia Ming em 1384. Ele especificava as fases da lua e continha previsões de quando ocorreriam eclipses lunares e solares. O grande navegador chinês Zheng He utilizou métodos de Guo Shoujing para determinar a latitude e longitude em suas viagens aos Oceanos Pacífico e Índico.

Entrevista com Fountain Hughes, Baltimore, Maryland, 11 de junho de 1949

Aproximadamente 4 milhões de escravos foram libertados no final da Guerra Civil Americana. As histórias de alguns milhares foram transmitidas às gerações futuras por tradição oral, diários, cartas, registros ou transcrições de entrevistas. Apenas 26 entrevistas de ex-escravos gravadas em áudio foram encontradas, 23 das quais estão nas coleções do Centro da Cultura Popular Norte-Americana da Biblioteca do Congresso. Nesta entrevista, Fountain Hughes, de 101 anos, relembra sua infância como escravo, a Guerra Civil e sua vida nos Estados Unidos como um afro-americano, da década de 1860 até a década de 1940. Sobre a escravidão, ele diz ao entrevistador: "Naquela época, ocê num passava de um cão para alguns deles. Ocê nem mesmo era tratado como eles agora tratam os cães. Mas, mesmo assim, eu não gosto de falar sobre isso. Porque isso faz, faz as pessoas se sentirem mal, sabe. Ah, eu, eu poderia dizer muita, muita coisa que não quero dizer. E não vou falar muito mais."

O Mapa das Terras de Oztoticpac

Datado de aproximadamente 1540, este mapa é um documento Mexicano pitoresco, escrito em Espanhol e Náuatle, refere-se ao processo judicial do estado de Dom Carlos Ometochtli Chichimecatecotl, um senhor asteca e um dos muitos filhos de Nezahualpilli, regente de Texcoco. Dom Carlos foi acusado de heresia e executado publicamente pelas autoridades espanholas em 30 de novembro de 1539. O pleito começou em 31 de dezembro de 1540, quando um homem identificado como Pedro de Vergara pediu à Inquisição que retornasse a ele algumas árvores frutíferas tomadas pela propriedade de Dom Carlos, as quais Vergara afirmou serem suas no âmbito de um contrato celebrado com Dom Carlos vários anos antes. Outras pessoas afirmaram que as terras ocupadas por Dom Carlos não pertenciam a ele pessoalmente, mas à família - os senhores de Texcoco - como um todo. Este mapa foi provavelmente encomendado por Antonio Pimentel Tlahuilotzin, governador de Texcoco, para apoiar estas alegações. Para complicar ainda mais o caso, outro grupo de peticionários reclamou que as terras de Texcocan haviam sido divididas por autoridades Espanholas e que as terras na posse de Dom Carlos durante sua vida eram, agora, propriedade do povo. O resultado do litígio não é conhecido. O mapa reflete a tradição pré-européia, mesoamericana de usar glifos e papel produzido de maneira autóctone (amatl) na criação de mapas. Desenhos feitos com tintas vermelhas e pretas representam terrenos com medidas indígenas e glifos de lugares. Próximo ao canto superior esquerdo está um plano de várias casas dentro de uma jurisdição; à direita estão mapas mostrando mais de 75 terrenos identificados, um inventário das propriedades que uma vez pertenceram a Dom Carlos. No canto inferior esquerdo, há uma glosa de árvores frutíferas e videiras Europeias, enxertadas no lugar das árvores nativas. Esta é a única imagem desta técnica agrícola conhecida por existir em qualquer documento indígena Mexicano pitoresco. O mapa fornece detalhes sobre o enxerto do pêssego, damasco, pera e outras árvores frutíferas importadas da Espanha nas macieiras e cerejeiras autóctones do México.

O grande dicionário geográfico Ming da prefeitura de Xinghua

Esta edição manuscrita do dicionário geográfico da prefeitura de Xinghua, província de Fujian, contém 54 juan em 12 volumes. Ele foi compilado conjuntamente por Zhou Ying (1430-1518) e Huang Zhongzhao (1435-1508), ambos de Fujian. Xinghua tornou-se uma prefeitura no segundo ano (1369) do reinado do primeiro imperador Ming, Hongwu. A cidade com seu porto era importante para a economia local e para o comércio exterior. Tanto Zhou Ying Huang quanto Zhongzhao receberam o prestigiosojin shi (doutorado). Um seguidor do neoconfucionismo de Zhu Xi, Zhou Ying ocupou várias posições oficiais por muitos anos, inclusive atuando como magistrado de diversas prefeituras e como comissário administrativo provincial de Sichuan. Huang Zhongzhao foi o autor de obras literárias, membro da Academia Hanlin Imperial e era conhecido como um escritor de histórias locais. Em 1501, Huang Zhongzhao foi convidado por Chen Xiao, o então magistrado da prefeitura de Xinghua, para se juntar a Ying Zhou na compilação deste dicionário geográfico, mas Huang morreu logo depois de completar a parte sobre as personalidades locais. A obra foi organizada em seis partes, seguindo as seis divisões administrativas do governo da casa civil, receita, ritos, militar, justiça e obras públicas. A edição original não existe mais; acredita-se ter sido destruída em um incêndio, não muito tempo após a sua publicação. Assim, as palavras chong xiu (nova edição) foram adicionadas a esta edição manuscrita da Tian yi ge (Biblioteca do primeiro salão sob o céu). Ela incluiu os nomes dos dois editores originais, Zhang Yuanshen e Hong Yongshao e dos dois tipógrafos, Zhang Hao e Liu Chengqing. Os dois prefácios foram escritos por Zhou Ying e por Chen Xiao, o magistrado da prefeitura. O posfácio é datado de 1503. Como um dicionário geográfico, fornece informações detalhadas sobre a história, a geografia, a economia local, a cultura, a língua e os dialetos, a biografia de pessoas notáveis, e a administração da prefeitura, bem como da província de Fujian.