O Circo de John Robinson

Esta fotografia de 1929 exibe o interior do Circo de John Robinson durante um espetáculo com a performance de O Rei Salomão e a Rainha de Sabá em Cincinnati, Ohio. No circo americano, o espetáculo era como um desfile que ocorria em volta da pista do hipódromo dentro da grande lona, ou tenda do circo, e trazia tantos artistas e animais quanto o diretor do circo conseguisse fantasiar. O Circo de John Robinson era especialmente conhecido por suas produções deslumbrantes de O Rei Salomão e a Rainha de Sabá, que oferecia uma grande oportunidade de exibir os exóticos camelos, leões, elefantes e tigres que o circo possuía, bem como bailarinas e outros artistas. O Circo de John Robinson era um circo típico, de tamanho médio, que viajava de trem para as diferentes cidades e vilas. A lona mostrada aqui apresenta três picadeiros de exibição, dos quais dois podem ser vistos. A lona é sustentada por postes centrais, duas fileiras de postes secundários e os postes laterais. É possível ver armações aéreas suspensas acima dos picadeiros a partir do topo dos postes. A área entre os picadeiros e os assentos, conhecida como pista do hipódromo, era utilizada para espetáculos e outras apresentações.

Miscelânea de Molla Sadra

Muḥammad ibn Ibrāhīm Ṣadr al-Dīn Shīrāzī (1571–1640), mais conhecido como Molla Sadra, foi um filósofo, teólogo e místico islâmico persa que liderou a renascença cultural iraniana no século XVII. O principal exemplo do movimento iluminacionista, ou Eshraqi, escola dos filósofos místicos, Molla Sadra é comumente considerado pelos iranianos o maior filósofo que o Irã já produziu e provavelmente o filósofo mais importante e influente do mundo muçulmano nos últimos quatro séculos. Sua escola de filosofia é chamada de Teosofia transcendental. A filosofia e a ontologia de Molla Sadra são consideradas tão importantes para a filosofia islâmica quanto os escritos do filósofo alemão Martin Heidegger se tornaram para a filosofia ocidental do século XX. A filosofia original de Molla Sadra foi combinada e transformou diferentes fontes—o avicenismo, a filosofia iluminacionista de Suhrawardī, a metafísica sufi de Ibn al-Arabi e a teologia xiita—de uma maneira mais ambiciosa e engenhosa do que as dos filósofos islâmicos anteriores. O presente manuscrito, da mão do próprio Molla Sadra, é um agrupamento de escritos literários e filosóficos variados, incluindo alguns de seus próprios, coletados com o tempo. Ele inclui um breve item de Mīr Dāmād, reconhecido professor de Molla Sadra, da mão do próprio Mīr Dāmād. A obra está preservada nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

O livro dos reis

Shahnameh Baysonqori é uma cópia de Shahnameh (Livro dos reis) composto pelo extremamente reverenciado poeta iraniano Abū al-Qāsim Firdawsī (940–1020). A importância do Shahnameh para o mundo falante de persa é comparável aos poemas épicos de Homero no Ocidente. O livro reconta em versos a história mitológica da Pérsia antiga e contos de famosos heróis e personalidades da história iraniana, desde os tempos legendários até o reino do século VII de Yazdgerd III, o último rei da dinastia sassânida. Os contos são baseados em obras históricas anteriores, mas são misturados com ficção e mitologia. Shahnameh Baysonqori é um dos dois manuscritos iranianos antigos listados no Registro da Memória do Mundo da UNESCO. O manuscrito original de 700 páginas de valor inestimável é mantido na Biblioteca do Palácio Golestan em Teerã. O presente livro é uma cópia em fac-símile do original, reproduzido em cópias limitadas. O manuscrito contém 22 fantásticas miniaturas desenhadas por um grupo de artistas no estilo da escola timúrida. O texto foi criado em 1430 pelo famoso calígrafo Ja'far Baysonqori, e é uma impressionante ilustração da arte de produção de livros no Irã da era timúrida.

Tratado sobre a guerra santa

A primeira imprensa persa no Irã foi estabelecida em 1816 em Tabriz, e o primeiro livro publicado pela imprensa foi Jihādīyyah (Tratado sobre a guerra santa), escrito por Abu al-Qasim ibn 'Isá Qa'im'maqam Farahani (entre 1779 e 1835, aproximadamente), o primeiro ministro da Pérsia na época. Durante o reinado do Rei Fath Ali Shah (1772–1834, reinou no período de 1797–1834), enquanto o governo Qajar estava ocupado com a administração da instabilidade no país, as potências coloniais europeias procuraram se estabelecer na região. Os britânicos competiram pela influência no sul e no sudeste da Pérsia e do Golfo Pérsico, enquanto ao norte o Império Russo, na Guerra Russo-Persa de 1804–1813, estabeleceu dominação sobre os territórios ao norte da Pérsia. O primeiro livro persa foi publicado em resposta a estes eventos. Ele cobre todos os fatwas (decretos) que os líderes religiosos emitiram sobre a necessidade de realizar uma jihad (guerra santa) contra os russos que invadiram o território iraniano durante o reinado de Fath Ali Shah.

