14 de dezembro de 2012

Construção da ponte sobre o rio Daugava na Usina Hidrelétrica de Ķegums, outubro de 1936

Eduards Kraucs (1898–1977) foi um renomado fotógrafo e cineasta letão que, entre 1936 e 1940, documentou a construção da Usina Hidrelétrica de Ķegums sobre o rio Daugava no centro da Letônia. Esta fotografia, tirada em outubro de 1936, retrata a construção da primeira ponte temporária de madeira sobre o rio. A usina foi uma estrutura de engenharia única para países bálticos e o norte da Europa, que envolvia um esforço colaborativo de engenheiros letões e suecos. Soluções tecnológicas novas na Europa foram usadas nesta construção. A usina teve grande importância na Letônia como um símbolo do estado e da identidade nacional durante o primeiro período da história do Estado independente da Letônia (1918–1940). Sua conclusão marcou o início de um sistema de energia unificado em todo o estado e do grupo Latvenergo. A usina impulsionou um rápido crescimento econômico, que resultou na eletrificação das regiões da Letônia, e aprimorou o bem-estar da população do país. Kraucs tirou fotos do trabalho uma ou duas vezes por semana durante o período de construção. A coleção resultante de 1.736 negativos em placa de vidro é o único exemplo conhecido na Europa de um registro fotográfico tão abrangente de um projeto de construção de grande escala. A coleção foi inscrita na Memória Nacional da Letônia do Registro Mundial em 2009.

Alcorão sagrado

De acordo com a fé islâmica, o Alcorão sagrado foi revelado por Deus ao profeta Maomé (570–632) pelo anjo Gabriel por um período de 22 anos. O Alcorão fala de forma poderosa e tocante sobre a realidade e as qualidades de Deus, o mundo espiritual, os objetivos de Deus ao criar a humanidade, o relacionamento e a responsabilidade dos homens com Deus, a chegada do Dia do Julgamento e a vida após a morte. Ele também contém regras para o dia-a-dia, histórias dos primeiros profetas e suas comunidades, percepções e compreensões vitais a respeito do significado da existência e da vida humana. A devoção que o livro inspira entre os muçulmanos é refletida nos muitos manuscritos do Alcorão iluminados e produzidos de forma suntuosa, dos quais a presente obra, criada na cidade iraniana de Shiraz em meados do século XIX, é um exemplo. O manuscrito inclui muitas imagens multicoloridas que exibem uma ampla gama de estilos de iluminuras e do uso de muitos materiais de produção diferentes. A bela caligrafia é de Abdol-Vahhab Naghmeh. Apenas a capa pintada com laca já é uma obra-prima. O requintado manuscrito é mantido nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

As maravilhas da criação

Zakarīyā ibn Muhammad al-Qazwīnī (entre 1203 e 1283, aproximadamente) foi um distinto erudito iraniano conhecedor de poesia, história, geografia e história natural. Ele trabalhou como jurista e juiz em várias localidades no Irã e em Bagdá. Após viajar pela Mesopotâmia e pela Síria, escreveu sua famosa cosmografia em língua árabe, 'Aja'eb ol-makhluqat wa qara'eb ol-mowjudat (As maravilhas da criação ou, literalmente, Maravilhas das coisas criadas e aspectos surpreendentes das coisas existentes). Este tratado, muito ilustrado, foi imensamente popular e está preservado hoje em diversas cópias. Ele foi traduzido para o persa, o turco e o alemão. O livro abrange muitos temas, como astrologia, cosmologia e as ciências naturais. O tema central do livro é dividido em dois agrupamentos amplos: o sublime e transcendental, e o bruto ou material. Do ponto de vista da amplitude de informações contidas em sua obra, al-Qazwīnī é frequentemente comparado ao grande erudito romano Plínio, o velho (23–79 d.C.) e muitas vezes chamado de “Plínio da Idade Média”. O presente manuscrito, uma tradução persa do 'Aja'eb, contém desenhos e pinturas curiosos no estilo persa, monocromáticos e em aquarela. A cópia é mantida nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

