26 de outubro de 2012

História geral das coisas da Nova Espanha de Frei Bernardino de Sahagún: O Códice Florentino. Livro VI: Retórica e filosofia moral

Historia general de las cosas de nueva España (História geral das coisas da Nova Espanha) é um trabalho enciclopédico sobre o povo e a cultura da região central do México compilado por Frei Bernardino de Sahagún (1499–1590), um missionário franciscano que chegou ao México em 1529, oito anos após o término da conquista espanhola por Hernan Cortés. Normalmente mencionado como o Códice Florentino, o manuscrito consiste de 12 livros dedicados a diferentes tópicos. O Livro VI trata da retórica e da filosofia moral. Contém textos que Sahagún reuniu por volta de 1547, no estágio inicial da pesquisa sobre a cultura indígena, a partir de recitações orais dos anciãos nahua. Conhecidos como Huehuetlahtolli (palavra antiga), esses textos incorporavam, de acordo com Sahagún, “a retórica, a filosofia moral e a teologia do povo mexicano, nas quais há muitas coisas curiosas exibindo a beleza da linguagem e outras muito delicadas relacionadas a virtudes morais”. Embora repudiasse a religião asteca, Sahagún ficou profundamente impressionado com a sabedoria e beleza dos textos antigos, e cita longamente, por exemplo, uma conversa de um pai nahua com uma filha que tinha chegado à idade da razão. Uma ilustração de pais aconselhando seus filhos encontra-se no fólio 80 (reto). Na encadernação original, o Livro VI era o início do segundo volume. Assim, abre com uma dedicatória a Rodrigo de Sequera, chefe do serviço de intendência da ordem franciscana e um grande admirador do trabalho de Sahagún. Uma dedicatória semelhante foi colocada originalmente no início do Livro I, mas foi arrancada mais tarde e sobrevive somente em uma cópia posterior do códice.

História geral das coisas da Nova Espanha de Frei Bernardino de Sahagún: O Códice Florentino. Livro XI: Coisas naturais

Historia general de las cosas de nueva España (História geral das coisas da Nova Espanha) é um trabalho enciclopédico sobre o povo e a cultura da região central do México compilado por Frei Bernardino de Sahagún (1499–1590), um missionário franciscano que chegou ao México em 1529, oito anos após o término da conquista espanhola por Hernan Cortés. Normalmente mencionado como o Códice Florentino, o manuscrito consiste de 12 livros dedicados a diferentes tópicos. O Livro XI, o mais longo do códice, é um tratado de história natural. Seguindo a divisão de conhecimentos tradicional, comum a muitos trabalhos enciclopédicos europeus, o Códice Florentino trata de “todas as coisas divinas (ou melhor, idólatras), humanas e naturais da Nova Espanha”. Assim, tendo tratado de seres superiores e humanos, Sahagún se volta aos animais, plantas e todos os tipos de minerais. Para a discussão sobre ervas medicinais e minerais, Sahagún contou com o conhecimento de médicos indígenas, criando o que o estudioso Miguel León-Portilla chamou de uma espécie de farmacologia pré-hispânica. A discussão sobre animais conta com as lendas astecas sobre vários animais, reais e míticos. O livro é uma fonte especialmente importante para entender como os mesoamericanos usavam recursos naturais antes da chegada dos europeus. Muitos animais criados na Europa, como vacas, porcos, galinhas e cavalos, eram desconhecidos pelos povos mesoamericanos. Em vez deles, criavam coelhos, xoloitzcuintli (uma raça de cão sem pelos), pássaros e, em particular, perus. Suplementavam sua dieta com javalis, cervos, antas, pássaros, rãs, formigas, grilos e serpentes. Outros animais eram caçados, principalmente por sua pele, como o jaguar e outros felinos, ou por sua plumagem. O Livro XI contém numerosas ilustrações de animais, incluindo mamíferos (jaguar e tatu), pássaros, répteis, anfíbios, peixes e insetos.