Grupo de artistas de circo

Esta fotografia de dezembro de 1932 mostra os membros de três espetáculos de trapézio de fama mundial posando na rede de segurança do La Scala, em Berlim: The Flying Codonas, do México, The Flying Concellos, dos Estados Unidos, e Les Amadori, da Itália. Mostrados, da esquerda para a direita, estão Genesio Amadori (Les Amadori), Art Concello (The Flying Concellos), Alfredo Codona (The Flying Codonas), Vera (Bruce) Codona (The Flying Codonas), Antoinette Concello (The Flying Concellos), Ginevra Amadori (Les Amadori), Everett White (The Flying Concellos), Lalo Codona (The Flying Codonas) e Goffreddo Amadori (Les Amadori). A fotografia reflete a internacionalização do circo no século XX, quando artistas e trupes famosas eram contratadas por circos de outros países que queriam apresentar espetáculos jamais vistos por seus públicos. O trapézio voador foi desenvolvido em meados do século XIX por Jules Léotard (1842–70), um artista acrobata francês do Cirque Napoléon, de Paris. Nos anos 1930, trupes de duas e três pessoas haviam criado números cada vez mais perigosos e difíceis para trapézio, incluindo o famoso salto mortal triplo.

Alcorão sagrado

De acordo com a fé islâmica, o Alcorão sagrado foi revelado por Deus ao profeta Maomé (570–632) pelo anjo Gabriel por um período de 22 anos. O Alcorão fala de forma poderosa e tocante sobre a realidade e as qualidades de Deus, o mundo espiritual, os objetivos de Deus ao criar a humanidade, o relacionamento e a responsabilidade dos homens com Deus, a chegada do Dia do Julgamento e a vida após a morte. Ele também contém regras para o dia-a-dia, histórias dos primeiros profetas e suas comunidades, percepções e compreensões vitais a respeito do significado da existência e da vida humana. A devoção que o livro inspira entre os muçulmanos é refletida nos muitos manuscritos do Alcorão iluminados e produzidos de forma suntuosa, dos quais a presente obra, criada na cidade iraniana de Shiraz em meados do século XIX, é um exemplo. O manuscrito inclui muitas imagens multicoloridas que exibem uma ampla gama de estilos de iluminuras e do uso de muitos materiais de produção diferentes. A bela caligrafia é de Abdol-Vahhab Naghmeh. Apenas a capa pintada com laca já é uma obra-prima. O requintado manuscrito é mantido nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

As maravilhas da criação

Zakarīyā ibn Muhammad al-Qazwīnī (entre 1203 e 1283, aproximadamente) foi um distinto erudito iraniano conhecedor de poesia, história, geografia e história natural. Ele trabalhou como jurista e juiz em várias localidades no Irã e em Bagdá. Após viajar pela Mesopotâmia e pela Síria, escreveu sua famosa cosmografia em língua árabe, 'Aja'eb ol-makhluqat wa qara'eb ol-mowjudat (As maravilhas da criação ou, literalmente, Maravilhas das coisas criadas e aspectos surpreendentes das coisas existentes). Este tratado, muito ilustrado, foi imensamente popular e está preservado hoje em diversas cópias. Ele foi traduzido para o persa, o turco e o alemão. O livro abrange muitos temas, como astrologia, cosmologia e as ciências naturais. O tema central do livro é dividido em dois agrupamentos amplos: o sublime e transcendental, e o bruto ou material. Do ponto de vista da amplitude de informações contidas em sua obra, al-Qazwīnī é frequentemente comparado ao grande erudito romano Plínio, o velho (23–79 d.C.) e muitas vezes chamado de “Plínio da Idade Média”. O presente manuscrito, uma tradução persa do 'Aja'eb, contém desenhos e pinturas curiosos no estilo persa, monocromáticos e em aquarela. A cópia é mantida nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

