16 de outubro de 2012

Povo irlandês, vamos vingar o Lusitania. Aliste-se hoje em um regimento irlandês

Até 1922, quando os condados do sul se separaram para formar o Estado Livre Irlandês, a Irlanda fazia parte do Reino Unido. Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, muitos nacionalistas irlandeses que aspiravam à independência da Irlanda conclamaram seus compatriotas a se afastar dos esforços de guerra britânicos. Alguns chegaram até mesmo a conspirar com agentes alemães em várias atividades contra os britânicos, mas outros irlandeses lutaram pela causa britânica. Entre 1914 e 1916, aproximadamente 180 mil voluntários irlandeses serviram nas forças armadas britânicas. Este cartaz, publicado em 1915 pelo Conselho Central da Organização de Recrutamento na Irlanda, tentou apelar para os sentimentos incitados pelo afundamento do Lusitania para incentivar os alistamentos irlandeses. O transatlântico britânico de passageiros fora afundado por um submarino alemão próximo à costa sul da Irlanda em 7 de maio de 1915, a caminho de Nova York para Liverpool. Foram enviados barcos de resgate de Queenstown, mas das 1.959 pessoas a bordo, apenas 764 sobreviveram. A imagem gráfica mostra o navio em chamas e afundando, com pessoas na água e botes salva-vidas em primeiro plano.

Schleswig é dinamarquesa? Schleswig é alemã!

Este cartaz de 1919 mostra um mapa da província de Schleswig e indica os números de eleitores alemães e dinamarqueses em 1912, época das últimas eleições para o Reichstag (Parlamento) alemão. Aparecem também quatro vistas da província: uma fazenda, uma igreja na cidade, um rio ou canal e uma vista costeira. O texto alega que o sul da província é "puramente alemão" e que a "maioria da população é alemã e se identifica como alemã". Schleswig era objeto de rivalidade entre a Alemanha e a Dinamarca havia décadas. Em 1866, em consequência da Guerra Austro-Prussiana, o Ducado de Schleswig tornou-se parte da Prússia e foi unificado a Holstein, dando origem à província de Schleswig-Holstein. Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra, o Tratado de Versalhes estipulou que o futuro de Schleswig fosse determinado por um plebiscito. O pleito foi realizado em fevereiro de 1920. Três quartos da população votaram a favor da unificação com a Dinamarca e, em julho de 1920, a província foi incorporada à Dinamarca. Este cartaz de Chr. Kreutzfeldt, publicado em Berlim, fez parte da malfadada campanha alemã para conservar a província.

Lembre-se de Scarborough! Aliste-se agora

Em 16 de dezembro de 1914, uma força de navios de guerra alemães sob o comando do almirante Franz von Hipper bombardeou as cidades inglesas de Scarborough, Hartlepool e Whitby, na costa do Mar do Norte, matando 122 pessoas e ferindo 443.O ataque fazia parte da estratégia alemã de levar a frota britânica (numericamente superior) para o Mar do Norte, onde ela ficaria vulnerável aos campos minados e aos ataques submarinos da Alemanha. Scarborough, desprovida de qualquer plataforma de artilharia, ficou indefesa, e o governo e a opinião pública britânica condenaram veementemente o ataque à cidade indefesa e a morte de civis. Os alemães acreditavam que Scarborough fosse defendida por baterias de armas e constituísse um alvo militar legítimo. Este cartaz, que mostra a figura de Britânia carregando a bandeira britânica e liderando cidadãos de uma paisagem pastoral com uma cidade em chamas ao fundo, fazia alusão ao que ficou conhecido como Ataque de Scarborough para incitar os homens britânicos a se alistar nas forças armadas.

Bíblia (antigo testamento) da ordem dominicana de Ratisbona

Este manuscrito constitui o primeiro volume de uma Bíblia em latim anteriormente em posse da Ordem Dominicana em Ratisbona (atual Regensburgo) É composto por vários livros do Antigo Testamento, bem como interpretações de termos bíblicos. O manuscrito contém miniaturas raras do famoso pintor renascentista alemão Berthold Furtmeyr (ativo entre 1460-1501). Furtmeyr e seus seguidores foram importantes contribuintes da antiga Escola de Iluminura de Ratisbona. Artista de grande renome, Furtmeyr iluminou muitas obras impressionantes, incluindo este manuscrito, a Bíblia de Furtmeyr, o missal da festa de Salzburgo em cinco volumes (todas encontram-se atualmente na Biblioteca Estatal da Baviera, em Munique, Alemanha) e muitos outros trabalhos. O artista mostrou seu domínio da difícil tarefa de combinar com êxito imagens, ornamento e texto com grande autoridade. Furtmeyr é famoso por sua manipulação de cores, suas iluminuras brilhantes e a extrema diligência que marca o seu trabalho. Embora ele ainda estivesse profundamente enraizado na Idade Média, o seu amor por cores, cenas noturnas e nus femininos marcam uma transição para o Renascimento.

Manuscrito de um sutra mongol

Este texto é um exemplo representativo da coleção de manuscritos mongóis na Biblioteca Estatal da Baviera. É um manuscrito budista produzido no estilo de Pequim, no qual um tecido foi evolto em ambas as capas superior e inferior. Uma capa de seda de cores variadas protege o conjunto de folhas no recesso. Este tipo de capa de livro foi desenvolvido em Pequim para manuscritos tibetanos e mongóis e, às vezes, também é encontrado em encadernações de impressão xilográfica. Este exemplo é um dos Sutras Mahāyānas (Yeke kölgen Sudur): o popular e difundido Vajracchedikā, um dos textos do Prajñāpāramitā. No lado esquerdo do fólio 1 há uma miniatura de Buda, e, na direita, um de seus devotos. Retratados na capa inferior, como ocorre com frequência em manuscritos mongóis, estão os quatro conhecidos como Grandes Reis, ou guardiões do mundo.

Livro dos Evangelhos

Este manuscrito tem origem no mosteiro de São Galo no leste da Suíça no final do século IX ou início do século X. Graças ao seu estilo típico de decoração, ele tem sido atribuído ao "Grupo Sintram" de manuscritos, nome proveniente do escriba e calígrafo Sintram, que era ativo em São Galo no século IX e cuja caligrafia era conhecida e admirada em grande parte da Europa. Esta decoração é composta de uma escritura impressionante em maiúsculas monumentais (quadradas), cujos espaços intermediários estão preenchidos em dourado e prateado, maiúsculas rústicas de duas linhas e escrita uncial ou maiúsculas monumentais em dourado no início dos textos. As tabelas canônicas exibem colunas em arcos, desenhadas em tinta vermelha e decoradas com motivos florais e geométricos e preenchidas em azul brilhante, dourado e prateado. As numerosas iniciais são geralmente decoradas com entrelaçados ou motivos florais ou animais, dourados ou prateados. As miniaturas neste manuscrito, no entanto, não são típicas da famosa escola carolíngia de São Galo e têm sido associadas a exemplares da escola da corte de Carlos, o Calvo (823-877). Os retratos dos evangelistas Marcos e João estão preservados e são bons exemplos de pintura carolíngia.