História geral das coisas da Nova Espanha de Frei Bernardino de Sahagún: O Códice Florentino. Livro VII: O sol, a lua e as estrelas e a ligação dos anos

Historia general de las cosas de nueva España (História geral das coisas da Nova Espanha) é um trabalho enciclopédico sobre o povo e a cultura da região central do México compilado por Frei Bernardino de Sahagún (1499–1590), um missionário franciscano que chegou ao México em 1529, oito anos após o término da conquista espanhola por Hernan Cortés. Normalmente mencionado como o Códice Florentino, o manuscrito consiste de 12 livros dedicados a diferentes tópicos. O Livro VII é sobre o sol, a lua e as estrelas. Contém um relato sobre a criação do sol e da lua, que os astecas chamavam de "quinta idade do mundo", e que Sahagún extraiu de poemas e lendas antigas compartilhadas com ele pelos mais velhos. A ilustração no fólio 228 (verso) retrata o coelho na lua. Os antigos mesoamericanos acreditavam que o desenho de um coelho podia ser visto na lua cheia, um efeito visual que resulta da combinação de pontos escuros provocados pela alteração de elevações e crateras na superfície da lua, mas que eles explicavam mitologicamente. No relato asteca, antes da criação do dia, os deuses se encontraram em Teotihuacán para criar o sol para iluminar o mundo. Para que isso acontecesse, alguém tinha que se sacrificar. O deus Tezcuciztecatl (também visto como Tecciztecatl) se ofereceu, mas eles também precisavam de um outro deus. Todos os outros estavam com medo e ninguém mais se ofereceu, então eles se voltaram para Nanahuatzin, que estava coberto de pústulas, e ele elegantemente aceitou. Ambos os deuses se prepararam para o sacrifício fazendo penitência durante quatro dias. Tezcuciztecatl realizou o autossacrifício usando penas, ouro e fragmentos afiados de pedras preciosas e coral, enquanto Nanahuatzin usou materiais modestos e ofereceu seu sangue e pus. Uma grande fogueira foi acesa e todos os deuses se reuniram ao redor dela à meia-noite, mas quando chegou o momento de Tezcuciztecatl se atirar no fogo para ser transformado no sol, ele hesitou. Nanahuatzin, por sua vez, corajosamente se atirou ao fogo e começou a brilhar. Somente então Tezcuciztecatl, que ficou com inveja, fez o mesmo para ser transformado em um segundo sol. Os deuses não contavam com a existência de duas luzes de igual brilho no céu, então um deles pegou um coelho e o arremessou no segundo sol para diminuir seu brilho, transformando-o assim na lua, com o formato de um coelho visível em sua face.

História geral das coisas da Nova Espanha de Frei Bernardino de Sahagún: O Códice Florentino. Livro VIII: Reis e senhores

Historia general de las cosas de nueva España (História geral das coisas da Nova Espanha) é um trabalho enciclopédico sobre o povo e a cultura da região central do México compilado por Frei Bernardino de Sahagún (1499–1590), um missionário franciscano que chegou ao México em 1529, oito anos após o término da conquista espanhola por Hernan Cortés. Normalmente mencionado como o Códice Florentino, o manuscrito consiste de 12 livros dedicados a diferentes tópicos. O Livro VIII trata de reis e nobres, formas de governo, eleições de governantes e os costumes e passatempos da nobreza. Além de seu interesse normal por esses tópicos, Sahagún era motivado por considerações linguísticas para descrever tantos aspectos da vida asteca quantos pudesse. Somente assim, explicava ele, poderia "esclarecer todas as palavras dessa língua com seus significados literais e metafóricos, todas as suas formas de discurso e a maior parte de seus costumes antigos, o bem e o mal". O Livro VIII é rico em ilustrações relacionadas ao modo de vida asteca. As pinturas nos fólios 219, 261 e 280-281 relacionam-se a vestuário. Elas mostram o tear, como as roupas eram feitas e os padrões de tecidos usados pela nobreza. A maioria da população asteca somente podia vestir roupas feitas de fio de agave, não tingido e sem adornos, mas os nobres usavam roupas de algodão colorido, decoradas com conchas ou bordados com ossos e penas. A ilustração do fólio 269 (reto) mostra o jogo patolli, descrito por Sahagún como semelhante ao jogo de dados, no qual os jogadores apostavam joias e outras posses, deixando cair três grandes grãos em uma grande cruz pintada em uma esteira. A ilustração do fólio 292 (verso) retrata tlachtli, um jogo de bola originalmente ligado à visão do cosmos pelos mesoamericanos como o produto de um choque entre forças opostas, mas complementares, como vida e morte, dia e noite, fertilidade e esterilidade, e luz e trevas. A luta era reproduzida no jogo, no qual dois times representando forças cósmicas opostas se enfrentavam em uma quadra, esforçando-se para arremessar uma pesada bola de borracha tantas vezes quanto possível contra as paredes laterais da quadra. Segundo Sahagún, o jogo era uma distração da nobreza que tinha perdido seu antigo significado religioso.