Os dísticos espirituais

A contribuição mais significativa de Jalāl ad-Dīn Muhammad Rūmī (popularmente conhecido em persa como Mawlānā, e em inglês como Rumi, 1207–1273), o renomado poeta e místico do Irã, para a literatura persa talvez seja sua poesia, e especialmente seu famoso Masnavi (Os dísticos espirituais). Esta obra, considerada a exposição de misticismo em versos mais abrangente de qualquer idioma, discute e oferece soluções a muitos problemas complicados de metafísica, religião, ética, misticismo e outros campos. Masnavi destaca os vários aspectos ocultos do sufismo e de seu relacionamento com a vida mundana. Para atingir seus objetivos, Rumi baseia-se em uma variedade de temas e retira numerosos exemplos da vida cotidiana. Seu principal tema é o relacionamento entre os homens e Deus, por um lado, e entre os homens, por outro. Rumi aparentemente acreditava em alguma forma de panteísmo e retratava as várias fases da evolução do homem em sua jornada rumo ao Absoluto. O impacto cultural de Rumi foi muito profundo por todo o Oriente Médio, no mundo islâmico e, recentemente, no mundo ocidental. O presente livro é uma impressão em fac-símile de um manuscrito de Masnavi feito pelo famoso calígrafo do século XIX Towhid Vesal. Ele contém belas iluminuras e elegantes vinhetas. O manuscrito original está preservado nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

O tesouro de Khvarazm’Shah

Ismā‘īl ibn Ḥasan Jurjānī (entre 1042 e 1136, aproximadamente, também citado como Jorjānī e Gurjānī), conhecido popularmente como Hakim Jurjānī, foi um dos mais famosos médicos do Irã do século XII. No período entre a conquista islâmica e o tempo de Jurjānī, quase todos os livros científicos de iranianos eram escritos em árabe, incluindo obras famosas como al-Qānūn fī al-tibb (O cânone da medicina) escrito por Ibn Sina (Avicena). A enciclopédia médica de Jurjānī, Zakhīrah-i Khvārazm’Shāhī (O tesouro de Khvarazm’Shah) foi o primeiro grande livro de medicina no Irã pós-islamismo escrito em persa, e logo se tornou a fonte principal de médicos iranianos, usado por muitos séculos. Ele também foi traduzido para o hebraico, o urdu e o turco. A volumosa obra é dividida em dez partes. Em um longo prefácio, Jurjānī descreve em detalhes o clima, a geografia e as doenças comuns do Khvarasm (atualmente, Coração), a província do norte onde ele vivia. Após essa apresentação de contexto, ele explica a necessidade de escrever um livro de medicina em seu idioma nativo. A organização em dez partes do Zakhīrah é semelhante ao Cânone de Avicena. Na terminologia médica atual, as dez partes discutem os seguintes tópicos: (1) anatomia, fisiologia e temperamentos, humores e elementos conhecidos; (2) fisiopatologia geral (incluindo um capítulo que descreve os tipos de pulsos e um capítulo sobre causas de morte); (3) higiene e nutrição (incluindo capítulos separados sobre doenças da infância, da velhice, e especialmente doenças contraídas durante viagens); (4) diagnósticos e prognósticos; (5) febre e suas classificações; (6) tratamentos (o volume da enciclopédia mais pesquisado pelos médicos do período); (7) doenças infecciosas; (8) doenças da pele; (9) toxicologia e (10) farmacologia. O presente manuscrito, criado no século XII, contém ilustrações e iluminuras impressionantes, e é uma das cópias mais antigas existentes do Zakhīrah. Ela está preservada nas coleções de manuscritos da Biblioteca Nacional e Arquivos da República Islâmica do Irã.

Vista das comportas e da Usina Hidrelétrica de Ķegums, 20 de abril de 1939

Eduards Kraucs (1898–1977) foi um renomado fotógrafo e cineasta letão que, entre 1936 e 1940, documentou a construção da Usina Hidrelétrica de Ķegums sobre o rio Daugava no centro da Letônia. Esta fotografia, tirada em 20 de abril de 1939, exibe a represa e as comportas desde o reservatório da usina. A usina foi uma estrutura de engenharia única para países bálticos e o norte da Europa, que envolvia um esforço colaborativo de engenheiros letões e suecos. Soluções tecnológicas novas na Europa foram usadas nesta construção. A usina teve grande importância na Letônia como um símbolo do estado e da identidade nacional durante o primeiro período da história do Estado independente da Letônia (1918–1940). Sua conclusão marcou o início de um sistema de energia unificado em todo o estado e do grupo Latvenergo. A usina impulsionou um rápido crescimento econômico, que resultou na eletrificação das regiões da Letônia, e aprimorou o bem-estar da população do país. Kraucs tirou fotos do trabalho uma ou duas vezes por semana durante o período de construção. A coleção resultante de 1.736 negativos em placa de vidro é o único exemplo conhecido na Europa de um registro fotográfico tão abrangente de um projeto de construção de grande escala. A coleção foi inscrita na Memória Nacional da Letônia do Registro Mundial em 2009.