Registro de Músicas e Danças Executadas por Animadoras Profissionais

Gyobanggayo é uma coleção de canções e danças do século 19 pelas gisaeng (o equivalente coreano às gueixas). As Gyobang eram as instalações onde as gisaeng treinavam e eram controladas, pois pertenciam ao governo provincial durante a Dinastia Joseon, e gayo significava canções. O livro não inclui apenas arietas, letras, poemas e canções folclóricas (todos coletados usando o Hangul, o alfabeto coreano), mas também manuscritos coloridos de danças com movimentos detalhados de execução para as gisaeng. Ela possui um valor histórico importante ao fornecer informação sobre situações sociais e culturais das províncias na época, vista através dos olhos de uma gisaeng.

O livro dos reis

Este manuscrito contém 215 ilustrações e é um dos maiores ciclos pictóricos de Shāhnāma, o livro persa dos reis. Vários pintores, trabalhando em diferentes épocas, estiveram envolvidos nas iluminuras; desta forma, as miniaturas não apresentam uniformidade em seu estilo. Quatro grupos distintos podem ser identificados, com dois dos grupos mais antigos datando o século XVI. As miniaturas do primeiro grupo mostram composições de grande escala com muitas figuras, executadas em mínimos detalhes usando cores brilhantes. As imagens do segundo grupo são de qualidade inferior em relação à composição e ao desenho de figuras. O terceiro grupo é composto de duas ilustrações grandes no estilo da corte de Isfahan, as quais foram adicionadas no início do século XVII. O quarto grupo, no entanto, é composto de miniaturas que não parecem relacionadas à tradição iraniana e podem ser de origem indiana. Algumas das melhores ilustrações no manuscrito foram pintadas possivelmente na corte do sultão Ibrāhīm Mīrzā em Mashhad antes de 1565. O Shāhnāma foi composto no final do século X pelo poeta Firdawsi (por volta de 940–1020). Este amado épico nacional é uma narrativa heróica da Pérsia pré-islâmica, desde os inícios míticos até a invasão árabe no século VII. As lendas compõem parte da identidade iraniana e ocupam um status na literatura mundial similar àquele dos épicos de Homero e peças de William Shakespeare.

As maravilhas da criação

Esta cosmografia de Zakarīyā Ibn Muhammad al-Qazwīnī (entre 1203 e 1283, aproximadamente), Kitāb‘Ajā’ib al-makhlūqāt wa-gharā’ib al-mawjūdāt (As maravilhas da criação, ou, literalmente, As maravilhas das coisas criadas e os aspectos milagrosos de coisas existentes), gozava de grande popularidade no mundo árabe e foi transmitida em inúmeras cópias ao longo de séculos. Esta versão da Biblioteca Estatal da Baviera, em Munique, Alemanha, não tem data, mas um manuscrito muito semelhante da Biblioteca Nacional da França está datado de 1762. A escrita, o estilo e a cor das representações sugerem que ambos os manuscritos foram produzidos na mesma oficina, que pode ter sido na Palestina. As ilustrações mostram-se ingênuas e se parecem com representações de manuscritos árabes cristãos do século XVIII. Algumas das miniaturas revelam que, ocasionalmente, a composição total da pintura foi copiada por traçado. Algumas figuras parecem estar cortadas, embora não existam quadros nos quais as ilustrações devessem ser inseridas. Em comparação à edição de 1280, o manuscrito testemunha um declínio marcante na qualidade artística da pintura árabe. Al-Qazwīnī nasceu na cidade persa de Qazwīn e trabalhou como jurista e juiz na Pérsia e no Iraque. Ele também é conhecido por seu dicionário geográfico, Athat al-bilad wa-akhbar al-‘ibad (Monumento de lugares e história dos servos de Deus), que, tal como sua cosmografia, reflete a aprendizagem de uma vasta gama de disciplinas.

As maravilhas da criação

Zakarīyā Ibn Muḥammad al-Qazwīnī (1203–1283) passou a maior parte de sua vida na região onde hoje estão localizados o Irã e o Iraque e atuou como juiz em Wasit e Hilla, no Iraque, durante o reinado do último califa abássida, Musta‘sim (1240–1258). Al-Qazwīnī foi também um geógrafo e historiador natural, e famoso por seu conhecimento enciclopédico. Esta obra, Kitāb ‘Ajā’ib al-makhlūqāt wa-gharā’ib al-mawjūdāt (As maravilhas da criação, ou, literalmente, Maravilhas das coisas criadas e aspectos surpreendentes das coisas existentes), foi escrita provavelmente na sexta década do século XIII e é considerada a cosmografia islâmica mais famosa. As muitas cópias do manuscrito mostram que, por séculos, foi um dos livros mais populares no mundo islâmico. O manuscrito atual contém vários desenhos esquemáticos sobre os planetas e mais de 400 miniaturas e pinturas. Ele foi concluído em 1280, três anos antes da morte do autor, e é a mais velha testemunha textual do trabalho original. A primeira parte trata do mundo celestial, enquanto a segunda parte descreve o mundo terreno. A cosmografia baseia-se na doutrina da unidade de Deus e na unidade do universo como uma criação divina. O retrato de anjos, que aparecem, estranhamente, ágeis e vívidos, merece atenção especial. O uso extraordinário de cores no manuscrito torna os anjos em criaturas translucentes brilhantes.

A quintessência da medicina

O autor deste tratado, Isma‘īl ibn Muhammad al-Husayn al-Jurjānī (por volta de 1042–1136), também conhecido como al-Sayyid Isma‘īl, foi um dos médicos mais famosos e escritores prolíficos sobre medicina de sua época. Ele foi um estudante do notável médico persa Ibn Abī Sādiq Al-Nīšapūrī, que seguia os ensinamentos de Ibn Sīnā (Avicena) e foi apelidado de Buqrāt al-tāni (O segundo Hipócrates). Graças à sua proficiência na medicina, al-Jurjānī foi contratado pelos xás de Khvarazm, Qutb al-Dīn Muhammad (1097–1127) e ‘Azīz b. Muhammad (1127–1156). O primeiro encarregou-o de compor uma enciclopédia médica monumental em persa, que se tornou Zakhīrah-i Khvārazm’Shāhī (O tesouro de Khvarazm'Shah). A décima parte dessa obra, sobre os medicamentos simples e compostos, às vezes circulava como um tratado em separado: Kitāb-i Qarabadhin, ou Dakīra (O formulário), usado pelos xás em suas viagens. A Kitāb Zubdat al-Tibb (A quintessência da medicina) é outro manual médico de al-Jurjānī, do qual não sobreviveram muitas cópias. Este é um manuscrito do século XVII muito elegante e ricamente rubricado. A primeira parte Zubdat al-Tibb é um tratado sobre medicina teórica disposto em forma de tabelas, visando esquematizar os diagnósticos que podem ser feitos a partir de análises do pulso e da urina. No restante, al-Jurjānī discorre sobre a anatomia humana e o tratamento de febres. Este enorme manuscrito—um verdadeiro compêndio do conhecimento médico disponível para um médico do século XII—inclui outros tratados de al-Jurjānī dedicados à explicação de medicamentos simples e compostos e às discussões de tumores, à relação sexual e às doenças sexualmente transmissíveis e aos venenos.