Os dísticos espirituais

A contribuição mais significativa de Jalāl ad-Dīn Muhammad Rūmī (popularmente conhecido em persa como Mawlānā, e em inglês como Rumi, 1207–1273), o renomado poeta e místico do Irã, para a literatura persa talvez seja sua poesia, e especialmente seu famoso Masnavi (Os dísticos espirituais). Esta obra, considerada a exposição de misticismo em versos mais abrangente de qualquer idioma, discute e oferece soluções a muitos problemas complicados de metafísica, religião, ética, misticismo e outros campos. Masnavi destaca os vários aspectos ocultos do sufismo e de seu relacionamento com a vida mundana. Para atingir seus objetivos, Rumi baseia-se em uma variedade de temas e retira numerosos exemplos da vida cotidiana. Seu principal tema é o relacionamento entre os homens e Deus, por um lado, e entre os homens, por outro. Rumi aparentemente acreditava em alguma forma de panteísmo e retratava as várias fases da evolução do homem em sua jornada rumo ao Absoluto. O impacto cultural de Rumi foi muito profundo por todo o Oriente Médio, no mundo islâmico e, recentemente, no mundo ocidental. O presente livro é uma impressão em fac-símile de um manuscrito de Masnavi feito pelo famoso calígrafo do século XIX Towhid Vesal. Ele contém belas iluminuras e elegantes vinhetas. O manuscrito original está preservado nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

O tesouro de Khvarazm’Shah

Ismā‘īl ibn Ḥasan Jurjānī (entre 1042 e 1136, aproximadamente, também citado como Jorjānī e Gurjānī), conhecido popularmente como Hakim Jurjānī, foi um dos mais famosos médicos do Irã do século XII. No período entre a conquista islâmica e o tempo de Jurjānī, quase todos os livros científicos de iranianos eram escritos em árabe, incluindo obras famosas como al-Qānūn fī al-tibb (O cânone da medicina) escrito por Ibn Sina (Avicena). A enciclopédia médica de Jurjānī, Zakhīrah-i Khvārazm’Shāhī (O tesouro de Khvarazm’Shah) foi o primeiro grande livro de medicina no Irã pós-islamismo escrito em persa, e logo se tornou a fonte principal de médicos iranianos, usado por muitos séculos. Ele também foi traduzido para o hebraico, o urdu e o turco. A volumosa obra é dividida em dez partes. Em um longo prefácio, Jurjānī descreve em detalhes o clima, a geografia e as doenças comuns do Khvarasm (atualmente, Coração), a província do norte onde ele vivia. Após essa apresentação de contexto, ele explica a necessidade de escrever um livro de medicina em seu idioma nativo. A organização em dez partes do Zakhīrah é semelhante ao Cânone de Avicena. Na terminologia médica atual, as dez partes discutem os seguintes tópicos: (1) anatomia, fisiologia e temperamentos, humores e elementos conhecidos; (2) fisiopatologia geral (incluindo um capítulo que descreve os tipos de pulsos e um capítulo sobre causas de morte); (3) higiene e nutrição (incluindo capítulos separados sobre doenças da infância, da velhice, e especialmente doenças contraídas durante viagens); (4) diagnósticos e prognósticos; (5) febre e suas classificações; (6) tratamentos (o volume da enciclopédia mais pesquisado pelos médicos do período); (7) doenças infecciosas; (8) doenças da pele; (9) toxicologia e (10) farmacologia. O presente manuscrito, criado no século XII, contém ilustrações e iluminuras impressionantes, e é uma das cópias mais antigas existentes do Zakhīrah. Ela está preservada nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

Miscelânea de Molla Sadra

Muḥammad ibn Ibrāhīm Ṣadr al-Dīn Shīrāzī (1571–1640), mais conhecido como Molla Sadra, foi um filósofo, teólogo e místico islâmico persa que liderou a renascença cultural iraniana no século XVII. O principal exemplo do movimento iluminacionista, ou Eshraqi, escola dos filósofos místicos, Molla Sadra é comumente considerado pelos iranianos o maior filósofo que o Irã já produziu e provavelmente o filósofo mais importante e influente do mundo muçulmano nos últimos quatro séculos. Sua escola de filosofia é chamada de Teosofia transcendental. A filosofia e a ontologia de Molla Sadra são consideradas tão importantes para a filosofia islâmica quanto os escritos do filósofo alemão Martin Heidegger se tornaram para a filosofia ocidental do século XX. A filosofia original de Molla Sadra foi combinada e transformou diferentes fontes—o avicenismo, a filosofia iluminacionista de Suhrawardī, a metafísica sufi de Ibn al-Arabi e a teologia xiita—de uma maneira mais ambiciosa e engenhosa do que as dos filósofos islâmicos anteriores. O presente manuscrito, da mão do próprio Molla Sadra, é um agrupamento de escritos literários e filosóficos variados, incluindo alguns de seus próprios, coletados com o tempo. Ele inclui um breve item de Mīr Dāmād, reconhecido professor de Molla Sadra, da mão do próprio Mīr Dāmād. A obra está preservada nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.