História geral das coisas da Nova Espanha de Frei Bernardino de Sahagún: O Códice Florentino. Livro IX: Os comerciantes

Historia general de las cosas de nueva España (História geral das coisas da Nova Espanha) é um trabalho enciclopédico sobre o povo e a cultura da região central do México compilado por Frei Bernardino de Sahagún (1499–1590), um missionário franciscano que chegou ao México em 1529, oito anos após o término da conquista espanhola por Hernan Cortés. Normalmente mencionado como o Códice Florentino, o manuscrito consiste de 12 livros dedicados a diferentes tópicos. O Livro IX trata de comerciantes, pessoas responsáveis por ouro, pedras preciosas e trabalhos com penas. Os pochteca (comerciantes) eram um grupo importante na sociedade asteca. Realizavam longas viagens em busca de mercadorias e bens preciosos, e eram valorizados pelas informações que obtinham nas terras que visitavam, que eram frequentemente usadas pelos astecas para planejar guerras de conquista. Animais de carga e a roda eram desconhecidos na Mesoamérica, então as mercadorias eram carregadas a pé por tlameme (carregadores), que colocavam as cargas em um cacaxtli (estrutura de madeira), que era preso com uma corda que passava ao redor dos ombros e da testa do carregador. O fólio 316 (reto) contém uma ilustração que mostra carregadores e suas cargas. Arte plumario (arte com penas) era uma das artes secundárias praticadas na Mesoamérica pré-colombiana. Produtos de arte com penas eram reservados para a elite asteca—o rei, nobres, sacerdotes e guerreiros—que usavam itens como mantos, leques e enfeites de cabeça, principalmente para cerimônias. O fólio 370 (reto) apresenta uma ilustração que mostra artesãos trabalhando em um enfeite para cabeça. O Livro IX também discute o fumo, que os mesoamericanos praticavam durante banquetes e cerimônias religiosas, usando cachimbos que eram enchidos com ervas e gramíneas, ou fumando charutos feitos com folhas de tabaco enroladas. O fumo é retratado no fólio 336 (reto).

História geral das coisas da Nova Espanha de Frei Bernardino de Sahagún: O Códice Florentino. Livro X: O povo, suas virtudes e vícios e outras nações

Historia general de las cosas de nueva España (História geral das coisas da Nova Espanha) é um trabalho enciclopédico sobre o povo e a cultura da região central do México compilado por Frei Bernardino de Sahagún (1499–1590), um missionário franciscano que chegou ao México em 1529, oito anos após o término da conquista espanhola por Hernan Cortés. Normalmente mencionado como o Códice Florentino, o manuscrito consiste de 12 livros dedicados a diferentes tópicos. O Livro X trata da sociedade asteca e abrange assuntos como as virtudes e vícios do povo, comidas e bebidas, as partes do corpo humano, doenças e remédios. Nesse livro, Sahagún descreve o processo de fabricação de chocolate a partir dos grãos de cacau, que é também retratado no fólio 71 (verso). A bebida feita de cacau puro e especiarias era considerada a maior das iguarias e era reservada somente aos nobres. O Livro X também discute agricultura e preparação de alimentos. A economia asteca era baseada principalmente na agricultura. A agricultura era responsabilidade dos plebeus, que cultivavam a terra atribuída a eles e a terra dos nobres e dos governantes. A principal cultura era o milho, com o qual os astecas faziam uma espécie de pão. A preparação da comida era tarefa das mulheres e é retratada no fólio 315 (reto). Enquanto os plebeus tinham uma dieta muito simples, a elite tinha um cardápio mais rico e abundante. Sahagún inclui uma longa lista de pratos condimentados com diferentes molhos. O último capítulo do Livro X, sobre "as nações que vieram a habitar esta terra", inclui dois textos longos, derivados do questionamento de Sahagún sobre a história da Mesoamérica aos anciãos nahua. Um fala sobre Quetzalcoatl e Toltecs; e o outro apresenta uma visão geral da evolução cultural do povo nahua.