18 de outubro de 2012

Parzival

Wolfram von Eschenbach compôs seu poema épico medieval alemão, Parzival, que consiste de mais de 24 mil linhas, na primeira década do século XIII. Conta a história do tolo rapazola Parzival que, tendo crescido no isolamento da floresta, pouco sabe sobre o mundo e causa muita angústia ao sair de casa a fim de se tornar cavaleiro. Ele chega ao Castelo do Graal, mas falha em perguntar ao enfermo Rei-Pescador Anfortas sobre a origem de seu sofrimento - uma pergunta que libertaria Anfortas e que faria de Parzival o novo rei do graal. Após uma longa odisséia e uma catarse religiosa, Parzival consegue retornar à corte do Rei Arthur e é marcado como o novo Rei Graal. O conto, evidenciado pela tradição do manuscrito, gozou de grande popularidade durante todo o período da Idade Média. Apenas alguns dos manuscritos são iluminados. Este manuscrito, da Biblioteca Estatal da Baviera, escrito em escrita gótica cursiva, é um dos poucos manuscritos iluminados de Parzival, de cuja existência se tem conhecimento. Infelizmente, apenas uma das iluminuras no códice, as quais deveriam ter sido inseridas em espaços que o escritor deixara em branco, foi executada. O estilo de pintura sugere que esta, muito provavelmente, é originária da Baixa Baviera, talvez de Landshut. A qualidade e a riqueza desta iluminura em particular, nos dá uma noção do esplêndido trabalho de arte que este teria sido, caso tivesse sido concluído.

Bíblia de Gutenberg

Johannes Gutenberg nasceu em Mainz, na Alemanha, por volta de 1400, filho de uma família aristocrática ligada à indústria metalúrgica local. Viveu em Estrasburgo (na França atual) por um tempo, onde ele realizou experiências com tipos metálicos móveis, fabricados através de um molde. Em meados da década de 1450, ele aperfeiçoou um sistema de impressão com tipos móveis, que usou para criar o que se tornou o livro mais famoso do mundo, a tradução em Latim da Bíblia (Vulgata), geralmente conhecido como a Bíblia de Gutenberg. Os estudiosos têm pesquisado exaustivamente todos os aspectos do trabalho de Gutenberg: a tipologia elaborada, com seus 290 caracteres diferentes oriundos da escrita missal gótica, a forma pela qual ele dividiu o texto no processo de composição, e o papel que usouusou para a impressão. No entanto, certos pontos fundamentais sobre a Bíblia de Gutenberg são ainda desconhecidos ou permanecem como matérias de disputa. A data em que a impressão foi concluída baseia-se, unicamente, na anotação "1455" na encadernação do exemplar em papel que se encontra em Paris. Acredita-se que foram impressas 180 cópias da Bíblia, mas esta informação é baseada em uma única carta de Enea Silvio Piccolomini (o futuro Papa Pio II), o qual viu amostras do trabalho de Gutemberg em Frankfurt, em 1455. Originalmente, Gutenberg desejava imprimir os títulos dos livros da Bíblia em vermelho, mas abandonou esta idéia, usando, ao invés disso, uma tabela impressa em separado, que serviria como modelo para que essas linhas fossem inseridas manualmente. Dos 49 exemplares existentes, mais ou menos completos, da Bíblia de Gutenberg (12 em pergaminho, 37 em papel), esta cópia da Biblioteca Estatal da Baviera é uma, de apenas duas (juntamente com uma cópia na Biblioteca Nacional da Áustria), em que esta tabela é encontrada como um vestígio do processo de produção.

Livro das Jóias da Duquesa Anna da Baviera

Este inigualável manuscrito foi encomendado, em 1552, pelo Duque Alberto V, da Baviera, o fundador do que é hoje a Biblioteca Estatal da Baviera. O manuscrito é um inventário das jóias de propriedade do duque e de sua esposa, a duquesa Anna, membro da dinastia Habsburg e filha do Imperador Fernando I. O trabalho, contém 110 magníficos desenhos do pintor Hans Mielich, da corte de Munique. Um dos mais impressionantes destes desenhos é a miniatura que está na primeira página, que mostra Alberto e Anna jogando xadrez, com Alberto retratado como um cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro. Por conta da sua destacada importância como obra de arte, o manuscrito foi mantido na privada Câmara de Artefatos ducal e eleitoral por quase três séculos — muito tempo após os originais das jóias retratadas terem sido perdidos. Somente em 1843 o trabalho foi apresentado à Biblioteca Estatal da Baviera pelo Rei Ludwig I.

Veranico

Adalbert Stifter (1805-1866) foi um dos maiores estilistas da literatura alemã. Ele iniciou sua carreira no espírito do Biedermeier austríaco, escrevendo histórias para o público leitor burguês. O tema destas histórias, as quais apareceram pela primeira vez em revistas e almanaques populares, era, frequentemente, a humanização do elementar. Stifter, posteriormente, fez uma revisão cuidadosa destes trabalhos, resultando na publicação das mesmas em seu Studien, de 1844-1850 e Bunte Steine, de 1853. Após os levantes revolucionários de 1848, Stifter distanciou-se das tendências contemporâneas. Der Nachsommer (Veranico), a primeira grande obra do seu período posterior, retrata um mundo idílico, no qual as tradições da antiguidade clássica estão ligadas ao romantismo medieval em uma antítese utópica para a civilização urbana da época de Stifter. Em 1964, a Biblioteca Estatal da Baviera adquiriu os manuscritos, há muito tempo tido como perdidos, de Der Nachsommer, Bunte Steine e sete histórias do Studien. Os manuscritos apresentam uma nova compreensão do trabalho de Stifter como estilista, e seu reaparecimento levou à publicação de uma nova edição histórico-crítica de suas obras.

Bíblia de Ottheinrich

A Bíblia de Ottheinrich é o manuscrito ilustrado do Novo Testamento mais antigo, ainda existente, na língua alemã. O trabalho foi encomendado, em 1430, por Ludwig VII, o Barbudo, Duque da Baviera-Ingolstadt. O texto foi escrito, provavelmente, em Ingolstadt, em uma escrita monumental consistente com os mais elevados padrões caligráficos. O texto foi, então, enviado para Regensburg para ser iluminado. Contudo, apenas cerca de um quinto das miniaturas estavam concluídas, quando o trabalho foi interrompido. Um pouco antes de 1530, o Conde Palatino Ottheinrich havia adquirido a Bíblia e contratou o artista Mathis Gerung para concluir a sequência de miniaturas, as quais se estendiam, anteriormente, até o Evangelho de São Marcos. Gerung concluiu o trabalho em 1530-1531. Ao todo, esta Bíblia magnificamente iluminada contém 146 miniaturas e 294 iniciais ornamentadas, em 307 folhas de pergaminho. O manuscrito foi posteriormente levado, como despojo de guerra, de Heidelberg para Munique e, em seguida, para Gotha, onde, no século XIX, foi dividido em oito volumes. A Biblioteca Estatal da Baviera adquiriu três destes volumes em 1950, e os demais cinco restantes em 2007.

Carta a Filócrates

Sob a influência do humanismo italiano e de seu tutor e colecionador de livros János Vitez, o Arcebispo de Esztergon, Matias Corvinus da Hungria (1443-1490) desenvolveu uma paixão por livros e pela aprendizagem. Eleito rei da Hungria em 1458, aos 14 anos de idade, Mathias conquistou grande sucesso por suas batalhas contra os turcos otomanos e por seu patrocínio à aprendizagem e à ciência. Ele criou a Bibliotheca Corviniana, na época considerada como uma das melhores bibliotecas da Europa. Após sua morte, e especialmente após a conquista de Buda pelos turcos, em 1541, a biblioteca foi dispersa e grande parte da coleção foi destruída, com os volumes sobreviventes sendo espalhados por toda a Europa. Este códice, um dos oito manuscritos inicialmente na Biblioteca Corvinus e agora preservado na Biblioteca Estatal da Baviera, contém um texto que narra, sob a forma de carta, a lendária história das origens da tradução grega do Pentateuco. Escrito por Aristeas, pseudônimo de um judeu anônimo de Alexandria, o texto foi traduzido por Mattia Palmieri (1423-1583), humanista, político e secretário da Santa Sé, que também compôs um prefácio dirigido ao Papa Paulo II. O manuscrito traz o timbre de Mathias Corvinus e o retrato de Ptolomeu II, que dizem ter encomendado a tradução do Pentateuco em grego. A Coleção Bibliotheca Corviniana foi inscrita no programa Memória do Mundo, da UNESCO, em 2005.